100 Colls. O regresso da aventura da estratégia

Autor:  Paulo Ribeiro

Janeiro 31, 2026

Já ouviu falar do 100 Colls? Vai muito além de um passeio de moto com um percurso definido, mas está longe de ser uma corrida em estrada aberta. É um desafio estratégico de resistência, com aventura à medida de cada participante, da sua experiência e do seu espírito. O princípio é simples e passa por marcar o maior número de pontos através de passagens montanhosas (‘colls’) ao longo de um fim de semana – em 2026, entre 24 e 26 de abril. O percurso, normalmente por estradas da Catalunha e Pirenéus, vai este ano até mais adentro de França e é escolhido livremente por cada motociclista, tal como o ritmo a impor ou a estratégia.

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  • Por: Paulo Ribeiro e Paulo
  • Fotos: CROM Events

O 100 Colls é um evento diferente que, em apenas quatro edições, se confirmou como um dos acontecimentos mais distintivos do calendário europeu, não só pela imponência paisagística como pela exigência e diferenciação. Para 2026, a maior novidade reside na expansão do território de pontuação, incluindo, pela primeira vez, passagens montanhosas localizadas nos departamentos de Aude e Haute-Garonne, na região da Occitânia, em França. Um alargamento do mapa que reforça o peso da estratégia, acrescenta diversidade de paisagens e aumenta ainda mais a complexidade da tomada de decisões, reforçando a natureza internacional e exigente do desafio.

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Num conceito moto turístico que, mais do que apenas procurar uma rota, assenta na estratégia, resistência, consciência do terreno e capacidade de adaptação, o 100 Colls vive das decisões de cada motociclista. Por isso a preparação prévia é tão importante! O planeamento, leitura de mapas e os ajustes da própria moto são pontos fundamentais, uma vez que não existe uma rota definida ou uma única forma correta de abordar o desafio.

Estratégia à prova em cada curva

Com um formato particularmente adequado para motos de aventura e turismo, o 100 Colls é pensado, principalmente, para os aventureiros que valorizam a independência e autonomia, a resiliência e o puro prazer de conduzir em vez de resultados rigorosos na classificação. Juntando mais de 300 participantes de 10 nações, entre neerlandeses, franceses, suíços, alemães, belgas, italianos, portugueses e muitos espanhóis, o 100 Colls 2026 já tem as inscrições abertas para todos os novos participantes – quem já lá esteve beneficiou da abertura antecipada das inscrições – sendo os lugares disponíveis muito limitados.

A inscrição no 100 Colls custa 245 € por condutor e 80 € por passageiro e inclui, entre outros serviços, o mapa oficial com os pontos atribuídos a cada alto de montanha, acompanhamento dos participantes em tempo real, a refeição de encerramento e o diploma final.

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Sendo um evento com classificações, são atribuídos prémios aos mais pontuados nas categorias 100 Colls Master (Ouro, Prata e Bronze), além de distinções para desafios específicos que enaltecem diferentes formas de enfrentar a aventura, apoiados por marcas que partilham o espírito do desafio. Assim, o Garmin XTrems Trophy recompensa os motociclistas que registem as passagens de montanha localizados nos três extremos do mapa, dando relevância as competências de navegação e a tomada de decisões em ambientes exigentes.

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100 Colls 03 2024 - MotoX

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O Metzeler Challenge 100 Colls foca-se na resistência, consistência e confiança ao longo de centenas de quilómetros em condições em constante mutação, e o Troféu Feminino SHAD reconhece a motociclista mais bem posicionada na classificação geral, destacando consistência, estratégia e determinação ao longo do desafio. Todos os finalistas recebem um diploma de participação, pois nos 100 Colls o desafio é, acima de tudo, uma conquista pessoal neste evento organizado pela CROM Event, empresa com mais de três décadas de experiência na organização de eventos de motociclismo, comprometida com experiências e formatos autênticos, com uma identidade forte e distintiva.

Um português no 100 Colls

Paulo Pereira foi o primeiro português a participar no 100 Colls, na edição de 2024 e conta aqui a aventura na primeira pessoa: “Era para ser uma aventura a dois, mas, por motivos de força maior, acabou por ser uma estreia a solo no 100 Colls, aos comandos da Yamaha FJR 1300S de 2008 e com objetivo de validar o mais número possível dos 100 pontos identificados pela organização. Pontos assinalados no mapa entregue no kit de participante, onde para além do referido mapa contém um dispositivo de localização que permite validar os pontos e mantém a organização informada, em tempo real, da localização de cada participante e os números identificativos para colar na moto”.

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“O primeiro desafio passa pela definição de estratégica de cada participante e os seus objetivos diários sendo que, para além do referido localizador é necessário instalar a aplicação MiRally Crono (como complemento do localizador), para que o participante saiba quais os pontos validados e a sua pontuação”.

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“E isto com um intuitivo sistema de cores onde cada porto de montanha tem uma pontuação, sendo divididos por entre o Preto para mais de 750 pontos, Vermelho entre 501 e 750 pontos, Azul de 251 a 500 pontos e o Verde para passagens que valem menos de 250 pontos. Além da pontuação, o mais importante do 100 Colls é a possibilidade de descobrir paisagens espetaculares, sendo um excelente cartão de visita de toda a Catalunha, tendo ainda passagens assinalados nas estradas pirenaicas de Andorra e França”.

Complexidade em prol da segurança

“No segundo dia na Catalunha, e a convite do Joan Marti, principal responsável pela CROM Events, fui visitar a sala de operações do evento, onde tive a oportunidade de ver o trabalho da retaguarda, com vários ecrãs onde é possível verificar as condições meteorologias em tempo real. Uma informação extremamente importante para quem se aventurou pelo norte, a que se junta a localização de cada participante (permitindo saber se está parado, a que velocidade circula etc), passando desta forma um grande sentimento de segurança, mesmo que o participante alinhe sozinho 100 Colls”.

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“Se houver a necessidade de acionar qualquer meio de apoio através do número de SOS fornecido pela organização ou qualquer outro meio de emergência, sabem a localização exata de cada motociclista, tendo também ecrãs com a respetiva classificação”.

Liberdade para descobrir à medida de cada um

“Partindo de Portugal, a primeira e obrigatória etapa, no Dia da Liberdade de 2024, levou-me de Loures a Alcanar, na Catalunha, onde pernoitei depois de percorrer sensivelmente 1100 quilómetros. No dia seguinte, a etapa iniciou em Ulldecona onde validei o primeiro ponto, tendo seguido para Mont Caro através estradas muito diversificadas e com excelentes vistas, situação característica de todo o percurso”.

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“O primeiro dia do 100 Colls foi todo ele em percursos na região de Terres de L’Ebre, terminando o dia em Tarragona, para no segundo dia do evento atravessar as regiões de Camp de Tarragona e Penedès até Manresa. No terceiro e último dia do 100 Colls cumpri vários percursos nas regiões de Barcelona e Catalunha Central, antes do regresso a casa no dia seguinte. Entre Manresa e Loures foram mais 1200 quilómetros, para um total acumulado de sensivelmente 3500 km em cinco dias, chegando cansado, mas com uma grande vontade de repetir”.

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“Tendo sido o primeiro português a participar no 100 Colls, lanço o desafio para que os amantes das duas rodas e de estradas fabulosas portugueses, participem neste evento, com a certeza de não se arrependerem já que esta prova tem uma organização de excelência cuidando de tudo ao pormenor”.

Como foi o 100 Colls em 2025?

Já em 2025, o 100 Colls escreveu mais um capítulo épico no mototurismo, reforçando o estatuto de um desafio livre, intenso e exigente onde a estrada muda a cada quilómetro que passa e muda profundamente cada participante. Por isso, centenas de ciclistas de toda a Europa voltaram, percorrendo milhares de quilómetros à procura de curvas e mais curvas, montanhas e picos oferecedores de muitas e fortes emoções.

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Durante três dias e 28 horas, enfrentaram a chuva, o frio e a escuridão da noite. Partiram antes do amanhecer e chegaram ao luar, exaustos mas sorridentes, porque cada curva é um pequeno triunfo, e cada passagem de montanha conquistada é uma memória gravada no tempo.

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O 100 Colls não recompensa a velocidade! Recompensa a inteligência, a consciência do terreno e a tomada de decisões rápidas e em tempo real. Não há cronómetros, apenas mapas, pressentimentos e reviravoltas que desafiam cada decisão que tomas. O planeamento é vital, mas a execução é tudo. E a execução refelte a adaptabilidade. A rota só é perfeita se conseguires fazê-la acontecer. Chuva, trânsito, nevoeiro… Todos eles podem transformar um dia tranquilo numa odisseia. Cada desvio pode ser um golpe de mestre – ou um erro. Tudo ajuda, ou tudo atrapalha.

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Por isso, o 100 Colls é um teste mental e físico, um jogo de estratégia ao minuto, onde cada cada decisão conta. A escolha é entre optar pelas passagens mais fáceis ou arriscar em rotas remotas e com maiores pontuações. Cada um traça o seu mapa, mas é a coragem que determina o rumo, criando um mecanismo que exige cabeça fria e um coração ousado.

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Como todos os anos, o Món Sant Benet acolheu a linha de chegada e tornou-se palco de uma celebração cheia de histórias, risos e orgulho, com motociclistas de toda a Europa em abraços que esqueciam diferenças de idioma, com olhares de verdadeira camaradagem entre estranhos.

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Os prémios 100 Colls Master (Ouro, Prata e Bronze) reconhecem não só pontos, mas também o espírito, num formato onde a excelência é definida pelos próprios participantes, sendo que só aqueles que estão nos 80% das melhores pontuações chegam ao Ouro.

Os nomes de destaque de 2025

Na edição de 2025 dos 100 Colls, cujas imagens podem ser apreciadas neste e noutros vídeos, Marc Baurier e Ferran Sacristan, da equipa KTM-Italomotor, optaram por uma estratégia tão ousada quanto precisa, atravessaram 68 passes de montanha e marcaram 35.734 pontos, tornando-se a referência absoluta da edição. Levaram também para casa o Troféu HJC, o Master Gold e o Metzeler Challenge.

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Na categoria individual, Fernando Casado impressionou com 58 ‘colls’, enquanto a equipa Macbor/Kove (Gerard Farrés, Jordi Piñol e Jordi Traver) conquistou o troféu da equipa com 59 picos. Entre as Motos Clássicas presentes no 100 Colls, o troféu foi partilhado pelas equipas R80G/S BCN Club e Sirius by Brema, nas lendárias BMW R80G/s com mais de 30 anos, cumprindo 1700 km e 47 passagens de montanha com um espírito imparável. O Troféu Garmin Xtrems foi para Martí Dalmases, que percorreu 1.845 km e conquistou os três passos mais extremos do mapa: Roussilon, o vale do Aran e Terres de L’Ebre, uma rota selvagem cumprida na perfeição.

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Outras menções notáveis incluem: Philippe Canali e Nadège Kaminski, melhores posicionados entre os participantes com passageiro; Lídia Cervantes, vencedora do troféu feminino com 54 ‘colls’; e Bernard Desmeules, que alcançou uma notável eficiência de 19,8 pontos por quilómetro com a BMW R1250GSA. Mas a história que a todos comoveu foi a de Anna Sowinska. Depois de em 2024 ter participado como pendura e ter ficado fascinada pelo formato, conseguiu a carta A2 apenas cinco dias antes do evento de 2025 e, conduzindo uma Yamaha Tracer 7, percorreu 636 km, fez 17 passagens e foi premiada com o Troféu 100 Colls Spirit. Um exemplo de perseverança e paixão.

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