WorldSBK 2022: Bautista e a Ducati já lá estão, com Rinaldi à espreita

Como se antevia não demorou muito para que Álvaro Bautista voltasse aos lugares da frente no seu reencontro com a muito amada Panigale V4R. O patrão da Ducati Corse, Luigi Dall’Igna, sabia bem o que queria quando mandou que tudo fosse feito para trazer o espanhol para os comandos da ‘Superbike’ que mais se assemelha a uma MotoGP.

O talaverano não desiludiu e mostrou que há que contar com ele, depois de ter sido o mais rápido na tarde de sexta-feira e qualificar em segundo na Superpole.

Michael Ruben Rinaldi pode beneficiar da semelhança de estatura do seu companheiro de equipa e é um dos que aparece logo a seguir ao trio da frente, à espreita de uma oportunidade para subir ao pódio.

  • Texto: Fernando Pedrinho
  • Fotos: WorldSBK, Aruba.it Ducati e Fernando Pedrinho

De ‘rastas’ e cabelo pintado de louro, Álvaro Bautista está de regresso às posições de topo do mundial de Superbike. Ele sabe, como poucos, decifrar a personalidade da Panigale V4R e extrair um muito potencial que a moto de série mais próxima de uma MotoGP pode dar. Só na reta mais longa de Alcaniz, a quatro cilindros de Bolonha alcançou 326 km/h, mais 11 que a ZX-10RR Ninja de Jonathan Rea, em termos comparativos.

O castelhano de Talavera de la Reina ensaiou diferentes afinações do ‘set up’ utilizado nos treinos do início da semana, pois esperava alcançar algumas melhorias. “A pista estava algo diferente e esta mudança acabou por não resultar”, comentou Álvaro. De volta à base inicial, Bautista logrou ser o mais rápido na sessão da tarde e experimentou os dois novos Pirelli para ambas as rodas. “O dianteiro mais duro não funcionou como esperava, pois tornou a moto difícil de inserir em curva, por isso o SC1 (mais brando) é a melhor opção. Efetuei uma simulação da ‘superpole race’ com o SCQ (o composto mais macio para a traseira) e consegui ser um pouco mais rápido do que com o SCX. Confesso que não esperava tamanha consistência de um pneu [supostamente] de qualificação, por isso estamos metidos num sarilho para escolher a borracha traseira para a ‘Superpole Race’.

O piloto da Aruba.it Ducati trabalhou muito para as afinações de corrida, para “ter um bom ritmo sem correr riscos desnecessários. Pilotar de forma suave e sem cometer muitos erros, o que não é fácil de alcançar. De manhã efetuei 20 voltas com o SCX [o composto intermédio], que é mais do que a distância da corrida e consegui rodar em 1’50’’ até a duas voltas do final da sessão. O ritmo não foi mau, mas não estava confortável com as afinações da manhã para a distância da corrida, porque tive de lutar muito com a moto. À tarde saí com o SCQ [o mais macio dos compostos traseiros], um pneu que se forçares o ritmo logo de início acaba por perder rendimento muito rapidamente, se pensares na sua utilização para uma distância de corrida. Não abusei dele para o destruir após três ou quatro voltas, e acabei por conseguir uma melhor consistência de andamento do que nos testes da pré-temporada. Estou à procura de um ritmo fluído em vez de um tempo por volta que de pouco servirá para a corrida”.

Comparando a Ducati de 2019 com as atuais adversárias, Álvaro notou uma diferença considerável por parte dos seus concorrentes. “Há três anos atrás era muito mais fácil ultrapassar os meus adversários em reta (risos), mas agora passo mais tempo atrás deles. Acho que as outras marcas deram um considerável passo em frente”.

Curiosamente, e pequenos-almoços à parte, Álvaro deu-nos a perceber o tempo canhão alcançado por Jonathan Rea logo na segunda volta da manhã, e se será possível efetuar o mesmo nas primeiras voltas da corrida. “Nós testámos dois dias nesta pista e voltámos a rodar no início da semana, pelo que já temos muitas referências da pista. Não acredito que a melhor volta possa saír logo na segunda passagem quando chegarmos a traçados onde rodámos bastante menos”.  

Afastado dos lugares cimeiros durante os dois anos que passou na equipa oficial da Honda, ‘Bau Bau’ não conta surpreender tudo e todos como em 2019. “O nível dos testes de Inverno mostrou a realidade. Estou mais familiarizado com a moto, conheço melhor os pneus, por isso acho que não vou fazer uma surpresa como há três anos atrás”.

Michael Ruben Rinaldi volta a sorrir

Depois de uma pré-época algo desapontante, Michael Ruben Rinaldi voltou a sorrir com uma boa qualificação e tempos próximos dos da frente. “Percebemos o que nos faltava e trabalhámos muito nos dois dias de teste”, resumiu o italiano. “Definimos as afinações mas ainda não estou confortável com o Pirelli SCQ, mas o ritmo de corrida está ao nível de Johnny [Rea] e de Álvaro [Bautista]”. Rinaldi não escondeu contar estar na luta pela vitória e afirmou-o perentoriamente. Para Michael Álvaro é o favorito à vitória. Olhos postos nos dois homens da Aruba.it Ducati.

Honda NT1100 benzida pela chuva

Confesso não me lembrar de uma viagem que tenha feito de moto em que a chuva não tenha aparecido para dar um ar da sua graça. Esta vinda até ao antigo reino de Aragão não constituiu exceção. Obrigado a ficar a mais de 45 quilómetros para leste do circuito, Monroyo é uma pequena aldeola situada nas montanhas. Durante a noite a chuva veio benzer a NT1100, curiosamente num raio muito limitado, pois após alguns quilómetros de estrada, esta estava seca e ao chegar a Alcaniz o sol marcou a sua presença.

Para a NT1100, com ou sem chuva, vai tudo a eito. Aliás, esta turística vem dotada de uma eletrónica de superbike, com controles de tração, travão-motor, modos de condução e de potência. A minha preferência recai sempre sobre o modo ‘Tour’, com desconexão do controlo de tração, mínimo de travão motor e modo de potência no máximo.

Em estrada nacional a NT1100 tem feio uma média de consumo de 5,3 l/100 km para uma velocidade média de 93 km/h. A sua maneabilidade é notória assim com a facilidade com que nos habituamos ao DCT. Confesso que a falta da manete e pedal direito ainda faz confusão, mas é coisa dos primeiros metros, pois logo entro no modo ’scooter’ e ‘no pasa nada’.

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