Curiosidades do passado: sidecar com volante?

Fevereiro 2, 2022

Sidecar1 - MotoX
Curiosidades do passado: sidecar com volante? 5

Sem a potência de cálculo e simulação que os computadores disponibilizam aos engenheiros atualmente, os seus congéneres no passado trabalhavam longas horas com lápis e papel para calcular os mais variados tipos de estruturas e mecanismos.

Não raro, as imagens que por vezes revemos com um largo sorriso, mostram a audácia e até a ausência de noção, total ou parcial, do risco a que certas experiências expunham os seus autores.

Particularmente nas corridas, das pistas aos pneus, passando pelos sistemas e equipamento de segurança, durante anos a fio viveu-se e correu-se com muita fé em Deus.

  • Texto: Fernando Pedrinho
  • Fotos: arquivo MotoX.pt
Sidecar2 - MotoX
“Será que este ‘morcão’ está a curvar para onde devia ou a olhar para a bancada à procura da namorada?”

Esta foto do ‘macaco’ a guiar a terceira roda, sentado em vez de empoleirado para um lado e para outro, é uma daquelas que dá que refletir sobre o engenho prático que muitos dos nossos antepassados demonstravam ter.

No caso do sidecar da foto, com o carro montado do lado direito, a terceira roda, não alinhada com as da moto, tem de percorrer uma maior distância nas curvas para esquerda e uma menor nas curvas para a direita. Na verdade, isto acontece com qualquer sidecar.

Ao montar um volante para poder dar alguma direccionalidade à roda e ajudar ao esforço do conjunto, há algum benefício até ao momento em as rodas perdem alguma aderência e entram em derrapagem. É aí que a porca torce o rabo. Mas porquê?

Em primeiro lugar porque a correção da derrapagem – ou a manutenção da deriva lateral ou ‘drift’ – não é nada fácil e pode terminar rapidamente num ‘high side’, ou seja, na chicotada causada pela inércia dos corpos de piloto e passageiro, quando moto e carro ‘entendem’ voltar à direção prévia mais depressa que o desejado.

Por outro lado, imaginem o que é ter um carro com dois volantes ou uma moto com dois guiadores. O sincronismo entre piloto e passageiro, que se torna num ‘semi-piloto’, tem de ser perfeito, o que em condições de competição, em que tudo se passa muito depressa, requer habilidade e muito entendimento telepático. Notem que o passageiro senta-se atrás do piloto, pelo que terá de ser aquele a antever o que o seu companheiro de equipa irá reagir a todas as situações que surjam durante a prova, mesmo tendo uma visibilidade muito limitada nas curvas para a esquerda. A confiança entre ambos tem de ser total.

Sidecar3 - MotoX
“Se não tiraram o meco que havia ali à frente estou metido num sarilho!”

E como se isto não chegasse, para além de um centro de gravidade mais alto, a complicação do mecanismo de direcionar a roda e incliná-la é algo nada simples comparativamente a dos pares de pegas e rebordos de apoio, para os pés.

Obviamente que esta situação seria completamente inconcebível nos potentes sidecar de pistas asfaltadas, equipados com pneus slick de fórmula, dados os riscos e a alteração da dinâmica do veículo, o que o tornaria ainda mais sensível, impreciso e difícil de pilotar. É por isso que estas fotos se referem a pistas de cinza ou terra, no que seria uma espécie de ‘dirt-track’ em três rodas e com dois pilotos, como muita deriva à mistura.

No fim de contas, o que temos aqui é quase um automóvel de três rodas, com a terceira direcional, já que apenas o piloto pode movimentar a parte superior do corpo para fazer deslocar o centro de massa para o interior da curva, sendo que o passageiro tem uma postura muito mais neutra e pouco ativa.

Sidecar4 - MotoX
Radical e com muito estilo.

Já o contrário é o que sucede com o ‘macacos’ de um sidecar convencional, o qual se projeta o mais que pode para fora e para o interior da curva, numa posição o mais baixa possível por forma a reduzir a altura do centro de massa da moto e da equipa, e assim criar um momento que facilite a passagem por curva do veículo a maior velocidade e, ao mesmo tempo que reduz a superfície frontal do conjunto.

Uma coisa é certa: estas corridas eram uma delícia para a multidão (na altura não havia Netflix nem outras modernices) que se acotovelavam na bancadas e bordas da pista para ver estes centauros motorizados digladiarem-se em pistas de cinza ou de outro qualquer material pulverulento.

Partilha este artigo!

Moto Guzzi V100
Moto Guzzi V85TT
Aprilia Tuareg 650
NEXX X.TR
Publicidade SYM Moteo abril 2026
Publicidade Suzuki Moteo abril 2026
Publicidade Lambretta Moteo abril 2026
Bajaj Pulsar 125
Moto Guzzi V85TT
Moto Guzzi V100
Aprilia Tuareg 650
NEXX X.TR
Publicidade Lambretta Moteo abril 2026
Publicidade Suzuki Moteo abril 2026
Publicidade SYM Moteo abril 2026
Bajaj Pulsar 125
Pesquisa

Não encontrado