Benelli Leoncino 500. Leãozinho atrevido

Simplicidade, estética e mecânica, é um bom ponto de partida para subir degrau A2 no percurso motociclista. De enorme agilidade e motor muito redondo, a Benelli Leoncino 500 nestá preparada para levar a diversão bem para lá dos limites da cidade. E o preço é apenas um dos excelentes argumentos…

  • Texto: Paulo Ribeiro
  • Fotos: Benelli

A excelente recetividade à ‘concept-bike’ mostrada no Salão de Milão em 2015 e 2016, obrigou a Benelli a levar a Leoncino até às linhas de produção, criando naked de vocação urbana e imagem muito próxima das scrambler da moda. Proposta jovem, de coração moderno mas rendida à moda vintage, com roupagens de linhas simples, desprovidas do supérfluo. O que fica bem patente ao olhar para os últimos centímetros da italiana, com secção traseira encurtada e guarda lamas junto à roda para cumprir legislação europeia.

Leveza que acentua estética moderna, bem dentro dos cânones da moda e onde não faltam pormenores de eleição, como a chave retrátil, vistoso farol dianteiro em LED, pinças radiais personalizadas ou os pneus Pirelli Angel ST. Ousadia italiana que rivaliza, pela cilindrada, com motos como a Scrambler Sixty2 ou Honda CMX 500 Rebel. Mas que não esconde ambições maiores de morder os calcanhares a motos de preço e prestações bem diferentes.

O preço é apenas o primeiro dos trunfos

Os argumentos do pequeno leão de Pesaro são fortes e vão muito além de preço bombástico. A começar pela imagem, por exemplo, bem dentro do espírito que rege um dos mais animados segmentos da atualidade. E onde não faltam apontamentos muito interessantes e que resistem, com nota positiva, à penalização imposta por alguns outros pormenores. Como o acabamento de algumas soldaduras, a manete de embraiagem a quilómetros do punho e sem regulação além de uns quantos cabos demasiado evidentes.

Antítese que salta mais à vista em componentes muito próximos entre si, como os poisa pés injetados, com forte imagem de qualidade, em contraponto ao mastodôntico pedal de travão. E ainda que o preço possa funcionar como justificação para alguns detalhes, destaque para um nível geral muito bom, prosseguindo no capítulo técnico. Mas já lá vamos…

Facilidade de pura diversão

Sentemo-nos no bonito banco, a altura acessível e com boa largura, para descobrir posição confortável, com pernas pouco dobradas e braços descontraídos a caírem sobre o guiador. Além das costas direitas que permitem boa visibilidade e fácil controlo no trânsito urbano. Já nas ligações mais longas, total ausência total de proteção acaba por pagar-se ao tentar manter velocidades de cruzeiro elevadas. Registo que piora para o passageiro, a ter de ‘descobrir’ as pegas por baixo das pernas.

O guiador largo que sobressai no primeiro impacto, puxa o condutor para cima da suspensão dianteira ampliando efeito do reduzido ângulo da forquilha, em posição de condução que inicialmente se estranha. Mas que logo se percebe divertida, tornando a frente muito incisiva, com estonteante rapidez de reação e vivacidade que pode intimidar os menos experientes, exigindo algumas cautelas. É que, ao aumentar a agilidade, a Leoncino permite mudanças de direção muito rápidas, momento que justifica a largura do guiador que obriga a empurrar a parte interior, em contra brecagem para curvar melhor.

Agilidade reforçada pelos pneus Pirelli Angel GT, cujo perfil e grande eficácia ampliam sensação de cair para dentro da curva, garantindo enorme diversão. E que, apesar de alguns abanões, é seguida a preceito pelo amortecimento, com comportamento que, dentro dos limites filosóficos da Benelli Leoncino 500, é bem conseguido, limando sem problema as irregularidades do asfalto. Mas quando o ritmo aumenta, aproveitando disponibilidade do motor e rigidez do quadro, transparece um bambolear que o ajuste da pré carga da mola do mono amortecedor permite minimizar. Mas não anular por completo!

Em nível positivo também a travagem, apesar de progressividade e tato inicial passível de ser melhorados, para tirar maior partido da enorme capacidade de desaceleração. Potência que se adivinha ao olhar para os discos de generoso diâmetro e pinças radiais, confirmada ao apertar com força a manete direita, levando a forqueta com bainhas de generoso diâmetro a afundar de forma acentuada. Menos notória a potência na roda traseira, mas perfeitamente suficiente para equilibrar a moto numa condução mais agressiva.

Preparar caminho para futuro mais aventureiro

Ou seja, colmatando pequenas lacunas com outros pontos fortes, a Benelli Leoncino 500 tem comportamento geral equilibrado, sensação que continua no motor. Conhecido da bem-sucedida trail TRK 502, destaca-se pela enorme elasticidade e funcionamento de grande suavidade, deixando escapar muito poucas vibrações e apenas quando se leva a agulha até ao último terço do conta rotações.

A enorme elasticidade fica bem patente na possibilidade de, mantendo a mesma relação da bem escalonada caixa de velocidades, poder ‘sair da traseira’ de um automóvel mais lento em 4ª, a cerca de 35 km/h, e ultrapassá-lo facilmente sem necessidade de reduzir, acelerando depois até mais de 100 km. Ou, em 6.ª, variar, sem solavancos ou hesitações, dos 45/50 km/h até perto dos 170 km/h de velocidade máxima anunciada. Motor muito agradável e com escape oferecedor de sonoridade grave bem vigorosa, de excelente timbre, parecendo de maior cilindrada.

Reforço de entusiasmante sensação de potência em modelo que – a pensar na versão verdadeiramente scrambler que poderá ser lançada nos próximos meses?… – tem ABS que pode ser desligado muito facilmente através de discreto botão na base do suporte do retrovisor esquerdo. E assim permitindo algumas brincadeiras ou até excursões em ‘light off-road’, dentro do espírito atrevido desta moto. Que, na cidade como fora dela, é garantia de facilidade e muita diversão…

Rugido forte num dos mais interessantes segmentos do mercado europeu e nacional, a cómoda e fácil Leoncino Cinquecentto confirma tendência de crescimento da Benelli que, depois de crises quase fatais, recebeu decisivo balão de oxigênio em final de 2005. A aquisição pelos chineses do Qianjiang Group não só salvou a marca de morte anunciada como iniciou surpreendente recuperação, bem sublinhada pelo lançamento de uma mão-cheia de boas novidades no Salão de Milão.

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