Toprak Razgatlioglu: o que interessa é o dia da corrida!

  • Texto: Fernando Pedrinho
  • Fotos: WorldSBK, Fernando Pedrinho

‘El Turco’ não se mostrou muito impressionado com a sua classificação de sexta-feira, assim como a rapidez de Jonathan Rea na segunda sessão de treinos livres. “No treino da tarde tentámos uma sequência mais longa que não me deixou muito satisfeito, mas ao fim de cinco voltas senti que a frente estava a sofrer e acabei por entrar após a 12ª”, referiu o atual comandante do Mundial de Superbike. “Quando a afinação não te agrada, o melhor é entrar na boxe e tentar melhorar. Repara que os tempos nem eram maus, mas com todos os pneus ensaiámos afinações diferentes, pois quando coloco o Pirelli 557 traseiro sinto a moto diferente, e o mesmo sucede com SC 0 e por aí em diante”.

Com a temperatura a subir no fim de semana, “o 557 até poderia servir, mas o risco é que perca rendimento mais cedo, pelo que a opção deverá recair sobre o SC 0, para o qual temos de alcançar uma boa afinação. Além disso, devemos experimentar um híbrido com parte das afinações da moto do ano passado, que eu sinto ser melhor”.  

A Pirelli trouxe um novo pneu traseiro, denominado A0415, o qual combina a estrutura do cada vez mais popular SCX A0557, com o composto do mais duro SC0, tendo em vista garantir maior suporte na fase de tração, como na saída de uma curva em aceleração, e garantir a tão almejada consistência em termos de rendimento ao longo da corrida. “Já o experimentei mas não gostei do ‘feeling’ em termos de tração, pois a roda traseira gira demasiado, mas temos de avaliar melhor o seu potencial”. O novo dianteiro, designado por A0674, que usa o mesmo composto do SC1 embora com uma modificação na estrutura do pneu para dar mais confiança e sensibilidade ao piloto na entrada em curva e quando curva com ângulos de inclinação muito elevados, também não foi ‘esquecido’ pelo piloto turco e Phil Marron, o seu chefe de equipa. “A sensação não é muito diferente do SC1”, revelou o piloto da R1 azul e vermelha, “mas temos de o experimentar com uma afinação da moto diferente”.

Consequência de dar tantas voltas ao circuito?

Premonitório!

Toprak não se mostrou muito interessado em mostrar quem manda, ao contrário de Jonathan Rea, que fez o ‘tempaço’ do dia, guardando-se para a manhã de sábado para garantir a 40ª pole position de uma Yamaha. “Eu guardo sempre a sessão da tarde de sexta feira para afinar a moto para a corrida, através de turnos em pista mais longos. Não me importa muito o tempo por volta, além de que tive alguns problemas com a frente que me obrigaram a vir à boxe. Além disso, estava a experimentar o novo traseiro, que escorregava mais do que o desejado. O que importa é que me sinta bem para corrida. Já no ano passado sucedeu o mesmo e melhorámos muito no Sábado”.

O sultão voltou para umas voltas e era só sorrisos. Aqui ao lado de Cem Oncü

Os conselhos a Kenan

Com seu mentor, Kenan Sofuoglu, a tirar o pó do seu fato para alinhar nas sessões de sexta-feira com uma das ZX-6RR Ninja da equipa de Manuel Puccetti – e a conseguir rubricar um sétimo tempo na sessão da tarde, para espanto de todos – não resistimos a perguntar quais os conselhos que rápido e longuilíneo piloto da Pata Yamaha With Brixx lhe terá dado ao sultão. “Ele está sem correr desde há três anos disse-lhe que não o via zangado (risos). Que tinha de mostrar mais raiva (risos). Disse-lhe, ainda, que costumava ser muito agressivo mas o via muito ‘macio’ na primeira sessão. Lembro-me quando ele vinha à minha boxe para me dizer para tentar isto e aquilo, mas agora foi a minha vingança (risos). Mas o que interessa mesmo é que que ele se divirta”.

‘Sof’ apontava para uma 18ª posição, mas ‘sacou’ um coelho da cartola ao rolar no sétimo tempo, na sessão da tarde, a apenas seis décimas do mais rápido, o suíço Dominique Aegerter. Nada mau para um piloto retirado! “O Kenan ainda é muito rápido nas 300 com que treinamos e andamos ombro-a-ombro, como me viste na Catalunha como Jonathan (risos). Ele está sempre a sorrir e feliz, por isso pode ser que em 2022 se decida por fazer um fim-de-semana completo”.

Em Jerez de la Frontera de BMW R1250RT

Tentando assistir às provas ao vivo levando uma moto de um dos fabricantes que alinha no Mundial de Superbike, desta vez tocou-nos em sorte uma BMW R1250RT, que a Carmen Mora, da BMW Espanha, rapidamente nos disponibilizou.

Ligando Madrid à terra do vinho de xerez pela A4, para fugir aos dilúvios pontuais que a depressão em altitude veio a causar um pouco por toda a Península Ibérica, será escusado dizer que os 630 de distância foram percorridos com uma ‘perna às costas’, tais as aptidões da bávara para o mototurismo, com apenas uma paragem de reabastecimento e um ritmo bem despachado. Proteção, equipamento e desempenho dinâmicos estão mais refinados do que nunca nesta versão da ‘road tourer’, que exibe ainda um novo visual.

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