A Honda CB750 Hornet E-Clutch traz para o universo motociclístico um novo conceito bem conhecido do meio empresarial. É um princípio poderoso, também enunciado como a negociação de Harvard, que descreve um acordo ou negociação em que ambas as partes saem beneficiadas. Assenta também na evidência de que as parcerias duradouras são aquelas que resultam da satisfação de ambas as partes. E o que é que essa teoria tem a ver com a novíssima Honda CB750 Hornet E-Clutch? Pois bem, leia até ao fim e descubra…

- Texto: Alberto Pires
- Fotos: Zep Gori e Ciro Meggiolaro
Concordando com a entrada deste texto, impõe-se perceber qual a sua relevância para o assunto em questão, o ensaio da Honda CB750Hornet E-Clutch. Situando o modelo na crescente compartimentação das classes, fruto da necessidade em assegurar uma determinada vocação ou capacidade para satisfazer expetativas de utilização, a Honda CB750 Hornet E-Clutch integra o segmento Street, numa declinação ‘Light Streetfighter’.

A Honda CB750 Hornet E-Clutch está no limite superior do que se considera média cilindrada, e cujas características dinâmicas privilegiam a agilidade ciclística e a diversão obtida através das acelerações, sem nunca colocar em causa a abrangência e facilidade de utilização próprias da marca.

A materialização deste caderno de encargos foi validade comercialmente. Desde o lançamento da nova versão da Hornet, em 2023, venderam-se cerca de 42.000 unidades. Foi igualmente o segundo modelo acima de 500 cc mais vendido nos últimos dois anos.
Os riscos dos avanços tecnológicos
Qual é então o risco da aposta na introdução do sistema de embraiagem eletrónica na Honda CB750 Hornet E-Clutch? Pois bem, temos de voltar à raiz do conceito para perceber a dimensão do desafio. Há uma espécie de corrente ideológica que não gosta do avanço tecnológico. Interiorizou-se que, lentamente, foi responsável pelo anular das sensações únicas que emergem da fusão entre o homem e a máquina. Adjetivos como visceral, envolvimento ou até íntimo, tendem a valorizar a experiência profunda da relação que se estabelece com a moto, que a tecnologia tende a abafar ou simplesmente destruir.

Claro que podemos ver isto por outra perspetiva. Vamo-nos manter dentro da marca e olhar par a Honda CB750 Four, lançada em 1969, considerada a primeira Superbike. Olhem bem para todos os elementos e comparem-na com a Hornet 750 de 2025.

Esta bomba de quatro cilindros refrigerados a ar debitava 67 cavalos, pesava 218 kg, montava um travão de disco na frente e um pneu 120 na traseira. Reparem agora nas jantes, suspensões, banco, escapes, luzes, e painel de instrumentos, e comparem-na com a Honda CB750 Hornet 2025. Mudou tudo, não foi? Não, há ali um elemento que resiste como a aldeia do Asterix. Sim, é o cabo de embraiagem.
Esse cabo de embraiagem é o elemento em comum, e continua a fazer exatamente a mesma coisa que fazia em 1969, transmitir em exclusivo uma decisão híper complexa do nosso cérebro relativamente à forma como os discos de embraiagem se vão encontrar com o prato da embraiagem. Isto, relembramos, na Hornet de 2025!
A revolução na alma da Honda CB750 Hornet E-Clutch
O que marca nipónica propõe com a introdução da nova tecnologia na Honda CB750 Hornet E-Clutch é uma alternativa a este processo, tornando-o mais rápido, mais preciso e eficaz. Implica abandonar esse momento ancestral de profunda interatividade? Não, trata-se apenas de uma opção, mais uma já que a operação manual continua a existir, sendo, isso sim, mais um elemento disponível à nossa escolha. Estaremos aqui na presença de uma situação ‘win win’?

Sim, é isso mesmo!
A criação dos diferentes segmentos baseia-se, entre outras razões, pela especialidade ou abrangência de cada moto. Ou seja, as vantagens enunciadas no teste efetuado à Honda XL750 Transalp podem não ter correspondência exata na Hornet CB750 Hornet E-Clutch. O maior peso, largura e o próprio conceito, para além da natural disponibilidade para fazer ‘off-road’ ou levar passageiro e bagagens, fazem com que a Transalp agradeça tudo e mais alguma coisa que a ajude nessas condições.


Será que a Honda CB750 Hornet E-Clutch, vinte quilos mais leve, mais estreita e mais baixa, que apenas acidentalmente andará com passageiro e que só fará ‘off-road’ se alguma coisa correr mal, beneficiará do lado prático deste inovador sistema?
Acho que sim, mesmo marginalmente será apreciado, sobretudo em ambiente urbano, não ter de fazer tantos arranques ou pontos de embraiagem, acrescentando paz de espírito se for essa a disposição. Já no propósito que a distingue da Transalp, uma condução mais atrevida, com um nível médio de regime de rotação mais elevado, com trocas de caixa mais rápidas e reduções que não levam em conta o elevado e constante binário em médias rotações mas apenas o entusiasmante espremer do motor e a agradável sensação do abanar da direção, então aqui já encontramos espaço para conversar!
Mais rápido que a própria sombra!
É um fato técnico que o movimento efetuado pelo sistema E-Clutch é mais rápido que um sistema Quick Shifter de qualidade. Isso explica-se porque o funcionamento de um Quick Shifter para subir de caixa baseia-se numa interrupção da ignição ou da injeção de combustível, que necessita de algum tempo, por pouco que seja, para que a rotação baixe e engate na relação seguinte. Se o movimento for para baixo, em redução, o corte de ignição deverá conciliar um ligeiro acelerar para engatar com alguma suavidade na relação mais curta.

Ao fim de tantos anos, tanto pelo desenvolvimento em competição dos Quick Shifter como pela cada vez maior interligação dos sistemas eletrónicos, chegou-se a um standard de excelente qualidade, sobretudo a alta rotação. O sistema de acionamento eletrónico da embraiagem montado na Honda CB750 Hornet E-Clutch, no entanto, está acima de toda essa oferta porque intervém no processo mecânico de acoplamento dos discos de embraiagem através de uma de posição intermédia de atuação. Para isso recolhe informações provenientes do acelerador eletrónico (posição, tipo de movimento e rapidez de movimento), rotação do motor, diferença na velocidade das rodas, relação de caixa e da pressão do acionamento do pedal de velocidades, para tornar tão rápida como fluida a sua atuação.
Ao sossego evidenciado em ambiente urbano na condução, a Honda CB750 Hornet E-Clutch conta agora com uma precisão e uma rapidez de funcionamento que permite que nos concentremos em absoluto na condução. O ‘rev match’ nas reduções é rigoroso e pode ser retardado até à última na entrada em curva, porque a traseira permanece muito estável, enquanto à saída das curvas pode-se trocar de caixa ainda em inclinação que não há as oscilações próprias da pancada do Quick Shifter. Esta suavidade de engrenamento não retira, em absoluto, a emoção específica do momento, e a mão esquerda devidamente agarrada ao punho aumenta o controlo e confiança necessários nestes momentos ligeiramente mais vivos.
Será que justifica o acréscimo de preço?
Regresso à pergunta com que terminei a apreciação do seu funcionamento na Transalp. Justificam-se os cerca de 600 € a mais da Honda CB750 Hornet E-Clutch relativamente aos 8.180 € da versão 2025? A resposta é um rotundo SIM! Não só pela facilidade acrescida – porque a Hornet não foi feita para ter a mesma utilização da Transalp – mas sim pelo elevar do seu espírito desportivo a um novo patamar de eficácia, não obrigando a cedências ou compromissos. Na dúvida seguramente que não será difícil conseguir fazer um ‘test-drive’ a uma máquina que foi revista em termos estéticos.

Modificações estéticas que assentam desde logo na dianteira da Honda CB750 Hornet E-Clutch onde a montagem da pequena carenagem inferior em forma de quilha torna o conjunto com o farol dianteiro mais equilibrado e elegante. As cores são novas e apresentam combinações que vão desde o apelativo cinza/amarelo ao preto/azul denim mate. A gama de acessórios para a Honda CB750 Hornet E-Clutch é interessante, e estão previstos 4 pack’s (Sport, Style, Confort e Design) para maior comodidade e economia na hora da escolha.
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