O WorldSBK 2026 assentou arraiais em Portimão e, por força da presença de Miguel Oliveira, foi batido o recorde de espectadores em provas de Superbikes no traçado algarvio. Mas, para que tudo tenha funcionado na perfeição, há números curiosos que ficam da passagem do WorldSBK 2026 pelo Autódromo Internacional do Algarve.

- Texto: Paulo Ribeiro
- Fotos: Alberto Pires e WorldSBK
É verdade que uma prova de qualquer Campeonato do Mundo de Motociclismo gera maior entusiasmo quando corre um herói local. Uma verdade absoluta que se estende a todas as modalidades. No caso do WorldSBK 2026, o facto de Miguel Oliveira alinhar com a BMW M1000 RR da ROKiT BMW Motorrad WorldSBK Team, foi, seguramente, um importante atrativo para os portugueses, a maior parte dos fãs que se deslocam ao Algarve. E que garantiram assim a continuidade da curva ascendente de recordes, iniciada no período pré-Covid19, dos 42.000 espectadores em 2017 aos 56 mil em 2019, ou os cerca de 60 mil em 2024 até aos 82.132 que durante o fim-de-semana marcaram presença na prova portuguesa do WorldSBK 2026.

Uma adesão a que Miguel Oliveira respondeu com o terceiro lugar nas duas corridas longas (20 voltas) bem como na Super-Pole (10), impossibilitado de acompanhar o ritmo infernal das Ducati Panigale V4R. Tanto a do triplo vencedor no Algarve e recordista de triunfos entre os pilotos italianos, Nicolò Bulega que ultrapassou o número de vitórias de Max Biaggi e Marco Melandi, como a do espanhol Iker Lecuona. E aguentando em ambas as ocasiões as fortes investidas de Alex Lowes na Kawasaki travestida de bimota KB998 Rimini.

Na 18.ª visita ao AIA desde a estreia do circuito em novembro de 2008, 30 anos depois do arranque da competição pensada para as motos mais próximas de série, o WorldSBK 2026 confirmou o crescimento sustentado e constante dos últimos anos, chegando com quatro categorias (Superbike, Supersport, Womens Circuit Racing e a a novidade Sportbike), envolvendo diretamente nada menos de 13 marcas fabricantes de motos.
Confirmação da dimensão planetária
Uma atratividade global crescente que, em 2025, levou mais de 600 mil espectadores às 12 provas e somou uma audiência televisiva de mais de 100 milhões de pessoas que assistiram a 18.711 horas de emissão nos 197 canais envolvidos na transmissão das corridas. Além disso, a envolvência mediática do Mundial pode ainda ser medida pelos mais 7 milhões de seguidores nas redes sociais, tendo por exemplo 2,7 M no Facebook e 2,3 M no Instagram e Treads.

Além disso existe o site e a aplicação própria do WorldSBK 2026 que conta já com mais de 3 milhões de utilizadores, sendo que a maioria dos entusiastas são homens, entre os 24 e os 44 anos. Também é esta faixa etária que consome boa parte do 3,1 mil milhões de impressões na net e os 122 milhões de notícias nos mais diversos canais noticiciosos.

Para controlar a grande mole humana que visita cada jornada do WorldSBK 2026 há vários milhares de pessoas a trabalhar nas mais diversas áreas da organização, a começar pelos 457 elementos integrados na estrutura do organizador local, incluindo elementos da Federação de Motociclismo de Portugal até aos mais diversos fornecedores, elementos de segurança e pessoal de apoio técnico entre muitos outros. Depois existem mais 360 elementos nas proximidades do traçado algarvio que garantem a segurança em pista da segunda etapa do WorldSBK 2026, entre médicos, enfermeiros e bombeiros até aos indispensáveis comissários de pista

Para garantir o maior impacto mediático e levar imagens e informações a todo o Mundo estiveram no AIA nada menos de 36 jornalistas portugueses num total de 142 pessoas ligadas à comunicação, mais de metade (74) carregados com câmaras fotográficas e de vídeo, a que se juntam ainda três dezenas de elementos em trabalho para diversas televisões com direitos de transmissão do WorldSBK 2026, nomeadamente a DAZN PT, Sport TV PT e TNT UK. Garantia de proporcionar as melhores imagens, reportagens e entrevistas a um público maioritariamente europeu, incluindo naturalmente as ilhas britânicas, bem como a Austrália
WorldSBK 2026 ainda mais ecológico
Nota interessente nesta segunda jornada do WorldSBK 2026 prende-se com os cuidados ecológicos patentes na organização do GP de Portugal. Nomeadamente ao nível do papel gasto que se junta aos novos e evoluídos combustíveis na minimização do impacto ambiental. Pode parecer despiciendo, mas a quantidade de informação por uma prova deste calibre chega a ser avassaladora.

Ora, traduzindo para papel todos os dados recolhidos em cada uma das sessões, entre os treinos livres e as corridas, passando pelas qualificações e ‘warm-up’, são mais de 100 páginas de resultados em cada ronda do WorldSBK 2026 e cerca de 60 para as outras classes. Multiplicando pelo número de jornalistas e equipas que necessitam destas informações para o seu trabalho, ou seja, assumindo uma média de 200 cópias, isto representa qualquer coisa como 105 quilos de papel apenas para a classe maior do WorldSBK 2026.

A que se somam cerca de 60 kg para cada uma das restantes classes Supersport, Sportbike e WRC chegando perto dos 300 kg de papel apenas para os resultados, algo que foi profundamente alterado ao optar por uma política ‘paper-free’ passando a maior parte da informação a ser transmitida por meios digitais.

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