Yamaha XSR125. Uma outra forma de (vi)ver a cidade

A cidade, toda e qualquer uma, é uma caixinha de surpresas. Nos quelhos mais inusitados surgem universos paralelos, locais que deixam os queixos colados ao chão. Às maiores e bem asfaltadas avenidas seguem-se as ruelas mais típicas, no velho e irregular paralelo. E até surpreendentes caminhos rurais de absoluto contraste com a envolvente urbana. Ambiente multifacetado onde só uma moto completa, como a Yamaha XRS125, tem absoluto à vontade. Ainda por cima, sempre com uma facilidade verdadeiramente incrível. Estonteante mesmo!

  • Texto: Paulo Ribeiro
  • Fotos: Delfina Brochado

Lembra-se do slogan dos multimilionários feitos da noite para o dia. É fácil, é barato, dá milhões! Pois bem, com a Yamaha XSR125 podemos dizer que é simples, poupadinha e dá emoções. Muitas! Não se pense que só as velocidades estonteantes ou as travagens tardias são capazes de fazer subir os níveis de adrenalina. Há, cada vez mais, novos valores no universo motociclístico, onde a imagem e o estilo ganham terreno às performances puras. Onde a economia e facilidade se sobrepõem à potência e velocidade. Em que o direito à diferença marca pontos.

Valores clássicos da Yamaha XSR125

Não estranha, pois, que alguns dos modelos urbanos mais vendidos nos últimos anos sejam motos de aspeto clássico. Capazes de brilhar em frente ao liceu como numa qualquer esplanada. Look ‘neo-retro’ que assenta tão bem ao fato formal do advogado como ao ar desportivo e prático da enfermeira a caminho do hospital. E que, no caso da mais pequena da família Sport Heritage da Yamaha, é devidamente enquadrado por detalhes de modernidade. Com natural distinção para o farol dianteiro e traseiro em LED, o painel LCD ou o sistema ABS.

Valores que colocam a Yamaha XSR125 no horizonte opcional de muitos recém motociclistas indecisos, terminando rendidos à intemporalidade das linhas ou à universalidade de utilização. Um estilo vintage que esconde uma versatilidade que, mesmo com orientação diferente, é maior face às Yamaha XSR700 ou XRS900.

Simplicidade com estilo

Uma mescla entre aspeto e funcionalidade, que vai muito além da apreciação estética e ganha redobrado valor numa abordagem prática à Yamaha XSR125.

Sentemo-nos.

O banco, de natural e bem conseguido estilo vintage, permite fácil apoio dos pés no solo (815 mm). O que é sempre um fator de acrescida importância quando se fala numa citadina de eleição. Banco longo e plano, ponto central de triângulo ergonómico que coloca as costas direitas e braços que caem naturalmente no guiador largo. Mas que fica a dever no capítulo do conforto. O perfil ajuda, mas, nas ligações maiores em maus pisos, deixa muito a desejar.

Perfeitamente dentro do estilo, o painel LCD circular garante as informações indispensáveis e é de boa leitura. Simplicidade particularmente importante, sobretudo em cidade, onde há mais em que concentrar o olhar e a atenção. Filosofia que se estende aos comandos, simples e intuitivos, de aspeto quase minimalista, com botões pequenos e razoavelmente espaçados. E as manetes, desprovidas de qualquer regulação, mostraram-se, no entanto, aptas a todas as dimensões de mãos, incluindo tamanho XS de senhora! Menos mal.

Heranças de peso

Curiosamente (ou talvez não…) as crescentes limitações legislativas em termos de emissões e o aumento de utilizadores oriundos do universo automóvel, por força da equivalência da carta B, fizeram crescer segmentos em que ganham preponderância valores de economia e facilidade. Já o dissemos, mas nunca é demais repetir, que a Yamaha XSR125 foi pensada para aqueles que querem mobilidade com estilo. O que não quer dizer, sublinhe-se também, que não apreciem vivacidade e eficácia dinâmica.

E aí a japonesa marca pontos importantes frente a muita concorrência chinesa travestida com logótipos europeus.

Mecânica e ciclística são aparentemente tão básicas como os comandos. ‘User friendly’ como está na moda dizer-se. Mas bem longe de uma origem antiquada a que só os plásticos conferem um ar moderno como se vê em muitas propostas do mercado. Assim, o conjunto, herdado da naked Yamaha MT-125 e o mesmo que serve de ponto de partida para a desportiva YZF-R125, assenta num quadro Deltabox. A dupla trave que une diretamente a coluna de direção à fixação do braço oscilante é garantia da rigidez que suporta a precisão e agilidade.

Motor de conceituada desportiva

Semelhante é também o motor de refrigeração líquida, Euro5, que atinge o valor máximo de potência para poder ser conduzido com carta A1 ou B. Os 14,7 cavalos ficam mesmo a roçar os 11 kW que limitam os títulos de condução para os sub-16 e para os automobilistas convertidos. E note-se que são suficientes em todas as situações. A solo, claro está, porque a dois, já se sabe que pode ser necessária alguma paciência, nomeadamente nas subidas mais longas.

Nada, porém, que impeça uma boleia à cara-metade ou ao namorico de liceu. Pelo contrário, a velocidade mais comedida, além de respeitar os limites urbanos cada vez mais castradores, ajuda na conversa de ocasião. Pode mesmo resultar numa partilha de ideias bem divertida até chegar ao cinema, ao restaurante ou à esplanada. Assim como um desbloqueador de conversa…

Desportiva na essência

Sozinho e em modo mais atrevido sobressai uma grande elasticidade. Com acelerações progressivas desde as mais baixas rotações até ao regime máximo, na casa das 11 000 rotações por minuto. Fomos aos cartapácios técnicos (aqueles livros grandes e complexos que popularmente são apelidados de catrapázios) para perceber que esse comportamento se deve, em boa parte, à tecnologia de válvulas de abertura variável (VVA). Que garante um binário de respeito, devidamente distribuído ao longo das rotações, sem prejuízo do bom desempenho quando se anda de acelerador a fundo.

Detalhes técnicos que evidenciam a origem do motor, mas que só têm real valor no âmbito de um contacto de condução mais especializado. No dia a dia, o melhor mesmo é aproveitar essa elasticidade para curtir em cidade como fora dela. Sim, porque em estradinhas secundárias a Yamaha XSR125 permite desfrutar das curvas, sem estar sempre a trocar de velocidades. Algo que até nem é muito aborrecido porque a embraiagem é super macia (o que sempre se agradece em cidade) e a caixa bem precisa e razoavelmente suave. Claro que, os mais aguerridos, podem sempre mandar uma ou duas abaixo, e desfrutar de uma sonoridade mais grave que faz parecer moto maior. Mesmo se, neste registo mais racing, haverá tendência a sentir algumas vibrações, mas que se ficam apenas pelos pés sem incomodar no banco ou punhos.

O conforto pode esperar

Mas é também aqui, numa utilização, digamos, mais turística, que se destaca um ponto menos positivo. O banco, que aguenta bem os trajetos urbanos, revela-se menos confortável à medida que os quilómetros passam, de forma diretamente proporcional. E a suspensão, que já tinha mostrado debilidades no capítulo do conforto nas piores ruas citadinas, queixa-se cada vez que se ultrapassa uma passadeira sobrelevada. Ou uma daquelas lombas que parecem crescer como cogumelos em todas as estradas nacionais que se prezem. A forquilha invertida, de 37 mm de diâmetro e 130 mm de curso, denota a origem mais desportiva, revelando-se algo áspera para os 140 kg que esta moto pesa em ordem de marcha.

Que fique bem claro. A segurança e eficácia nunca foram colocadas em causa, mesmo com andamentos bem superiores àqueles que os japoneses deveriam ter no seu caderno de encargos. E que os pneus (IRC Trail Winner GP-210), de perfil vintage bem condizente com o estilo da moto e medida generosa atrás (140/70), permitem atingir com facilidade, revelando-se uma ótima surpresa. Opinião qualitativa que nem as travagens mais empenhadas fizeram reequacionar. Por falar no sistema de travagem, nota, uma vez mais, para a facilidade decorrente da acertada progressividade sendo que a potência está sempre lá, à distância de uma pressão mais determinada na manete direita.

Agilidade de super-herói

Mas onde reside o maior trunfo – além da questão estética – é, sem sombra de dúvida, na agilidade. Uma enormíssima facilidade de movimentos, de uma leveza que rima com precisão. Seja a tricotar entre carros ou pela necessidade de escapar àquela cratera que surge repentinamente plantada bem na trajetória, todos os desvios são simples de executar. Quer pelo guiador de boa largura, como pelo apoio do peso nos pés, ampliando a rapidez de resposta. Quase como as curvas vibrantes só ao alcance do KITT da série Knight Rider ou o Autocar, esse Lamborghini Countach LP400 criado pelo Cursor, a estrelinha mágica do Automan (série televisiva de meados da década de 1980). Vão googlar

Época que tem mais em comum com a Yamaha XSR125 do que se possa imaginar. Afinal, onde pensam que foi encontrada a inspiração para uma estética assim? Imagem do século passado reforçada pelos faróis redondos, o quadro em negro ou pela paleta de cores disponíveis. Do desportivo vermelho Redline ao vistoso amarelo Impact Yellow passando pelo mais discreto negro Tech Black. E que refletem atitudes bem diferenciadas num modelo que custa 4895 euros, valor naturalmente abaixo do pedido pelas irmãs MT-125 e YZF-R125.

Economia surpreendente

Princípios de economia patentes também no consumo, com os 2,1 L/100 km anunciados pelo fabricante a serem facilmente atingidos no painel digital. Cumprimos umas centenas de quilómetros e o mostrador informava 2,2 L/100 km. Fomos à bomba e as contas do reabastecimento revelaram os reais 2,4 L/100 km conseguidos, valore particularmente interessante atendendo ao ritmo proporcionado.

Economia que reforça o sentido prático de uma máquina de grande versatilidade que pode ser personalizada com ajuda da app Yamaha myGarage. Que, em modelo 3D, permite aplicar virtualmente os mais diversos acessórios. Do pequeno ecrã ou carenagem frontal ao mais puro estilo café-racer, às proteções do farol e do motor, suportes de matrícula e piscas em LED. Mas há também painéis laterais em alumínio e proteções em borracha para o depósito, saco para utilizar no lugar do passageiro ou o escape completo da Akrapovic. Acessórios que podem ser encomendados, de forma mais económica, em packs específicos denominados Street e Race, num reforço de estilo com ponto máximo na versão XSR125 Legacy.

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