Piaggio 1 Active. Juventude eletrizante



Iluminação é integralmente em LED e o comando tem função ‘bike finder’ que faz a Piaggio 1 apitar ao premir um botão

É básica. Leve. Fácil de utilizar. Urbana. Silenciosa. Ecológica. É Piaggio. E é a 1. Isso mesmo: UM (ou ONE), a primeira. A estreia da casa italiana na propulsão elétrica. Ou melhor, sem ser estreia absoluta, depois do Ape E e da Vespa Electric, é a primeira incursão nas duas rodas sob o signo Piaggio. E sim, apesar de algumas limitações, tem pernas para andar. Ou melhor, rodas!

  • Texto: Paulo Ribeiro
  • Fotos: Delfina Brochado

Lembram-se de Rumble Fish (Juventude Inquieta), esse fabuloso drama cinematográfico dirigido por Francis Ford Coppola e com um elenco de luxo  que incluía Mickey Rourke, Matt Dillon, Nicolas Cage, Diane Lane, Laurence Fishburne ou Sofia Coppola entre muitos outros? Estávamos em 1983, na América profunda, e as motos tinham outra conotação. Eram símbolos de liberdade e irreverência, de fuga ao ordinário, capazes de criar todo um universo de individualidade, mas com uma imagem demasiado… agressiva.

Mas os tempos mudaram. Mudam sempre. Da verdadeira loucura dos anos ’80 do século passado à crescente indiferença dos mais jovens pelas motos foi um pequeno passo. É verdade que os números de vendas continuam em alta e 2021 parece ter sido recordista para quase todas as marcas. Pelo menos assim o anunciam.

Mas nem todos são ‘petrolheads’, adeptos da mobilidade sensorial, onde vibrações e ruídos reforçam prazeres de aceleração e velocidade. Há o cuidado ambiental, a economia, o politicamente correto e a necessidade de ir do ponto A ao ponto B da forma mais simples e económica.

Revolução elétrica

Aqui entra a eletricidade e a mobilidade elétrica. Silenciosa e aparentemente inócua, impôs-se de forma quase insidiosa numa sociedade pretensamente mais verde. Tomou de assalto as formas possíveis de deslocação de pessoas e objetos.



Espaço sob o banco permite arrumar um jet dos mais pequenos, desde que o carregador fique em casa

Comboios e metropolitanos primeiro. Até porque era fácil fazer chegar o ‘combustível’ elétrico. Automóveis depois. Mais tarde, os veículos de duas rodas. Por motivos facilmente compreensíveis. O volume e peso das baterias para garantir autonomia e velocidade aceitáveis tornava complicado criar ciclomotores ou motociclos com características competitivas e preços decentes face à evoluída concorrência a gasolina.

Mas a evolução não para e, independentemente de todas as discussões em redor do tema, a generalidade das marcas olha para o elétrico como o futuro. Pelo menos o imediato! Até porque a sociedade a isso obriga…

Aos poucos, ainda de forma tímida, todas as marcas instaladas no mercado vão oferecendo propostas a pilhas. E vão-se unindo na tentativa de uniformizar conceitos para maior rentabilização e sentido prático destes veículos. Baterias que podem ser utilizadas por vários veículos, compatíveis para várias marcas, é um dos pontos da ordem de trabalhos.

Por isso, Yamaha, Honda, KTM e Piaggio assinaram um acordo de normalização das baterias de molde a reduzir preços e permitir, por exemplo, sistemas de carregamento universais. Onde seja, tornando possível trocar a bateria e seguir, como se de um normal reabastecimento se tratasse.

Exigências da Geração Z

Vem toda esta introdução, longa mas necessária, a propósito do lançamento da Piaggio 1, pensada para a geração Z, os que nasceram no final do século passado e na primeira década do XXI. Para quem facilidade e economia, descomprometimento e partilha, respeito ambiental e imagem cool, são tão importantes como a última geração do iPhone.

Os motores de combustão interna são poluentes e o reabastecimento obriga a levar com o aroma nem sempre apreciado da gasolina. As baterias elétricas podem ser carregadas como um telemóvel. Em casa, no escritório ou mesmo num shopping.

Ora, juntar esta simplicidade à facilidade de utilização de uma scooter foi a grande aposta da Piaggio que, tal como muitas outras marcas, procura cativar a juventude para as rodas. Por isso a 1, em versão de ciclomotor, equivalente a uma 50 cc, que pode ter baterias de maior capacidade (1+), ou semelhante a um motociclo de 125 cc (1 Active), foi desenvolvida para uma experiência de mobilidade onde a facilidade se sobrepõe às emoções, em que a o sentido prático relega as performances para segundo plano.

A velocidade máxima anunciada, de 60 km/h no caso da 1 Active é perfeitamente suficiente para uma utilização urbana, embora possa ser limitadora ao optar por uma autoestrada ou via rápida. E se, a descer, pode mesmo chegar aos 73 km/h, já a subir e apenas com um adulto a bordo, dificilmente passará dos 40 km/h.

Pede-se, pois, alguma paciência que pode ser aproveitada para desfrutar da paisagem e descobrir pormenores que, de outra forma, passariam despercebidos.

Reabastecer em casa

E depois há a questão da autonomia. A casa italiana anuncia 85 quilómetros no modo Eco, o mais económico, com velocidade limitada a 30 km/h, ou 50 km no mais dinâmico modo Sport. O que, em bom rigor, corresponde à verdade mesmo se dificilmente se conseguirá usufruir de toda essa autonomia. De acelerador sempre a fundo foi possível fazer 40 quilómetros com 90% da carga da bateria o que, em termos citadinos, não deixa de ser uma excelente marca. Curiosamente os primeiros 12,5 km consumiram exatamente 25% da carga. Ora façam as contas!

Tanto mais que, chegados a casa ou ao escritório, é possível retirar a bateria e transportá-la de forma prática (apesar dos 15 kg) até junto de uma tomada doméstica para recarregar. Além de funcionar como excelente antirroubo! É que sem bateria, a Piaggio 1 não vai a lado algum…

Ligada à corrente, são necessárias, teoricamente, 6 horas para uma carga completa. Mas, na realidade, nunca a bateria deverá estar a zeros. Além de desaconselhável em termos de longevidade, é um risco levar a carga a níveis tão reduzidos, correndo o risco de ficar pelo caminho. Na prática, e com a bateria a 9%, foram precisas 3 horas e 53 minutos para atingir o valor máximo.

O painel de bordo ajuda a controlar o consumo energético de forma eficaz, indicando o gasto instantâneo ou a recuperação (caso se corte gás) bem como o nível de carga. Quer através da percentagem em valor numérico, quer através da coloração do pequeno ícone, mesmo ao lado, que vai mudando do azul ao vermelho (- de 10%), passando pela amarelo e laranja, à medida que a bateria vai esvaziando.

Facilidade exponenciada

Mais um pequeno apartado técnico antes das considerações dinâmicas. As baterias de iões lítio do tipo 18650 (padrão na indústria automotiva e utilizadas, por exemplo, nos Tesla) com uma potência de 2,3 kWh e 48 Ah de capacidade, alimentam um motor de 2 kW colocado no centro da roda traseira. A Piaggio garante uma vida útil de 3000 ciclos, embora alerte que após cerca de 800 cargas possa ficar limitada a 70% da capacidade em nova.

Detalhes técnicos que só interessarão na hora da compra. Depois é mais importante a simplicidade, na utilização como na manutenção, sem necessidade de revisões periódicas ao motor ou mudanças de óleo. Simplicidade que se prolonga à utilização de uma scooter de dimensões pequenas, geradora de grande confiança mesmo nos menos experientes, com a vantagem do banco baixo permitir fácil apoio dos pés no chão durante as paragens.

Os 94 kg de peso são fáceis de controlar porquanto muito bem distribuídos e o conjunto oferece uma condução simples e bastante agradável. Fácil de colocar em curva e intuitiva nas manobras mais rápidas, a Piaggio 1 Active é dona de uma estabilidade que até faz esquecer as rodas de pequena dimensão. As 10 polegadas das jantes queixam-se dos buracos ou irregularidades das ruas mais degradadas, mas a suspensão revelou-se capaz de aguentar todas as agruras das vias urbanas.

A rigidez que denotou nos piores tratos não colocou em causa um nível de conforto mais do que suficiente atendendo à extensão das deslocações e a posição de condução revelou-se ajustada para um grande universo de utilizadores. Nota muito positiva.

Fácil para os mais baixos, com banco a 77 cm ao solo que permite apoiar bem os pés no chão, tem espaço suficiente para as pernas dos mais altos, mesmo na casa do metro e 80, podendo ainda, com jeitinho, transportar passageiro. Que pode aproveitar os bons poisa-pés rebatíveis para contrapor ao espaço limitado no banco.

Segurança acima de tudo

Alguns pontos de destaque na Piaggio 1 prendem-se com o sentido prático e de segurança em cidade. Além de uma buzina com potência suficiente para fazer saltar o mais distraído dos peões, que não ouve o aproximar sorrateiro da scooter, possui uma excelente capacidade de travagem. Sistema de travagem combinada (CBS) que aciona sobre os dois discos de 175 mm de diâmetro ao apertar a manete esquerda e que é capaz de evitar, de forma muito rápida, os mais inusitados obstáculos.

E quando se desacelera, tem um sistema de regeneração de energia idêntico aos utilizados na Fórmula 1 (KERS: Kinetic Energy Recovery System) que permite ganhar mais algumas centenas de metros de autonomia. Quiçá quilómetros!


Painel tem odómetro total e dois parciais, leitura de consumo instantâneo (por barras) e médio (numérico), temperatura ambiente, relógio, tempo de viagem, autonomia, e pode ser conectado via Bluetooth através da App MIA.

Informações que podem ser controladas no painel LCD colorido de 5,5 polegadas, e com sensor de luz que se adapta automaticamente às condições de iluminação ambiente, mudando na passagem por túneis ou na chegada à garagem. Ecrã com indicações que vão da velocidade instantânea ao nível de carga das baterias e autonomia remanescente ao modo utilizado. Sendo que, neste caso, existe, além dos já mencionados Eco e Sport, o modo Reverse, que ajuda nas manobras de estacionamento sobretudo em locais inclinados. Que poucas deverá ser utilizado tal a facilidade de movimentar a 1 bem como colocá-la no descanso central.

Mobilidade tecnológica

Facilidade que parece ser leitmotiv de toda esta Piaggio e que continua na chave inteligente, com comando à distância e que permite fazer todas as operações (ligar, desligar, bloquear a direção e abrir o banco) sem retirar o comando do bolso. Pena que não funcione por proximidade e obrigue a premir um botão para desbloquear as funções do botão existente na parte posterior do escudo frontal. Onde existe também um prático suporte para sacos/mochilas e uma tomada USB. Mas sem espaço para colocar um smartphone durante a carga!

Com materiais de evidente qualidade, bons acabamentos e bastante atenção dispensada aos detalhes, a Piaggio 1 Active é uma clara e atrativa oferta de mobilidade tecnológica. Destinada a quem compra um veículo para deslocações urbanas, uma moto, da mesma forma que adquire o mais recente gadget. Mas que é mais do que um brinquedo grande. Quanto mais não seja pelo preço (3649 €), em linha com as 125 cc referenciais do mercado nacional, esgrimindo trunfos como a economia (de combustível) ou respeito ambiental para fazer esquecer a menor velocidade ou autonomia.

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