Yamaha TZ 350 Spondon

Não há duas TZ’s iguais a correr. Apesar da base ser excelente, imediatamente surgiram opções para as tornar ainda mais competitivas, num processo que ainda não terminou. Esta TZ 350 Spondon do Richard Peers-Jones é disso um bom exemplo!

  • Texto e fotos: Alberto Pires

A primeira Yamaha TZ 350 nasce em 1973, como natural evolução da TR3, ainda refrigerada a ar. Foi essa a maior diferença, fundamental contudo para ultrapassar os problemas associados ao excesso de aquecimento. Os testes revelaram que através da refrigeração líquida era possível, mantendo a temperatura nos 80º, elevar a potência máxima, limitada que estava a 55 cv no motor refrigerado a ar, e mesmo assim sofrendo com problemas de detonação e gripando com facilidade. Apesar da marca declarar 60 cv na primeira versão, rapidamente se chegou aos 65 cv nesse mesmo ano, tal a quantidade de preparadores que se debruçaram sobre a evolução do motor. Ciclisticamente, contudo, era em tudo semelhante à TR3, a suspensão traseira mantinha os dois amortecedores e os travões continuavam a ser de tambor nas duas rodas. O peso aumentou 4 kg, para os 115 kg.

Deu no entanto início a uma nova geração de motos rápidas, fiáveis e com um enorme potencial de desenvolvimento. Como se não bastasse, a Yamaha decidiu apoiar o acesso à competição e o preço desta moto era de apenas 1550 libras, incluindo já uma caixa com peças que valia um terço desse valor. Como consequência as TZ’s invadiram as pistas! Três anos depois, em 1976, com a versão C, dava um novo salto tecnológico, montando travões de disco nas duas rodas e um sistema Cantilever na traseira, permitindo um maior curso da suspensão e maior rigidez do chassis. O motor foi evoluindo gradualmente e novamente três anos depois surge a versão F, com cilindros dotados de seis transferes, carburador de 38 mm e declarando uma potência de 72 cv. As duas versões seguintes, a G e a H, não acrescentaram nada de novo, e a Yamaha já não apresentou nenhuma versão nova em 1982. A razão deveu-se à extinção da classe 350 cc no mundial de velocidade. Ainda assim a última prova do mundial de 350, em Hockenheim, foi ganha por uma estrela em ascensão, Manfred Werweh. A Yamaha TZ 350 continuaria contudo a brilhar nas pistas, já que através de um ligeiríssimo aumento na cilindrada permitia-lhe participar na classe de 500 cc, fazendo nos circuitos sinuosos a vida negra às RG 500 e TZ 500.

O motor desta TZ debita 84 cv e tem uma faixa de utilização vigorosa entre as 8.500 rpm e as 12.000 rpm. Os cilindros foram preparados pelo Reinhard Roll, provavelmente o maior especialista alemão em TZ’s, que aos 6 transferes originais dos cilindros 3G3 adicionou mais um. A Yamaha TZ 350 do Peter Howarth usa também cilindros deste preparador. A ignição já não é a Hitachi original, é agora uma RTD com mapa programável, capaz de alargar consideravelmente a faixa de utilização. Os escapes são feitos pelo Tony Green, os carburadores são os Mikuni VM38SS originais e o radiador é um Bora, feito por Brad Adams. A embraiagem é da 250cc e o sistema de acionamento foi fabricado pelo Reinhard Roll, tornando o seu funcionamento muito mais macio e progressivo. Os silenciosos são em carbono.

O chassis é um Spondon em alumínio, fabricado em 1979. As jantes são Marvic em magnésio, mantendo o desenho das antigas Campagnolo, e os pneus são Avon AM 22 na frente e 23 na traseira. A pinça dianteira é AP Racing de quatro pistões, com discos BSR de 280 mm, e na traseira Brembo com disco Spondon. A suspensão dianteira mantém o exterior original, com 36 mm de diâmetro, mas no interior tem molas e hidráulicos Maxton. O amortecedor é Maxton, com afinação de pre-carga de mola, compressão e extensão. O peso final, a seco, é de 110 kg.

Como complemento, a história da carreira do Richard Peers-Jones e do seu amigo Peter Howarth.

E o filme, feito durante a passagem pela prova em Portimão!

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