Rea KO, Toprak mais favorito!

  • Texto: Fernando Pedrinho
  • Fotos: WorldSBK, Aruba.it Ducati, Yamaha Racing, GRT Yamaha, Team HRC, Vitor ‘Schwantz’ Barros, Fernando Pedrinho

Como havíamos antecipado, Portimão está a revelar-se uma ronda decisiva no que toca ao vencedor do Mundial de Superbike deste ano. À imagem de combate da MMA, os dois contendores envolveram-se numa luta física. Muito física, mesmo! Como se tratasse da última corrida do campeonato com tudo por decidir. No final, Toprak venceu por KO! Jonathan Rea, ansioso por chegar à frente e cavar distância para o turco e Scott Redding, que se imiscuiu nesta luta de galos, cometeu ‘harakiri’ na penúltima curva do AIA, concedendo 20 pontos de bandeja ao seu arquirrival de toda a temporada, que está agora a 45 pontos de distância.  

Rea frustrado, promete luta a sério

Frustrado! O sentimento de Jonathan Rea que cedo tentou ir para a frente, para impor o seu ritmo, mas que viu Toprak ‘entrar’ demasiadas vezes no vértice da curva quando o piloto da Kawasaki já aí estava. “Consegui perceber muito cedo que era mais forte em vários pontos do traçado”, disse o norte-irlandês, “mas sem uma volta limpa não consegui andar no ritmo que esperava”. Finalmente na frente, é na curva 13 que tudo se complica. “Travei demasiado, havia vento cruzado e queria ganhar alguma vantagem antes da reta meta”.

Amanhã é outro dia. Rea reconhece ter arriscado bastante e frustrado pela escaramuça com Toprak. “Ele entra pelo vértice da curva sem consideração por quem lá está. Mas isto são as corridas. Passei o limite pela necessidade que tinha de impor o meu ritmo e para isso necessitava de ir para a frente”.

 Mesmo com 45 pontos de diferença, Jonathan acha que “ainda há muito campeonato pela frente, eles também cometem erros e ainda muito pode acontecer. A diferença pontual não afeta a estratégia da nossa equipa, que é vencer aqui”.

Tocado no cotovelo e perna esquerdos, Jonathan gostou muito da moto e tirando a reta da meta, onde perde para a Yamaha e Ducati em velocidade de ponta, considera ter tudo sob controle no resto do traçado do AIA.

Toprak a meter por dentro? Uma constante!

Toprak (demasiado) agressivo?

O dedo tocou na ferida quando tocámos o estilo de pilotagem marcadamente agressivo de Toprak Razgatlioglu. As corridas estão fantásticas mas estarão os pilotos a passar, por vezes, dos limites? “(longa pausa) Eu não quero atirar m*** para cima do estilo de pilotagem dele. Ele tem feito um grande trabalho e muitas vezes nem sequer está no limite. Mas por vezes chega no limite, mete-se por dentro de pilotos que também já estão no limite e… eu não quero lamentar-me, mas estou pronto para lutar dessa forma. Posso apertar-lhe a mão no fim da corrida, mas não tenho problemas em largar os travões e usá-lo como um relevé, tal como ele fez comigo na curva 13. Mas isto são as corridas: raspar carenagens e ombros. Ele pode treinar na pista de kart na Turquia, mas eu cresci no motocrosse, onde a competição também pode ser muito dura. Há que desenhar uma linha, pois são motos grandes e… Tu não podes vir lá de trás e só porque te sentes um herói, atiraste para o interior da curva porque sabes que consegues parar a moto, independentemente de já lá estar alguém. Não me vou queixar mais mas digo-te que vou enrolar as mangas da camisa”.

Scott Redding também se queixou do comportamento do líder do campeonato. “O Toprak esteve cada vez mais agressivo sempre que me passou na travagem para a curva um”, disse o ‘45’. “Tentei ir mais fundo ou entrar mais cedo, mas ele aparecia sempre para me cortar a linha, tivesse espaço ou não. Tenho de entender como o posso bater porque esta é a segunda vez [a primeira foi em Most] que isto acontece. Ele tem a vantagem de ser forte na travagem e além disso não me parece que na cabeça dele, quando decide entrar por dentro, esteja muito preocupado com o destino do piloto que vai ultrapassar, se este cai ou não. És tu que tens de ter cuidado se queres terminar a corrida. Este é o estilo dele e talvez eu tenha de traçar uma linha no chão, respondendo de forma mais agressiva um par de vezes. Acho que temos, todos, de falar sobre isto porque temo que em breve cause um grave acidente”.  

”Stoprak!’ Aí vai ele…

O episódio de Most não foi, obviamente, esquecido. “A quatro voltas do fim ele veio tão lá de trás, mas antecipei a manobra e que ele ia falhar a entrada, como sucedeu. Alargou a trajetória uns quatro metros e se não estivesse atento teria acabado no chão. Aqui foi o mesmo, só que na curva um”.

Mas como pode um piloto de classe mundial [Toprak] travar tão mais tarde e de forma controlada que outro piloto de classe mundial [Redding]? “É uma boa pergunta. Começa pelo caráter da moto, pois apesar de ele ter a R1 muito configurada para a travagem, a Yamaha gira naturalmente. As outras motos não o fazem dessa maneira, por isso tens de as forçar e daí sofreres mais na travagem. Por outro lado, o seu estilo desenvolveu esta manobra, mas ele não é imbatível. Eu gosto de competir com outros pilotos, porque isso é o aspeto divertido das corridas. Mas há limites que têm de ser respeitados e vendo que o Toprak sabia que o Jonathan estava fora da corrida, fiquei surpreendido com tamanha agressividade quando ele arriscou daquela maneira. Mas um dia ‘salta-me a ficha’ e ele pode não acabar a corrida!”.

Para Toprak só a vitória interessa

Poderá ter parecido algo fácil a vitória do turco da Pata Yamaha With Brixx, mas aparências podem iludir facilmente. “Tive alguns problemas eletrónicos, pois nalgumas curvas senti demasiado travão-motor”, disse o (cada vez mais) líder do campeonato. “A traseira deslizava demasiado, mesmo sem apurar a travagem, o que me obrigou a alargar algumas trajetórias e a ter de antecipar um pouco os pontos de travagem”.

Bater Jonathan Rea, que já venceu no AIA por 12 vezes, teve um gosto especial. “Em 2017 rodei aqui pela primeira vez e o Jonathan deu-me uma ajuda porque era a primeira vez que pilotava uma Superbike. Seguiu-o e o tempo por volta foi muito bom, algo que não esqueço. Mas agora a realidade é outra”.

No ano passado o piloto da YZF R1 oficial sofreu com o SC 0 traseiro, mais duro. “A última curva constitui um grande problema para mim, tal com a curva dez, onde sinto a frente a fugir, assim como na três e na 14. O Jonathan passou-me facilmente na curva 10, porque estou no limite com ambas as rodas”. Ainda assim, o pneu traseiro aguentou as 20 voltas em problemas. “Senti-o escorregar, mas ainda rodei em 1’42’’ nas últimas voltas. Na última curva patinava muito, como a Ducati do Scott [Redding]”. Para ele, a utilização do composto ultra brando SC X não teria sido um problema. “Experimentei o A0557 esta manhã e gostei muito da aderência que proporciona. Acho que é ligeiramente melhor que o SC 0. O A0557 teria durado a corrida mas a Pirelli recusou-se a que o utilizássemos por questões de segurança”.

O piloto da Yamaha recusa-se a pensar no campeonato. “Não sou estúpido, mas quero vencer todas as corridas que puder”. E o recorde de Ben Spies está apenas a três vitórias de distância, quando ainda faltam oito corridas até ao final da temporada.

Por fim, Toprak ‘postou’ uma imagem no seu Instagram com uma vassoura a limpar a zona verde da curva cinco. “Lembras-te de Magny Cours? [onde Toprak se viu privado da vitória na corrida mais curta por ter pisado a zona verde na última volta]. A Kawasaki escreveu: ‘aventura-te na zona verde’. Por isso limpei-a e verifiquei a aderência para o caso de precisar de passar por cima na próxima corrida”. O Mundial de Superbike bem quentinho, dentro e fora da pista.

Scott Redding, diferente de todos

Scott Redding fez uma corrida cautelosa, tentando sobreviver aos estilhaços da batalha entre Rea e Toprak, pensando apenas em alcançar o pódio. “Foi algo selvagem entre aqueles dois nas primeiras três voltas”, disse o britânico. “Temia que algum deles caísse e me levasse com ele, como aconteceu um par de vezes com o Jonathan na curva 13”. Rea acabou mesmo por ir ao asfalto na frente da Ducati da Aruba.it. “Havia muito vento cruzado e também quase aconteceu o mesmo comigo”.

A sua viagem de bicicleta de Jerez de la Frontera até Portimão não deixou um ex-campeão mundial de Superbike como James Toseland indiferente. Mas Scott Redding não se fica em tábuas, utilizando a metáfora tauromáquica. “O Toseland só diz m***. Disse que os melhores pilotos do mundo não fazem coisas destas, que não se vê o Jonathan Rea pedalar 360 quilómetros, ou Toprak. Pois bem: eu não sou o Jonathan, não sou o Toprak, nem o Marc Marquez ou o Valentino! Eu sou quem sou e é por isso que as pessoas gostam de mim: porque eu sou diferente! À preocupação do James com a minha condição física, respondo com o segundo lugar de hoje.”

Loriz Baz de ‘férias’ e no pódio

Nada mau! Mas nada mau mesmo para quem veio de ‘férias’ substituir um piloto lesionado [Chaz Davies] em duas rondas. E a descoberta dos Pirelli continuou por hoje para o francês que está a disputar o Moto América, o campeonato norte-americano de Superbike. “O pneu de qualificação é tão difícil de utilizar que mudou o comportamento da moto por completo! Detesto isso e tive de me adaptar em cinco curvas: com o pneu de corrida teria rodado mais rápido”. E a corrida foi cheia de emoção com o duelo com Álvaro Bautista, que acabou no chão da penúltima curva. “Nas últimas cinco voltas em que andou à minha frente vi-o a perder a frente em vários pontos da pista, pois o pneu da frente pintou o asfalto por todos os lados. Acabei a temporada do ano passado com um pódio [na ‘superpole race’ do Estoril] e ‘reganhei-o’ nesta”.

Mas estaria algo desta dimensão nos planos do gaulês quando aceito o convite de Denis Sachetti para pilotar a Panigale V4R? “Sabia que a moto era competitiva, mas desconhecia quanto tempo ia levar para me habituar a ela e aos pneus da Pirelli. Quando fui para o aeroporto com o patrão [da Ducati Nova Iorque], concordámos que o lugar entre os sete ou nove primeiros seria um excelente resultado. É um campeonato mundial onde toda a gente é tão rápida sobretudo no final da época, que torna tudo tão difícil, já para não falar que houve equipas que testaram aqui. Aparecer e andar no ritmo deles deixou-me super contente”.

Nos EUA a história foi um pouco diferente, “porque a eletrónica da moto ainda não casou bem com os pneus Dunlop. As Panigale V4R são verdadeiras motos de corrida, muito rígidas e quando lhes montas os Dunlop, que também têm uma carcaça muito rígida, passar por cima das lombas das pistas americanas é um autêntico pesadelo. Aqui, no Mundial, não é assim e a moto funciona muito bem, mesmo não sendo perfeita”.

E o regresso aos EUA ainda está em aberto em 90%, depois deste resultado? “Talvez 80%, mas tens de perguntar às pessoas certas (risos). Eu sei que o meu lugar é aqui e acabei de o demonstrar a algumas pessoas que me prometeram mundos e fundos que erraram na escolha”.

As lombas do COTA

Com dois pilotos no Mundial de Superbike que já correram nos EUA, as queixas dos seus congéneres de MotoGP sobre as lombas do traçado do COTA, em Austin, não passaram ao lado. “Quando acordei esta manhã e ouvi os lamentos dos pilotos de MotoGP sobre os ressaltos da pista texana… Francamente, é o melhor asfalto que temos no Moto América! Corri em várias pistas que eram mais adequadas para uma prova de motocrosse!”, dizia-me Loris Baz, que este ano se estreou com a Panigale V4R da Ducati Nova Iorque.

Tendo alinhado com a YZR M1 da Petronas em Assen, o texano Garrett Gerloff é talvez o mais abalizado para nos elucidar sobre o assunto. “Assen tem uma superfície muito lisa, mas na MotoGP parecia ter imensos ressaltos. Essas pequenas imperfeições tornavam a moto muito instável. Quando passei para a YZF R1 de Superbike, as bossas como que desapareceram! O protótipo de MotoGP é feito para uma superfície plana como o tampo de uma mesa, pois sentes a mínima imperfeição. Eu conheço a dimensão de alguns dos ressaltos do asfalto do COTA e agora que tenho algum conhecimento do que é uma MotoGP, garanto-te que não queria correr lá com uma moto destas”.

18 km/h de diferença

Com uma competitividade ainda não vista esta época, Leon Haslam surpreendeu tudo e todos ao qualificar na linha da frente da grelha e, após a queda de Jonathan Rea, a poder bater-se pelo pódio, até que um erro na travagem para a curva um, atrás de Michael Ruben Rinaldi o atrasou irremediavelmente. O britânico revelou alguns aspetos importantes daquela que é, para mim, a melhor exibição da temporada do piloto do Team HRC. “Finalmente consegui passar alguém nos travões este ano”, disse, “o que revela o progresso que temos vindo a fazer com a moto. Além disso, no último setor conseguia ser três décimas de segundo mais rápido que o Toprak, que ganhou a corrida”. Impressionante foi revelação da “diferença de 18 km/h de velocidade máxima para a moto do Álvaro [Bautista]. Temos de perceber se tem a ver com o anti-cavalinho ou alguma estratégia do motor, porque a CBR1000RR-R é das mais rápidas em reta”. O teste de Montemeló parece estar na origem do renascer das duas Honda, com Bautista a garantir dois pódios e Leon a conseguir arrancar na linha da frente do AIA para terminar em quinto, com ambos pilotos a poderem alcançar o pódio no Algarve, o que prova que a procura da tão almejada consistência em corrida começa a pagar dividendos.

Tomás Alonso lidera a esquadra lusa

Nas Supersport 300, que viram o madrileno Adrian Huertas sagrar-se campeão, quando o atual detentor do título, o neerlandês Jeffrey Buis, embateu na moto do espanhol e ficou de fora, hipotecando em definitivo as chances de revalidação do título.

Numa prova ganha pelo italiano Samuel Di Sora, Tomás Alonso, na Ninja 400 da Quaresma Racing, foi o melhor dos lusos, como todos esperavam, foi 21º, a 13 segundos do vencedor e a um segundo do 16º lugar.

Atrás dele, o residente Santiago Duarte foi 32º e penúltimo com a YZF-R3 da MS Racing Yamaha. Mais azarado foi Dinis Borges, outro ‘wild card’ com a Ninja 400 da Speed Master, que não completou uma volta, ao cair na curva cinco com o britânico Indy Offer, que já em Jerez havia complicado a corrida de Duarte.

De Benelli TRK 502 em Portimão

Viajámos até Portimão numa Benelli TRK 502, equipada com o conjunto de malas Shad Terra, que nos permitiu trazer muita bagagem desde Vila Nova de Gaia até à solarenga província algarvia. Obrigado ao Hugo Santo e à Multimoto por aceitarem o desafio!

Com um cruzeiro interessante e boa ergonomia, a TRK 502 tem ainda pela frente outra missão que mais tarde vos darei conta. Para já, são cem quilómetros diários entre Montechoro e a pista da Mexilhoeira Grande que temos diariamente pela A22. Com um consumo médio de 5,5 l/km, a autonomia atinge confortavelmente os 250 quilómetros com um depósito, mas já conseguimos superar a marca dos 300, com a italiana fabricada na China, a concitar olhares de curiosidade por onde passa e justificam o sucesso de vendas que tem alcançado em Portugal.

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