Depois de Lisboa foi a vez de inaugurar um novo espaço da Bajaj no Porto, reforçando a aposta da marca indiana no mercado nacional. Um novo capítulo no norte do País com uma loja de bem conseguida localização e uma dinâmica que promete aumentar a visbilidade (e os números de vendas…) de uma gama em crescimento contínuo. E com novidades anunciadas para 2027 para juntar às estreantes Pulsar N125 e da NS200, modelos que beneficiarão desde já de um pós-venda que quer ser tão importante como a venda.

- Texto: Paulo Ribeiro
- Fotos. Delfina Sordo/Bajaj
A abertura de uma loja da Bajaj no Porto mostra que já não é apenas uma promessa no mercado português. Depois de uma entrada discreta, mas assumidamente estruturada, a marca indiana — um dos cinco maiores fabricantes mundiais de duas e três rodas, com 7,11 milhões de unidades produzidas em 2025 — dá agora um passo decisivo na consolidação da sua presença nacional. A inauguração oficial do novo espaço na Rua de Faria Guimarães, 422, no Porto, coloca o norte do País numa posição de destaque na sua estratégia.

A Bajaj no Porto revelou um local pensado para um contacto mais próximo com os motociclistas, facilitando a realização de ‘test rides’, funcionando afinal como epicentro de uma operação gerida em parceria com o Grupo UMA. E que, neste evento, desvendou duas novidades para o mercado português. As Pulsar N125 e Pulsar NS200, apresentadas em primeira mão na abertura da loja Bajaj no Porto estão já disponíveis para ensaios dinâmicos em estrada, sendo acompanhadas com um serviço de pós-venda completo e, tal como em toda a gama, com cinco anos de garantia de fábrica.

Recorde-se que, antes da nova loja da Bajaj no Porto, o desembarque da marca em Portugal mostrou, desde o primeiro momento, uma atitude de contenção, optando pela discrição em vez de um desembarque ruidoso. Sinais de modéstia em claro contraponto à dimensão global da marca, que preferiu alicerçar a sua entrada em valores de qualidade e numa rede ainda em construção: a ‘flagship store’ na Avenida de Berna, em Lisboa, junto à Fundação Calouste Gulbenkian, e esta segunda abertura da Bajaj no Porto, preparando terreno para os cerca de 15 pontos de venda e assistência espalhados pelo território nacional, num conceito multimarca com ‘corner’ dedicado e pós-venda certificado pela própria marca.

Portugal é, aliás, apenas o segundo país europeu com presença oficial da Bajaj, e a Península Ibérica surge como porta de acesso ao Velho Continente. A operação nacional, assegurada pela Medavi Motor Group — que integra o Grupo UMA — aproveita sinergias administrativas de Madrid, mas assenta numa equipa 100% local.
Soluções para todos os gostos
Interessante na cerimónia de estabelecimento da Bajaj no Porto foi assistir ao alargamento de uma gama que se restringia a três propostas, ganhando dois novos modelos num catálogo mais abrangente e estruturado para cobrir boa parte do espetro de utilização do motociclista atual. A porta de entrada continua a ser a Pulsar NS125, uma opção urbana e acessível para quem dá os primeiros passos no universo das duas rodas, antes de uma possível subida até à a nova Pulsar NS200, que combina um motor de 199,5 cc (24,5 cv), de refrigeração líquida e com o exclusivo sistema de tripla vela de ignição, à forquilha invertida e ABS, surgindo assim como uma transição natural para a carta A2.

Ao lado, a recente Pulsar N125, concebida de raiz para a cidade e para quem se inicia com a carta de carro ou A1, introduz soluções bem interessantes na sua categoria, como o sistema Start-Stop e uma arquitetura ultra leve. No topo da oferta desportiva surge a Pulsar NS400Z, e a versátil Dominar 400 assume-se como referência em mototurismo acessível, à altura das melhores estradas do Douro.

Mas se há um vetor que a Bajaj insiste em colocar acima de tudo, é o pós-venda, com a marca a querer posicionar-se como acessível ao público europeu e português, sem nunca abdicar da qualidade e de um pós-venda de qualidade. Isso traduz-se na seleção criteriosa de concessionários e oficinas — certificados pela marca, munidos de ferramentas especiais e de formação técnica direta — e num stock de peças de reposição e consumíveis nas oficinas, com entrega garantida entre 24 a 48 horas para os restantes componentes.

A ideia não é nova, e mesmo se não é algo normal de se ver entre marcas que têm uma tendência de preços mais baixos, a Bajaj no Porto como em Lisboa e noutras cidades promete fugir a esses descuidos para com os clientes. Para Johannes Wöhrle “a resposta da é clara — concentração na qualidade em vez de quantidade, com contacto direto do cliente por telefone, email ou chat, e preços centralizados e uniformizados, sem negociações entre concessionários”.

Aliás, continua o Diretor Geral do Grupo UMA para a Europa, “temos o melhor preço de mercado mas, no capítulo do pós-venda, garantimos que os concessionários também sigam nossa estratégia”, apontando abordagem como a principal diferença face às marcas chinesas instaladas em Portugal.
Objetivo da Bajaj no Porto? Crescer de forma sustentada
Quanto a resultados, as expectativas são contidas, mas concretas: conquistar cerca de 3% de quota na faixa de 125 a 400 cc, o que deverá traduzir-se em 200 a 300 unidades no primeiro ano. A gama, hoje com uma mão cheia de propostas no mercado nacional, deverá crescer até uma dezena de modelos em 2028, com possibilidade de alargamento para fora da faixa de 125 a 400 cc, estando mesmo em cima da mesa uma trail de 500 ou 600 cc, apoiada no desenvolvimento de um novo motor de dois cilindros paralelos.

A filosofia, garante a marca, é a de construir para durar: “Não faz parte da estratégia da Bajaj vender um produto novo a cada dois anos”, afirma Johannes Wöhrle, acrescentando que a aposta passa antes por “ver as motos nas estradas daqui a 10 ou 20 anos”. Uma visão que assenta na experiência industrial do grupo — herdeira de parcerias com a KTM, de que é agora acionista maioritária (74,9%), e com a Triumph — e numa faturação recorde de 5,5 mil milhões de euros no ano fiscal de 2025, fruto de um crescimento de 11,9% numa operação presente em mais de 100 países.

Depois da abertura da ‘flagship store’ em Lisboa e agora com a loja da Bajaj no Porto em pleno funcionamento, incluindo assistência técnica oficial, manutenção preventiva e fornecimento agilizado de componentes originais através da rede do Grupo UMA, a marca indiana reafirma que o seu projeto ibérico é maduro e voltado para a proximidade com o cliente. A mobilidade inteligente, acessível e fiável já roda pelas estradas do norte de Portugal. Agora, resta saber se a promessa se cumpre com a mesma convicção com que foi anunciada.
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