O Marco Rossinchsky, o Uáine Xuántz e o Queni Dúan.

  • Texto: Alex Kossack

Não sou muito de me queixar. A não ser destes nossos políticos de caca, de vinhos maus e de gente parva. Sobretudo de gente parva!

Ah sim, quase me esquecia. Também de azeiteiros, chungas e burgessos. Mas estes, invariavelmente, são parvos, políticos ou ambos. Isto porque nunca bebi um para poder dizer serem maus vinhos.

Só que eles andam por aí, cada vez mais e aos montes.

Este nosso País deve orgulhar-se de ser um dos maiores produtores de bimbos e burgessos do Mundo. Mas, atenção, os nossos são mesmo de casta refinada!

Estes nossos, casta única, não se contentam em usar uma sandália e a bela da peúga de xadrez! Não, estes são mesmo dos bons e realmente únicos, com dizeres e maneirismos em perfeita combinação. Em suma, completos!

Vejo, aliás sempre vi, nos meus mais de 42 anos de moto, muitos na estrada. Não é de agora, mas, nos dias que correm, já não se escondem.

Enquanto antigamente andavam por estradas sem luz, com as luzes apagadas e só de noite, nos dias de hoje e como é moda, perderam o decoro e a vergonha. Alguns até fazem dessa condição motivo de orgulho, e saem para a rua em pleno dia.

Acho que devíamos começar a catalogar as castas de chungas, como se faz com cada Região Demarcada.

E tal como a produção de azeitona em Portugal, a parolice já é milenar entre nós, tipo uma tradição. Um produto Nacional, bem nosso e único.

“Olha pra mim, olha pra mim”!

Quando nos conseguem atrair a atenção, ao chegar ou ao partir, seja com os rateres de um pobre motor, que abusam e violam sem remorsos, (que nem um russo armado dentro de um Gulag), para depois chegarem a casa arrependidos e agarrados à moto a chorar, dando festinhas e pedindo desculpa pelo usurpo, mas foi para mostrar aos amigos, seja como pela forma de conduzir, com os joelhos ou sem eles, ou com a indumentária colorida da moda, comprada a custo num site. Insistem teimosamente que se olhe para eles.

O que é certo é que, cada 7 em 10 vezes, vê-se um gajo (e agora ao que parece, até já elas aderiram a essa moda), de fato de treino e camisinha sem mangas à bate na mulher, tipo “Vladimir em dia de passeio no shopping com a Irina debaixo do braço”. E, claro, não pode faltar o capacete da moda decorado com penas, riscos aleatórios, tonalidades bem aguerridas. Além de muitos números, com cores tipo vómito de iguana, orelhas de coelho e agora a tão reconhecida forra de peluche.

Nos cascos, que tão alegremente raspam a ponta no chão, que não falte a famosa meia pé de gesso, os ténis Adidas ou a bela da botinha Racing XP12Rt%&&TR laranja fluorescente. Mas, acima de tudo, claro, que não falte o belo do blusão como o do Rossi, com uma manga de cada cor. Parecem guerreiros Zulus em ordem de batalha tribal, tal é o adorno motociclístico.

Enfim, de resto não me queixo, e até vivo bastante feliz nesta minha condição.

Mesmo sendo certo que já me começa a doer o corpo de manhã, já não me dobro como dobrava, e cada vez que tenho de levantar a perna para me escarranchar numa das minhas motos noto isso.

O medo de trilhar os tomates

Mas o que mais me preocupa e cada vez tenho mais temor, é de, um dia, sentar-me mais rapidamente que o usual e, sem querer, trilhar um tomate, ou os dois. A lei da gravidade de Newton a chegar a mim de forma assustadora.

Deveras e tirando o que disse antes, pouca coisa me faz lamuriar.

Há muita coisa que me irrita e provoca consternação mas, normalmente, tirando um ou outro adjetivo menos correto, que praguejo dentro do silêncio do meu capacete, não me queixo. Vivo feliz. Cheguei a uma idade que só ouço e aturo o que quero, ignoro o resto.

Eis o que me deixou triste. Há dias, no meu tranquilo passeio, enquanto ultrapassava um carro, fui passado à cão raivoso, num espaço já de si deveras apertado, por dois ou três tintos de coleção. Decerto oriundos de uma região demarcada de qualidade, tal era o festival de cores e números, em velocidades pouco tolerantes.

Caso desse para o torto, o pior era que iam eles e todos nós atrás deles.

Passaram por mim tão depressa que quase esbodeguei um traque com o susto. Sendo que já corro o risco de me sentar em cima de um dos meus tomates, vá lá que ainda tenho pleno controlo do esfíncter. Senão tinha-me desajeitado de forma malcheirosa.

Quando cheguei, consegui identificar o Shaka Zulu, o Strumpf e o Serafim Saudade, que alegremente gesticulavam, decerto a contar as vezes que diziam, ‘viste-me? viste-me?’ Eram uns putos ranhosos, sem buço ainda. Jovens, senti tristeza.

Dei comigo a pensar, que desde que passo mais tempo online, é rara a semana que não ouço falar, que testemunho ou leio sobre mais um pobre desgraçado que foi desta para melhor, na estrada.

Imbecilidades de putos ranhosos

Por culpa própria ou de outrem. É triste, e fico sempre com pena de ler sobre isso, mas senti um prazo de validade bem curto nos putos. Pensei nos meus filhos. Andam de moto, espero não sejam parvos.

Penso sempre nas mães e nas mulheres destes pobres infortunados, e acabo sempre a pensar que se quisessem, na maior parte das vezes, poderia ter sido evitado o pior.

Penso muito nisso, porque tento alegrar a minha mulher ao voltar a casa do meu passeio de moto. Nem imagino o que lhe passaria no coração, ficasse eu um dia sem regresso. Deus me livre.

Longe de mim ser pregador ou criticar a juventude e os artistas da estrada. Também fui jovem e inconsciente, na altura nada me acontecia. Morreram nada menos que 4 amigos meus na estrada, em motos. É muito.

Sinceramente, não me aquece nem arrefece o que fazem, desde que não me envolvam e não me misturem na porcaria que fazem, mas ao menos pensem nas mães e nos pais, não merecem tamanho golpe.

Só que desta vez vi-lhes as trombas ranhosas, putos imbecis, e desta vez tocou-me.

Onde é que isto vai parar?

Não quero saber dos gajos que curvam de joelho no chão, para a câmara do gajo que tenta ganhar uns cobres ao domingo numa curva qualquer. Tão pouco quero saber se sabem ou não que não é a melhor forma de curvar. Não quero saber se o fazem 200 vezes por dia, nada.

Quero é que não me chateiem, não venham para cima de mim, e de preferência voltem para casa.

Não sou hipócrita, nem nunca fui santo. Nem sequer era bem-comportado quando era mais jovem, admito. Mas estou aqui depois destes anos todos, porque sempre me recusei ser um vinho qualquer, e nunca o fiz desrespeitando os outros. Nunca! A prova é que estou aqui agora, na idade de me sentar em cima dos meus próprios badalos!

Onde vai parar isto? Eu acho que sei. E há que pensar bem nisto.

Pensem bem no que andam a fazer, não se esqueçam que os outros parvos, os políticos de caca, para se escusarem das suas responsabilidades, facilmente legislam, proíbem e castram as nossas liberdades por causa desta gaita.

Uma das poucas coisas boas que ainda podemos fazer, e que corre risco de acabar por culpa de uns chungas sem cérebro.

Acreditem nisto. Isto vai acabar mal, e pagaremos todos por isto. ‘Eles’ estão só à espera da oportunidade! E depois só vos resta ficar em casa a fazer macramé. Ou a andar de moto no jogo de corridas de moto onde se pode escolher ser o Marco Rossinchsky, o Uáine Xuántz e o Queni Dúan.

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