A Honda Forza 750 reforçou as características turísticas, oferecendo mais segurança, conforto e bem-estar a bordo, mas sem descurar o capítulo estético e, sobretudo, os aspetos funcionais que determinam o sentido prático de uma scooter. Perfeitamente apta a uma utilização urbana e quotidiana, a Honda Forza 750 está ainda mais à vontade nos trajetos interurbanos, mas, sobretudo, também nas viagens de média distância, mesmo com carga e passageiro a bordo. Afinal é ou não possível fazer mototurismo com uma scooter?

- Por: Paulo Ribeiro
- Fotos: Alberto Pires e P.R.
Verdadeiro navio-almirante da armada Forza, a maior das scooters da ‘asa dourada’ foi renovada rumo a maior polivalência… turística. É que, mesmo podendo ser catalogada como uma proposta de mobilidade urbana – e que moto não o é? – a Honda Forza 750 é uma GT de eleição. Gran Turismo apta a desafiar convenções – como a de que uma scooter não é para viajar… –, ultrapassar os limites urbanos com um conforto que faz corar de vergonha motos bem maiores e estabelecer novos parâmetros de comodidade com o ‘cruise-control’ ou o para-brisas ajustável eletricamente de série.

Desde logo as mudanças na nova versão da Honda Forza 750 estão patentes ao nível da estética com mudanças que começam na dianteira, mais esguia e aerodinâmica, com os redesenhados faróis LED com DRL e os piscas integrados na carenagem. A proteção é elevada, naturalmente superior a muitas motos de aptidões turísticas, por força de um perfil envolvente e que foi devidamente testado durante os dias frios e chuvosos deste inverno bem rigoroso.

O ecrã ajustável eletricamente permite ampliar e adequar a proteção ao tronco e cabeça mesmo se com algum prejuízo das mãos quando se sobre o para-brisas. É a velha estória da manta que, quando se puxa para a cabeça, destapa os pés… neste caso, deixando os punhos mais expostos. Ajustável eletricamente em 120 mm, tem uma função ‘off’ com memória que, desligando a ignição, o coloca na posição mais baixa, voltando à última posição assim que se liga a ignição e atinge uma velocidade superior a 5 km/h.

Aumenta a elegância da Honda Forza 750 em parado e reduzem-se os riscos de danos no ecrã ajustável que é importante mais-valia quando se fala no conforto a bordo, rematando uma posição de condução extremamente confortável, mesmo nas viagens mais longas e até em pisos mais irregulares.

Oferecendo várias possibilidades para a colocação dos pés/pernas, a Honda Forza 750 ganhou mais área para os pés, em placas que, mantendo a largura exterior, conquistaram espaço para o interior graças ao ‘recuo’ dos plásticos. No entanto, na posição mais vertical, com os joelhos dobrados a cerca de 90º, os calcanhares, sobretudo do lado direito, acabam por ficar um pouco mais expostos devido à largura do motor equipado com a dupla embraiagem.
Quando elegância rima com proteção
A elegância da carenagem frontal da Honda Forza 750 não fica minimamente ensombrada pelo para-brisas que protege bem o condutor mas também o passageiro graças a dimensões maiores que o modelo anterior, sendo 100 mm mais largo e com uma diferença de 10° no ângulo, para diante, quando está na máxima extensão. E também não sai beliscada pelos retrovisores em posição alta, oferecedores de razoável visibilidade à retaguarda, mas com tendência conflituosa em condições de trânsito urbano intenso, podendo interferir com os espelhos dos automóveis embora possuam o trunfo de serem facilmente rebatíveis.

O novo para-brisas que equipa a Honda Forza 750 oferece maior transparência e promessas de maior resistância ao amarelecimento com o passar dos anos graças ao fabrico em Durabio, um polímero de base biológica, produzido a partir de uma espécie de milho não comestível, e que reforça a preocupação ecológica patente ainda noutros componentes fabricados com materiais de plástico reciclado.


Como é o caso da base do banco da Honda Forza 750, com uma altura ao solo de 790 mm e uma forma que permite colocar bem os pés no solo e que esconde um espaço amplo (22 litros de capacidade) onde cabe um capacete integral e outros objetos. Assento que, por acaso, até se mostrou mais confortável do que a unidade montada de origem na Honda NT1100.
Reforço de sentido prático e modernidade
Ainda no posto de comando da renovada Honda Forza 750, nota para o prático porta-luvas e para a nova posição da tomada USB-C que deixou de estar no compartimento sob o assento, passando para a parte central do guiador, facilitando o carregamento do telemóvel em movimento. Uma alteração alinhada com o sentido de modernidade e dotação eletrónica que surge acompanhada pela Smart Key que, além de desbloquear a ignição e tranca da direção facilita a abertura do tampão de gasolina e do assento bem como da top-case opcional.

Além disso dispõe de uma função para ajudar a descobrir a scooter com um botão que faz acender os piscas. Eletrónica enriquecida com a estreia do ‘cruise-control’ como equipamento de série na renovada Honda Forza 750. Sistema de controlo de velocidade extremamente prático nas viagens mais longas em autoestrada, de fácil acionamento através de botões dedicados no conjunto de comandos do lado esquerdo.


Modernidade eletrónica que está ainda patente no renovado painel de instrumentos TFT a cores, de 5 polegadas, com conectividade através da aplicação Honda RoadSync (para iOs e Android), e que oferece excelente visibilidade, mesmo sob a incidência de luz solar forte, graças à colagem com uma resina especial selando o espaço entre o vidro e o filme TFF.


Ecrã que oferece três fundos diferentes, desde o mais Simples ao mais tradicional Círculo, passando pelo modo Barra e que, com o joystick de quatro vias, de utilização fácil e retro iluminado, facilita a utilização de todos os comandos através do ecrã além da navegação. E, utilizando o Bluetooth e auscultadores no capacete, permite ainda fazer chamadas, ouvir música ou receber informações de voz sobre o estado do tempo.
Dotes de segurança ativa e passiva
Importante em termos de segurança são ainda duas funções dos piscas, do cancelamento automático através da comparação da diferença de velocidade das rodas dianteira e traseira e não apenas através de um simples temporizador, bem como a sinalização de travagem de emergência (Emergency Stop Signal – ESS). Que funciona a velocidades superiores aso 53 km/h e quando há uma desaceleração de 6,0 m/s2 ligando os piscas traseiros para avisar os outros condutores que a Honda Forza 750 está a efetuar uma paragem de emergência.


E com a capacidade de travagem instalada fácil é levar os piscas a acender sempre que optemos por uma condução mais desportiva. Isto porque os dois discos de 320 mm na dianteira, com pinças radiais de 4 pistões e o disco de 240 mm atrás com pinça radial de pistão simples, apresenta uma elevada potência ao apertar as manetes com determinação, minimizando riscos perante um imprevisto ou uma atitude extemporânea de algum condutor urbano mais apressado ou simplesmente distraído. No entanto, numa perspetiva turística, em passeios estradistas mesmo com passageiro a bordo, o sistema permite desacelerações suaves e muito facilmente controláveis, garantindo conforto para lá da inabalável segurança.
O sucesso de uma base sólida
Atributos de elevada qualidade que são reforçados pela já conhecida ciclística da Honda Forza 750, assente num robusto quadro com um desenho de diamante em tubos de aço, com uma forquilha invertida de 41 mm a fixar a jante dianteira de 17 polegadas (120×70) em alumínio fundido, enquanto atrás a jante de 15”, com pneu 160/60 está fixa a um braço oscilante em alumínio maquinado de seção oca que aciona um mono amortecedor, ajustável em pré-carga, através do sistema Pro-Link. Oferecendo 120 mm de curso dão um importante contributo para uma condução com elevado nível de feedback e grande maneabilidade, fazendo esquecer os 236 kg que são bem notórios apenas nos pequenos movimentos com o motor desligado.

Em termos de motorização a Honda Forza 750 não sofreu qualquer alteração, mantendo a unidade de dois cilindros paralelos de 745 cc, com arrefecimento líquido, 8 válvulas e uma árvore de cames à cabeça, debitando 59 cavalos às 6750 rpm e com um binário máximo de 69 Nm às 4000 rpm. Motor com prestações mais fortes a baixas e médias rotações, notando-se um binário sempre elevado que ajuda nas acelerações e recuperações, tanto em meio urbano como em estrada curvilínea, tecnicamente justificado pela cambota de elevada inércia e o formato específico das câmaras de combustão.

Sem alterações mecânicas para 2026, o motor da Honda Forza 750 viu, no entanto, a eletrónica refinada contando com acelerador eletrónico Throttle by Wire (TbW) e três modos de condução predefinidos (Standard, Sport, Rain) e um personalizável (User), selecionados de forma imediata através de um interrutor específico no lado esquerdo do guiador.

Desta forma é possível gerir o comportamento em função das necessidades do momento e do estado de espírito, variando, em três níveis, a forma como é feita a entrega de potência, o efeito de travão-motor e a intervenção do controlo de binário. Sistema HSTC, na prática o controlo de tração, que pode ser desligado e cujo nível de intervenção foi refinado no modo Rain e que, tal como os restantes parâmetros, pode ser ajustado através das definições existentes no menu do painel.
As grandes mudanças na Honda Forza 750
Ponto da Honda Forza 750 onde houve mudanças significativas foi o DCT, o sistema de transmissão de dupla embraiagem que conta com 17 anos de desenvolvimento e equipa já mais de 280 mil veículos de duas rodas, na busca de maior suavidade no arranque e melhor controlo a baixa velocidade.

Na prática a evolução é particularmente sensível em utilização urbana, com um acelerador mais preciso e constante, com menos solavancos nos pequenos movimentos do acelerador, mas também em estrada, facilitando as inversões de marcha bem como nas curvas mais fechadas, sobretudo em ganchos com desníveis. Melhoria conseguida pela revisão da gestão eletrónica da embraiagem, com resposta e sensações otimizadas a baixa velocidade e que estão diretamente ligadas aos modos de condução.

Evolução assente em complicados cálculos de fluidos e pressões, acompanhada pelas mudanças no acelerador eletrónico e na caixa DCT, com novas afinações electro hidráulicas em velocidades muito baixas, oferecendo mudanças de velocidade consistentes, rápidas e sem problemas. E com garantia de durabilidade já que é praticamente impossível ‘meter um prego’ ao falhar uma mudança de caixa e da diminuição quase a zero dos níveis de choque nas mudanças de velocidades. Além de que é impossível deixar o motor ir abaixo, minimizando o cansaço e stress em utilização urbana, abrindo campo à maior concentração nos outros aspetos da condução, das trajetórias às curvas ou aos pontos de travagem e aceleração.

Com duas possibilidades de utilização, o DCT permite máxima descontração no modo automático (AT) com a eletrónica a decidir o melhor momento para engrenar uma velocidade diferente e função da velocidade do veículo, da mudança engrenada e da rotação do motor, e o modo Manual. Que garante ao condutor o domínio absoluto, mudando de velocidade sempre que quiser através das patilhas localizadas junto ao punho esquerdo. A grande vantagem é que, com a chegada do sistema TbW, há quatro definições para as mudanças automáticas, do mais descontraído nível 1, com a engrenagem a acontecer a rotações mais baixas, estando ligado ao modo de condução Rain.

Por outro lado, o nível 4, engrena as mudanças a rotações mais altas e faz as reduções mais cedo, garantindo um maior efeito de travão-motor para uma condição mais desportiva. Além dos níveis intermédios ligados ao modo Standard (2) e entre este e o Sport (3) existe a possibilidade de escolher entre estes níveis na opção User, e ajustá-los aos restantes parâmetros dos modos de motor como a entrega de potência, o efeito de travão-motor ou o sistema HSTC.
Pode potência rimar com suavidade?
Sendo um motor bastante suave – que não amorfo! – prima pelo grande equiíbrio de funcionamento, praticamente isento de vibrações graças a dois veios de equilíbrio que, no entanto, não apagam o carácter muito próprio de um bloco com cambota desfasada 270º. Motor com personalidade e com interessante registo de economia. A Honda Forza 750 anuncia um consumo de 3,6 L/100 km no uniformizado modo WMTC, o que equivale a uma autonomia superior aos 350 quilómetros graças aos 13,2 litros de capacidade do depósito de gasolina.

Na realidade não conseguimos tamanha proeza de economia sendo que nos pouco mais de 500 km contabilizados ficamos pelos 4,85 L/100 km, com mínimos de 4,43 e máximos de 5,64 L/100 km entre reabastecimentos. Também é verdade que, mesmo sem fazer qualquer teste de economia, será fácil realizar consumos entre os 4 e os 4,5 L/100 km.
Em jeito de conclusão, a Honda Forza 750 assume-se como uma citadina de eleição, com capacidade para deixar a cidade com o mesmo nível de conforto, graças à bem conseguida posição de condução e proteção aerodinâmica melhorada. Com a tradicional agilidade e facilidade de condução de uma scooter reforçada pelo sistema DCT e a potência de uma moto de média cilindrada, consegue estar tão à vontade no trânsito urbano como em estradas desimpedidas.

Mas a Honda Forza 750 deu um importante passo com a dotação tecnológica aportada pela montagem do ‘cruise-control’, da Smart Key, do painel TFT com conectividade ou a iluminação Full LED, além de uma construção de elevada qualidade exigida a uma topo-de-gama. Uma combinação de argumentos que reforça os conhecidos atributos da Honda Forza 750, do conforto ao comportamento desportivo, da agilidade às prestações vivas, da funcionalidade inteligente à elegância e estilo vincado.
Será que o preço é justo?
Por tudo isto, os 12.550 € pedidos pela Honda Forza 750 não parecem desajustados, mesmo se as más-línguas poderão dizer ser exagerado para… uma scooter. Mas é bom não esquecer que a Honda Forza 750 vai muito além dessa catalogação simplista, com um comportamento de verdadeira moto. Ou, vistas as coisas por outro prisma, trata-se de adquirir duas máquinas pelo preço de uma!

Claro que a Honda Forza 750 tem ‘rivais’ com preço mais acessível como a Kymco AK550 Premium (51 cv, 10.990 €) ou a SYM Maxsym TL 508 (45,5 cv, 10.499 €) mas com menos potência e nível de equipamento mais reduzido. Já a grande precursora deste segmento, a Yamaha TMAX (48 cv) tem uma gama que vai dos 13.890 € da versão base aos 15.850 € da requintada Tech Max.
Disponível com a nova decoração em branco Pearl Glare a juntar-se ao conhecido preto Mat Ballistic Metallic e Mat Warm Ash Metallic a Honda Forza 750 conta ainda com uma alargada linha de acessórios, que podem ser agrupados em quatro packs (Comfort, Urban, Sport e Travel) para maior comodidade e economia.
Lista que inclui defletores aerodinâmicos, banco Comfort, punhos aquecidos, saco para a consola, tampas laterais, alavanca e respetiva cobertura do travão de estacionamento maquinadas, painéis para os apoios dos pés, faróis de nevoeiro, malas laterais (26 L na direita, 33 L na esquerda), com painéis à cor e bolsas interiores, porta-bagagens traseiro em alumínio, top case Smart de 50 L., com tampa à cor e encosto para o passageiro e bolsa interior e uma divisória para melhor arrumação no espaço sob o assento.

Além destes acessórios que também podem ser adquiridos individualmente a Honda Forza 750 pode ainda ser enriquecida com top case manual de 38 L ou 50 litros, painéis de alumínio para as tampas das malas laterais e da top case, encosto para o passageiro e sistema de alarme.
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