Suzuki SV-7GX. O vídeo

Autor:  Alberto Pires

Outubro 7, 2026

Confirma-se, com a Suzuki SV-7GX, a ideia de que longe vão os tempos em que uma trail servia para tudo. Aos poucos, quase sem percebermos, tornou-se na mais complexa fatia do mercado, com variações mínimas a fazerem toda a diferença. O que nasceu como elemento diferenciador visual, cresceu e transformou-se no desafio mais exigente e imprevisível para as marcas que se querem afirmar neste segmento.

  • Texto: Alberto Pires
  • Fotos: Rui Jorge/Moteo

Este é um segmento onde, actualmente, encontramos Urban Trail, Dual-Sport, Hard Trail, Crossover / Soft Trail, Médias Trail / Adventure e Big Trail / Maxi Trail. E se num momento inicial pode parecer estanque, a verdade é que dispara em todas as direções pelas diferenças ao nível de suspensões, dimensões, jantes e pneus, guiadores, proteção aerodinâmica, autonomia e aptidão para carga. Para ensarilhar a compartimentação, quadro e motor deixaram de ser específicos e são, em muitos casos, partilhados com motos de outros segmentos.

Suzuki SV-7GX
Suzuki SV-7GX. O vídeo 11

Há duas soluções para este problema: a fácil, fazer mais um doce entre as 150 variedades de doçaria conventual, e a menos fácil, criar o novo pastel de nata — algo que todos gostam, procuram e com o qual todos se tentam comparar. Não há garantias de sucesso, mas é uma opção que deve ser tentada, e a experiência acumulada é uma alavanca importante.

Suzuki SV-7GX
Suzuki SV-7GX. O vídeo 12

A Suzuki SV-7GX escolhe a abrangência: sensibilizar preferências distintas sem acentuar características que a possam excluir da ‘short list’ mental de quem quer uma moto deste segmento. As letras SV remetem para a citadina de média cilindrada entretanto descontinuada; o GX, para características da turística nascida da GSX-R 1000R. A Suzuki SV-7GX chega como substituta da V-Strom 650 — mais de 500.000 unidades em vinte anos — moldando-se às valências de uma nova geração de motociclistas.

Suzuki SV-7GX
Suzuki SV-7GX. O vídeo 13

As novas linhas conferem-lhe jovialidade e fluidez cinética espantosas, tornando a Suzuki SV-7GX mais pequena ao vivo do que o imaginável pelas imagens. É evidente o fluxo dos elementos em direção à zona frontal, rematada de forma brilhante pelo grupo ótico, num corte acentuado com a imagem volumosa e maciça da V-Strom.

Novo rumo para uma clientela mais ampla

A reorientação do cliente alvo implicou alterações ciclísticas relevantes, deixando o quadro de ser em alumínio para basear-se na treliça em aço da SV 650. A distância entre eixos é menor cerca de 10 cm, a altura do banco desceu 3,5 cm, o mesmo acontecendo com a altura ao solo. A forquilha dianteira diminuiu de 43 mm para 41 mm de diâmetro, assim como o curso, de 150 mm para 125 mm à frente e 159 mm para 129 mm atrás, e o guiador ficou ligeiramente mais baixo e avançado.

Suzuki SV-7GX
Suzuki SV-7GX. O vídeo 14

Com pneus Pirelli Angel GT II em jantes de 17 polegadas (contra as 19″ na roda dianteira da V-Strom) a Suzuki SV-7GX tornou-se muito mais estradista, fácil de manobrar e mais eficaz no comportamento desportivo em asfalto. Os discos de travão passaram de 310 mm para 290 mm à frente, reduzindo peso não suspenso e inércia, mas ganhando capacidade através de pinças de quatro pistões, ao invés das anteriores de dois.

Suzuki SV-7GX
Suzuki SV-7GX. O vídeo 15

A unidade motriz é um tratado de aprimoramento incremental, desde o bloco apresentado em 1999 na SV 650, com carburadores, 72 cv às 9.000 rpm e 62 Nm às 7.500 rpm, debita hoje 73,44 cv às 8.500 rpm e 64 Nm às 6.800 rpm, cumprindo a normativa Euro5+, com integração eletrónica inimaginável no século passado.

Suzuki SV-7GX
Suzuki SV-7GX. O vídeo 16

Sentados em cima da Suzuki SV-7GX percebemos as outras dimensões. O banco, aparado nos cantos, faz-nos deslizar ligeiramente para o depósito, cujo desenho esconde bem os 17,5 litros. A altura do assento ao solo é a segunda surpresa: 795 mm, com o afundar discreto da suspensão a oferecer apoio sólido dos dois pés no asfalto. Não precisamos de ir à procura do guiador, e a simplicidade é a palavra de ordem: é olhar em frente e conduzir.

Virtudes e limitações da Suzuki SV-7GX

As suspensões absorvem bem as irregularidades e as lombas redutoras não fazem descolar do banco. Os espelhos têm o formato correto, largos nas extremidades, e as vibrações não incomodam. A travagem é potente e doseável, as informações do painel estão bem dimensionadas e legíveis apesar de apenas 5 polegadas, trocando automaticamente para fundo negro quando a luz baixa. Permite ligação à app Suzuki Ride Connect+, com indicações úteis de navegação, e os comandos são suaves.

Suzuki SV-7GX
Suzuki SV-7GX. O vídeo 17

Com o quickshifter, para cima o corte de ignição está muito bem ajustado, engatando de forma rápida e perfeita qualquer que seja a posição do acelerador. Nas reduções, apesar de o sistema adicionar rotação e o travão motor suavizar, nota-se desempenho inferior. Nesta Suzuki SV-7GX acabei por preferir a manete esquerda nessa manobra.

A ciclística da Suzuki SV-7GX está num excelente nível. Não sendo uma montra tecnológica, o comportamento das suspensões, a posição de condução e o comportamento da frente permitem encarar qualquer percurso, em qualquer piso, com a mesma liberdade. Numa estrada revirada com bom piso ou ondulada, em que cada curva é uma incógnita, sentimos margem para o improviso: a Suzuki SV-7GX adapta-se bem ao meio envolvente. A posição de condução mista, mais natural do que numa SV mas mais concentrada face à V-Strom, faz a diferença. Com jantes de 17″ e Pirelli Angel GT II temos frente atenta e traseira que não solicita permanentemente o controlo de tração.

Suzuki SV-7GX
Suzuki SV-7GX. O vídeo 18

Os sistemas eletrónicos são meritórios: 3 mapas de motor, acelerador eletrónico, controlo de tração, ABS e quickshifter, mais um assistente de arranque que acelera um pouco mais quando deteta que não o estamos a fazer devidamente. O mapa C serve para piso difícil, o B é constante e o A entusiasmante, mais enérgico a médias rotações. O controlo de tração tem 3 níveis e sente-se a atuar, mas depois de o desligar mantive-o assim. É um motor muito raçudo, com muito binário e uma curva de potência exuberante nas últimas 4.000 rpm. O red line é às 10.000 rpm, corta 500 acima e chega lá sem esforço — um lado picante que não costuma aparecer numa crossover.

Capacidade turística e consumo

A Suzuki SV-7GX traz de origem um suporte de mala traseira, demonstrando compreender o cliente das crossover. Nos acessórios há malas traseiras, laterais e de depósito, ecrã mais elevado e assento com mais espuma. Há um que garanto obrigatório para quem fizer mais de 70 km seguidos — a distância a partir da qual começamos a sentir o banco e a tortura a que sujeitamos os glúteos.

Suzuki SV-7GX
Suzuki SV-7GX. O vídeo 19

A proteção aerodinâmica é fantástica e engana-nos outra vez pelas imagens: para 1,70 m de estatura não necessita de mais nada, com o ecrã a desviar o vento do capacete, a carenagem e os protetores de mãos a tratarem do tronco e o depósito a esconder as pernas. Para os mais altos o ecrã sobe 5 cm em dois patamares e existe outro, mais alto 8 cm, com o inconveniente de exigir quatro parafusos. O novo farol é abrangente em médios e projeta claramente o feixe em máximos.

Não foi possível fazer testes parciais de consumo. A marca anuncia 4,2 l/100 km, e acho que se consegue baixar, face à capacidade de rodar com 1/3 do acelerador. O percurso foi variado e a única constante foi não estarmos nada preocupados em poupar combustível. No painel, a média geral foi de 4,6 litros, uma surpresa agradável: mesmo com o temperamento exuberante do bicilíndrico, a Suzuki SV-7GX mantém consumos contidos de crossover.

Suzuki SV-7GX
Suzuki SV-7GX. O vídeo 20

A Suzuki SV-7GX está disponível em três combinações cromáticas, por 8.749 €. A partir de janeiro chega uma versão mais simples, apenas branca sem decorações, com preço de lançamento especial de 7.999 € e se quer descobrir mais detalhes pode ler AQUI o teste completo.

Partilha este artigo!

Moto Guzzi V100
Moto Guzzi V85TT
Aprilia Tuareg 650
NEXX X.TR
Publicidade SYM Moteo abril 2026
Publicidade Lambretta Moteo abril 2026
Moto Guzzi V85TT
Moto Guzzi V100
Aprilia Tuareg 650
Publicidade Lambretta Moteo abril 2026
Publicidade SYM Moteo abril 2026
Pesquisa

Não encontrado