Se há museu com valor intrínseco muito superior ao somatório de todo o acervo é, sem dúvida, o Racing Motorcycle Museum. Pelo menos para os motociclistas! Um espaço que vai muito além da coleção de motos icónicas na competição mundial, assumindo-se como uma verdadeira homenagem às corridas e a tudo o que as envolve. A mais recente concretização de Jorge Viegas à frente da Federação Internacional de Motociclismo fica em Mies, no edifício da antiga sede da entidade federativa, e abre ao público no início de 2026. Estivemos na inauguração e descobrimos o Racing Motorcycle Museum na companhia de Fabio Muner, diretor de marketing da FIM e um dos principais obreiros.
- Por: Paulo Ribeiro
- Imagens: FIM
- Montagem e realização: Alberto Pires
Foi inaugurada durante a o fim de semana da entrega dos FIM Awards e ao longo dos 1600 metros quadrados distribuídos por 3 andares é possível descobrir a História de mais de um século de corridas. Das motos aos troféus, das pistas aos equipamentos, dos pneus aos escapes.

Parte integrante do mais amplo FIM Heritage Programme, o Racing Motorcycle Museum pretende ser uma homenagem ao motociclismo, sobretudo na vertente da competição, contando a história dos Heróis e das Máquinas, mas também dos locais mais icónicos e marcos tecnológicos, bem como de tudo o que envolve a competição sobre duas rodas, exaltando valores de Paixão, Conhecimento, Herança e Excelência.
Convite universal para os maiores fãs ou meros curiosos
Um convite a todos os públicos para explorar o impacto cultural do motociclismo em todo o mundo, dos mais acérrimos fãs de longa data aos experts passando por meros curiosos, que podem conectar-se ao espírito das corridas de motos no Racing Motorcycle Museum. Que, além de ligar a emoção das corridas de hoje à rica história que as moldou, é uma plataforma educativa que demonstra como as inovações nas corridas se traduzem em motos com tecnologia mais segura para os condutores do dia a dia.

Aliás, todo o projeto do Racing Motorcycle Museum foi concebido para envolver o maior número possível de pessoas, independentemente do seu nível de conhecimento do mundo das motocicletas. As exposições e a experiência proporcionada dão ao visitante a oportunidade de ajustar o nível e a profundidade da informação a assimilar. Ao mesmo tempo, análises aprofundadas e apoio tecnológico de ponta vão de encontro às necessidades dos maiores especialistas e entusiastas.


Seja ouvindo o som dos mais diversos escapes da Akrapovic ou descortinando o funcionamento de um airbag, analisando e comparando os vários tipos de pneus para cada modalidade, ou perceber o enorme e muitas vezes desvalorizado trabalho de uma direção de corrida, durante, por exemplo, a queda de um piloto, desde o momento em que cai até à decisão final da direção de corrida. Tudo isso e muito mais descobrimos numa entrevista exclusiva com Fabio Muner, responsável pelo desenvolvimento do Racing Motorcycle Museum.
Como surgiu o Racing Motorcycle Museum?
Na verdade, o sonho anunciado na candidatura de Jorge Viegas à presidência da Federação Internacional de Motociclismo, só pode ser concretizado agora, depois da inauguração da nova sede da FIM. É que o Racing Motorcycle Museum aproveitou a infraestrutura do anterior edifício, tirando partido do formato circular para criar uma narrativa abrangente do motociclismo, desde os pioneiros até aos mais recentes campeões. Como Marc Marquez, Toprak Razgatlioglu, Daniel Sanders, Josep Garcia, Stefano Manzi, Diogo Moreira, Jose Antonio Rueda, Toni Bou ou Maria Herrera, lado a lado com nomes míticos como Giacomo Agostini.

Em Mies, os visitantes do Racing Motorcycle Museum poderão ver em primeira mão as Tecnologias do futuro e o seu desenvolvimento ao longo dos anos, detalhar cada disciplina e visitar virtualmente os locais de competição mais pomposos. Histórias que sempre estiveram na boca de todos os entusiastas, mas ao mesmo tempo histórias curiosas de fundo que os tornam mais conscientes do valor desportivo e não desportivo que as duas rodas e a cultura do motociclismo representam no mundo.


O Racing Motorcyle Museum nasceu assim para proteger e promover o vasto património de motos de competição de valor histórico e tecnológico inestimável, sendo um marco significativo para o motociclismo desportivo a vários níveis. Desde logo pela preservação da História, assumindo-se como um ‘templo mundial do motociclismo’ e um recurso histórico e educacional inigualável, reunindo motos icónicas de todas as disciplinas e épocas, desde protótipos antigos até às máquinas de MotoGP e Superbike mais recentes.

Mas a exposição permanente em Mies, no cantão de Vaud, é também um ponto ímpar onde visitantes de todo o mundo podem apreciar o legado dos campeões e descobrir a evolução tecnológica e desportiva da modalidade. O Racing Motorcycle Museum é, por isso, um espaço de educação e inspiração, para aprender, inspirar e explorar a evolução do desporto, atraindo novas gerações de fãs e pilotos.

Sendo um tributo à paixão, inovação e responsabilidade no motociclismo, garantindo que as histórias e as máquinas que moldaram o desporto não sejam esquecidas, o Racing Motorcycle Museum promove a importância da autenticidade das motos de corrida, sendo, no âmbito do programa FIM Heritage, um local de eleição para o processo de certificação que a FIM oferece aos colecionadores para confirmar o valor histórico das suas máquinas.
Os três pilares do novo museu ao longo de três andares
Oferecendo uma experiência única ao longo dos três andares, o Racing Motorcycle Museum tem um espaço subterrâneo pensado para acolher os arquivos e uma imponente coleção de troféus da FIM, além de salas para workshops e reuniões, enquanto no rés-do-chão existe área de boas-vindas com um café, loja de merchandising e espaço para exposições temporárias rotativas. Desde as máquinas dos sete principais campeões do Mundo de cada ano, junto à entrada, a uma sala que, durante 2026, mostrará a coleção privada de Giuseppe Luongo, com 21 máquinas de motocrosse.
No primeiro andar, espaço nobre do Racing Motorcycle Museum, 35 motos de todas as modalidades, dão uma ideia bem clara da evolução da competição ao longo de mais de um século, bem acompanhadas por muitos materiais multimédia que permitem uma grande interatividade aos visitantes. Que, se tiverem estômago para tal, podem apreciar um filme com as imagens gravadas por pilotos de todas as modalidades e perceber as emoções próprias de quem compete ao mais alto nível e em algumas das mais icónicas corridas do Mundo. Sobretudo as corridas na areia ou de enduro, bem esclarecedoras da exigência física e técnica destas modalidades.

Desta forma é possível compreender a evolução da moto ao longo das épocas, seguindo o pilar da Tecnologia, tendo uma visão geral dos princípios fundamentais das performances das motos. O desenvolvimento histórico, com uma linha cronológica que mostra a evolução das inovações ao longo dos tempos, ajuda a perceber o aperfeiçoamento das máquinas de competição, enquanto uma análise comparativa das diferenças mecânicas e eletrónicas entre diferentes disciplinas reforça a aprendizagem de todas as modalidades.
Claro que a História não poderia ser escrita sem os Heróis, exaltando as lendas que protagonizaram momentos icónicos e mostrando o lado humano dos maiores pilotos de todos os tempos, colocando os heróis no centro de cada exposição no Racing Motorcycle Museum, permitindo aos visitantes perceberem o outro lado das corridas. Descobrir a história e as estórias à volta de todos os grandes pilotos, desde a carreira, notas biográficas, os maiores feitos e os maiores conquistas, um palmarés bastante detalhado e outros dados através de ecrãs tácteis ou pelos audioguias.
Não menos importante, é perceber o que a inovação da competição consegue aportar à segurança no dia a dia, com o pilar 3, ‘Das corridas às estradas’ a demonstrar como as exigências extremas da competição impulsionam a criação de novas tecnologias. Ou como o desenvolvimento de novos produtos é afetado pelas corridas, mostrando o percurso desde conceitos testados em pista até aos produtos comerciais que melhoram a segurança e o desempenho dos condutores.






Além disso, e sendo o Racing Motorcycle Museum voltado para todo o tipo de visitantes, reforça a importância da competição na condução quotidiana, com exemplos concretos que vão dos sistemas avançados de travagem, controlo de tração e apêndices aerodinâmicos, criados e desenvolvidos nas pistas e que agora equipamento de série em motos para utilização em estrada.
Simuladores de corrida e percursos turísticos de sonho
Mas além de todas estes catalisadores de interesse, o Racing Motorcycle Museum apresenta outras valências, da loja com merchandising específico ao café onde serão transmitidas em direto as corridas de fim de semana, passando aos espetaculares simuladores de MotoGP e de Motocrosse, com apoio da Triumph.








Com abertura ao público prevista para janeiro ou fevereiro de 2026, o Racing Motorycle Museum terá bilhetes a rondar os 15 euros, sendo mais baratos para os mais jovens, e além da grande interatividade ao longo de todo o museu, a visita pode ser explicada através de audioguia com auriculares que vão detalhando cada ponto ao longo de toda a exposição.


E além da possibilidade de espreitar o kit de unhas de pilotos como Giacomo Agostini, Harry Everts ou Sammy Miller que, juntamente com Carmelo Ezpeleta moldaram a mão direita para dar início ao Hall of Fame pode aproveitar para uns interessantes passeios de moto pela região de Vaud. É que não faltam espetaculares estradas de montanha nas redondezas do lago Léman – que também faz fronteira com França – como a D1005 com passagem pelo Monte Moureux ou a fabulosa estradinha de montanha que leva até Saint-Cergue.
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