Yamaha MT-09 (2013). Fábrica de emoções

  • Texto: Paulo Ribeiro
  • Fotos: A. Brabanti/F. Kirn/H.B. Stern

No mais importante lançamento dos últimos anos, a Yamaha aponta o caminho da evolução desportiva. Potência e leveza, versatilidade e diversão são valores fundamentais da MT-09 dotada de novíssimo motor de três cilindros. Yamaha MT-09 é caixinha de surpresas com novo motor de três cilindros

Reflexo de uma cultura que potencia a individualidade, que promove o direito à diferença, a Yamaha MT-09 é o resultado de excitante visita a um Japão desconhecido da sociedade ocidental. Sem abdicar de princípios de rigor, qualidade, engenharia e performances associados aos produtos nipónicos, a nova naked promove valores de diversão, exclusividade e, sobretudo, emoção. A mesma paixão que esteve na origem das primeiras MT (de Master Torque) – a MT-01, lançada em 2005 e de quem herda o brutal binário, e a MT-03, que em 2006 criou novo patamar de agilidade e leveza – traduziu-se agora na MT-09, com designação que evidencia (ao contrário das anteriores…) a capacidade do motor. Um novo bloco, em festejado regresso aos tricilíndricos, que é ponto fulcral de proposta onde binário e agilidade extrema se fundem, em moto acessível e versátil mas divertida e emocional.

Motor tem pistões em alumínio forjado e cilindros em compósito de cerâmica

Minimalista ao máximo

Atributos escondidos sob design onde minimalismo rima com simplicidade, em modelo com estética que, enganadoramente, nos remete para uma utilização básica, quase amorfa. Nada de mais falso! Desenho que, isso sim!, evidencia o caráter tecnológico, desvendando o esguio quadro e o ultracompacto motor, em jogo de volumes claramente centrado sob o depósito. E onde o banco plano permite ampla liberdade de movimentos com posição de condução confortável e intuitiva, proporcionando ótima ergonomia e… costas direitas. Colocação que facilita as deslocações urbanas, desafiando carros e viragens a 90.º mesmo no mais irregular empedrado, como as curvas cegas nas mais exigentes estradas de montanha. Como seria de esperar olhando para um desenho «funcional e profissional», onde não falta o ADN desportivo da marca, a defesa aerodinâmica à cabeça, tronco e braços é inexistente, surgindo, em inusitado contraponto, boa proteção às pernas, graças ao excelente encaixe no depósito.

Escape sobre o motor exponencia a agilidade de um conjunto que tem no bloco portante ponto fulcral na ciclística

O banco, de acertada e conveniente dureza para condução mais aguerrida, revela maiores preocupações com a agilidade do que com o conforto, ponto de partida para excelente ergonomia, de facilidade que só surpreende quem anda desatento. Proporções que garantem fácil adaptação a condutores de todas as alturas, com guiador de acertada largura, facilitador de todo o tipo de manobras e contributo de peso para a enorme destreza. Agilidade conseguida não à custa de medidas radicais, sem distância entre eixos excessivamente curta (é apenas 16 mm mais curta do que a FZ8) ou ângulos de caster muito pequenos mas sim da cuidada centralização de massas.

Depósito estreito e guiador alto permitem manter costas direitas

Excelente a curvar, a Yamaha MT-09 não esconde particular apetência pelas mais reviradas estradas onde executa o seu exercício de eleição, sem prejuízo de inatacável estabilidade em reta. Mesmo sob fortes provocações e velocidades elevadas. Moto intuitiva, muito fácil e com reduzida altura do banco ao solo, permitindo bom apoio nas paragens, mas com distância aos poisa-pés suficiente para não obrigar a dobrar em demasia os joelhos. Ainda assim, e apesar das pernas razoavelmente distendidas, os poisa-pés não tocam no asfalto graças à largura reduzida do quadro sobretudo na zona de pivot do braço oscilante. Elegância que autoriza inclinações alucinantes (51.º) iguais a uma supersport como a R6 sem nunca tocar no asfalto!

Painel de bordo inteiramente digital com visibilidade razoável e funcionamento simples em moto cujo banco tem espessura suficiente apenas para deslocações urbana. Em contrapartida oferece travagem dianteira de grande ‘luxo’, acompanhada por bom amortecimento

Ciclística assente em inovador quadro em alumínio, ligando o braço oscilante assimétrico que aciona mono-amortecedor colocado em posição horizontal à forqueta invertida na dianteira. Suspensão que aguentou, sem queixumes ou comportamentos estranhos, um percurso muito ondulado traçado nas estradas croatas em redor de Split, de asfalto muito irregular, mostrando enorme capacidade de limar todas as imperfeições. Ajuda relevante na facilidade com que são abordadas as mudanças de direção como as mais violentas travagens permitidas pelas pinças de fixação radial que se destacam, sobretudo, por serem fabricadas a partir de uma única peça. Pinças monocoque, herança das corridas, que mostraram grande potência de desaceleração, com boa progressividade até ao momento em que se aperta a manete com toda a determinação. E que, então, quase nos faz sair projetados pela dianteira da MT-09…

Com a MT-09 a Yamaha voltou aos blocos de três cilindros em linha, adicionando atitude desportiva à filosofia urbana para chegar aos novos motociclistas que procuram máquinas com ‘alma’

Conjunto ciclístico de eleição, em bem conseguida conjugação entre eficácia e economia, que acolhe o novo motor CP3, de três cilindros em linha, configuração abandonada pelo departamento de motos da Yamaha na década de 1980, após as XS 750 e XS 850. Arquitetura que é, comprovadamente, o melhor compromisso entre a potência brutal dos blocos tetracilíndricos em altas rotações e o binário dos bicilíndricos nos baixos e médios regimes. A experiência nesta configuração ganha com os motores fora-de-bordo e das motos de neve ajudou a criar um grupo térmico extremamente vivo mas de agressividade controlada, também, pela eletrónica.

Consumir com moderação

A configuração da cambota Crossplane permite, desde logo, funcionamento mais linear, com motor sempre cheio, oferecendo enérgicas subidas de rotação que, sem controlo de tração, garantem animação constante. O D-Mode, sistema que permite a opção entre os três modos do motor através de simples botão, altera de forma notória o caráter de bloco cujo melhor elogio talvez seja dizer que… nem parece uma japonesa. Muito temperamental, de alma latina, a MT-09 passa a vida com a roda dianteira no ar quando utilizada no modo A, proporcionando momentos de diversão absoluta, enquanto o mapa B, de tato mais suave, é adaptado a situações de aderência precárias, nomeadamente com o piso molhado, permitindo controlo eficaz e fácil.

Pelo meio, o D-Mode permite opção pelo modo trabalho-casa-trabalho (Standard), em deslocações onde rapidez rima com facilidade. E sempre com razoável economia, com médias de consumo que ficaram por excelentes 5,2 L/100 km, confirmando no posto de abastecimento os dados indicados pelo computador de bordo. E esta não é, manifestamente, uma moto para andar devagar…

Apesar do ar inocente, a Yamaha MT-09 não é uma moto para todos! Exige experiência de condução e alguns cuidados que aconselham a colocar na embalagem a advertência: manusear com precaução!

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