A TVS Ronin 250 é talvez a mais surpreendente das propostas do mais recente fabricante a chegar ao mercado nacional. Distribuída na Península Ibérica pelo Grupo Multimoto, a marca indiana trouxe uma mão-cheia de novidades, nomeadamente as TVS RR e RTR 310, já aqui apresentadas, juntamente com esta ‘scrambler’, tecnologicamente bem apetrechada e com um design moderno e estilo urbano. Facilidade, comodidade e economia são palavras-chave nesta análise que pode ser lida aqui ou vista neste vídeo.
- Texto: Paulo Ribeiro
- Fotos: Rui Jorge/Multimoto
A chegada da TVS Ronin 250 ao mercado português representa mais do que a entrada de uma nova marca no segmento, oferecendo uma proposta muito bem conseguida para quem procura uma moto de imagem descontraída, estilo‘neo-retro’ e utilização descomplicada no dia-a-dia. A TVS Ronin 250 apresenta-se como uma ‘scrambler’ urbana de vocação moderna, daquelas que apostam menos no espetáculo dos números e mais na forma como esses números se traduzem em facilidade de utilização.

No centro do conjunto está um monocilíndrico de 225,9 cc, com 20,4 cv às 7.750 rpm e 19,9 Nm às 3.750 rpm. Não impressiona pela potência absoluta, é verdade, mas a forma como entrega o binário diz muito da sua vocação. O valor máximo surge cedo, o que ajuda a explicar a disponibilidade da TVS Ronin 250 em baixos e médios regimes, tão importante em cidade, no pára-arranca dos semáforos e constantes ultrapassagens aos imóveis e atónitos automobilistas.

Em vez de obrigar o condutor a procurar constantemente rotações elevadas, a TVS Ronin 250 responde com progressividade e suavidade, tornando a condução mais intuitiva e menos cansativa. Claro que, para isso, conta com o contributo de uma embraiagem assistida e deslizante, bem como o sistema Glide Through Technology, pensado para facilitar deslocações lentas no trânsito sem recurso permanente ao acelerador.
Preocupações urbanas
Também na ergonomia a TVS Ronin 250 revela as preocupações que presidiram ao seu desenvolvimento. A altura do assento, de 795 mm, associada a uma ciclística compacta, peso em ordem de marcha de 159 kg e a uma posição de condução direita, traduz-se numa moto acessível a uma grande faixa de utilizadores, fácil de equilibrar a baixa velocidade e pouco intimidante nas manobras. O guiador relativamente estreito ajuda a fluir no trânsito de forma natural, minimizando eventuais contactos imediatos com os retrovisores alheios, enquanto a atitude descontraída das pernas e dos braços reduz a fadiga nas deslocações diárias.

Torna-se desnecessário um guiador mais largo, já que o equilíbrio geral e a facilidade de condução não exigem grande alavacagem nas mudanças de direção, o que contribui para o acerto da posição de condução da TVS Ronin 250. Braços com uma abertura normal, costas direitas, pernas pouco fletidas e os pés avançados são contributos importantes numa moto que tem manetes ajustáveis, facilitando ainda mais o encaixe a qualquer condutor. Curiosamente, existe aqui um detalhe que parcee destoar. Os retrovisores de forma poligonal e nãos uns mais tradicionais redondos foram pensados para essa mescla entre imagem e sentido prático, oferecendo boa visibilidade à retaguarda sem demasiados danos numa imagem de tom clássico.

É, contudo, na relação entre ciclística e conforto que a TVS 250 Ronin mais surpreende, com a combinação do quadro em treliça de tubos de aço e uma forquilha invertida de 41 mm na frente e um monoamortecedor traseiro com ajuste de pré-carga em 7 níveis. Uma solução que procura equilibrar duas qualidades que nem sempre convivem bem, como a filtragem das irregularidades e controlo do movimento da moto. Uma forquilha invertida, já se sabe, oferece maior rigidez estrutural do que uma solução telescópica convencional, favorecendo a precisão da dianteira, sobretudo em travagem e em mudanças de direção, enquanto o amortecedor regulável permite adaptar minimamente a resposta da traseira à carga ou ao estilo de condução.
Explicações lógicas para o equilíbrio da TVS Ronin 250
Na prática, isso ajuda a explicar o conforto sentido em andamento normal, com uma suspensão que trabalha de forma macia sobre piso degradado, absorve bem as imperfeições urbanas e só começa a mostrar limites quando se exige à TVS Ronin 250 um ritmo acima daquele para que foi claramente pensada.


Algo que se sente também no capítulo da travagem, estando TVS Ronin 250 equipada com um disco dianteiro de 300 mm com pinça de dois pistões e a um disco traseiro de 240 mm, com ABS. Na prática encontramos uma resposta progressiva, previsível e fácil de modular, exatamente o que espera quem necessita de confiança em ambiente urbano, sobretudo os condutores menos experientes. Que assim podem travar melhor sem reações bruscas, tirando o melhor partido de uma travagem que está longe de ser agressiva ou de resposta imediata como numa desportiva. Atitude que conta com o apoio do disco traseiro de 240 mm, excelente complemento em termos de doseamento e estabilidade.

As rodas de 17 polegadas, com pneus 110/70 à frente e 130/70 atrás, reforçam esse equilíbrio entre agilidade e estabilidade da TVS Ronin 250. A secção do pneu dianteiro contribui para uma assinalável leveza de direção, algo particularmente importante em cidade, enquanto a medida traseira oferece apoio suficiente para garantir o melhor aproveitamento em termos de tração sem tornar a moto pesada de reações. Somando a isso uma distância entre eixos de 1.357 mm e um depósito de 14 litros, a TVS Ronin 250 posiciona-se como uma moto racional, mas não aborrecida, suficientemente estável para estradas secundárias e compacta para enfrentar o trânsito do dia-a-dia citadino.






No capítulo do equipamento, a TVS Ronin 250 não precisa de se colocar em bicos de pés para se afirmar, contrastando a imagem de simplicidade e baixo preço com uma simpática lista de componentes. Iluminação integral em LED com assinatura luminosa em “T”, painel digital assimétrico e conectividade SmartXonnect via Bluetooth, incluindo navegação curva a curva são alguns dos argumentos esgrimidos. E isto, sublinhe-se, sem desvirtuar o conceito original, mantendo antes uma grande coerência na abordagem ao posicionamento da TVS Ronin 250. O visual clássico é apelativo e modernidade tecnológica a suficiente para responder às expectativas de um utilizador atual.

Dito por outras palavras, a TVS Ronin 250 convence sobretudo por não tentar ser aquilo que não é. Não quer rivalizar com motos mais potentes em prestações puras, nem seduzir apenas pelo estilo. O mérito maior está na forma como articula as suas características técnicas com a experiência real de utilização, começando num motor em que o binário entregue cedo facilita a utilização em cidade, a cuidada ergonomia reduz a exigência física, a suspensão privilegia o conforto sem perder compostura, e a travagem aposta mais na confiança e na progressividade do que na brutalidade.
Num mercado em que muitas propostas de entrada de gama vivem de argumentos demasiado visíveis, quiçá espampanantes, esta TVS Ronin 250 parece ter encontrado uma receita mais madura. Os quilómetros feitos durante a apresentação da marca ao mercado nacional, juntamente com a desportiva RR 310 e a ‘naked’ RTR 310, acabaram por revelar a melhor forma de catalogar a TVS Ronin 250. É que foi mesmo uma agradável surpresa! E isto sem falar no preço bastante interessante, de 2995 € em qualquer uma das quatro combinações cromáticas disponíveis.
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