A nova Ducati Monster é herdeira de uma verdadeira fortuna! Por um lado recebe o motor V2 que equipa as Panigale, Multistrada ou Streetfighter e, por outro, beneficia de toda a herança de três décadas e meia de uma monstruosa história. A mais pequena do clã de Borgo Panigale é também a mais amada na história da marca, com mais de 380 mil unidades vendidas desde que a primeira Monster foi desvendada no Salão de Colónia – Intermot, de 1992. O vídeo do primeiro teste em estrada revela todos os trunfos da 5.ª geração da bela italiana e ajuda a perceber se ainda se mantém como a rainha do segmento que criou.
- Por: Paulo Ribeiro
- Imagens: Alex Photo/Ducati
- Realização e montagem: Alberto Pires
De linhas compactas e musculadas, mantendo a mais genuína fidelidade ao mote do criador Miguel Galluzzi, que defendia que nada mais era necessário numa moto “para além de um banco, um depósito, um motor, duas rodas e um guiador”, a nova Ducati Monster mostra no entanto uma maior maturidade. Pode não ter a impetuosidade de outros tempos – para defender a honra da casa italiana nesse particular está lá a irmã mais nova Streetfighter… – mas está longe de ter ficado letárgica ou ociosa. Pelo contrário, ganhou outros atributos, conjugando serenidade e energia graças à disponibilidade do novo bloco V2 e a uma completa e refinada eletrónica como pode ler aqui no teste completo.

Em termos estéticos, a modernidade está patente no farol que, tal como toda a iluminação é em LED, mas tem as luzes diurnas (DRL) divididas, e um depósito, com 14 litros de capacidade e as tradicionais entradas de ar que marcam a imagem desde a segunda geração da Ducati Monster. Já o banco foi renovado, para garantir maior confiança a todos os condutores e condutoras, com grande facilidade para apoiar os pés no solo, ficando a 815 mm do solo e sendo mais estreito 5 mm face ao anterior modelo.

Facilidade no trânsito citadino que é reforçada pelo largo guiador que ajuda nas manobras mais repentinas, bastando uma ligeira ação dos pulsos para mudar de direção de forma quase instantânea. E como está numa posição razoavelmente elevada (embora algo avançada), facilita o controlo do ambiente em redor, apesar de uma posição de condução que é bem típica da Ducati Monster. Os poisa-pés estão recuados e elevados, criando um excelente entrosamento para os mais curtos de pernas, mas obrigando os mais atléticos a encontrar um compromisso no triângulo de condução.
Os trunfos da Ducati Monster V2
Maiores são as novidades no interior da Ducati Monster V2 sendo poucos os parafusos aproveitados da anterior versão, e recorrendo ao novo motor de dois cilindros em V a 90º, com 890 cc (96 x 61,5 mm), o mais leve V2 de sempre, com -5,9 kg do que o anterior Testasetretta Evoluzione. Tem uma potência máxima de 111 cavalos às 9000 rotações por minuto e um binário de 91,1 Nm às 7250 rpm, números ligeiramente inferiores aos esgrimidos pelas irmãs, mas que surgem desde muito cedo na rotação, com força disponível aos primeiros movimentos do punho direito e uma sensação de vitalidade em todo o regime.

Sensação que os técnicos italianos traduzem em números, garantindo que 70% do binário está disponível desde as 3000 rotações por minuto e que entre as quatro e as 10.000 rpm nunca baixa dos 80%! Na base desta resposta está o sistema de abertura variável das válvulas de admissão (IVT, de Intake Variable Timing) em função das indicações do acelerador e, entre outros, dos sensores de velocidade e da relação engrenada, que vai gerindo a quantidade de mistura ar/gasolina que é injetada nos cilindros.

Na prática, o que esta Ducati Monster oferece é uma enorme facilidade de utilização em todos os regimes, perfeitamente adaptada a uma utilização urbana, mas sem descurar o prazer de condução nas mais curvilíneas estradas de montanha. As acelerações são fortes e sólidas, com grande progressividade e uma entrega de potência linear em qualquer um dos quatro modos de utilização e sempre com uma sonoridade entusiasmante. Mesmo em Wet ou Urban, onde a potência está limitada a 95 cavalos e o controlo absoluto é palavra de ordem, a diversão existe. Só que com máxima segurança, limitando a possibilidade de sustos!

Além do sistema de admissão variável e das aligeiradas válvulas de admissão com hastes ocas, que contribuem para uma maior rapidez à demanda do acelerador, existe ainda uma parafernália eletrónica que mantém a Ducati Monster nos eixos. Desde logo com os níveis de potência diferenciados (High, Medium, City e Low) e que podem ser ajustados individualmente, até aos controlos que integram o Ducati Advanced Vehicle Control (DAVC). Ajudas à condução que assentam nas informações recolhidas e geridas pela Unidade de Medição Inercial (IMU) de seis eixos, e que foram desenvolvidas a pensar numa maior abrangência em termos de condutores e condutoras da Ducati Monster.

Garantia de um nível de segurança muito elevado, além da grande eficácia que os pilotos de fim de semana vão adorar, que assenta nos controlos de tração (que pode ser afinado em 8 níveis e desligado), Anti-Wheelie (4 níveis e Off), e de travão-motor (3 níveis), além de um sistema de ABS com funcionamento em curva (Cornering ABS) ajustável em 3 níveis. Mas há mais novidades e de monta na parte ciclística. Se quer descobrir essas surpresas, nada como ver o vídeo!
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