O regresso de Nordkapp, de Nordkapp a Luleå (Suécia) .

Desta vez nem fotos do hotel captei. O dia amanheceu (bem aqui nesta altura do ano nunca amanhece) bem limpo, pele que mal me levantei a primeira coisa que fiz foi pegar no telemóvel e ver como estariam as condições meteorológicas para aquelas bandas … Alguns já saberão o que aconteceu. E em directo.

Confesso que ontem quando escrevia o relato do dia para enviar para a moto x, depois de estar a falar com a família e de ter conversado com o José Pedro Carvalho e o João Araújo, estava com aquele sentimento de não ter conseguido tudo, tudinho. Mesmo com as palavras de alento da minha esposa, do Pedro e do João.

Ainda hoje de madrugada, quando preparava as tralhas antes de me deitar, consultei pelo menos duas vezes o telemóvel para ver como estaria o tempo para aquelas bandas. Sempre mau. Entretanto tralha arrumada toca a xonar porque tinha o início da descida para Portugal.

Despertador a tocar e, como para estes lados não existe o conjunto de palavras escuridão total nos quartos, deu logo para perceber que estava um sol meio escondido por entre as nuvens. Telemóvel em punho e eis que afinal o prazo de validade da minha sorte com o tempo por terras Viking afinal não tinha expirado. Barba feita, banho tomado, pequeno-almoço, dentes lavados, tralha na moto e check-out do hotel, foram apenas precisos cerca de 45 m. Até transpirava.

Entretanto no pequeno-almoço encontro uma Moldava / Portuguesa (dupla nacionalidade) e depois no Check out uma outra portuguesa. A ambas lhes contei o que sucedeu e ambas me disseram que poderia aproveitar pois a previsão da ventosga e chuvada era para ser a partir da 11h00m. Como diriam os Romanos, “alea jacta est”… toca a pedalar (salvo seja…vai de retro Belzebu. Pedalar?!?!?) e aproveitar esta sorte que me foi lançada provavelmente por Odin.

De facto, quer a subida quer a descida até o dito cujo fizeram-se pacificamente, com uma brisa bem moderada e o sol, sempre meio escondido entre as nuvens, a dar um ar da sua graça e a tornar a temperatura bem agradável. Esta andou sempre a oscilar entre os 17 e os 20 graus.

Chegado à “portaria” por volta das 08h15, não estava absolutamente ninguém e reparei que ambas as cancelas lá mais acima estavam entreabertas. Como é óbvio, segue em frente que é por aí o caminho!

O Canhão a ofuscar a esfera armilar.

A primeira foto foi um casal de Alemães de meia-idade, assim como eu, que veio até junto de mim e perguntou se queria que me tirassem uma foto. Claro que não hesitei e disse logo que sim. Palavra puxa palavra fiquei a saber que este ano não fizeram ainda a sua volta grande de mota e optaram por vir de autocaravana. Depois perguntou-me se estava satisfeito com a moto e a minha resposta está sempre na ponta da língua, CLARO QUE SIM. Mesmo com esta ênfase.

No final, e depois de saberem quantos km tinha a ST, fizeram questão que lhes tirasse uma foto deles junto à ST (espero que me enviem a mesma pois o momento foi a capturado com o telemóvel da senhora). Ficaram espantados pois eles achavam que a sua BMW de 2012 tinha muitos km, cerca de 70,000 km. Foi um momento caricato porque eu expliquei que a ST só em Outubro deste ano é que faz 4 anos e que tudo somado com as outras motos que tive durante o mesmo período, ou que ainda, tenho dará um número a rondar os 250,000 km. Um casal bem simpático. Quanto ao momento de estar com a esfera armilar diante dos meus olhos, confesso que senti agradecimento e orgulho.

Agradecimento pelo incentivo que a Patrícia, a Francisca, a Filipa e a Rita sempre me deram para realizar este sonho/projecto. Claro que preferiam que tivesse vindo com mais alguém… mas quis o destino que fosse a solo.

Orgulho porque é mais uma para a contabilidade das coisas meio maradas que tenho feito em passeios de moto.

Estava feito e agora era tempo de agarrar o Garmin e colocar a palavra mágica “CASA”, sem restrições de AE. Demorou algum tempo a pensar até que deu o seu veredicto, 5323 km. Não é que não tivesse à espera… mas que doeu isso doeu. Felizmente a ST tem cruise control que ajuda muito nestas tiradas obscenas.

Ah, é verdade, o vídeo da subida e descida do Nordkapp não tem cortes porque é para eu poder gozar todo aquele momento quando bem me apetecer… para quem tiver paciência está lá na minha conta do Youtube.

A E69 que me levou até Nordkapp é a mesma que segui até Olderfjorde. Aqui captei alguns spots da mesma.

(Código para colar no Google Maps – 4P44+X8 Skarsvåg, Noruega)
(Código para colar no Google Maps – 3Q47+P8 Kamøyvær, Noruega)
(Código para colar no Google Maps – 2RHX+3P Kamøyvær, Noruega)
(Código para colar no Google Maps – 2RHX+3P Kamøyvær, Noruega)

Quase a chegar a Olderfjorde parei numa loja “souvenirs” Sami. Mal entro vejo um digno representante deste povo a dar “carinhos” à sua moto. Alguém com muito bom gosto e que valoriza o que é bom. Este povo sabe o que são adversidades pelo que sabe escolher quem as ajuda a ultrapassar sem problemas. OVER AND OUT… está lançada a picardia. Não resisto.

(Código para colar no Google Maps – H6RX+9P Nordmannset, Noruega)

Compras feitas, duas de letra também dadas, pedi-lhe para usar o quarto de banho ao que ele, sem olhar para mim e continuando a acarinhar a sua ST, me indicou isto.

Até aqui tudo mais ou menos normal: Depois de abrir a porta é partilho na foto abaixo
O papel diz “Use at your own risk”

Deu para perceber que aquele calmeirão gostava de piadas finas ou picardias. Todo o tempo que conversamos, aí um boa meia-hora, o registo da conversa sobre o povo Sami foi sempre com algumas alfinetadas ao que aqui o JE não deixou também de o fazer. Recomendo uma paragem, tem artesanato SAMI original. Muito peculiar.

Já na E6 percorro-a até Aidejavri e, algumas centenas de metros mais à frente, estou a entrar na Finlândia. Controlo fronteiriço? Nenhum. Ai o COVID e tal, lá para cima são muito exigentes e implacáveis. Treta dos media. Até porque depois, ao abastecer numa estação de serviço, verifico o que verifiquei por TODA a Noruega, isto é, uma descontracção total e ninguém com mascarilha à Lone Ranger. Mesmo as pessoas que andavam na rua, ou quando atravessava localidades, estavam todas relaxadas … enfim, nem digo mais nada.

Na Finlândia passo para a estrada 93 e sigo até Palojoensu onde tomo a E8 até Mänikko, e passo a rodar na 403, seguindo-se a 392. Que tédio de estradas. Não fossem as renas a dar o ar de sua graça e a obrigar-nos a uma condução cautelosa acho que até adormecia. São km em cima de km a rolar sem qualquer tipo de emoção.

(link para colar no Google QJJH+HF Liekopalo, Finlândia)

Atravesso de novo uma fronteira, agora para a Suécia, mais uma vez sem qualquer tipo de controlo fronteiriço, e o tipo de estradas repete-se, alcatrão, árvores de todas a formas e muitos lagos e rios. Sigo pela 392 e mais tarde pela E10 até atingir o hotel em Luleå.

UI, amanhã mais uma estirada de estradas monótonas.

Contas à vida…

  • Estadia – 95.00€
  • Refeições – 22.00€
  • Gasolina – 90.00€

Somando tudo dá 207.00€

  • (*) Estes consumos são retirados do computador de bordo da ST. No início de cada dia faço reset a este parâmetro.
  • Realço a vermelho quando tenho despesas não previstas ou associadas à manutenção, prevista, da ST.
  • Percorridos – 907 km Horas efectivas de condução – 11h44m Total de horas em passeio – 14h30m
  • Altitude máxima – 418 m Moto – Yamaha Super Ténéré

Vídeo

Wikilok

https://pt.wikiloc.com/trilhas-motociclismo/13-07-2021-nordkapp-to-luleo-78178507

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