Viagem a Nordkapp, de Flensburg a Drammen.

  • Jorge Casais
  • 28.06.2021 – 3ª Etapa
No Ibis em Flensburg preparada para arrancar com um belo dia de sol

Hoje andei por quatro países tendo começado na Alemanha, Dinamarca, Suécia e, finalmente, acabado na Noruega.

Foi um dia com algumas peripécias tendo começado logo à saída do hotel onde estava um Alemão a ver-me a meter a tralha toda nas malas até que veio para a minha beira e começou a conversar. Claro que a pergunta foi se tinha vindo de Portugal de mota e quantos dias levou a chegar até ali. A segunda foi para onde ia? Pois, pela cara dele não esperava nenhuma das minhas respostas. A primeira que tinha partido no sábado e que tinha chegado a Flensburg no domingo ao final da tarde e a segunda, que até tive alguma dificuldade em lhe explicar porque não conhecia, valeu a ajuda do google maps, que iria passear na Noruega até atingir o Nordkapp. Não era motociclista mas pediu-me para esperar um minuto que tinha uma amigo de trabalho que o era e que gostava que eu partilhasse com ele o que ando a fazer. Lá chegou o amigo, contei tudo novamente, mas valeu o ar incrédulo do Homem que disse que anda de mota à mais de 20 anos e nunca conseguiu fazer mais de 500 km seguidos. Nem lhe contei sequer a maluqueira dos extremos da península Ibérica em 62 horas e 4550 km deste que saí de casa até que entrei novamente. Acho que ele dava um chuto na moto dele e nunca mais andava de moto.

Bem lá parti rumo ao Reino da Dinamarca e chegado à fronteira o Polícia pede-me apenas o certificado. Fingi que não percebi dei-lhe o passaporte que não quis sequer ver, dei-lhe o cartão de cidadão que também nem quis olhar. O raio do Homem estava era obcecado com o certificado. Lá lhe mostrei no telemóvel o certificado, bem mostrei não, ele pegou no meu telemóvel e começou a andar para cima e para baixo e a ampliar o certificado e, pela cara dele, não estava a perceber nada. Como estava com disposição para criar um momento comecei a falar Francês com ele. Zero. Foi muito bom. Deu-me o telemóvel, desejou-me uma boa viagem, imagino eu, em Dinamarquês e lá segui eu por terras Dinamarquesas.Nunca andei de carro para estas bandas e, apesar de vir sempre por autoestrada, deu para perceber as muitas estradas a pedir que um dia a ST as venha conhecer com mais detalhe, até porque passei por algumas indicações que indicavam aldeias que são património da Unesco. Huuum, quem sabe este ano venho até aqui dar um giro de carro com a minha esposa. Bem que merece. Se merece, ao que me atura com os meus desvarios motociclísticos.

Na E20, quando ainda faltavam alguns km para chegar a Copenhaga parei numa área de descanso para comer uns bolinhos caseiros que a minha esposa me fez e aproveitei para deixar a marca do Motoclube Ferespe. Não resisti. Aquele poste estava mesmo a pedir.

Num passeio de moto não me fico apenas pelas aldeias e vilas, pelas paisagens, pelas estradas, pela fauna e pela flora. Aprecio também bastante obras de engenharia e hoje tive oportunidade de passar por duas que me deixaram impressionado. A primeira foi a ponte que liga Nyborhg a Korsor, uma ponte que para além de toda a engenharia associada possui uma estética lindíssima. Por acaso tomei mais ou menos atenção e fiquei coma ideia que possui cerca de 17 km. Incrível até porque aproveita uma ilha que fica mais ou menos a meio dos dois extremos. A segunda foi já para mudar de país e que liga Copenhaga a Malmo. Começamos num túnel e de um momento para o outro estamos cá fora a olhar para o mar. Para mim uma experiência incrível. Gostei mesmo muito. Também neste caso registei que teria mais ou menos 17 km somando o túnel e a ponte.

Ligação Copenhaga a Malmo

E eis que chego entretanto à Suécia e a mais um controlo fronteiriço. Bem, controlo não, porque apesar de mandarem parar todos os carros e motos não vi nenhum que tivesse ficado para o lado. A mim, mais uma peripécia, quando mostro o certificado à Sra. Polícia, ela dá uma gargalhada e diz-me que na Suécia não se liga a isso. GRANDE PAÍS. Gente com cabeça. Digo eu. Por alguma razão é daqui que sairam alguns dos inventos mais marcantes da Humanidade. Não é por serem um povo negacionista e estúpido…bem pelo contrário. Bem só pela frase que “aqui não damos esmolas para esse peditório” ganhei o dia. Eheheheh.

Tal como a Dinamarca a Suécia é um país muito organizado, limpo, muito plano e onde as estradas parecem ser varridas e/ou aspiradas todos os dias. Não se vê um fóssil de um animal colado à estrada até que com a consecutiva passagem dos carros o mesmo vá sendo levado pela borracha dos veículos que por ali passam, não vemos garrafas atirada para a berma, não vemos mãos a sair pelas janelas dos carros a lançar todo o tipo de coisas que se encontram dentro dos veículos. Bolas se eles conseguem porque é que nós latinos não o conseguimos. É também impressionante o civismo na condução e o cuidado que os condutores dos carros possuem para com os motociclistas. São realmente impecáveis e, em muitos casos, quando nos ultrapassam ou nós os ultrapassamos fazem questão de nos cumprimentar. Que diferença para o modo de condução Tuga. Enooooorme! As paisagens nestes dois países são muito suaves e até as casas agrícolas ficam com um enquadramento fantástico. Um regalo para a “bistinha”. No entanto fico a pensar onde estão as silvas, o mato e os eucaliptos a fervilhar na paisagem? E onde estão os bidões azuis, para guardar sabe-se lá o quê, e os plásticos mal amanhados a servir de telhado nos galinheiros. Estou como é óbvio a brincar. Portugal tem algo que poucos países possuem que é a diversidade de paisagens em meia dúzia de km.

Se no dia anterior tinha ficado impressionado com o estaleiro gigantesco junto às AE, nunca imaginei que este vírus das obras públicas fosse tão contagiante ao ponto dos Escandinavos também terem sido mordidos por ele. É verdade também aqui se faz muita obra e que, na Dinamarca, obriga a uma condução devagar quase parado. Mais uma vez tenho que registar que os Suecos estão muito à frente. Também cortam vias mas não fazem o disparate de por os carros a circular a 30, 40 ou 80 km/h. Passei em alguns troços com obras em que a velocidade passou de 120 para 100 km/h, ou de 100 para 80 km/h.

E finalmente chego, confesso que um pouco apreensivo, e mais fiquei com todo o aparato fronteiriço, ao reino da Noruega. A fila era enorme e tudo era visto minuciosamente. Quando chegou a minha vez, não, não fiz como na Dinamarca, portei-me direitinho. Desliguei a moto, tirei o capacete e os óculos, mostrei o passaporte que a Sra. Polícia pegou nele, de luvas é claro, como se o mesmo tivesse sarna, depois pediu-me para mostrar o certificado e, pela primeira vez, constato que é a única fronteira com um leitor de QR Code. Estava tudo bem e passou-me um papel que tive que entregar mais à frente para poder sair. Quem não o tem vai fazer o teste do vírus Chinês. E aqui a terceira peripécia do dia. A polícia pergunta-me de onde vinha e para onde ia. Comecei por lhe dizer que ia até ao Nordkapp e por onde passaria (sei tudo de cor pelo que também quis dar aquela ar de profundo conhecedor da terra da Senhora) e depois disse que tinha vindo de Portugal no Sábado… bem quando acabei de dizer isto acho que a lindissíma Sra. Polícia até os olhos lhe saltaram pela cara fora. Agarrou no intercomunicador e passados uns instantes estavam dois polícias à minha beira. Por uns instantes pensei estou tramado, mas logo percebi que ela os chamou porque eram motociclistas. Depois de voltar a dizer o que tinha feito e o que ia fazer, quando dou por ela estou fora da mota rodeado por 6 polícias a ouvirem atentamente o que tinha para dizer.

Entretanto, palavra puxa palavra, perguntei quais eram a motas que tinham… Xiiiiiiiii que pergunta. Quando dizem que eram KTM não aguentei e tive que armar confusão. Como um deles estava muito interessado em vir a Portugal, prontamente disse-lhe que era melhor pensarem em mudar de marca pois corriam o risco de chegar a Portugal sentados numa cadeira de um comboio ou camioneta de carreira porque entretanto as motas foram-se perdendo/desfazendo pelo caminho. Foi um daqueles momentos, pois não entenderam a piada e depois de lhes explicar desataram a rir-se que nem uns perdidos.

Entretanto a ST, depois de passado o calvário de Gotemburgo, atinge os 170,000 km. Estava distraído e só reparei uns km mais à frente.

Hora do “guito”

Para este dia tinha previsto gastar, entre hotel+refeições+gasolina+portagens, cerca de 365.00€ e ficar em Gotemburgo, que com Drammen, que seria para o dia a seguir (amanhã 29.06.2021) 285.00€ ficaria por 750.00€ … já estou a poupar algum “guito”.

O que realmente aconteceu foi:

  • Estadia – 120.00€ No Scandic Ambassadeur Drammen (já na Noruega)
  • Refeições – 40.00€
  • Gasolina – 87.00€
  • Portagens – 45.00€ (passar nas pontes é fixe mas é carooooooooooo)

Somando tudo dá 292.00€, a que acresce o facto de, mais uma vez, ter ficado mais acima do que esperava em termos de km.

  • Percorridos – 939 km Horas efectivas de condução – 10h30m. Total de horas em passeio – 12h33m
  • Altitude máxima – 190 m Mota – Yamaha Super Ténéré

Vídeo

Wikilok

https://pt.wikiloc.com/trilhas-motociclismo/28-06-2021-nordkapp-terceira-etapa-flensburg-a-drammen-76983779

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