Portugal de Lés-a-Lés Off-Road. Uma aventura (cada vez mais…) internacional

O que nos motiva na busca da aventura? A capacidade de superação ou a adrenalina? A descoberta de novos horizontes ou o estímulo psicológico de quem desafia os limites? A incerteza e o imprevisto, a peripécia e o risco, a ousadia e a conquista?

  • Texto: Paulo Ribeiro
  • Fotos: Luís Carvalho

De tudo isto, seguramente, vive o conceito de aventura. E se juntarmos o espírito de camaradagem e a gastronomia, as paisagens variadas e deslumbrantes, o prazer de condução em todo-o-terreno e o gosto pela descoberta, então temos o Lés-a-Lés Off-Road. Que, na sexta edição, bateu todos recordes, a começar pelo número de participantes e pela quantidade de motociclistas estrangeiros que vieram descobrir Portugal através dos mais recônditos caminhos, estradões, trilhos e veredas.

Dos 415 motociclistas que se apresentaram em Montalegre, cerca de 30 % possuem cidadania estrangeira. Da britânia ao país irmão de além Atlântico dos gauleses a ‘nuestros hermanos’ passando por suíços, franceses, italianos e alemães. E belgas! De Stavelot, no sudeste do país do Tintim, bem junto ao mítico traçado de Spa-Francorchamps, vieram Jona Moriau, Olivier Scheen e Michael de Fazio. Descobriram o evento organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal em conversa com um amigo que trabalha na Dunlop, parceiro do Lés-a-Lés ao longo dos últimos anos e organizaram-se para uma aventura única.

Pilotos experientes de Resistência (Moriau é presença assídua em provas de 4 e 8 horas a nível europeu) e Supermoto (Scheen foi vice-campeão europeu da classe S3 em 2008), fizeram rodear-se por uma estrutura de luxo, melhor que muitas vistas em competições ao mais alto nível desportivo. Os papás Jean Paul e Jean Michel, reformados e amantes do turismo, da descoberta das paisagens, da gastronomia e da vitivinicultura, vieram a conduzir o furgão desde a Bélgica, transportando as motos, ferramentas e equipamentos enquanto os seus pilotos viajaram de avião depois de cumprida a semana de trabalho.

“Foi uma diversão enorme ao longo de três dias incríveis”, dizia Moriau na chegada ao Algarve, “cumprindo algo que seria impossível na Bélgica bem como na maior parte dos países do centro da Europa”. Poder rolar bem perto da natureza e “com um enquadramento organizativo deste nível é algo que justifica claramente uma viagem que vai, seguramente, repetir-se em 2022”. E não será apenas no Off-Road já que os mais experientes da equipa, a dupla de Jean’s, maravilhados com a descoberta do nosso País, garantiram já que vêm fazer o Portugal de Lés-a-Lés na versão estradista.

Será normal uma moto francesa conduzida por um brasileiro a viver em Espanha?

Quem também vai regressar é o brasileiro Bruno Pavão. “Depois de uma experiência destas, claro que tenho de voltar. Já falei com um amigo italiano, que tem uma moto igual, e ficou entusiasmado com a ideia”.

Nascido em Porto Alegre e a viver em Salamanca, Pavão conduziu uma belíssima Yamaha XT 500, de matrícula francesa naquela que foi a estreia absoluta na condução em todo-o-terreno! Veio a rolar na moto de 1977, mas “com o famoso depósito prateado de 1981”, viajando sozinho atrás de uma aventura que descobriu numa revista espanhola.

Cativado pela proposta de conhecer um País com que tem uma forte ligação depois de ter vivido algum tempo em Guimarães, o divertido brasileiro ficou encantado com… TUDO! “As paisagens, as pessoas, a organização… Sempre excelentes, apoiando, dando dicas e confirmando que tudo estava ok. Não fotografei nem filmei nada porque guardei tudo no coração. Cinco estrelas!”

Tendo começado a andar de moto há apenas um ano, garante que “a pessoa que saiu de Montalegre chegou a Lagoa bem diferente, mais experiente e mais rica. E também com muito mais experiência de condução. Deu para conhecer tanta gente fantástica, conversar e fazer novos amigos”.

Entre estes, vários dos que tentaram ajudar a resolver um misterioso problema elétrico na XT 500 que “deixou de fazer faísca para, no dia seguinte, sem qualquer explicação, voltar a trabalhar sem problema. Se essa moto devia estar bem guardada em casa? Nada disso! Queria fazer com essa moto, que é a minha moto, preparada e revisada por mim, porque essas peças devem ser usadas. Era uma boa moto quando foi lançada e continua a ser uma excelente máquina. Além de que, se avariar ou quebrar algo, existe ainda muita peça e dá para arranjar novamente”.

O cavaleiro irlandês de nome impronunciável

Aventureiro de gema é também o irlandês Giaroid o Donnchadha que viajou, também ele sozinho, desde bem próximo de Dublin até Montalegre e daí até Lagoa, com passagem pela Covilhã e por Borba, sempre aos comandos da pequena Honda CRF250 Rally. Ficou encantado com as paisagens, mas foram as gentes que mais o tocaram. “As pessoas cumprimentam à passagem das motos, nota-se muita simpatia nas aldeias e vilas e essa alegria dá um sabor especial a este passeio. Bem organizado e sempre com boa comida, ajudando também a conhecer melhor o que é este País que tem tanto em comum com a Irlanda”.

Do percurso gostou e, uma vez mais, realçou a diferença vivenciada ao longo de três dias, começando pelos mais exigentes trilhos de Terras do Barroso, do Alto Douro Vinhateiro e da Serra da Estrela, ao longo de 326 quilómetros bem puxadinhos, que haveriam de transformar o cansaço em sorrisos. E se mesmo os ex-dakarianos António Lopes, Bernardo Villar, Miguel Farrajota ou Rodrigo Amaral realçaram o esforço físico e técnico necessário para cumprir a primeira jornada, como não terá sido para o comum dos mortais

Irmãos de armas

No meio de toda a exigência desta aventura que, anualmente, atravessa o mapa nacional, foi particularmente interessante seguir algumas máquinas do heterogéneo pelotão, como o grupo de amigos de Almada que se lançaram ao Lés-a-Lés com meia-dúzia de indestrutíveis cinquentinhas, uma minúscula, mas bem artilhada, Brixton Crossfire 125 XS, com rodas de 12 polegadas, ou algumas das já conhecidas Vespa’s TT.

Como a do espanhol, perdão, do galego de Vigo, Iñigo Carrasco, a cumprir a 5.ª presença no evento delineado pela Comissão de Mototurismo da FMP. Mostrando uma boa capacidade de navegação e um ritmo suficiente a subir e endiabrado a descer, matou saudades da autêntica festa que é este passeio depois da ausência forçada na 5.ª edição. Com a bem preparada Vespa 125 de 2000, “a primeira com travão de disco”, o viguês esqueceu os problemas vividos no primeiro ano e aproveitou a experiência adquirida em vários raides em Espanha e no Scooter Trophy – Vespa Raid Maroc, em 2013 e 2014 para “desfrutar ao máximo de uma jornada de boa condução, companheirismo e muita diversão”.

Valores que, este ano, atraíram também o irmão Jorge Carrasco, com uma Yamaha SR250 transformada em scrambler que deu nas vistas pela eficácia em todas as situações. Não tanto pela preparação que evidenciada um par de amortecedores Öhlins dos chineses, mas pela capacidade do piloto, um habitué do enduro espanhol onde correr com uma bem mais potente Husqvarna 300.

“Sem preocupação competitiva, foram dias de máxima diversão, a conduzir em trilhos tão diversificados e bem enquadrados por uma equipa organizativa que transmite muita confiança, sabendo que nunca vamos ficar esquecidos na serra e que temos sempre água e comida à nossa espera. E muitos amigos para conversar…”

A rapaziada das cinquentas

Mas houve também que levasse os amigos de casa. O Casimiro, o Cardoso, o Né, o Patrício, o Nuno, o Neves e o Pereira, rapaziada da Charneca da Caparica com uma média de idades bem para lá dos 50 anos, deixaram em casa as motos grandes e voltaram a viver as aventuras de juventude, divertindo-se a valer com as Macal Trail 1 e II, Famel Zundapp FX, Sachs Cross, Suzuki TS ou a AJP Galp.

Boa disposição alimentada por algumas picardias que foi nota dominante ao longo de três dias bem aproveitados para conduzir “máquinas recuperadas e mantidas por cada um dos condutores, e cujas reparações, mesmo na estrada, são feitas com materiais e ferramentas que cada um transporta”.

E assim, a cada passo, lá iam parando os ‘Comdores’ (sim, é assim mesmo, com M, que o grupo se intitula, apesar de ter como símbolo um abutre com feridas e de muletas…) sem que se conseguisse perceber se era realmente uma pequena avaria ou uma desculpa para mais ‘duas de conversa’.

Com um inconfundível zumbido, lá foi o enxame galgando as subidas de Trás-os-Montes e do Douro ou atravessando as áreas enormes de cultura intensiva e super intensiva do Alentejo, com milhares de hectares de olival e amendoal, mas também de diversas árvores de fruto, vinha ou cereais. Zona do País onde a condução em fora de estrada é, por norma, mais descontraída e divertida, mas onde as pequenas cinquentinhas sofreram com as longas retas feitas de gás a fundo.

Vá lá que o São Pedro, uma vez mais, patrocinou o Portugal de Lés-a-Lés com sol e temperaturas amenas, facilitando a vida aos participantes e permitindo tirar o máximo partida das magníficas paisagens oferecidas em 1000 quilómetros de diversão, de camaradagem e de descoberta.

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