Parece uma verdadeira clássica, esta SWM GranTurismo 650! Mas está longe de o ser, apenas por uma questão de idade. É que, embora pareça ter saído de um stand da década de ’60 do século passado, a verdade é que se trata de uma moto matriculada em 2026. Ou seja, não sendo uma máquina antiga, tem o charme das motos que povoaram os sonhos de muitas juventudes, com a vantagem de mostrar uma fiabilidade superior. Mas sem cair nos exageros de modernidade que roubam algumas das mais genuínas sensações de andar de moto!
- Por: Paulo Ribeiro
- Imagens: Luís Freitas Carvalho
- Montagem e realização: Alberto Pires
Clássica na estética como na filosofia de utilização, a SWM GranTurismo 650 resume a modernidade ao indispensável para cumprir as normativas exigidas para uma homologação contemporânea. A eletrónica é utilizada na injeção e ignição, como no ABS e pouco mais. Se faz falta uma maior profusão de sensores e circuitos integrados? Garantimos que não! Desde que a abordagem seja a adequada a uma máquina simples, para deslocações sem grandes pressas, mas também sem grandes preocupações. Afinal, esta é uma verdadeira clássica, e não uma moderna travestida de ‘old timer’ como comprovamos ao fim de 1000 quilómetros de um teste que passou, também, pelo 2.º Portugal de Lés-a-Lés Classic.

Com bom tempo alternando com chuva e nevoeiro intenso, a SWM GranTurismo 650 esteve tão â vontade no evento organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal, para motos com mais de 30 anos, que por lá se passeou sem destoar. Tal a fidelidade ao estilo dos anos ’60 do século passado que quase enganava toda a gente… mas apenas os mais distraídos. Na verdade, ao chegar a Lamego, local das Verificações Técnicas e Documentais, apenas os LED do farol e a janela digital confirmavam tratar-se de uma moto nascida bem mais recentemente.

Uma ilusão de ótica que começa no bloco monocilíndrico da SWM GranTurismo 650, oferecedor de grande binário (45 Nm/5000 rpm) e exibidindo uma lendária fiabilidade em detrimento de uma potência máxima que pouco passa dos 39 cavalos (às 6000 rpm), apostando antes em proporcionar sensações únicas e recordações clássicas. Pouco vista nos dias que correm, esta configuração tem uma forma ímpar e se expressar. Utilizável a partir das 2500 rotações por minuto é um autêntico trator de força, com uma entrega linear e elástica de toda a potência às 6000 rpm, embora o melhor mesmo seja utilizar até às 5000 rpm.
Para que serve a SWM GranTurismo 650?
Motor que valoriza a pura essência do estilo clássico, tal como as jantes de raios, faróis redondos e um assento com relevo, a que SWM GranTurismo 650 junta a facilidade de condução e uma enorme diversão. Mas com travões modernos, boa qualidade de construção e robustez a toda a prova. Uma moto capaz e fiável, com excelente aspeto visual, mas sem a obrigatoriedade de fazer bricolage e as constantes reparações de ocasião exigidas pelas máquinas realmente ‘vintage’. Além disso tem um preço que mais parece saído da época: 4490 €. Mais clássico não há!

Afinal, e numa comparação com outras sonoridades, também há aquelas músicas eternas que, depois do sucesso, são reinterpretadas em ‘covers’ mais ou menos bem conseguidos, mas sem o charme do original. O mesmo se passa no cinema, com ‘remakes’ de êxitos de bilheteira, muitas vezes recorrendo à evolução tecnológica para criar cenas mais… atualizadas. Na prática, o mesmo se passa nas motos que querem ser olhadas como clássicas! As ‘neo-retro’, ‘retro-modern’ ou ‘modern classics’, são, independentemente da designação, motos que apostam no design inspirado na tradição para evocar a nostalgia de outras décadas.

Dentro desta categoria existem diversas máquinas de tecnologia moderna, mas com ligações a um passado glorioso, utilizando plataformas e componentes atuais, e há as outras como a SWM GranTurismo 650, genuinamente clássicas. Claro que tem injeção de combustível, bem como arranque elétrico e ignição eletrónica, ABS e iluminação LED, mas tudo o resto é tão ‘vintage’ como os cromados verdadeiros, ou um assento que parece feito de molas… à antiga. E esta não é uma ideia desprovida de consistência ou extraída de um ‘test-drive’ à volta do quintal, mas sim um opinião fundamentada no teste de uma intensa semana e mais de 1000 quilómetros com a SWM GranTurismo 650.
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