Num segmento em verdadeira ebulição, a Kawasaki KLE500 chegou para… aumentar a confusão. Ou melhor, para acrescentar dificuldade à escolha de uma trail de média cilindrada. Face às inúmeras propostas de máquinas versáteis com motores entre os 300 e os 500 cc, a dúvida será sempre a mesma. Qual a principal finalidade a dar a uma moto que permite andar em cidade, dar uns passeios em estrada ou até fazer um pouco de ‘off-road’?
- Por: Paulo Ribeiro
- Imagens: Kawasaki/Multimoto
- Realização e montagem: Alberto Pires
Ocupando o lugar deixado vago em 2007, quando a original Kawasaki KLE500 foi substituída pela primeira das Versys (KLE 650), a nova Kawasaki KLE500 recupera as rodas de 21 e 18 polegadas e uma vocação assumidamente trail, mais apta às escapadas fora de estrada. E com uma plataforma inovadora está preparada cumprir as abrangentes exigências do caderno de encargos, da versatilidade à eficiência, do espírito desportivo à acessibilidade.

Características sublinhadas pela imagem elegante, claramente inspirada nos rali-raids, seguindo a tendência estética que marca grande parte das propostas do segmento e que é aqui evidenciada pela dianteira alta e esguia, exponenciada pelo para-brisas mais alto no caso da versão Special Edition, e pelo guiador largo. Além da roda da frente de 21 polegadas e um desenho e volumetria dos plásticos que vai da ilusão de um depósito bastante alto até uma traseira muito esguia, à imagem das crossistas KX.

O assento, apesar da grande distância do solo (870 mm), parece mais baixo graças ao formato mais estreito na parte de ligação ao depósito, facilitando o apoio dos pés no chão, enquanto o facto de ser bem comprido e ter um desenho endurista facilita os movimentos durante a condução. E junta-se a um guiador bastante largo para criar uma posição de costas ligeiramente fletidas para diante e braços muito abertos, além de garantir uma enorme facilidade em passar da posição sentada para de pé. Algo importante não só para uma utilização da Kawasaki KLE500 em todo-o-terreno como na simples passagem pelas lombas limitadoras de velocidade que se vão multiplicando por todas as vilas e aldeias de Portugal.
As vantagens da Kawasaki KLE500
Uma boa posição de condução como também uma ciclística bem conseguida a que foi agregado um trunfo enorme sob a forma do bloco de dois cilindros paralelos, já conhecido da naked Z500 e da desportiva Ninja 500 embora ligeiramente retocado em termos eletrónicos, com ajustes na ECU. O objetivo, plenamente conseguido, diga-se, foi reforçar as prestações nas baixas e médias rotações da Kawasaki KLE500, melhorando a resposta ao longo de toda a gama de rotações, com entrega sempre dócil e facilmente controlável.

Motor com 45 cavalos (às 9000 rpm) e um binário de 42,6 kW que permitem a condução da Kawasaki KLE500 com carta A2 e que facilita a condução aos menos experientes bem como em percursos ‘off-road’. É que, mesmo abrindo gás a fundo, não há reações brutais ou sequer inesperadas, sempre com muita tração tanto em asfalto molhado como em pisos de terra, aumentando o controlo e segurança a todos os utilizadores. Além disso, o motor mostrou uma boa elasticidade, bem apoiado numa caixa de velocidades de bom escalonamento e na bem suave embraiagem assistida e deslizante.
Motor de utilização universal
Um motor que permite rodar tranquilamente com a Kawasaki KLE500 a 50 ou 60 km/h em sexta velocidade, sem solavancos mesmo em baixas rotações, mostrando uma atitude exemplar e permitindo passeios relaxados ou uma mais fácil e serena utilização em cidade. Já para os mais despachados a faixa de utilização ideal vai para lá 8500 rpm, altura em que algumas vibrações que chegam aos poisa-pés e ao guiador, aumentando a excitação sem beliscar o gozo de condução, permitindo velocidades na casa dos 120 km/h. Aconselhada a manter-se longe das autoestradas, a Kawasaki KLE500 está mais à vontade em estradas nacionais, sobretudo se tiverem bastantes curvas encadeadas de média velocidade, embora aguente, sem queixumes, as ligações em vias rápidas.

A Kawasaki KLE500 apresenta-se assim como uma boa proposta para utilização quotidiana, com boa ergonomia, suspensão apta a aventuras em ‘off-road’ sem prejuízo da estabilidade em estrada, um motor competente e fácil de utilizar e uma travagem de nota elevada além de um visual aventureiro. E isto sem esquecer o amortecedor de direção, que garante maior estabilidade da dianteira em maus pisos e completamente inovador no segmento.
E com uma razoável relação custo/benefício, a Kawasaki KLE500 vai, seguramente, beneficiar do histórico património da marca, desvalorizando uma altura livre ao solo menor que a concorrência e uma proteção aerodinâmica limitada (sobretudo na versão STD) e a forma de ajuste do para-brisas, ou uma eletrónica espartana, sem ABS apenas na roda traseira ou modos de motor. Mas se este vídeo não ajudou a fazer luz sobre a sua indecisão, leia aqui o artigo mais completo sobre a Kawasaki KLE500, e marque um ‘test-drive’ num dos concessionários da marca.
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