Superbike 2026. Miguel Oliveira já se estreou na BMW

Novembro 27, 2025

Começou oficialmente a temporada do Mundial de Superbike 2026 para os pilotos da BMW, com os treinos de pré-época que, como habitualmente, tiveram lugar no circuito andaluz Angel Nieto, em Jerez de la Frontera. Dois dias de trabalho marcados pela estreia de Miguel Oliveira neste campeonato como piloto oficial da RokIt BMW Motorrad WorldSBK, ao lado de Danilo Petrucci, numa alteração radical face aos dois últimos anos da marca de Munique.


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Superbike 2026. Miguel Oliveira já se estreou na BMW 18
  • Texto: Fernando Pedrinho
  • Fotos: WorldSBK, Davide Clares e MotoX.pt

Aliás, diga-se de passagem que a formação alicerçada na estrutura de Shaun Muir foi substancialmente transformada para o Mundial de Superbike 2026. Assim, Miguel Oliveira trocou literalmente de campeonato, equipa e montada com o bicampeão mundial de Superbike, Toprak Razgatlioglu. O turco rumou à Prima Pramac para se estrear com a novíssima YZR-M1 de motor V4, enquanto o português caminhou em sentido inverso para herdar a BMW M1000RR que levou o natural de Adana ao título de pilotos nas duas últimas temporadas.


WorldSBK 2026, Mundial de Superbike, Miguel Oliveira, RokIt BMW Motorrad WorldSBK, M1000RR
Superbike 2026. Miguel Oliveira já se estreou na BMW 19

No Mundial de Superbike 2026, Miguel Oliveira não terá ao seu lado Markus Eschenbacher mas Andrew Pitt, com o australiano, ex-campeão mundial de Supersport (título que alcançou sem vencer uma única corrida) a transitar para a BMW oriundo da Pata Maxus Yamaha, onde era o diretor técnico de Jonathan Rea. Que se retirou e assinou pela Honda para um papel de desenvolvimento e aconselhamento, mas com a possibilidade de o verem nalgumas provas a fazer o ´gosto ao dedo´, como as 8 Horas de Suzuka…

Será, no mínimo, uma interessante combinação, juntando Pitt a Oliveira nas Superbike 2026 devendo contar com Christian Schwarz como engenheiro eletrónico e o indefectível Vítor Neves como um dos mecânicos a reforçar as cores lusas.

Danilo Petrucci para o assalto ao título de construtores?

No outro lado da boxe da marca germânica no Mundial de Superbike 2026 surge Danilo Petrucci, vindo da equipa satélite da Barni Spark, com Álvaro Bautista a ocupar agora esse lugar, despromovido que foi da Aruba.it Ducati, depois de ter andando nos últimos sete anos como piloto oficial (Ducati e Honda). Petrucci, esse sim e ao contrário da possibilidade que chegou a ser equacionada, terá consigo Markus Eschenbacher como diretor técnico – ele que andou com Michael van der Mark nos últimos anos – e Sebastien Jonkers como engenheiro eletrónico.


WorldSBK 2026, Mundial de Superbike, Miguel Oliveira, RokIt BMW Motorrad WorldSBK, M1000RR
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A mais que merecida ascensão de Danilo a uma equipa de oficial – sendo o único piloto no mundo a vencer corridas de MotoGP, Superbike e etapas do Dakar – mostra a decisiva aposta da marca alemã por uma dupla de pilotos mais equilibrada, em vez de apostar tudo no ´sprinter´que foi (e é) Toprak.

Michael van der Mark no Mundial de Superbike 2026 - MotoX
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Na verdade, Michael van der Mark, que se mantém como piloto de testes sendo mesmo o primeiro a entrar para o frio asfalto de Jerez, foi muito massacrado pelas lesões e acabou por perder a competitividade que nas últimas épocas só apareceu fugazmente. O título de construtores é claramente o que falta à casa de Munique, e nada melhor que ter dois pilotos que possam, de forma consistente, somar pontos para esse objetivo durante o Mundial de Superbike 2026.

Um bom começo para Superbike 2026

A ter de aprender tudo de novo, desde a equipa à moto, dos pneus à eletrónica, Miguel Oliveira nem se saiu mal de todo, alcançando o oitavo tempo absoluto da tabela (quinto entre os pilotos que vão alinhar no Mundial de Superbike 2026 e que marcaram presença nestes primeiros dias de testes) com um crono de 1’39″815, na sua volta 57, que o deixou a pouco mais de um segundo do mais rápido da sessão, Andrea Locatelli, e a oito e quatro décimas, respetivamente, de Van der Mark e Petrucci.

Miguel Oliveira no Mundial de Superbike 2026
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Em termos de estreantes, apenas Stefano Manzi, campeão mundial de Supersport, fez melhor que o português, o qual deixou para trás outras das caras novas no WorldSBk, como Jake Dixon ou Somkiat Chantra, os novos recrutas da Honda HRC.

Somkiat Chantra Jake Dixon no Mundial de Superbike 2026 - MotoX
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Contudo, há que manter os pés bem assentes na terra, pois tratou-se do primeiro contato com esta nova realidade e que estiveram ausentes, no primeiro dia, as equipas oficiais da Ducati e Bimota by Kawasaki, assim como outros nomes mais habituados a esta fórmula para motos derivadas de série.

Christian Gonschor muito satisfeito

Por obrigação contratual, não foi possível obter qualquer declaração de Miguel Oliveira ou Danilo Petrucci. Os mesmos não podem revelar à comunicação social as suas impressões em cima das M1000RR até ao primeiro dia de 2026.

Miguel Oliveira no Mundial de Superbike 2026
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Por isso, as atenções recaíram em Christian Gonschor, o diretor técnico da BMW Motorrad, que na única reunião com os meios presentes na Andaluzia, não escondeu a sua satisfação, numa equipa que viu partir o seu diamante rumo ao MotoGP.

Tanto Miguel como Danilo somaram 70 voltas (80 no caso do transalpino) e, como se esperava, o piloto de Almada concentrou o seu esforço em perceber o melhor possível o comportamento dos pneus da Pirelli – que entram na sua derradeira época como as borrachas oficiais do campeonato, para darem lugar às francesas da Michelin em 2027 – enquanto Petrucci se focou no equilíbrio da moto e no esforço de travagem que exige a M1000RR com que vai alinhar no campeonato Superbike 2026 comparativamente à Ducati Panigale V4R a que vinha habituado.

Miguel Oliveira no Mundial de Superbike 2026
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“Foi o dia perfeito!”, disse Christian Gonschor. “Basta ver as condições meteorológicas (um dia ensolarado) e que os pilotos aproveitaram entre quatro a cinco horas na pista. Primeiro dia perfeito porque não registámos quedas, boa transmissão das sensações dos pilotos e, também, um melhor entendimento do Miguel e do Danilo por parte da estrutura”.  Afinal, rematou, “os pilotos são os nossos heróis, mas temos de trabalhar em conjunto, porque o trabalho em equipa é um trabalho de sonho, que esperamos continuar no segundo dia de testes”.

Devagar se vai longe!

Perante o mutismo a que estão algemados Oliveira e Petrucci, Christian referiu-se a esta obrigação para se escusar a uma declaração direta e tangível sobre as sensações sentidas pelos pilotos, resumindo-se a um “foram naturalmente distintas”. Contudo, “ambos estão satisfeitos com a moto, que é diferente para eles e há um (Miguel) que vem mesmo de outro ‘paddock’ e necessita habituação a uma moto diferente, pneus distintos e a um campeonato com outras características”.

Miguel Oliveira no Mundial de Superbike 2026
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Gonschor reconheceu a progressão do piloto luso. “Em cada saída, a evolução do Miguel foi notável. Mas foi o que esperávamos. Ele paulatinamente enfocou-se em aprender como retirar o máximo do conjunto à disposição, e esteve muito bem a entender os pneus, a moto e a equipa”.

Miguel Oliveira no Mundial de Superbike 2026
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Já sobre Danilo Petrucci, “vem habituado a uma moto de um concorrente (a Panigale V4R da Ducati) que utilizou nos últimos quatro anos, mas agora tem de decifrar uma nova moto com outro potencial a pensar no Mundial de Superbike 2026, mas reconheci o sorriso na cara de ambos os pilotos”.

Mais de 150 voltas e muitos sorrisos

Os novos recrutas da formação bávara completaram um total de 150 voltas num só dia, o que fez sorrir Christian Gonschor de imediato. “Sim, por isso reafirmo que foi um dia de testes perfeito. 80 voltas de um lado da box e 68 do outro (70 atribuídas a Miguel Oliveira aparecem na tabela de tempos) mostra bem o quão motivados os dois vieram para estes ensaios, pois queriam sair para a pista a todo o momento para aprenderem a moto e as alterações que podemos efetuar nela.

Miguel Oliveira no Mundial de Superbike 2026
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Por isso, apenas posso estar satisfeito” sendo que, no segundo dia de testes, “o plano foi essencialmente o mesmo”, revelou Christian Gonschor. “O importante é dar toda a atenção aos pilotos e é justo dar-lhes todo o tempo para melhor entenderem a moto, a forma de trabalhar da equipa e o pacote que têm à disposição”.

Novos componentes e peças só em Janeiro

Tal significa que a habitual seleção de componentes e peças que ´fecharão’ a afinação base para  o início da competição “apenas terá lugar nos testes de Janeiro”, revelou o engenheiro máximo da BMW Motorrad. Testes estes que incluem nova passagem por Jerez de la Frontera e, como já é habitual, no AIA Portimão na semana subsequente.

Miguel Oliveira no Mundial de Superbike 2026
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“Aqui o objetivo são os pilotos (e a sua habituação e familiarização à M1000RR) e que se concentrem apenas na buscas das melhores sensações (às variações de afinação que forem experimentando), pelo que a escolha de novas peças fica para o ano que vem.

E que mais se viu em Jerez de la Frontera?

Bom, de uma forma resumida, o piloto mais rápido, Andrea Locatelli, surgiu com um novo diretor técnico para o Mundial de Superbike 2026. Nada mais nada menos do que Giulio Nava, que acompanhava Álvaro Bautista desde 2019, ano em que o pequeno espanhol chegou ao mundial e o viu passar pelas equipas oficiais da Ducati e Honda.

Nava regressa assim no Mundial de Superbike 2026 à marca que o lançou na mais alta esfera da competição das duas rodas, incluindo em MotoGP, e o viu passar ainda por equipas como as da Yamaha, Honda HRC e Aprilia de MotoGP. Na verdade, conheci-o em Mugello, era na altura o engenheiro de dados de uma lenda do Mundial de Superbike, Noryuki Haga, cujo diretor de equipa era o sobejamente conhecido Silvano Galbusera.

Andrea Locatelli no Mundial de Superbike 2026 - MotoX
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Ao lado do piloto de Bergamo surge agora para o Mundial de Superbike 2026 Xavi Vierge, que vagou o lugar na equipa da Honda HRC, à imagem do seu ex-colega de equipa, Iker Lecuona, que substituiu Álvaro Bautista na Aruba.it Ducati, ao lado de Nicolò Bulega. Vierge, tal como Locatelli, repetem a presença em testes, depois do pontapé de saída ter sido dado na primeira sessão oficial de dois dias realizada em Outubro.

Mais gente do ´paddock´ MotoGP

A Honda HRC viu a sua dupla habitual, Vierge/Lecuona, substituída para o Mundial de Superbike 2026 por dois pilotos vindos do ´paddock’ de MotoGP, tal como havia sucedido com os dois espanhóis que agora substituem. Somkiat Chantra transferiu-se da LCR Honda (dando lugar ao primeiro campeão brasileiro da história do motociclismo, Diogo Moreira) e Jake Dixon provém das Moto2, mais concretamente da Elf MarcVDS Racing. Com eles, à imagem de Michael van der Mark na BMW, esteve Tetsuya Nagashima, como piloto de testes.

Jake Dixon no Mundial de Superbike 2026
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Papel idêntico desempenhou Xavi Forés na Bimota by Kawasaki, já que as oficiais marcaram presença em pista logo nos testes de Outubro, mal terminou a época de 2025. Nota ainda para o neerlandês Twan Smits, piloto do IDM alemão e do EWC (Mundial de Resistência), que veio até Jerez e ficou logo atrás de Miguel Oliveira e Jake Dixon em termos de rapidez.

Xavi Forès no Mundial de Superbike 2026
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Já entre as Supersport, apareceram Dominique Aegerter, que voltou ao campeonato, desta vez com a Kawasaki ZX-6RR 636 da Pucetti, ao lado de Jeremy Alcoba. Também Riccardo Rossi saiu da Moto3 para este campeonato, enquanto o seu compatriota Matteo Ferrari, vem do extinto Mundial de MotoE.

E Ivo Lopes? Será desta?

E que bom seria ter mais um português a tempo inteiro no categoria mais elevada para o Mundial de Superbike 2026. Falamos, obviamente, de Ivo Lopes, que participou em diversas rondas do campeonato do ano transato, a convite da Petronas MIE Honda, em substituição dos pilotos habituais com que a equipa nipónica inciou o campeonato.

Ivo Lopes no Mundial de Superbike 2026 02 - MotoX
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Sabendo que a formação de cor turquesa tem prevista a substituição completa da dupla de pilotos com que iniciou o campeonato – na segunda metade de 2025, Tarran Mackenzie mudou-se para a Bonovo MGM de Michael Galinski e do ‘irlando-algarvio’ Eugene Laverty – entrando Tito Rabat para o seu lugar.  E quando esperávamos que fosse desta que um dos maiores talentos nacionais ascendesse ao WorldSBK de forma contínua, já para o Mundial de Superbike 2026 há informação confidencial a que tivemos acesso, mas nos pediram para não revelar sobre o futuro da equipa e dos seus planos. Cruzamos todos os dedos para que tudo possa dar certo para o ás da Amadora.

Ivo Lopes no Mundial de Superbike 2026 - MotoX
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