Oh Moisés, vai pelas pedras pá !!!

Texto: Alex Kossack

Havia, há muitos anos, um fulano que dizia ser o Moisés, mas não era. Faz-me lembrar estes idiotas dos nossos múltiplos governos, palermas falhados sem obra feita, que dizem ser o que não são e enganam meio mundo. Esta última com a gasolina é de ouro!

Moral da história, quando chegou à parte de abrir o mar, como era um aldrabão, não conseguiu abrir as águas, e começaram a andar pelo mar adentro, de sandália da época e tudo!!!

A água ia subindo, algumas pessoas mais baixinhas já bebiam uns pirulitos, muitos já se tinham afogado, e quando a água já chegava ao pescoço dos mais altos, fortes e afoitos, o pessoal começou finalmente a desconfiar, até que há um que grita… Oh Moisés, porra pá… vai pelas pedras homem!!!

Eu acho que estamos rodeados de falsos Moisés, e de falsos “artistas” das motos também. Vejo cada palhaço na estrada que até arrepia.

Há dias, num qualquer post na net, sobre a velocidade e destreza que há na Ilha de Man, alguém disse que aquilo lá é perigoso e morre um ou dois por ano. Pfff, amadores, na estrada da Roca morrem dois por mês, e nem sequer há prémio no final da corrida. Acho que ninguém tem nada a ver com o que fazem e estão no seu direito, não têm é de ser falsos Moisés, e levar mais dois ou três que não têm culpa nenhuma, eu incluído.

Sobre a vida, dou comigo muitas vezes a pensar se terei escolhido o caminho certo, ou se fui pelas pedras?

Às vezes, olho para trás e sei que fiz o caminho certo, mas muitas vezes penso que fui pelo caminho das pedras. Irra que dei cabo dos pés muitas vezes, mas poderia chamar aprendizagem a isso. Até a montar uma tenda aprendi.

Quando éramos jovens e tínhamos 16 ou 17 anos, corriam os saudosos, maravilhosos, imbecis e inocentes anos de 1981 ou 82, íamos para o Algarve de 50, para acampar e conhecer umas “bifas”. Eu, o Manel, o Carlos S. e o Carlos R., os meus amigos de infância.

Esta viagem além de ser excitante, em todos os aspectos, porque fazer 300 quilómetros de 50, com uma tremenda e permanente erecção activada pela ansiedade e pelo pensar nas “bifas” nuas, tornava-se impreterivelmente numa epopeia que durava 6 ou 7 horas, porque ou nos perdíamos, ou falhava um dos motores ou porque a fome era muita e tínhamos de ir com calma, mas era para chegar rápido. Saíamos de manhã, carregados de sacos e mochilas e chegávamos à noite.

Uma vez, já no parque de campismo, havia uns sacanas de uns Holandeses, (ou Belgas sei lá, eram uns parvos dessa região do Norte), na tenda ao lado, que tinham a particularidade única de estarem todos muito bem equipados com os mais belos e modernos ténis da Adidas. Todos envergavam nos cascos modelos raros e difíceis de encontrar em Portugal, isto nestes anos idos, onde no pé de todos jovens não faltavam os nobres ténis Sanjo. Era o que havia.

Para evitar o bafiar e a podenguisse do cheiro a chulé, tinham a mania de deixar os ténis arrumadinhos à porta da barraca, arrumados tipo parque de estacionamento, o que nos indignava bastante. Hunos parvalhões.

Os gajos além de parvos, e dormirem uns 6 numa tenda pequena, e beber cerveja pouco fria, faziam uma barulheira de dia, a cantar o Kumbaya e mais outras porcarias, que aos gritos cantavam e acompanhavam à guitarra, e não nos deixavam dormir.

De salientar que, na altura, e não para tratar da nossa beleza de pele, tínhamos a intrínseca necessidade de dormir de dia, porque, uma vez chegados ao Algarve nos tornávamos em Batman, ou guarda nocturnos, e na constante caça à “bifa”, atacávamos de noite onde houvesse caça de fauna loura de 2 pernas e por isso dormíamos de dia. As caçadas eram longas e acabavam na praia com os badalos cheios de areia. Não falhava!

Claro que a actividade lúdica não era sempre um mar de rosas e desta vez e ao fim de uns dias, a coisa deu para o torto, com os Hunos ou Visigodos ou o raio que os parta da terra dos chinelos de madeira.

À conta do barulho (e não estou a falhar se admitir que também pelo facto de as amigas dos Dutchmen preferirem o chouriço Português às finas e mirradas salsichas Frankfurt, com que vêm equipados de fábrica estes energúmenos), bom, as tensões internacionais foram escalando, ao ponto de a determinada altura, termos acabado, após uns quantos: ”vai para a %%#”$ da tua tia” ao que eles respondiam em Visigodo, “VRGETHYUUGIG VRYTYYHG DRUIGFF”, ou lá o que era – dava ideia terem pouco óleo na caixa quando falavam – o que acabou com uma troca de galhardetes de 5 dedos, se bem me recordo. Vulgo tabefe.

Um dia, chegámos ao final da manhã à nossa morada de pano e lona, apenas para as encontrar planas e achatadas no chão, desmontadas, pois os Vikings decidiram retirar as estacas das nossa tendas de descanso diurno. Ah, meteram-se com os tipos das motas. Isto já é guerra!

É preciso cultivar a felicidade, porque no final da caminhada, a vida corre melhor.

Mas como sabermos se o estamos a fazer bem, ou se o nosso caminho foi bem feito? Eu olho para os meus filhos e para o que fiz e consegui da vida, e de certa forma o que passei, para aqui vos estar a escrever estas conversas surdas sobre motos e episódios da minha vida.

A minha vida é e foi fantástica, foi fenomenal, sou feliz em casa, tenho uma mulher maravilhosa, fazemos amanhã 29 anos de casados e 30 juntos, e que gosta de passear de vez em quando na Road King, e temos uns filhos inacreditavelmente educados e do melhor que se poderia pedir.

Um já é engenheiro e já puxa o seu peso, tem a sua XJ600 e adora passear nas minhas GSXR de 90 ou na 92, o outro pelos mesmos passos segue, recebeu em Março a sua primeira moto, uma humilde 125 que anda à velocidade do cheiro, e está a 10 dias de fazer o exame de código, porque fez 16 anos e vai tirar a carta para poder andar com o pai, tal como o outro o fez.

Hoje estive a ajudar os meus filhos a montar uma tenda que tenho desde os tempos de solteiro, porque se lembraram de ir acampar ! Dei comigo a relembrar os Eslavos, e apercebi-me que esta coisa da vida se repete, e damos connosco a ver os nossos filhos fazer o mesmo caminho que nós. Só me compete dizer-lhes onde há pedras e ajudar o melhor que posso, com base na minha caminhada.

Gaita para a idade, mas eles, já com barba, estão a fazer o que eu fiz há 40 anos atras. E lá foram com os amigos acampar. Eles têm bons amigos e sempre lhes ensinei que não é preciso gostar de alguém para lhe dar e mostrar respeito. Hoje em dia vejo muito pouco respeito na malta das motos. Vivem da imagem, do seu ego e tornaram-se, graças às redes sociais, uns narcisistas imbecis. Feliz por ver que os meus não são assim. Há dias atravessaram-se 3 à minha frente, gente com curto prazo de validade.

As motos velhas que recupero também fazem a minha felicidade e dão-me uma sensação de retorno aos tempos idos. Fazem-me esquecer as pedras do caminho, que ultimamente, têm sido bastante agrestes, mas enfim. Também gosto muito dos meus amigos. Tenho bons amigos, que respeito e sinto reciprocidade neles. Vejo-os todas a semanas e ao Domingo vamos andar de motos velhas juntos.

Nunca percebi se os fulanos das terras baixas alguma vez souberam onde foi parar a tenda deles. Deve ter sido o grande mistério da vida deles.

Isto porque no dia em que viemos embora, e por retaliação Lusa contra os malvados povos Hunos, pelas afrontas de privação de sono no Algarve, tirámos as estacas, embrulhámos e enrolamos a tenda deles num rolo perfeito, incluindo todos os seus pertences que lá estavam dentro, e colocámos tudo em cima da caixa de um camião que ia a passar em marcha lenta. Estava a entregar uns baldes de lixo modelo novo que o parque tinha mandado instalar, e lá foi a tenda dos Hunos no camião. Acho que só deve ter parado em Santa Comba!

Quando chegámos a casa, depois de 7 ou 8 horas nas 50, pela estrada Nacional, porque não havia autoestrada na altura e tínhamos de passar por canal Caveira e mais as outras terreolas pelo caminho, estávamos cansados mas felizes do nosso Safari pela zona Algarvia,

Uma epopeia de caça Zulu, que acabou em guerra com os descendentes de Guilherme de Orange, da qual saímos, senão moralmente satisfeitos, victoriosos.

Às tantas, o Manel sai da moto dele, e a mochila que para baixo vinha cheia de sandes de courato e outras deliciosas iguarias que a mãe dele nos tinha preparada para a viagem, vinha cheia de novo.

O Manel abre a mochila e de repente, qual milagre das Rosas, tínhamos todos ténis adidas novos. “Então, limpámos a zona da tenda deles, e depois de mandarmos a tenda deles para Santa Comba, não ia lá deixar os sapatos, a sujar tudo, não era??”

Foram os últimos Adidas que tive, e até me traumatizou um pouco, confesso. Esses ténis e esta historia é apenas mais uma das muitas recordações que tenho dessas viagens de caça, pelas terras do Gharb! Mudei para Nike uns anos depois.

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