Honda WN7. O futuro é elétrico?

Autor:  Paulo Ribeiro

Março 12, 2026

A Honda WN7 surge numa altura – e de uma forma!… – em que a mobilidade elétrica cresce a passos largos. Ou, dito de outra forma, o mercado está eletrizante, sobretudo no que aos automóveis diz respeito. Quanto às motos, tentar perceber se o futuro é elétrico é algo que nem as mais evoluídas habilidades de futurologia conseguem prever com precisão. Será desta que é quebrada a resistência dos motociclistas à mudança?

Honda WN7
Honda WN7. O futuro é elétrico? 61
  • Texto: Paulo Ribeiro
  • Fotos: Zep Gori e Ciro Meggiolaro

A capacidade das baterias cresce de forma demasiado lenta, tal como tarda uma efetiva redução de peso. Por outro lado, os tempos de carregamento e a autonomia são obstáculos a uma aceitação mais universal. Mas, atenção, que o maior construtor mundial de motos com motores de combustão interna confirmou a entrada em força nas elétricas, e a Honda WN7 é uma proposta bem diferente de tudo o que vimos até agora. E se a economia pode não ser ainda a motivação principal para a sua aquisição, a verdade é que a nova Honda WN7 pode ser encarada como veículo de compromisso ambiental, de modernidade tecnológica e de distinção.

Honda EV 2019 BENLY

Honda EV 2019 Gyro Canopy

Honda EV 2020 Gyro e

Honda EV 2023 DAX e

Honda EV 2023 Motocompacto

Honda EV 2023 Super Cub e

Honda EV 2023 ZOOMER e

Honda EV 2024 Activa e

Honda EV 2024 EM1 e

Honda EV 2024 Icon e

Honda EV 2024 QC1

Honda EV 2025 CUV e

Honda EV 2026 UC3

Honda EV Urban 2025

A intenção já tinha sido anunciada em setembro de 2022 e é inequívoca: até 2040 a Honda pretende alcançar a neutralidade carbónica na globalidade dos seus produtos de duas rodas. Acalmem-se os espíritos mais inquietos — isso não representa obrigatoriamente o fim dos motores de combustão interna. O que representa é uma determinação! A Honda propôs-se lançar 30 modelos elétricos até 2030, objetivo que muitos consideraram dificilmente exequível. Pois bem: a Honda WN7 é o 15.º veículo elétrico da gama a nível mundial, com argumentos sólidos e uma enorme surpresa que pode mudar a forma como muitos olham para as motos silenciosas, sem emissões poluentes e isentas de vibrações.

Surpresa? Ou nem tanto…

Aliás, mais do que uma surpresa, a Honda WN7 é uma constatação clara da forma como a marca aborda cada desafio e pensa cada novo produto. Para conceber a primeira moto com bateria fixa, foi escolhida… uma folha em branco. E uma equipa de jovens engenheiros, com uma média etária de 33 anos, dirigida por Masatsugu Tanaka (46 anos), responsável por projetos como as CBR600F, CBR1000RR, Gold Wing, Africa Twin e NT1100 — uma experiência que transparece imediatamente quando se sobe para a moto.

Honda WN7
Honda WN7. O futuro é elétrico? 62

Além disso, a Honda WN7 estreia uma nova identidade visual para os veículos elétricos da marca, abandonando a clássica asa dourada em favor de um ‘lettering’ que representa a nova geração de mobilidade Honda. O conceito ‘Be The Wind’ e a filosofia Naked deram o nome (WN) com o 7 a definir o nível de potência numa escala de 0 a 9 usada pela Honda.

Honda WN7
Honda WN7. O futuro é elétrico? 63

Parece que é a nossa moto desde sempre — mas agora em versão elétrica. A adaptação é imediata. Os comandos e o painel TFT de 5″ da Honda WN7 são familiares a quem conhece outros modelos da casa, primando pela facilidade ergonómica e boa legibilidade. O painel, que oferece duas possibilidades de visualização no modo Sport, disponibiliza toda a informação relevante para um veículo elétrico: consumo instantâneo e médio, autonomia, tempo de carga e voltagem.

Importa referir que a Honda WN7 tem um design herdado do conceito EV Fun apresentado no EICMA 2024 — futurista e elegante, onde a forma é determinada pela função. Nada é supérfluo. Todas as linhas e volumes têm um propósito, incluindo as discretas asas laterais que, mais do que estética, servem para canalizar ar fresco para o radiador do motor elétrico. A estética submete-se à funcionalidade e o condutor é o centro de todas as atenções. Os materiais — como o alumínio — a ausência de soldaduras e as sóbrias, mas distintas cores disponíveis (Preto pérola Matt Morion, Cinza-pérola Deep Mud e Preto Graphite) reforçam a sensação de elevada qualidade. E garantem uma imagem distinta, que sobressai mesmo quando parada.

Honda WN7
Honda WN7. O futuro é elétrico? 66

Um ponto passível de críticas: os retrovisores são bonitos, é verdade, mas colocados nos extremos do guiador criam um potencial de conflito no trânsito urbano e uma visibilidade pouco abrangente em contexto citadino. Um detalhe que contrasta com o cuidado posto em tudo o resto.

Honda WN7
Honda WN7. O futuro é elétrico? 67

Particular atenção foi dada à ergonomia e distribuição de pesos da Honda WN7. O assento — baixo (800 mm) e muito estreito (260 mm) — facilita o apoio dos pés no solo, tornando as paragens mais fáceis do que numa Honda PCX 125. Quem tem menor estatura vai agradecer. A posição de condução é relaxada, com as costas direitas e mãos e pés a assentarem naturalmente, sem demasiada flexão.

Honda WN7
Honda WN7. O futuro é elétrico? 68

O guiador, de largura semelhante à da Hornet 750, combina na perfeição com o apoio dos joelhos no falso depósito, facilitando sobremaneira qualquer mudança de direção.

Honda WN7
Honda WN7. O futuro é elétrico? 69

Contudo, o banco, por ser tão fino e estreito, está longe dos padrões de conforto desejáveis para distâncias superiores a 60/70 km. Ora, como a autonomia real ronda os 100/120 km e a vocação é claramente urbana, o problema é relativo. No entanto, e para os mais sensíveis, os japoneses já prometeram uma versão Comfort!

Ciclística: quando a bateria é o quadro

A maior revelação da Honda WN7 esconde-se na sua arquitetura estrutural. Ao invés de recorrer a um chassis existente ou sequer inspirado em algo conhecido, a Honda WN7 usa um quadro que… não existe. É o conceito ‘frameless’: a caixa que alberga as 576 células de iões de lítio (com uma voltagem de 349,44 V e 9,3 kWh de capacidade) é o próprio elemento de esforço, à qual são acopladas as estruturas em alumínio da coluna de direção e o sub-chassis traseiro.

Honda WN7
Honda WN7. O futuro é elétrico? 70

O sub-chassis dianteiro e traseiro, mais a fixação inferior da bateria ao braço oscilante, pesam apenas 8 kg e foram otimizados em termos de desenho, posicionamento e distância entre parafusos para a melhor rigidez torsional. Simplicidade e eficácia que surpreendem em estrada.

O equilíbrio entre rigidez e flexibilidade está muito próximo da perfeição. A curvar em autoestrada, à velocidade limite (136 km/h no velocímetro), a Honda WN7 não abana um milímetro — parece deslocar-se sobre carril. Nas rápidas mudanças de direção em ambiente urbano, a agilidade atinge um novo patamar na classe, também com a ajuda de uma compacta distância entre eixos (1480 mm) semelhante à Hornet 750. O comportamento dinâmico é, ao contrário do que se experimenta noutras motos elétricas, muito mais natural. O peso de 217 kg e a distribuição de massas particular de um modelo elétrico resultam numa impressão de condução muito mais amigável e intuitiva do que seria de esperar.

Honda WN7
Honda WN7. O futuro é elétrico? 73

A suspensão, que por fora é semelhante à da Hornet 750 (forquilha invertida Showa de 43 mm, com 120 mm de curso), recebeu afinações internas específicas para fazer face ao aumento de peso e à diferente distribuição de massas da Honda WN7. Único senão: o comportamento na fase inicial do curso é algo áspero, não filtrando com a suavidade desejada as pequenas irregularidades do piso — seja empedrado ou asfalto degradado.

A sensação inicial é de excessiva dureza, mas percebe-se rapidamente que é uma questão de adaptação. Atrás, o mono braço oscilante Pro-Arm em alumínio, aciona um mono amortecedor Showa, ajustável em pré-carga e com 120 mm de curso, além de deixar ver a bonita roda traseira, faz a ligação à história de sucesso da marca.

Honda WN7 64 - MotoX
Honda WN7. O futuro é elétrico? 77

A travagem, confiada a pinças Nissin de dois pistões e dois discos de 296 mm na dianteira, é igualmente potente desde o primeiro milímetro da manete — quase como uma superbike a baixa velocidade — mas perfeitamente adequada ao peso e às performances da moto.

Honda WN7
Honda WN7. O futuro é elétrico? 78

Ainda na parte ciclística, destaque para a opção pelos Pirelli Diablo Rosso III e sobretudo para a escolha da medida do pneu traseiro (150/60) mais estreito e alto do que seria expetável, procurando o melhor compromisso entre agilidade e conforto, mas que ajuda também a minimizar o descentramento da correia de transmissão da Honda WN7.

A potência silenciosa da Honda WN7

Chega a ser estranho que o maior ruído durante a condução da Honda WN7 seja… causado pelo vento. O motor elétrico sem escovas, com arrefecimento por líquido, instalado numa posição baixa e centrada, envia a potência para a roda traseira através de carretos de dentes helicoidais. A transmissão final é feita por correia de borracha reforçada — estreia absoluta numa Honda — com resultado imediato na ausência total de ruídos mecânicos, bem como na suavidade acrescida em aceleração e desaceleração, e uma experiência de condução filosoficamente diferente.

Honda WN7
Honda WN7. O futuro é elétrico? 79

Rápida a responder, a Honda WN7 cobre os primeiros 50 metros em 3,9 segundos e atinge os 100 km/h em 4,6 s. para uma velocidade máxima real de 129 km/h O arranque é mais eficaz do que o de uma Honda CB500 Hornet. O pico de 50 kW (67 cv) impressiona, mas é o binário de 100 Nm — disponível a 100% desde o primeiro toque no acelerador — que verdadeiramente define o carácter da moto.

Honda WN7
Honda WN7. O futuro é elétrico? 80

Para referência, a Honda CB1000 Hornet oferece 104 Nm e a Hornet 750 apenas 75 Nm. A velocidade máxima pode não ser impressionante, mas a rapidez com que é atingida é estonteante. As performances da Honda WN7 são equivalentes às de uma naked de média cilindrada, mas destacam-se pela espontaneidade só possível através de um motor elétrico.

Honda WN7
Honda WN7. O futuro é elétrico? 81

A potência nominal de 18 kW garante acesso a condutores com carta A2, e existe ainda uma versão de 11 kW para licença A1 — o que alarga consideravelmente o universo de potenciais utilizadores da Honda WN7.

Uma caixa de velocidades imaginária

É aqui que a experiência se torna mais fascinante. A Honda WN7 oferece quatro modos de condução — Sport, Standard, Rain e Econ — que variam a forma como a potência e o binário são entregues, bem como o controlo de tração (HSTC) e a intensidade da regeneração energética. E é precisamente a regeneração que funciona como o grande trunfo para quem vem dos motores de combustão.

Honda WN7
Honda WN7. O futuro é elétrico? 82

O efeito regenerativo equivale ao travão-motor de um bloco a combustão, mas com a vantagem de recuperar energia e aumentar a autonomia. Pode ser regulado em três níveis ou desligado — neste caso, ao cortar gás, a velocidade só reduz por atrito aerodinâmico e com a estrada. Os níveis podem ser mudados em andamento, a qualquer momento, mesmo a meio de uma curva, através das patilhas acionadas pelo polegar e indicador esquerdos.

Honda WN7
Honda WN7. O futuro é elétrico? 83

É possível usar este sistema quase como se de uma caixa DCT se tratasse, com reduções que permitem uma condução rápida e descontraída, sem embraiagem nem preocupações. O efeito regenerativo só pode ser alterado em função da carga e temperatura da bateria — normalmente disponível a partir dos 95% de carga.

Honda WN7
Honda WN7. O futuro é elétrico? 84

Acreditem: é nesta altura que a Honda WN7 conquista até os mais céticos. Incluindo os indefetíveis adeptos dos motores de combustão — e até alguns ‘velhos do restelo’, como eu. Não só pelo silêncio que transforma cada deslocação numa experiência filosoficamente diferente, mas sobretudo pela eficácia dinâmica.

Honda WN7
Honda WN7. O futuro é elétrico? 85

A tudo isto somam-se ajudas práticas como a possibilidade de fazer manobras com apoio do motor, andando para a frente ou para trás de forma lenta (até 5 km/h) sem qualquer esforço, ou o limitador de velocidade selecionável para evitar esquecimentos em zonas de velocidade limitada. O Smart Key, iluminação integral em LED, os piscas auto canceláveis e a sinalização de travagem de emergência completam o rol de equipamentos da Honda WN7.

A autonomia anunciada para a Honda WN7 é de 140 km, mas numa utilização mais normal — com alguma dinâmica — dificilmente se ultrapassarão os 100/120 km. O consumo médio verificado durante o trajeto de apresentação foi de 8,9 kWh/100 km (a Honda anuncia 80 Wh/km), o que equivale a menos de um euro gasto em eletricidade por cada 100 quilómetros. Um valor que, somado à manutenção técnica muito inferior (correia de transmissão durável e travões poupados pela regeneração), torna o custo de utilização da Honda WN7 competitivo.

O problema óbvio é o elevado preço de aquisição — 15.000 € — um fator que não pode ser ignorado na equação económica. Um valor semelhante ao da multifacetada Honda CB1000GT e que é um dos maiores óbices ao sucesso da Honda WN7. Como de praticamente todas as outras propostas elétricas de médias e grandes dimensões, com tecnologia e equipamento que as colocam longe da aceitação das práticas scooters urbanas. Modelos cuja aquisição assenta enssecialmente e para já em valores de respeito ambiental, de evidência tecnológica e de uma experiência diferenciada e com elevada distinção e prestígio.

Honda WN7 12 - MotoX
Honda WN7. O futuro é elétrico? 88

Mas a Honda WN7 tem outros trunfos e onde impressiona mesmo é nas opções de carregamento. A carga completa em casa, através de tomada de corrente alternada, demora cerca de cinco horas e meia. Com uma ‘wall-box’ modo 2 de 6 kVA, o tempo baixa para duas horas e meia.

E para os mais apressados, a Honda WN7 é compatível com o protocolo de carregamento rápido CCS2 — o mesmo usado pelos automóveis elétricos (modo 4) — permitindo carregar de 20% a 80% em apenas 30 minutos. Uma opção rara nas motos e que demonstra, de forma inequívoca, a seriedade do compromisso da Honda com a mobilidade elétrica. Testes extensivos foram realizados na Europa, onde está a maioria dos clientes potenciais da Honda WN7.

Honda WN7
Honda WN7. O futuro é elétrico? 92

Importa ainda contextualizar a Honda WN7 no universo elétrico da Honda: depois das scooters de bateria intermutável EM1 e:, e da CUV e:, a WN7 é o terceiro modelo pensado para o mercado europeu — e o primeiro com bateria fixa.

Uma Honda (elétrica) de corpo e alma

O mote de desenvolvimento foi claro desde o início: “mesmo que elétrica, é uma Honda”. E a Honda WN7 cumpre essa promessa à risca. Está longe, muito longe, de ser uma simples adaptação elétrica de uma moto existente. É um produto pensado de raiz, com soluções inteligentes, uma ciclística refinada, uma eletrónica rica e uma experiência de condução que vai surpreender mesmo quem chegue cético — como eu cheguei.

Honda WN7

Honda WN7

Honda WN7

Honda WN7

Honda WN7

Honda WN7

Honda WN7

A Honda WN7 realça o aproveitamento de 77 anos de experiência e mais de 500 milhões de motos fabricadas. O Cornering ABS, a conectividade Road Sync, o painel TFT, o Smart Key — tudo está lá, bem integrado e funcional. E com um posicionamento que a torna uma proposta séria no segmento das naked elétricas de acesso, a Honda mostra que quer, rapidamente, atingir no elétrico o mesmo estatuto que já detém no universo da combustão. Alguém duvida da sua capacidade para o conseguir?

Partilha este artigo!

Moto Guzzi V100
Moto Guzzi V85TT
Aprilia Tuareg 650
NEXX X.TR
Publicidade NEXX 2026
Bajaj Pulsar 400z
Moto Guzzi V85TT
Moto Guzzi V100
Aprilia Tuareg 650
NEXX X.TR
Publicidade NEXX 2026
Bajaj Pulsar 400z
Pesquisa

Não encontrado