Mais do que uma edição comemorativa do título, a Kove 350 RR é uma desportiva de pleno direito. Existem versões especiais — a Jerez, com a decoração da moto campeã, e outra branca com grafismos vermelhos — mas o modelo em si destaca-se por ter dimensões e peso próximos de uma Aprilia RS 125 a dois tempos de 2001, com 50% mais potência. É estreita, com linhas agressivas mas comedidas, e evidencia uma grande atenção à aerodinâmica.
- Por: Alberto Pires
- Imagens: MB Motor
- Montagem e realização: Alberto Pires
A Kove é uma marca chinesa fundada em 2017 por Zang Xue, antigo piloto de motocross, que decidiu apostar em motos leves e de alta performance, contribuindo para desmontar o preconceito de que os fabricantes chineses produzem material de baixa qualidade. A frase do multi-facetado poeta, dramaturgo, romancista, cineasta, ator, encenador, designer, pintor e escultor, Jean Cocteau — “Não sabendo que era impossível, foi lá e fê-lo” — resume bem essa atitude e está por demais evidente na Kove 350 RR.

Apesar de ter menos de uma década de vida, a Kove já construiu um palmarés notável. Estreou-se no Rali Dakar em 2023, terminando a prova com as três motos inscritas, e em 2025 venceu três classificativas na classe R2. No plano da performance em pista, tornou-se a primeira marca chinesa a vencer uma corrida do Mundial SSP300, em Portimão, repetindo depois em Most e em Jerez, conquistando também o título. O piloto campeão, Beñat Fernández, recebeu o título de Cidadão Honorário Chinês, e a moto vencedora ficou exposta na fachada da fábrica.
O que vale a ciclística da Kove 350 RR?
A Kove 350 RR sobressai desde o primeiro momento, com uma qualidade dos acabamentos, das juntas e dos comandos que transmite todo o cuidado posto na produção; a manete de travão é regulável e há tomadas USB e USB-C no painel esquerdo. Mas vai mais longe, muito mais longe, ao olhar para o chassis, em formato de diamante, combinando tubos de aço HC700 e Q355 para um peso de apenas 6,8 kg, com braço oscilante em alumínio.

A suspensão dianteira da Kove 350 RR é uma forquilha invertida Yu An (37 mm, 125 mm de curso, não ajustável), e a traseira um amortecedor Yu An de 45,5 mm com afinação da pré-carga. A travagem da Kove 350 RR conta com disco de 320 mm e pinça de dois pistões à frente, e disco de 220 mm com pinça simples atrás, ambas Taisko, com ABS desconectável (total ou só na dianteira). Os pneus são CST Migra S1, nas medidas 110/70 e 150/60.


O bicilíndrico de 344 cc entrega 47 cv, um valor elevado para um motor pensado para uso diário. A potência máxima da Kove 350 RR surge às 11.500 rpm, com 32,2 Nm de binário às 9.000 rpm, auxiliado pela injeção eletrónica Bosch. Para suportar esta exigência, os pistões, a cambota e o veio de equilíbrio são forjados, os casquilhos são de cobre e as peças mais sujeitas a atrito recebem revestimento DLC; o bloco motor é revestido a alumínio para melhor dissipação térmica. A eletrónica inclui dois modos de condução, ‘quickshifter’, ‘launch control’ e controlo de tração que pode ser desligado.

Apesar da cilindrada modesta, o motor da Kove 350 RR surpreende pela sua faixa de utilização: às 6.000 rpm já disponibiliza 80% do binário máximo, mantendo-se elevado até às 12.250 rpm, o que tanto permite rodar em estrada sem forçar como explorar o modo mais radical em pista. O ‘quickshifter’ funciona bem e a embraiagem antiressalto ajuda nas reduções mais bruscas, mantendo a traseira estável mesmo em ângulo. As suspensões comportam-se bem, embora os pneus CST Migra S1 revelem limites em travagens fortes ou curvas rápidas inclinadas.
Surpresa da pista até… ao stand!
A travagem é progressiva mas sem grande mordida — cumpre sem se destacar. A aerodinâmica, apesar do tamanho reduzido da Kove 350 RR, mostra-se eficaz nas travagens fortes de um circuito como Castellolí. O painel de 5 polegadas, com espelhamento de smartphone, é legível no essencial (conta-rotações e mudança engrenada), mas exige mais atenção para o resto da informação.

Concluindo, a Kove 350 RR, cujo teste completo pode ler AQUI, é apresentada como uma excelente moto desportiva para quem está a começar, capaz de proporcionar boas sensações sem exigir experiência avançada. Com um preço de 4.997 €, posiciona-se como uma opção de destaque na relação custo/diversão — funcionando quase como um estágio antes de outras motos. Mas, cuidado! Não vá acontecer de, ao chegar ao stand mais próximo, dar de caras com a ‘prima’ 450 RR, muito parecida por fora, mas com um feitiozinho mais endiabrado.
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