Zé Pereira, uma volta de consagração! 1985/93

3ª parte

  • Texto: Alberto Pires
  • Fotos: Arquivo Zé Pereira

Eu sentia que já não tinha mais nada a fazer nas pequenas cilindradas, e como já andava a ser “namorado” pelo Pedro Ribeiro para subir de cilindrada, quando surgiu o convite em 1985 para conduzir a TZ 250 do Team J. Pimenta foi um dia fantástico! Eu tive oportunidade de trabalhar com o Pedro Ribeiro, para mim sem dúvida o melhor “manager” a nível nacional, sem qualquer desprezo para todos os outros que conheci, como o Eng. Pellikan e o Pedro Luiz de Castro, mas o Pedro Ribeiro, em termos desportivos e da sensibilidade que é necessária ter com um piloto, apesar de nunca ter corrido de moto, é um verdadeiro mestre e aprendi muito com ele.

Também aprendi muito com o Mestre Saraiva, que foi uma pessoa que marcou a minha vida como mecânico e também numa fase em que precisava de ser apoiado, já que ia para uma equipa do Sul e fui sempre recebido em casa dele como se fosse da família. Aquela equipa funcionou muito bem num momento em que já não tinha as mesmas disponibilidades financeiras de outrora, mas sentia-se uma vontade tremenda naquela equipa. O próprio saudoso José Luis Pimenta ainda nos suportou muitas despesas. Curiosamente, estive com a Kreidler na última corrida que se fez no circuito citadino de Jerez e estou na inauguração do circuito permanente de Jerez com a TZ 250, numa prova do campeonato da Europa. Neste ano de 1985 avariámos numa corrida e nas outras vencemos, mas como nesse ano só houve 4 ou 5 provas foi o suficiente para não sermos campeões. Foi mais um dos meus vice-campeonatos. Mas há coisas que marcam e realmente havia dificuldades financeiras. Nesse ano fomos à prova inaugural de Jerez, com o dinheiro contado, e eu não me tinha dado conta disso! Fomos numa carrinha que a J. Pimenta tinha, chegámos lá já muito tarde, pelas duas da manhã. Recordo-me que passámos por um Hotel com 4 ou 5 estrelas, com um cavalo branco como símbolo, e o Pedro Ribeiro disse “vamos ficar já por aqui”! E lá fomos, eu pensei que já estava reservado e tudo, fizemos o “check in”, éramos 3 casais, mais o Pedro Ribeiro, e ficámos lá os 3 dias. As condições eram fantásticas, com piscina e tudo. O Pedro Ribeiro tinha uma atenção constante com o piloto. Lembro-me que nessa prova estava com alguma ansiedade, pois era a minha primeira prova internacional com a 250, e o primeiro dia de treinos não correu bem, não estava classificado, então ele mandou a equipa para um lado para comer “fritadilhos” e a mim levou-me a um restaurante de luxo, em que comi o que queria e soube-me muitíssimo bem.

O Pedro teve a sensatez de me separar da equipa e ter uma conversa que me encheu de confiança, e que no dia a seguir iria conseguir o tempo de classificação. Esse jantar, que nunca mais esqueço, foi fundamental para que no dia seguinte tivesse feito o 28º lugar, quando a grelha comportava 35 pilotos e eram mais de 70 nos treinos. Nessa ocasião, e numa curva em que eu já vinha desvairado, passa por mim um piloto por fora, num sítio que eu achava impossível de acontecer, mas mostrou-me o ritmo a que se andava! Portanto, eu pensei que tinha mesmo era que “arregaçar as mangas” e atirar-me! E assim foi, eu estava classificado mas tinha que andar mais! Nessa altura havia prémios monetários para os quinze primeiros classificados, o que não me pareceu importante nessa altura, mas viria a ser! Nessa noite lá fomos para o Hotel chique e quando vínhamos a sair no domingo de manhã, o Pedro Ribeiro fica a fazer o “check out”, mas demora-se, e quando vem ter connosco chega-se ao Saraiva e diz-lhe que não tem dinheiro que chegue para pagar a conta, se ele lhe pode emprestar sete contos! O Saraiva fica um bocado indignado e diz-lhe “então metes-nos neste hotel, sabias que não tinhas dinheiro que chegasse, e agora vens pedir-me a mim”?! Bem, o Saraiva lá financiou o Pedro e eu fiquei com a noção que estávamos sem dinheiro para voltar para Portugal, por o Pedro não tinha, o Saraiva também não e eu nem sequer levei! Percebi nesse momento que tinha que me classificar nos primeiros 15, porque era a única forma de metermos gasolina para vir embora. Na realidade a prova correu tão bem que fizemos o 14º lugar, recebemos 25.000 pesetas e já deu para financiar o regresso a casa!

Em 1986 a equipa continua a debater-se com muitas dificuldades, mas era grande a vontade em fazer tudo pelo melhor, e obtivemos excelentes resultados. Por exemplo, na corrida em Vila Real, fizemos uma volta com a TZ 250 que foi a terceira mais rápida de sempre do TT F1 nessa pista. O Pedro Ribeiro fui abordado pelo responsável pela Suzuki oficial a perguntar quem era o piloto, que tinha talento para correr numa classe mais alta, mas que acabou por não ter seguimento, já que estávamos longe de tudo. A minha passagem pela 250 foi muito importante, o melhor resultado é o vice campeonato mas foi quase inglório porque o J. Pimenta deixa de poder financiar a equipa, e as coisas terminam aí.

Motox-pt : Em 1987 aparece o Lubritex, mas é igualmente importante nesse ano a invenção da pista da Amorosa, que se deve a ti e ao Luis Cardoso !

Z. P. : Fui sempre um empreendedor, e o Circuito da Amorosa foi um daqueles sonhos que eu tive acordado. De uma forma muito resumida, nós precisávamos de ter uma prova para além das que já tínhamos em Vila Real e em Vila do Conde, e eu e o Luis Cardoso metemo-nos na minha Renault 5 e partimos à descoberta de um sítio em que fosse possível fazer uma pista. Eu tinha a ideia que algures perto de Viana do Castelo haveríamos de encontrar alguma coisa, até que, assim do nada, vimos um local em que estava a nascer uma urbanização. Já tinha os arruamentos, e sobretudo estavam asfaltados. Começámos ali às voltas e rapidamente traçámos o circuito, e desenhámos num papel o que seria possível fazer. Curiosamente, tanto eu como o Luis Cardoso ía-mos a reboque da loucura de cada um. Acabámos por encontrar um stand de vendas, com um senhor lá dentro já a vender os apartamentos que iriam nascer naquele local, e fomos falar com ele. Perguntámos se podíamos falar com o responsável, e ele lá nos disse que para isso teria que ser em Braga, no escritório da Socitul, e procurar pelo Sr. Henrique Botelho. No dia a seguir arrancámos com isso e num instante estávamos em Braga. Dissemos o que pretendíamos, e que até seria bom para promover o empreendimento pois viria gente de todo o lado e seria noticiado pela imprensa.

O facto do Sr. Henrique Botelho ser natural de Vila Real ajudou imenso, pois ele sabia que a competição seria importante para a divulgação. E foi num instante que ele nos disse “sim senhor, digam lá o que querem, façam o plano de despesas, digam o que necessitam que se nos for possível apoiamos!!!” Ou seja, acertámos na “mouche”, e nesse momento nem tínhamos sequer uma estimativa de custos, quem organizaria, como seria feito, nada, só tínhamos a pista, que era o nosso objectivo! E assim foi, de uma forma ousada fizemos o circuito, com entrada livre, convidámos o Estela e Vigorosa Sport para organizar, e fê-lo de forma fantástica. A Socitul acrescentou ainda um concerto de música, com vários músicos de rock no dia anterior à corrida. Aquilo foi um êxito, e fizeram-se pelo menos 4 edições, mas depois começou a ser impraticável porque a urbanização cresceu naturalmente, e isso causava demasiado transtorno para quem lá vivia. Foram sempre corridas fantásticas, atestadas de público, foi um enorme sucesso. Curiosamente, pela impossibilidade de se continuarem a fazer corridas lá, ganhou força a necessidade de se fazer a pista de Braga.

Motox.pt : No Lubritex dá-se algo curioso, surgem pilotos sem experiência nenhuma, outros como tu, especialistas nas baixas cilindradas, alguns provenientes do todo-o-terreno e alguns ainda das antigas SBK. Como é que foi conviver com esse cocktail?

J. P. : Este troféu deveu o seu êxito a algumas pessoas fantásticas, ao Jaime Azarujinha, à Ana Matias ao António Lopes e ao Henrique Sande e Silva. Foi uma ideia fantástica, a Ana Matias e o António Lopes trouxeram uma forma diferente de abordarem as corridas, e tivemos a sorte de as marcas, na altura, terem todas elas motos desportivas capazes de participar em 125, num momento em que o mercado tinha deixado de estar sujeito à contingentação. Ora, acabámos todos por ser encaixados em marcas e em motos, todas elas capazes de lutar pela vitória, e realmente o andamento era tão próximo que as corridas eram espetaculares. Essa molhada de pilotos é também um reflexo da falta de motos de corrida, qualquer que fosse a cilindrada, de maneira que havia muitos pilotos disponíveis, que já tinham passado por outras classes, e de repente descobrimos uma classe em que todos podíamos andar! E foi um êxito tremendo. Eu sou convidado pela Veículos Casal, a importadora da Suzuki, pela experiência que já tinha, e eles sempre apostaram forte, como se veria mais tarde. Montou-se uma estrutura muito sólida, mas por manifesta infelicidade, na primeira corrida eu apanhei uma pneumonia e não pude alinhar. Só apareço na segunda, em Coimbra, já nessa altura com o Carlos Arsénio também numa Suzuki apoiado pela Motomoda.

Desde aí acabei por ganhar seis mangas do Lubritex e terminar duas vezes em segundo. Eu sabia que como tinha falhado as duas mangas da primeira corrida, tinha que ganhar todas as outras para ter a possibilidade de ganhar o troféu. Ora eu tinha como prémios da Veículos Casal, em caso de vitória 25 contos, o segundo lugar 15 contos, e o terceiro 10 contos, e mais uma promessa! Se eu vencesse o Troféu, ir visitar a fábrica da Suzuki no Japão! Essa promessa era para mim um incentivo tremendo! Eu fui ganhando as mangas mas quando chegamos à Amorosa, talvez pelo facto de estar emocionalmente ligado a essa pista, por causa de um erro na escolha do pneu traseiro caí a meio da corrida. Eu estava a liderar a prova mas lá me levantei e ainda fiz o sétimo lugar. O Sr. Fernando Morais, que tinha visto a queda, antes de começar a segunda manga chamou-me e disse-me: Ó Zé Pereira, você a partir deste momento já ganhou a viagem ao Japão, a partir de agora não precisa de se atirar para o chão, pois eu apanhei um susto tremendo com a sua queda! Apesar de ter ganho mais quatro mangas fiquei a 7 pontos do primeiro, que foi o Costa Paulo, terminando como vice-campeão do Troféu.

Curiosamente essa viagem ao Japão acabou por não se realizar. O Sr. Fernando Morais disse-me no final do ano que eu, tal como prometido, tinha ganho a viajem, mas se quisesse alguma coisa diferente podia trocar! Eu eu disse-lhe: “olhe, em vez da viajem ao Japão fazia-me mais falta ficar com a moto, pois é-me muito mais útil para a minha vida. Para além disso, se forem correr para as SBK, gostava que pensassem no meu nome para experimentar a moto”! Ele aceitou a troca, e perguntou-me se eu tinha experiência de andar numa SBK, e eu disse-lhe que sim!

É nesse momento, no escritório do Sr. Fernando Morais, que nasce a equipa Suzuki Portugal, sendo eu o piloto escolhido para fazer o campeonato de 1988. Entretanto, e enquanto se montam as coisas, sendo o Contente Fernandes uma concessionário Suzuki muito importante em Portugal, quando soube da equipa apresentou à Suzuki uma possibilidade de um patrocinador forte, a Sagres, e de um piloto consagrado, o Manuel João, para amplificar a equipa. Simplesmente, o que era uma equipa Suzuki com a assistência técnica da Veículos Casal, passou a ser uma equipa do Contente Fernandes com o João Santos e o José Arnaldo como mecânicos.

Ou seja, com tudo isto e com a experiência que o Manuel João tinha, eu passo automaticamente para segundo piloto, sendo discriminado naturalmente por parte da equipa, já que o melhor material era para o Manuel João, chegando ao ponto de, pelo menos em duas ocasiões, tirarem o motor da minha moto para colocarem na do Manuel João por se ter avariado, como por exemplo em Vila Real, para ele poder correr na prova do Mundial de TT. Acabei por chamar o Contente Fernandes e dizer-lhe que saía da equipa. Já perdoei a todos, não há aqui ressentimentos, mas o sonho SBK esmoreceu e a experiência nas SBK ficou por aí.

Por causa de tudo isto, em 1989 fico sem equipa, faço uma verdadeira travessia no deserto. Alinho em algumas corridas com a RG 125 na classe 125, faço uma prova em equipa com o Costa Paulo com uma Gilera, faço uma “perninha” com uma Zigler e ainda com uma Kreidler emprestada, para ajudar o Tozé Monteiro a ser campeão nacional, participando para o ajudar a retirar pontos ao seu adversário no título. O Tozé teve no entanto problemas com a moto e eu não o pude ajudar, e acabou mesmo o Laranjeira por ser campeão.

Motox.pt : Em 1990 voltas às 125 e arrasas na categoria Livre com a Aprilia da Microponto!

J. P. : Esse ano acaba por ser um renascer das cinzas. O ano anterior foi muito mau e desgastante, andei literalmente aos caídos, corri com uma série de motos apenas para continuar presente nas pistas, a tentar encontrar uma linha, e percebi, e bem, que devia criar uma equipa. Com tempo, com amigos, nomeadamente o Queirós, o meu mecânico da altura, que se prontificou de forma graciosa a estar comigo, e o Jorge foi o meu “manager”. Eu conhecia o dono da Microponto desde criança, e era uma empresa já de nível nacional de grande sucesso, e precisava de dinamizar a sua marca, e acabou por nos apoiar incondicionalmente, pagando não só a moto como as despesas de deslocação, alojamento, tudo, para além de nos emprestarem uma carrinha. Ou seja, nós só precisávamos de ganhar corridas, e assim foi, em 1990, com a nossa experiência e humildade ganhámos praticamente tudo.

Curiosamente, na primeira corrida com essa moto, ainda não tinha tirado a licença. É daquelas coisas que acontecem, vai-se adiando e quando se dá conta… A pessoa da Federação que estava lá na altura, nas verificações documentais, disse-me que ou trazia o atestado médico que estava em falta na altura ou não podia correr. Fomos então à procura em Stº André de um posto médico ou de um consultório, para me passarem o atestado, e nada, tudo fechado. É então que o Jorge decide ir a um quiosque, compra uma folha de papel azul de 25 linhas e foi ele que escreveu o atestado, com o texto que costuma lá estar, assinado por um António não sei das quantas! Passou! Se é crime já prescreveu, mas é mais uma história!

Motox.pt : No ano seguinte, em 1991, sobes novamente às SBK, com a Yamaha 0W-01 !

Z. P. : Já estamos nesta altura a chegar ao final da minha carreira, que termina prematuramente em 1993, em Vila Real, mas já lá vamos. Eu ganho o campeonato de 125 e o Armando Borges que era mecânico do Pedro Batista, e que por qualquer motivo se tinham desentendido, para continuar ligado ao motociclismo de topo fez questão de criar a sua própria equipa, e lembrou-se, e bem, de me convidar para piloto, contra todas as probabilidades. Eu já tinha tido resultados de relevo nas 250 cc mas em SBK não tive oportunidade de mostrar o que valia. Realmente, o piloto pode ser o melhor do mundo mas se a equipa não for boa não consegue chegar a lado nenhum. O Armando Borges teve o cuidado de juntar pessoas de grande qualidade ao seu lado, o Pedro Luiz de Castro como “manager”, o Armando como mecânico, juntamente com o José Manuel.

A equipa, com a experiência que tinha, e mais a qualidade da moto, vai surpreender todos, à excepção do Manuel João, que reconheceu na altura que eu podia ganhar corridas. Na realidade andámos sempre a lutar pelos lugares da frente, e no final do campeonato de 1991 fomos vice-campeões a 11 pontos do primeiro, que foi o Laranjeira, e em 1992, também vice-campeão atrás do Pedro Batista, que curiosamente não ganhou sequer uma corrida. Para além do CNV ainda fizemos algumas provas lá fora, com alguns resultados interessantes, como uma prova do Campeonato de Europa em Espanha, e mais algumas outras mas sem conseguir lugares de relevo.

Motox.pt : E relativamente a Macau, também tens algo para contar…

Z. P. – Em 1991 nós vamos a Macau, e havia um prémio de 500 contos dado pela Fundação Oriente para o piloto Português que ficasse nos primeiros três lugares. Na altura estava eu, o Manuel João, o Fidalgo e o Laranjeira. Tínhamos feito um acordo de cavalheiros de que se estivéssemos na frente não nos íamos atacar e arriscar perder esse prémio, que seria dividido pelos quatro. Por incrível que pareça, primeiro andou o Manuel João na frente com uma vantagem incrível na Kawasaki, o Chao Kit Choong em segundo e eu em terceiro. O Laranjeira já tinha avariado e o Fidalgo não me recordo em que posição estava. Portanto, ou o Manuel João ou eu podíamos trazer os 500 contos! A duas voltas do fim a Kawasaki parou com falta de bateria.

Eu sou avisado pela boxe que o Manuel João estava fora. Ora, eu nessa altura deixei de pensar nos 500 contos e pensei em ganhar a corrida. Estava a recuperar muito bem para o piloto da frente, e na última volta, já na descida, senti naquele momento que nas duas últimas curvas podia passar o Chao! Colo-me à sua traseira na penúltima curva e ao sair da traseira dele em aceleração o pneu traseiro derrapa e só não fui parar ao mar porque depois dos rails havia uma pedras gigantescas. No meio do trambolhão há um momento em que a moto me passa por cima. Fiquei bastante traumatizado, e só melhorei depois de uma daquelas massagens orientais, mas das medicinais mesmo, não é das outras!

Quanto aos 500 contos, ficaram lá! Em 1992 o Laranjeira ganha, eu termino em segundo e o Ramada em terceiro. Infelizmente nesse ano a Fundação Oriente já não atribuía esse prémio! Ficámos apenas com o prémio em função da participação.

Motox.pt : Já só falta o último ano, 1993…

Z. P. : Depois de ter passado 20 anos a tentar encontrar as condições para fazer mais no motociclismo, com 32 anos no corpo, ainda tinha muito para dar. Tinha essa noção, essa vontade e essa experiência. Nesse ano conseguimos que a Yamaha finalmente nos desse o apoio que sempre pretendemos. Éramos a única equipa Yamaha mas não éramos uma equipa “oficial”. Nesse ano sai uma moto nova pois a 0W-01estava mais do que ultrapassada, e era uma moto de competição e não de estrada, e sai a YZF. É nessa altura que a Yamaha Portugal convida a Motonova para sermos finalmente reconhecidos como equipa oficial. A Yamaha Portugal deu ao Armando Borges duas motos, uma para competir e outra para tirar peças, e entregou-lhe também um kit Yamaha oficial para a moto. Ficámos radiantes, e foi a primeira vez, depois daqueles 25 contos que recebia por cada vitória na Suzuki, em que ia receber dinheiro a sério para correr. Ia receber 800 contos para fazer a época! E tínhamos tudo para brilhar, depois de dois anos como vice-campeões nacionais, e com o apoio da Yamaha! Infelizmente a moto nasceu má, não tinha sido ensaiada devidamente em competição, as peças não chegaram atempadamente para serem testadas e montadas, e as coisas acabaram por não funcionar bem. Sentimos que a moto era potente mas a ciclística não acompanhava. O que na 0W-01 estava mais do que ensaiado e testado, nesta funcionava ainda defeituosamente, e foi sempre uma moto que me criou dificuldades.

Numa entrevista que tinha dado ao Vitor Sousa, ainda no tempo da 80cc, eu tinha dito que no momento em que não me sentisse bem para ganhar corridas esperava ter o discernimento e a capacidade para poder afastar-me. E de facto foi isso que eu senti, eu já lutava com a moto e comigo para conseguir andar depressa, e senti por mais que uma vez que aquela moto mais tarde ou mais cedo me ia fazer mal. Foi decisiva a última prova em que alinhei no circuito novo de Vila Real, em que realmente a moto estava inguiável. Fizemos o oitavo lugar, e eu senti que eu não podia continuar assim. Tive uma conversa com o Armando Borges, disse-lhe que não estava em condições de ganhar corridas e que ia abandonar. Já tinha recebido uma tranche de 400 contos, iria receber os restantes no final da época, mas decidimos acabar aí. Foi mau, mas ainda bem que foi em Vila Real, foi na Catedral, na pista que mais me marcou, e terminou com uma noite inesquecível. Estava no jardim do Pioledo, rodeado de amigos das boas e más horas, e às tantas passa o dono de uma discoteca famosa em Vila Real. Lá se apercebeu que estávamos num momento especial e passado pouco tempo regressa com um generoso reforço de bebidas, um presunto e mais algumas iguarias. E foi assim, até de madrugada, a saborear recordações que só as amizades produzem, devidamente diluídas e enxugadas pelas contribuições daquele amigo de última hora!

Obrigado Zé Pereira !

  • Palmarés
  • 1980 – Campeão Nacional 50 cc Racing Séniores
  • 1981 – Campeão Nacional 50 cc Racing Séniores
  • 1982 – 4º Classificado em 50 cc Racing Séniores
  • 1983 – Campeão Nacional 80 cc Racing
  • 1984 – Campeão Nacional 80 cc Racing
  • 1985 – Vice campeão Nacional 250 cc Racing seniores
  • 1987 – Vice Campeão do Troféu Lubritex
  • 1990 – Campeão Nacional 125 Libre
  • 1991 – Vice Campeão Nacional SBK
  • 1992 – Vice Campeão Nacional SBK

1ª Parte:

2ª Parte:

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