Versão criada para uma utilização estradista e até algumas incursões num kartódromo perto de si, a Suzuki DR-Z4SM herda a base mecânica da irmã de maior voçação ‘off-road’ mas oferece argumentos substacialmente diferentes. Separada à nascença da DR-Z4S, esta supermoto garante um enorme gozo de condução nas estradinhas mais reviradas e utiliza a leveza e agilidade como trunfos de mobilidade urbana. O que garante deslocações com diversão acrescida…
- Por: Paulo Ribeiro
- Imagens: Moteo Portugal
- Montagem e realização: Alberto Pires
Na última década do século passado implantou-se em grande parte da Europa a tendência supermotard. Na prática podia ser traduzida pela transformação de uma moto de motocrosse ou enduro, através, essencialmente, da mudança de rodas e do sistema de travagem. ‘Modus operandi’ que, à primeira vista, parece ter sido utilizado na criação da Suzuki DR-4ZSM a partir da versão endurista. Uma avaliação simplista que está… errada!
Na verdade, as diferenças entre as duas propstas são tão significativas que inviabilizam logo à partida a ideia de comprar apenas mais um par de rodas de diâmetro diferente para ter duas motos com comportamentos e finalidades diversas. É que não são apenas as rodas de 17 polegadas e os pneus (Dunlop Sportmax QA5, em 120/70 e 140/70) a marcar a diferença, mas também o amortecimento (com cursos de 260 e 277 mm nas rodas dianteira e traseira), o peso (154 kg) ou a travagem (disco dianteiro 310 mm com pinça de dois pistões).

Além disso, são ainda distintas a transmissão final com cremalheira de 41 dentes, mais 2 dentes na Suzuki DR-Z4SM, a distância entre eixos (1465 mm contra os 1490 mm da S), a altura livre ao solo (260 mm vs, 300 mm) e a altura do banco (890 mm). Mas a verdade é que a grande diferença está mesmo na eletrónica e, por exemplo, o ABS apenas pode ser desligado na roda traseira (e não nas duas) e o controlo de tração tem um modo G com parametrização substancialmente diferente no caso da Suzuki DR-Z4SM. Motos que, partilhando o motor, quadro e boa parte da ciclística, destinam-se a públicos diferentes, como diferente é o comportamento exibido.

Disponível em duas cores, a Suzuki DR-Z4SM estará à venda ao mesmo preço da versão trail DR-Z4S, vocacionada para os que procuram uma maior capacidade em ‘off-road’ com uma dose aceitável de conforto, com os 9499 euros como o preço a pagar pela mais genuína versatilidade.
Um valor exatamente a meio entre o mais baixo e o mais elevado praticados em toda a Europa e alinhado pela maioria dos países e que, considerando a inflação, é muito semelhante ao da DR-Z400 aquando do seu lançamento em 2000. O que não deixa de ser interessante atendendo à evolução significativa na qualidade dos componentes, da suspensão à travagem, como à chegada do sistema de injeção eletrónica, modos de motor, ABS desconectável ou controlo de tração.
Argumentos urbanos da Suzuki DR-Z4SM
Mas as diferenças dinâmicas da Suzuki DR-Z4SM são substanciais e começam logo por uma travagem da dianteira, bem mais incisiva embora mantendo o tato suficiente para um controlo fácil e progressivo, o mesmo sucedendo com a suspensão, oferecendo maior firmeza sobretudo na dianteira, afundando muito menos face à versão TT, cujo teste completo pode ler AQUI. Na prática, um reforço da argumentação para quem procura uma forma divertida de deslocar-me em ambiente urbano.

Claro que, para lá destas mudanças mecânicas e mantendo um preço semelhante, também as decorações para as duas versões são diversificadas, com o tradicional amarelo Champion e um cinzento Solid Iron para a Suzuki DR-Z4S, enquanto a DR-4ZSM será comercializada em branco e, com alguma paciência na espera, num cativante cinzento-azulado (Sky Gray).
Quanto à concorrência entre as máquinas com maior vocação estradista ou, pelo menos, menor preocupação para uso em ‘off-road’, existem propostas cada vez mais voltadas para os iniciantes onde imperam a maior simplicidade e facilidade de utilização como a Honda CRF300, nas versões L e Rally, a BMW G310 GS, Voge 300 Rally, Zontes 350TX ou a KTM 390 Adventure R. Nas mais aventureiras, destaque para a Macbor Montana XR5 510, Honda NX500, Voge 525 DSX, Benelli TRK 502X, CFMOTO 450MT, Royal Enfield Himalayan e até a novíssima Kawasaki KLE500, mais potentes, mas bem mais pesadas e com outras preocupações.
Partilha este artigo!







