Zé Pereira, uma volta de consagração! 1972/78

1ª parte

  • Texto: Alberto Pires
  • Fotos: Arquivo Zé Pereira

Falou-se um pouco de tudo, da vontade de vencer à natureza humana, tendo como ambiente 21 anos de paixão e dedicação às corridas de moto. Sem falsas modéstias, chega a ser desarmante a sua objectividade e simplicidade. Um verdadeiro campeão!

Motox.pt : Foi uma carreira com mais de vinte anos, das 50 cc às SBK. Os inícios são sempre inesperados, e o teu não fugiu à regra…

Zé Pereira : Realmente o meu início foi caricato e tem a ver com uma prova a que fui com o meu pai, e nunca sequer me tinha passado pela cabeça começar a correr. Foi numa prova em Lourosa, e quando lá chegámos, naquilo a que se chamavam “provas de feira”, havia classes de 3, 4 e 5 velocidades. Não havia, ao contrário de hoje, diferenças pelas cilindradas. Naquela altura faziam-se as corridas com motorizadas do dia-a-dia. Eu tinha ido com a motorizada de um cliente, uma EFS, que tinha uma guiador de motocross e uns pneus de estrada. Mas o bichinho de competir já estava lá dentro e acabei por entrar para a pista porque, na realidade, não havia nenhum rigor. Qualquer indivíduo que chegasse, ia para a pista treinar, depois fazia uma inscrição de cinquenta escudos e podia correr.

Eu andava na pista e o meu pai, que estava por lá a beber um copo e a comer uma sandes, não se apercebeu até que um meu amigo, o Nani, que para todos os efeitos foi o meu padrinho na competição, depois de me ver a andar foi ter com ele, e disse-lhe. “ Olha, está ali o teu filho e gostávamos que ele corresse”!. Ao que ele lhe respondeu “mas onde é que ele está, estava aqui comigo, não senhor, não deixo correr nada, a moto é de um cliente”.

Bem, mas ele lá insistiu, pagou-me a inscrição de cinquenta escudos e eu lá corri na classe de 4 velocidades, ficando em quarto. Para mim foi muito bom, acho que correram oito ou nove pilotos, se calhar alguns desistiram mas fiquei a meio da tabela. Seguramente que não fiquei em último!

Motox.pt : Isto com 12 anos!

Z. P. : Isto foi o início da carreira, sem ter nada pensado ou antecipado. Tinha aprendido a andar aos 11 anos. Depois lá continuei, de prova em prova, sempre com motos “emprestadas” pelos clientes da nossa oficina no Porto. Até que, a certa altura tive um cliente, este já de forma autorizada, que me emprestou uma motorizada para fazer provas com ela. Comecei então a fazer as chamadas provas piratas. Naquela altura havia provas ao Sábado e ao Domingo, em diferentes sítios, e era uma questão de escolhermos para ir àquelas em que na altura se adequavam mais à nossa capacidade de condução. E lá continuámos.

O início foi em 1972, e em 1974 o meu pai quase sentiu a obrigação de me arranjar uma motorizada para eu competir. Com a ajuda de alguns amigos, com o quadro de um e o motor de outro lá conseguimos montar uma casal K não sei das quantas, daquelas tipo trail, e montámos-lhe um motor Casal de 5 velocidades. A moto era um “charuto” completo, tinha uma suspensão arcaica, atrás tinha uma espécie de amortecedores, se lhe podemos chamar assim, e na frente uma forquilha com óleo e molas, mas era tudo muito estranho.

Eu tinha sempre todo o cuidado ao abordar os saltos por causa das suspensões – há até uma fotografia em que se vê que estou no ar com medo porque nunca sabia se não se ia partir tudo ao aterrar. Para além de que, com a sucessão de saltos, as bainhas iam empenando e curvando, pelo que tínhamos de as inverter permanentemente para voltarem ao sítio. Claro que empenavam novamente e voltávamos a rodá-las. Essa motorizada fez algumas provas, e acabou algumas delas.

Lembro-me que alinhei uma vez com o Abílio Fernandes, com os irmãos Ribeiro e tenho duas situações caricatas ainda com essa motorizada de que nunca mais me esqueci. Uma vez, numa prova algures para as bandas de Santo Tirso, o Abílio Fernandes, que já corria com uma Sachs oficial e estava seguramente a dar-me uma volta de avanço, como ia seguramente a voar mais alto do que eu, bateu com a roda de trás no meu capacete e fui atirado para fora da pista, e bato com violência com a cara no chão. Eu lembro-me que na altura lia as bandas desenhadas do Walt Disney, e os sobrinhos do Donald em algumas situações viam estrelas. Eu lembrei-me logo deles pois garanto-te que foi a primeira vez que vi estrelas! Lá me levantei e, vá lá, que para além das estrelas e da terra no corpo, não fiquei com lesões.

Mais tarde, com a mesma motorizada, em Valongo, aconteceu-me outra engraçada, com o Rodrigo Ribeiro. Ele era um homem XXL, era realmente muito grande, e corria com uma EFS oficial, e andava a disputar os lugares da frente. Curiosamente, a minha mãe, que normalmente ficava em casa a acender velinhas à Nossa Senhora de Fátima, desta vez por insistência do meu pai foi connosco, já que achava que podia ir ver a corrida que não haveria problema. O que é certo é que por obra do destino, num daqueles sítios em que eu salto com algum cuidado, o Rodrigo Ribeiro passa-me por cima e bate-me com a roda traseira no guiador. Claro que me despistei e quem é que estava nesse sítio? A minha mãe, que no meio da gritaria “ai meu filho, ai meu filho” conseguiu que a prova fosse interrompida, de maneira que nunca mais voltou às corridas. A verdade é que essas foram as duas experiências que foram para mim mais marcantes no motocross .

Depois em 1975 e ’76 fui convidado pelo Serafim Neves para correr com motos com muita qualidade, as Puch Cobra. Ele tinha alguns pilotos a correr e eu fui para a equipa, mas numa das provas em que fazia equipa com o Bernardino Silva aconteceu uma situação com bastante piada. No Estádio do Mar, numa prova organizada pelo Silva Pinto, cheia de pilotos importantes como o Abílio Soares, o Mário Kalssas, o Rodrigo Ribeiro e o Fernando Neves, nós já não ficávamos atrás, andávamos no meio do pelotão e discutíamos os lugares cimeiros porque tínhamos motos muito boas. No arranque eu levo um toque, sou projetado para fora e partiu-se o acelerador, de maneira que fiquei no salto da meta a ver a corrida. A meio da prova, o Bernardino Silva que vinha a disputar os primeiros lugares bate no salto da meta com outro piloto, vão os dois ao chão, o outro consegue levantar-se mas o Bernardino não.

Eu fui a correr para ver o que lhe tinha acontecido para ver se o conseguia ajudar a levantar a moto, mas como ele estava mal do ombro vi que ele não ia continuar. Como a moto dele estava boa coloquei-a a trabalhar e fui acabar a prova. Tive o cuidado de tirar o número do meu dorsal no peito, e ficar só com o da moto, e acabei no quarto lugar. Ninguém deu conta até que na distribuição dos prémios alguém foi dizer ao Mário Kalssas, que tinha ficado em quinto lugar, o que se tinha passado. Ele veio ter comigo e perguntou-me: então Zé, quem terminou a prova, foste tu ou o Bernardino? Eu lá lhe disse que fui eu mas que podíamos trocar, o dinheiro do prémio dá-me jeito, eu dou-te a taça e o prémio do quatro e tu dás-me o do quinto, e ficamos assim! O Kalssas lá aceitou já que aquela prova não contava para o campeonato nacional e fizemos o acordo de cavalheiros. O pior foi que na quarta-feira seguinte, num dos jornais que saíam, apareceu uma caixa com o título “ O insólito aconteceu, Bernardino Silva no Hospital com a clavícula partida conseguiu ficar em quarto lugar na prova de motocrosse!”

Motox.pt : E como é que se deu a passagem para a velocidade?

Z. P. : A minha passagem para a velocidade dá-se mais ou menos por essa altura e deve-se ao conselho, por mim pedido, ao saudoso Manuel Massadas, que para mim era mais do que um amigo, era um ídolo. O Manuel Massadas, por motivos vários foi estando de olho em mim, até porque tinha uma boa relação com o Serafim Neves, e a cada passo ia lá e fazia umas perguntas. Criámos uma boa relação e a certa altura, já que ele tinha corrido em velocidade e tinha feito um bom trabalho nessa especialidade, perguntei-lhe a sua opinião, numa prova em Leça do Balio: Manuel, o que é que achas que eu devia continuar a fazer, motocrosse ou velocidade?

Bem, esta pergunta nasceu com base num episódio anterior. Estava eu a treinar no dia anterior para uma corrida de motocrosse que iria acontecer no fim de semana seguinte – o Serafim Neves tinha duas motos preparadas para motocrosse e duas outras para velocidade – e nós, depois de fazermos tudo o que fosse necessário na preparação das motos, podíamos treinar. Os de motocrosse num terreno por trás da casa dele e os de velocidade na estrada nacional que passava à sua frente. Nesse fim de semana havia provas de motocrosse e velocidade e um dos pilotos de velocidade, o Jorge “Toyota”, que tinha esse nome porque trabalhava na Salvador Caetano, não apareceu. O Neves ficou muito aborrecido, desabafando que “já estava farto de lhe dizer que assim não podia ser, que tinha que aparecer na véspera, que amanhã não corre!”

O meu pai, que estava lá comigo, e na realidade sempre por perto, disse-lhe “ora deixa lá o rapaz experimentar a moto, e ele afina-te a moto, e depois logo se vê!” O Serafim Neves disse que eu nunca tinha andado nesse tipo de motos mas eu contrapus que “sabia andar de moto, e que isso não deveria ser assim tão diferente!” Lá montei na moto e fiz várias passagens, para cima e para baixo, e parava para afinar o carburador, e ver a vela, e voltava a experimentar, só parando quando fiquei sem gasolina. O Neves lá me foi buscar, na sua Toyota Corolla, com a qual fizemos viagens tremendas, até Espanha, para ir buscar peças, e onde até acabámos por ser presos na fronteira, e pagar 17 contos para seremos soltos, enfim…

Bem, na altura como o Jorge não apareceu e o Neves estava chateado com ele, naquele dia convidou-me para ir correu em velocidade no fim-de-semana. Num dia fiz a de motocross em Lourosa e no dia seguinte a de velocidade em Lousada, tudo isto já nas Puch do Neves! Corri em juniores e logo no início comecei a andar na frente. Infelizmente o pedal das mudanças tinha uma serrilha em alumínio, que começou a moer, e no final da reta em que se baixava de sexta para segunda, para fazer uma curva a 90º, não tinha caixa para ajudar a travar a moto. Agarrei-me aos travões , fui pelo chão fora e raspei o corpo e a cara toda, já que na altura se corria com uma camisola e capacete aberto.

Não havia fatos nem equipamentos, o primeiro que tive foi um amigo que me ofereceu, um casaco de napa branca, com que fiquei todo feliz, e as primeiras botas comprei-as na Rua Escura, no Porto, por 60 escudos. Eram umas botas da tropa já em quinta mão (ou pé…), que ao fim de algumas provas abriram a sola na frente, tal e qual como aparecem nas bandas desenhadas!

Curiosamente, voltava tudo a repetir-se numa prova de estreia. Tenho um acidente, vejo estrelas, tinha a cara toda cheia de sangue, lavei-a num tanque, mas como era a última volta e era grande o avanço, pego novamente na moto e termino em quarto, tal como na estreia em motocrosse. Começo então a fazer velocidade e motocrosse já que o Neves viu que eu merecia o lugar e fiquei na equipa!

Tudo isto era ainda extra campeonato, ou nas chamadas “provas de feira”. Curiosamente, numa prova algum tempo depois, e quando já estava a dirigir-me para o pódio, um indivíduo veio ter comigo e perguntou-me se não tinha sido eu que tinha caído na última volta em Lousada, em que fui pelo chão fora e entrei pelo público dentro? Respondi-lhe que sim, ao que ele me respondeu que lhe tinha partido os óculos, e que exigia que eu lhos pagasse! Eu então disse-lhe, com alguma indignação “ então eu parti-me todo, fiquei com a cara toda ensanguentada e você vem aqui falar-me dos seus óculos?! Olhe vá falar com a organização!”

Isto mostra bem a evolução que se deu, a todos os níveis!

Entretanto, nesta ida e vinda entre corridas, fui disputar uma corrida a Paredes, organizada pelo Costa Paulo e pelo “Chico da Escola”, dois homens a quem o Motociclismo deve muito a vários níveis, já que entre outras coisas organizavam muitas provas a pedido das Câmaras Municipais e das organizações de festas. O Serafim Neves tinha esta tarefa de preparar as Puch nas duas versões de motocrosse e velocidade durante a semana, e às vezes já à sexta-feira, para além das dos clientes da sua oficina. Por isso, regra geral chegávamos sempre atrasados às provas.

Nessa prova não foi diferente, mas chegámos ainda mais atrasados! Ainda estávamos a retirar as motos da carrinha, a colocar gasolina e a por a moto a trabalhar e já estávamos a ouvir as motos ao longe, na zona da meta, a aquecer. Quando começámos a levar as motos para a zona da grelha, para o “Pit Lane”…

Motox.pt : Era mais um Pit lenha…

Z. P. : ( risos…) Sem dúvida, era na borda da estrada, mas lá estávamos a ir, ainda sem inscrição nem nada, as motos arrancam e ao passarem pelo sítio em que estávamos metemo-nos na molhada e entrámos na corrida! Lá fomos ultrapassando os que iam à nossa frente e sempre que passava na meta aparecia sempre uma bandeira preta com o meu número desenhado a tinta, com o Costa Paulo a agitá-la. Eu não fazia ideia para que servia, só conhecia a bandeira amarela, a verde e a de xadrez, e continuei a dar gaz, passei todos e ganhei a prova. É então que vejo o Costa Paulo, muito zangado, com a bandeira preta nas mãos, e aos gritos disse-me “tu não podias entrar, nem inscrito estavas, chegas sempre atrasado, nunca mais corres nos iniciados, ficas castigado, se quiseres correr passas a correr com os consagrados, que a corrida é sempre mais tarde!

Lá aceitei o castigo e a partir desse momento passei para a classe superior. Tudo isto para responder à pergunta sobre o momento da passagem para a velocidade, e da resposta do Massadas! O que ele me disse nessa altura foi o seguinte: “bem, tu tens jeito para as duas coisas, e um bom estilo de condução de motocrosse, jogas bem com o corpo, mas se queres ter êxito vais ter que te dedicar apenas a uma modalidade. O problema é que como és pequenino, devias optar pela velocidade e não pelo motocrosse. No motocrosse em certas situações vais ter que colocar o pé no chão e vais ter dificuldade. Eu já o sentia, tinha que ter alguma antecipação em algumas situações, de maneira que optei pela velocidade.

Disse isso ao Neves, e ele reorganizou a equipa. Eu comecei então a fazer as provas de feira, na classe sénior, já com os melhores pilotos da altura, e refiro aqui o que considero como o melhor de todos na época, o Fernando Leite Ribeiro, e o meu objetivo passou a ser apenas um: bater o Leite Ribeiro! Não quero ser petulante, mas era isso que eu sentia, queria sempre vencer, eu corria para ganhar!

Apesar do respeito que tinha pelos adversários, tinha que encontrar sempre maneira de os vencer. E assim foi, numas provas ficava mais próximo, noutra menos. Nesta altura ainda andava com as Puch do Neves mas a fiabilidade nem sempre era a melhor, apesar de todos os cuidados. Eram afinadas à última da hora, por vezes junto à estrada, em condições arcaicas, e por muito boa vontade que ele tivesse – e tinha – havia pequenas coisas que às vezes falhavam, e por mais do que uma vez as coisas falharam. Houve uma prova em Paredes, em que andávamos a disputar já os lugares da frente e a moto ficou sem o travão da frente por causa de um problema com o cabo , e eu por pouco não voltei a entrar pelo público dentro.

Naquela altura, e também porque já andava a ser “namorado” pelos irmãos Torres com as suas Flandria, disse ao Neves que chegava, que agradecia imenso tudo o que ele tinha feito por mim – e ainda agradeço – mas que não ia continuar a andar nestas condições porque um dia poderia aleijar-me a sério.

Foi então que passei para a Flandria, uma moto já com um nível de preparação muito elevado, baseado na Kreidler, assistida pelos irmãos Damião e David Torres, que me acompanhariam durante toda a minha carreira em 50 cc e 80 cc. Eles acabaram por ser muito importantes na minha decisão de me dedicar à velocidade. Isto acontece em 1978, e nesse ano passamos já a ombrear “taco a taco”, ao ponto de nesse ano, em dez corridas, cada um ganhou cinco e ficou em segundo nas outras.

Motox.pt : O Leite Ribeiro em que moto andava?

Z. P. : Numa Famel Zundapp de cinco velocidades, com a apoio da Famel, era já uma moto de competição fantástica. Nós temos inclusivamente um cartaz publicitário feito pela Flandria, na altura importada pelos irmãos Torres, em que se pretendia passar a mensagem da igualdade competitiva, de que ganhávamos tanto como eles.

Motox.pt – Ainda eram provas de feira ou já eram provas do campeonato nacional?

Z. P. : Eram basicamente provas de feira mas foi nesse ano que fiz a minha primeira prova no Autódromo do Estoril. Curiosamente não ganhei essa prova mas o Leite Ribeiro também não! Foi ganha pelo António Fastágio. Tenho uma história engraçada com esta moto em Vila Real.

Esta Flandria era muito evoluída, tinha até um kit Kreidler de válvula rotativa, mas como os irmão Torres eram os importadores da marca faziam questão de usar muitos componentes da Flandria. Eu já vinha na curva da salsicharia, nas últimas voltas, e ao travar para a curva os travões de tambor da Flandria tinham “desaparecido”. Não travaram e eu fui em frente, bati no rail e fui projetado para o outra lado da pista. Contaram-me mais tarde que uma criança, ao colo do avô, lhe perguntou ao fim de algum tempo porque é que as motos continuavam a passar e não vinha mais nenhuma às cambalhotas para aquele lado!

Motox.pt : As provas de feira ensinaram-te seguramente muito em termos de condução defensiva e ofensiva, queres referir alguns exemplos?

Z. P. : Eu trazia a tal experiência do motocrosse que, quer queiramos quer não, ajudou-me imenso a resolver algumas das situações com que nos deparávamos no meio das molhadas. Foi-me útil, valeu-me de muito, mas ouve um truque que me foi ensinado pelo Lourenço Ferreira, que me lembro de o ver correr no circuito antigo de Vila Real, ao pé do mercado. Numa altura, numa curva em que não vinha muito depressa porque estava a ultrapassar outros concorrentes, ouvi-o a insultar os pilotos, e perguntei-lhe no final da corrida o que se tinha passado. E ele disse-me: olha, isto é um truque, quando te chegas a alguém e vez que está a ser difícil de ultrapassar gritas-lhe “Foge filho da ****!!!” que eles assustam-se e afastam-se rapidamente!

Outra das coisas que lamentavelmente também aprendi nessa altura, pois com o tempo vemos que essa não é a melhor forma de estar e temos que ter mais respeito pelos adversários, e isto vinha do motocross, é que nós guiávamos muito com o corpo, com os ombros. Isso na velocidade dava imenso jeito porque as pistas eram muito estreitas, em paralelo, e até em terra batida, como era o caso na Sr.ª da Aparecida. Em certas curvas, quando era preciso disputar a posição e eles não saíam da frente, às vezes tinham que levar um incentivo com o ombro para deixar passar. Acabei até por ser chamado à atenção por alguns adversários (e bem!), pela minha condução agressiva. Mas cheguei à conclusão de que, como atitude, estava no caminho certo. Não pela agressividade física mas por impor a presença, pois só assim é que por vezes consegues dominar e ganhar corridas.

2ª parte:

3ª parte:

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