Aproveitando a concretização de mais um sonho, o futuro de Jorge Viegas foi, finalmente, desvendado. O presidente da Federação Internacional de Motociclismo termina o seu segundo mandato à frente da entidade federativa em 2026 e já cumpriu praticamente todas as promessas eleitorais. À entrada do 8º ano aos comandos da nau motociclística e na altura em que comemora o 69.º aniversário, será que o futuro de Jorge Viegas passa pela recandidatura?

- Por: Paulo Ribeiro
- Fotos: FIM
Era claramente um homem feliz durante os eventos que materializam boa parte do trabalho desenvolvido desde que, em dezembro de 2018 a Assembleia Geral da Federação Internacional de Motociclismo traçou o futuro de Jorge Viegas elegendo-o, em Andorra, como o 13º presidente, com 79 dos 101 votos possíveis. De imediato começou a cumprir as promessas eleitorais com uma determinação que valeu, em 2022, a reeleição com 99% dos votos na reunião magna realizada na estância balnear italiana de Rimini.

Agora, com a inauguração do Racing Motorcycle Museum, no edifício que durante décadas albergou a sede da FIM, em Mies, exatamente um ano depois de ter mudado a sede para um novo prédio costruído de raiz mesmo ao lado, cumpre o segundo dos grandes sonhos da legislatura. O primeiro, a nova sede, com três andares e amplas superfícies vidradas pretendia ser a base para um organismo que se queria de absoluta transparência, mas também mostrar mais abertura e proximidade aos pilotos e promotores dos diversos campeonatos internacionais.

Anos de trabalho intenso que assistiram ainda ao ‘rebranding’ da FIM, com novo logótipo, nova imagem e novas valências que reforçam o peso federativo no seio da competição ao mais alto nível. É o caso do FIM Tech Lab, instalado no edifício da nova sede, em Mies, e que permite aos técnicos realizar todos os processos de homologação das motos de competição, dos motores à eletrónica, passando ainda pelos equipamentos como os capacetes.

Concretizações de sonhos que dão a possibilidade a Viegas de “dormir bem mais descansado, com a sensação de dever cumprido depois de anos de tanto trabalho, de tantas lutas e negociações intensas”. Isto apenas um ano após as comemorações do 120º aniversário da FIM!
Pilotos apoiam o futuro de Jorge Viegas
Mas, para o gestor nascido 9 de dezembro em Faro, formado em Economia e que aos 18 anos começou a correr no motocrosse antes de se dedicar à velocidade, “parar não é opção, até porque ainda há trabalho por fazer, tarefas por cumprir para um motociclismo mais forte, não só com corridas mais emotivas como ao nível dos utilizadores de duas rodas”.

E é nesta sintonia com os pilotos que o futuro de Jorge Viegas ganha novo alento e consistência. Ao longo de três dias em Lausanne, muitos foram os pilotos das diversas categorias a mostrarem um enorme apoio e carinho para com o dirigente português. Sempre muito próximo dos desportistas, ele que chegou a alinhar em provas do Mundial de 250 e e correu nas 24 Horas de Le Mans, destacou mesmo “a presença de todos os campeões do Mundo na inauguração do Museu”. E na FIM Gala Awards ficou bem patente a cumplicidade com todos, numa animação que deixou os apresentadores de serviço (o conhecido comentador britânico Gavin Emmett e a atriz ex-Miss Suíça, Lauriane Gilliéron) quase sem trabalho…
O eterno espírito jornalístico, ganho com anos de experiência no sector depois de ter deixado as corridas e antes de fundar, em 1990, a Federação Nacional de Motociclismo atual Federação de Motociclismo de Portugal, ajudou à festa na noite da entrega dos prémios aos campeões de 2025, mas foi a experiência no dirigismo que mais pesou na decisão anunciada em Lausanne. Integrando a direção da FIM desde 1992, desempenhou as tarefas de vice-presidente de 1996 a 2014, ano em que lançou a candidatura à presidência que haveria, porém, de continuar entregue por mais um quadriénio ao venezuelano Vito Ippolito. Mas o futuro de Jorge Viegas na FIM estava apenas a começar!
Os desafios que aí vêm
Depois da nova sede, do museu da competição motociclística, Jorge Viegas quer reforçar a ideia dos FIM Intercontinental Games, juntando seleções de todos os continentes num evento que, depois da estreia apenas com a velocidade, em 2024, assistirá, em 2026, à competição também no motocrosse. Depois da Europa, a caravana vai assentar arraiais num continente diferente, com a escolha a recair na Ásia, num país do Médio Oriente.

Mas, atendendo a que muitos outros desafios se perfilam no horizonte, o futuro de Jorge Viegas não poderia dissociar-se do futuro da FIM. Entre outras matérias, a passagem de promotor do Mundial de Velocidade da DORNA para a Liberty e a mudança das regras de MotoGP em 2027 são assuntos que exigem um líder conhecedor. Desafios que, juntamente com “outras novidades que estão a ser preparadas para os próximos anos” ditou o anúncio da recandidatura à presidência da FIM.

Em primeiro lugar, o futuro de Jorge Viegas foi comunicado “na inauguração do Racing Motorcycle Museum, logo após a Assembleia-geral, às federações, que são os votantes e parceiros que regem a FIM”. E reafirmado no jantar da FIM Gala Awards que juntou à mesa todos os campeões do Mundo de 2025. Por isso, no primeiro fim de semana de dezembro de 2026, dias antes de cumprir 70 anos, Viegas deverá ser reeleito para o 3.º mandato, durante a AG agendada para o Mónaco, para mais quatros anos de dinamização do motociclismo a nível mundial.

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