Saga das aldeias preservadas em Portugal.

Aldeias de Ovelhinha, Boassas, Vale de Papas e Panchorra.

  • Texto e fotos: Jorge Casais

A ideia para este passeio foi visitar as aldeias de Ovelhinha, Boassas, Vale de Papas e Panchorra. Mas também revisitei as Ponte Românica de Panchorra e o Mosteiro de Santa Maria de Cárqueres.

Novidades foram realmente as visitas efectivas às aldeias de Ovelhinha, Boassas e Vale de Papas, pois embora já tivesse algumas vezes passado por lá nunca lá tinha entrado. Valeu apena a visita a todas elas. Cada uma com o seu “encanto”.

Não saí, como de costume, cedo de casa. Bem pelo contrário. Seriam cerca das 09h00 quando arranquei em direcção à A4, tendo saído desta pela porta 18 e apanhando logo de seguida a EN15. Não por muito tempo, pois o primeiro destino, a aldeia de Ovelhinha, estava ali perto.

Esta aldeia é de facto merecedora de visita…parece que parou no tempo.

Como é óbvio quando visito estas aldeias faço um bloqueio mental e abstraio-me das pessoas que lá vivem. Podem de facto ser bonitas e estar até bem conservadas… mas muitas vezes possuem poucas condições de habitabilidade. Feita a ressalva partilho que a aldeia de Ovelhinha fica sobranceira à Ribeira de Bustelo, possui um casario de construção granítica e, destaco, alguns que possuem a típica traça de Solares.

A ponte que atravessa a ribeira de Bustelo é construída com grandes lajes de granito. Consigo imaginar que naqueles dias Inverno, com chuvas diluvianas, possa ser para os habitantes da aldeia difícil a sua passagem. Não faço ideia sobre a “limpeza” deste ribeiro, mas neste local pelo menos a água era bem límpida. Recomendo a visita.

Tentei pesquisar qual o nome desta pequena igreja (foto abaixo) mas sem sucesso. Imagino que deva pertencer a um dos Solares desta aldeia.

Fotografado e filmado o local lá prossegui por uma estrada que me fez passar pelas aldeias de Vila Seca, Rio e Outeirinho. Foi um sobe e desce constante, com muita curva apertada, piso em paralelo (deve ser lindo deve, no Inverno) e passagem por entre casario bem apertado.

A partir de Vila Seca apanho a estrada EM576 que tem o seu início lá para trás em Gondar.

No “print Screen” do trajecto, tipo montanha-russa, que percorri a estrada que apanho, chegado cá acima, é a EN101… não sem antes me ter enganado e ter virado pela direita antes de atingir a EN101. Coisas que acontecem…

Quando aparece a indicação, para a direita de Baião, corto para o km 0 da EN321 que me traz até Gove. Para trás ficaram Queimada, São João de Ovil e Baião. Foi em Baião que resolvi parar e fortalecer a barriga com um Croissant com fiambre, um sumo de laranja natural e um café. Local bastante simpático e que deu para refrescar um pouco na sombra enquanto me refastelava com o meu “almoço”.

Claro que não perdi a oportunidade de capturar, pela objectiva da Nikon, o local. As fotos foram capturadas na Av. 25 de Abril.

Apesar do calor e de me estar a saber tão bem aquela sombra, lá arranquei em direcção ao meu próximo destino, a aldeia de Boassas. Continuei a percorrer a EN321, passei Gove e em Ponte de Gove mudei para a EN108. Convêm partilhar que quer a EN321 quer a EN108 são estradas sublimes. Quer pelo seu formato com muita curva, quer pela qualidade do alcatrão bastante aceitável quer ainda pela paisagem. Mais um daquelas que recomendo. Na EN108, em Santa Leocádia, tive que parar. O spot assim o exigia. Pelo menos para mim.

Apesar da paisagem do Douro Vinhateiro ser criada pelo Homem, confesso que gosto da mesma e então quando as montanhas, com os seus socalcos, estão no mesmo enquadramento do Rio Douro, tudo fica ainda mais perfeito. O local onde capturei as duas fotos acima partilho no “print Screen” abaixo.

Este troço descendente em direcção ao rio Douro pela EN108, depois de passarmos Santa Leocádia e vindo da EN321, é fantástico. Chegado então cá abaixo e passado Ribadouro entro na EN211, passo Pala e alguns km mais à frente entro na Ponte de Mosteirô, viro depois de a passar pela EN222 para de imediato entrar pela direita na Rua do Bairro Novo e entro bem no miolo da aldeia de Boassas.

O rio que por aqui passa perto é o Bestança… mas também podemos ver o Douro.

Nesta aldeia, sempre a subir e por entre casario duma forma geral bem arranjado, apenas parei no largo lá em cima. Um dia ganho coragem e percorro a pé estas ruas estreitas. Merecem.

Gentilmente um habitante de Boassas quando me viu a fotografar informou-me que nesta terra viveu a família de Serpa Pinto.

Terei que vir aqui de novo pois verifiquei que, depois de aqui chegar, não preparei bem esta visita. Nunca imaginei que tivesse tanto para “coscuvilhar”. Aquele mesmo habitante da terra também me informou que Boassas tem uns bolos típicos, assim como licores. O calor apertava e muito, mas o passeio estava a ser divinal.

Hora de voltar à estrada, agora em direcção a Vale de Papas. Se até aqui tudo estava a ser perfeito (mesmo com o calor que se fazia sentir) daqui para a frente iria ser mais do mesmo ou até melhor. Saído de Boassas apanhei a CM1027, passei Ameal, Prelada, Pelisqueira, Covela e chego a Ruivais.

Aqui mudo para a CM1027-1, passo Ferros de Tendais, Vila Boa de Baixo e, em Vila Boa de Cima, viro pela esquerda e apanho a CM1030.

Confesso e partilho que sempre que entro nesta zona da Serra de Montemuro acho que entro noutra escala. Mais elevada claro. Tudo é perfeito. Esta serra fica entre os Rios Douro, a norte, e Paiva, a sul.

Mal entrei na estrada CM1030 e passados cerca de 2 km parei num local que nunca tinha parado.

Claro que as habituais fotos da minha ST não poderiam faltar.

Enquanto andava para aqui entretido a tirar fotos, a filmar e a apreciar a paisagem ouço um carro a fazer marcha atrás e dizer: então Jorge por aqui? Acho que és o meu primo Jorge ou não?

De facto, era o meu primo que já não via faz algum tempo. Demos duas de letra, aqui neste “fim do mundo”, mas, entretanto, ele arranca porque tinha almoço marcado num restaurante na Gralheira.

De volta a rolar, sigo pela CM1030 com uma paisagem, para onde quer que vire o olhar, sempre arrebatadora. A aldeia de Pimeirô está por perto, mas passo pela mesma mantendo-me na CM1030. Não queria “fugir” do meu próximo destino escolhido para visitar – Vale de Papas. Já passei por aqui vezes sem conta, mas de todas as vezes o meu olhar encontra sempre “coisas” novas que me levam a abrandar substancialmente o ritmo para melhor poder absorver tudo.

Aquelas rochas espalhadas pela montanha dão um toque muito especial à paisagem.

Chego a Vale de Papas…

… e sigo pela esquerda em direcção ao coração da aldeia.

Tal como em muitas outras aldeias serranas cedo se percebe que esta também vive da agricultura, do gado bovino e caprino. A paisagem verdejante é cortada pelo casario em granito e pelos telhados vermelhos. Um contraste muito bonito de se ver. Desta vez apenas me detive pelo exterior da aldeia, mas duma próxima irei melhor preparado par descer a pé até ao centro da mesma. Pelo que tive oportunidade de ver de longe promete…

Bem fora do centro da aldeia encontro uma eira, que julgo ser comunitária, em muito bom estado e que facilmente se percebe que ainda continua a cumprir a sua função. Foi deste ponto, junto à eira, que me detive algum tempo a fotografar e a filmar.

Já agora partilho que quando optei por adquirir a Nikon Coolpix P950 não imaginava o quanto a iria usar. Esta máquina facilitou-me muito a vida, poupando-me muito tempo. Já não preciso de andar carregado de máquina mais objectivas como o fazia antigamente.

Chamou-me a atenção a quantidade de canastros ou espigueiros (francamente não sei como lhes chamar pois pelo que percebo depende da zona de Portugal onde os encontramos).

Nota comum a todos eles é o bom estado em que se encontram, pelo que deduzo estarem a ser utilizados para guardar os cereais malhados naquela eira que partilho na foto acima.

Repito-me, o verde a contrastar com o casario em granito e os telhados vermelhos são mesmo um contraste muito bonito de se ver.

O mais próximo que estive do centro da aldeia foi para fotografar a Capela…

…e um bebedouro para o gado. Imagino eu que seja para esse efeito.

De volta à lindíssima CM1030 sigo agora em direcção à Ponte da Panchorra.

Mais uma vez seja qual for o lado para onde vire o meu olhar a paisagem continua a ser arrebatadora.

O prazer de conduzir a minha ST nestas condições não é possível tentar reduzir a palavras.

Na estrada para a Panchorra parei para filmar o spot e fotografar. Lá ao fundo está a aldeia de Gralheira … pena não conseguir partilhar as cores que vi no momento, mas deixo aqui um “esboço”. O contraste de cores é sublime.

Chego então ao idílico local onde se encontra a Ponte de Panchorra. Já visitei este local variadíssimas vezes e nunca me canso de cá voltar.

A Ponte da Panchorra é daqueles locais que recomendo vivamente a visita.

Estamos a cerca de 1080 metros de altitude e é uma das aldeias mais altas de Portugal.

O rio que por aqui passa é o Cabrum indo desaguar no Rio Douro, percorrendo desde a sua nascente até à foz cerca de 20 km. Este local é mesmo fantástico e possui um pouco de tudo que podemos ver quando passeamos pela serra de Montemuro: Castanheiros, Carvalhos, Sobreiros, Salgueiros, Freixos, etc… Não faltam árvores autóctones. Felizmente eucaliptos nem sombra deles.

Do que tinha planeado como passeio faltavam agora a visita à Capela de São Cristovão e o Mosteiro de Santa Maria de Cárquere. Apesar do calor intenso que se fazia sentir estava nas minhas sete quintas … a adorar. Lá atrás, depois da Gralheira, comecei a circular na EM531-1 para chegar à Panchorra. Saí da aldeia pela mesma estrada e, em Talhada, cortei pela direita pela Rua do Miradouro…

… atravessei a EN126-1 e umas centenas de metros mais à frente, virei pela esquerda para a visita da tal capela.

Tantas vezes por aqui passei e nunca me deu para aqui vir. É daqueles locais que recomendo.

Esta capela em granito é dedicada a São Cristóvão. É também local de culto e de feira que se realiza anualmente em 25 de Julho. Possui uma construção que no mínimo a considero de original e peculiar.

Estou nesta altura no ponto mais alto do concelho de Resende a 1142 metros de altitude. O que podemos desfrutar neste miradouro só indo lá. As palavras, fotos e vídeos não conseguem descrever o que vemos à nossa volta.

O rio Douro lá em baixo e a estrada que percorri depois de deixar este local.

Sigo estrada abaixo… até encontrar a indicação Paus – Moumiz e corto pela esquerda para apanhar a CM1053. O Mosteiro já não está longe.

Todas as vezes que passei por este Mosteiro vim sempre debaixo para cima. Esta foi a primeira vez que desci em direcção ao mesmo e a primeira vez que vou em direcção ao Douro pela CM1053 a descer. A ideia com que ficamos da paisagem e da estrada é radicalmente diferente… mas confesso que gostei também de a percorrer neste sentido descendente.

Chegado ao Mosteiro, mais uma paragem para fotografar e filmar.

Este mosteiro é monumento nacional e faz parte da Rota do Românico do Vale do Douro.

A particularidade deste mosteiro, para além da sua arquitectura, é o facto de estar ligado ao nascimento do Reino de Portugal, pois foi local da cura milagrosa de D. Afonso Henriques que, segundo reza a história, terá nascido com uma má formação nas pernas e terá vindo ao altar desta igreja e terá ficado curado. Francamente não sei qual a veracidade, mas foi o que consegui encontrar nas pesquisas que realizei

Local que recomendo a visita quer pela estradas para aqui chegar quer pelo Mosteiro em si mesmo.

A descida pela CM1053 faz-me atravessar a localidade de Beba onde passo para a CM1052 e em Corvo passo para a CM1051 que me leva até Resende. Saído de Resende entro da afamada EN222 para uns cerca de 200 metros cortar pela esquerda e apanhar a EN321-2.

Mais uma bela passeata … brevemente haverá mais !

Vídeos:

1ª Etapa Casa a Aldeia de Ovelhinha e passagem posterior pelas aldeias de Vila Seca, Rio e Outeirinho

2ª Etapa Depois de Ovelhinha a Visita à Aldeia de Boassas

3ª Etapa Depois de Boassas a visita à Aldeia de Vale de Papas

4ª Etapa Depois de Vale de Papas a visita à Ponte da Panchorra

5ª Etapa Depois da Ponte da Panchorra a Visita ao Mosteiro de Santa Maria de Cárqueres

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