Quanto mais parado estiver, mais rápido progredimos !

A Tromox Mino é a proposta da Puretech para a mobilidade elétrica das cidades portuguesas. Pesa 68 kg e o assento dista apenas 680 milímetros do chão, o que a torna numa minimoto acessível a um público de estatura mais baixa, requerendo muito pouco esforço para a manobrar.

Com dois modos de motor, a Mino sente-se como um peixe dentro de água quando o trânsito aperta e se torna mais denso. Paradoxalmente, quanto mais paradas estiverem as filas de tráfego, mais rapidamente progredimos!

  • Texto: Fernando Pedrinho
  • Fotos: Alberto Pires

Como é apanágio das motos elétricas mais pequenas, a Mino é fácil de guiar, tratando-se de uma acelera elétrica com dois modos de condução: “E”, limitado a 23 km/h e que gasta menos bateria, e um mais vivaço “S”, que atinge os 45 km/h mas à custa de uma descarga mais acelerada da bateria. O fato é que se o trânsito flui um pouco mais, damos por nós a rolar constantemente no modo mais desportivo, porém, em zonas mais lentas o modo económico cumpre a sua função sem complexos e com a vantagem de praticamente duplicar a autonomia da bateria.

O assento é corrido e bastante plano, estratégia que lhe permite acolher condutores de várias estaturas. Não é, assim, complicado encontrar a melhor posição de condução numa moto que mede apenas um metro e meio de comprimento.

Ao destinar-se apenas ao condutor, dispensa qualquer tipo de pegas para um hipotético passageiro, mas tem o senão de se revelar bastante duro, algo que não a penaliza mais por se tratar um veículo para utilizações tipicamente mais curtas, como resultam as realizadas em meio urbano.

A bateria Samsung de iões de litio contém 18.650 células e está montada num invólucro de alumínio que pode ser retirado através de uma pega, para carregar em casa, por exemplo.

O sistema de gestão de bateria contém oito níveis de proteção: sobrecarga ou picos de corrente, temperatura, curto-circuitos, descarga rápida, equalização da bateria, entre outros. Ao permitir mais de 600 ciclos de carga e descarga, ainda assim a marca garante que a sua capacidade permanecerá acima dos 80% da carga máxima anunciada para a bateria quando nova.

O carregador coloca-se sob o assento e é fácil de utilizar. Retirando o assento, acede-se ao carregador cuja ligação à tomada de corrente, de casa ou da garagem, e à bateria é do mais intuitivo que se possa imaginar em termos de utilização.

Numa tomada de corrente de 220 volts, como as que temos em casa, permite carregar rapidamente até um nível que permita uma utilização minimamente viável, como uma ida para a escola ou até um estabelecimento comercial, de novo tendo em consideração uma utilização em meio urbano.

A autonomia é grande medida de avaliação e comparação de qualquer veículo elétrico. Na Mino 1200DQ conseguimos 40 quilómetros no modo S, sempre a fundo, e cerca de 100 quilómetros, no moto E, em meio puramente urbano.

A velocidade máxima, tal como o fato de ser classificada como um velocípede com motor – daí a matrícula amarela – é o maior óbice a entrar numa via rápida, onde a Mino seria ‘presa fácil’ de qualquer veículo pesado.

Tal obrigou-me a escolher as vias mais lentas numa deslocação entre Matosinhos e Espinho, bordejando o Douro pela Foz e pela Ribeira, para passar para a margem esquerda do Douro pelo tabuleiro inferior da Ponte de Dom Luís. Depois foi seguir pela zona ribeirinha do lado de Gaia, quase até ao Cabedelo, para subir e voltar a descer até Lavadores, seguindo então à beira-mar até Espinho. Não dei qualquer concessão ao acelerador e a autonomia foi suficiente, mesmo rolando bastante tempo nos 45 km/h que esta moto permite alcançar.

Procedimento de arranque muito simples, mas talvez se pedisse alguma descrição: a moto asiática, de tão ‘feliz’ de nos ver de novo, saúda-nos com uma mensagem bem audível – ‘hello, it’s me!. Como se tivéssemos esquecido dela e, porventura, trocado por outra.

Na prática, basta carregar no botão de arranque, esperar que se acenda a indicação ‘ready’ e é só acelerar.

A unidade motriz é bastante compacta e com 2,5 kW de potência máxima permite cobrir 100 metros em 10 segundos. Tem cuidado Usain Bolt!

A marca reclama uma eficiência de 96% para a eficiência da conversão de energia em movimento, aspeto em que os motores elétricos reduzem a pó os seus congéneres térmicos. E acresce ainda o fato de não termos de nos preocupar em mudar o óleo, trocar a vela ou filtros de ar.

Na frente, logo por detrás a roda dianteira, o sistema de arrefecimento permite a passagem de ar mas é impermeável à água. É verdade que água e eletricidade nunca se deram bem, e aqui o recurso à dissipação de calor do motor aproveitando a passagem de ar permite poupar peso e espaço, além de dispensar a complexidade que um sistema de arrefecimento por líquido acarreta.

A Mino recorre a quadro tipo duplo berço, em aço, que alberga no seu interior a bateria e o motor elétrico, este último junto ao eixo do braço oscilante. Ao contrário de muitas elétricas que optam por colocar o motor elétrico no cubo da roda motriz, a solução adoptada pela Motrox neste modelo obriga a marca sediada em Hancheu (‘Hangzou’), na China, vê-se obrigada a recorrer a um sistema de transmissão, neste caso uma corrente. Esta é bem mais simples e barata que uma correia dentada, além de ocupar muito menos espaço, aspeto vital numa moto tão pequena. E com 2,5 kW de potência, as afinações da tensão da corrente serão tudo menos uma preocupação constante.

A Mino recorre a quadro tipo duplo berço, em aço, que alberga no seu interior a bateria e o motor elétrico, este último junto ao eixo do braço oscilante. Ao contrário de muitas elétricas que optam por colocar o motor elétrico no cubo da roda motriz, a solução adoptada pela Motrox neste modelo obriga a marca sediada em Hancheu (‘Hangzou’), na China, vê-se obrigada a recorrer a um sistema de transmissão, neste caso uma corrente. Esta é bem mais simples e barata que uma correia dentada, além de ocupar muito menos espaço, aspeto vital numa moto tão pequena. E com 2,5 kW de potência, as afinações da tensão da corrente serão tudo menos uma preocupação constante.

Na frente, uma forquilha hidráulica invertida, também regulável em pré-carga de mola, cumpre a sua função pelo que o maior problema são mesmo as rodas de 10” de diâmetro, que se revelam algo pequenas para ‘digerir’ as irregularidades em zonas de paralelo e nas por vezes esburacadas artérias das nossas cidades, ou nos carris de elétrico ainda existentes.

Dois discos de travão de 180mm em cada roda permitem parar a Mino sem dificuldades. E são necessários porque não existe sistema de regeneração de energia e o travão motor é muito ténue. Contudo, há que ter em atenção que o sistema de anti-blocagem das rodas é inexistente, pelo que é imprescindível familiarizar-se com a potência de travagem oferecida, sobretudo em condições de piso mais escorregadio.

O painel de instrumentos, de cristais líquidos (LCD) é muito intuitivo. Velocímetro, carga da bateria, relógio, termómetro, modo de condução selecionado e abertura do acelerador são a informação disponibilizada. Também se pode ver, neste caso, que a moto está em modo de parqueamento. Quando pronta a rolar, surge a mensagem ‘ready’.

A Mino vem dotada com alarme eletrónico e tranca de direção, mas com somente 1,5 de comprimento e 68 quilogramas de peso convém ter um bom sistema de fixação não vá alguém gostar tanto dela e levá-la ao colo… inadvertidamente.

Iluminação dianteira a cargo, inteiramente, de um conjunto de díodos luminosos que garantem boa visibilidade.

Atrás, também só ‘dá’ iluminação por LED, como os indicadores de mudança de direção. As luzes de presença e travagem traseira estão integradas, a fazer lembrar as primeiras versões da Honda CBR.

Moto inteligente com 20 sensores, a aplicação disponibilizada pela Tromox permite saber o estado do veículo – carga da bateria, autonomia disponível, alarme, ou se está ligada – bem como interagir com ele. Para os pais será importante a função de localização por GPS ou até a geonavegação, que a impede de funcionar para além de limites físicos definidos pelo utilizador. Há ainda diversos avisos que se podem ativar, como o de velocidade excessiva, carga de bateria baixa, ou de erros de funcionamento. Há ainda a possibilidade de rever toda a atividade realizada com a moto, como as médias e a quilometragem acumulada, por período de tempo.

No futuro a aplicação deverá tornar-se numa plataforma com rede social, compras online e benefício de um sistema de pontos.

O problema desta chinesa de Hancheu é mesmo o preço, pois os 3.500€ que custa não são um investimento fácil de justificar, mesmo sendo uma moto evoluída e inteligente. Comparável a uma ‘cinquentinha’ e super fácil de guiar, destina-se puramente a uma utilização em meio urbano. Quanto mais congestionado o trânsito, mais à vontade a Mino se vai sentir. E nesta situação, pode até a bateria durar uma semana sem necessitar de ser carregada. Tudo isto sem fumos, ruído ou sem gastar uma pinga de gasolina ou tempo de oficina. Já vi por aí muito adolescente e ambientalista devoto a sorrir!

Fiquem a saber mais no vídeo que preparámos!

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