O dia amanheceu plúmbeo…

  • Texto: Isabel Vilas Boas
  • Fotos: Delfina Brochado, João Krull, Paulo Ribeiro e Isabel Vilas Boas

Começou assim a minha maior aventura motociclística enquanto condutora encartada. O Portugal de Lés-a-Lés era algo que há muito me despertava curiosidade.  No entanto, o prazer de viajar esbarrou sempre nos mais diversos contratempos e a aventura lá foi sendo adiada. Um desejo a cumprir, inscrito na minha ‘bucket list’ mas nada que me tirasse o sono. Comecei a ouvir falar destas andanças em 2007 e, em conversa com amigos, sempre disse que um dia o iria fazer, não à pendura (não achava que fosse algo entusiasmante e que impediria o condutor de se divertir à grande) mas sim a conduzir. O problema era que não tinha carta, nem moto, só vontade…ok, ok, alguma vontade.

Aos 40 anos, após me ter sido oferecida uma Honda PCX 125 e tomado o gosto à coisa, lá fui tirar a carta, achando eu que me daria motivação acrescida para subir de cilindrada. Não aconteceu e passados 7 anos, continuo rendida à minha Honda PCX 125, agora numa versão mais evoluída, continuando a ser, para mim, a melhor moto do mundo.

A foto ‘obrigatória’ no Km 0

Quis o destino que, nos últimos sete anos e já devidamente habilitada para participar até com uma moto grande, o Lés-a-Lés fosse romaria anual de que muito ouvia falar mas que, por um motivo ou por outro, nunca contou com a minha presença. Faltava o click para aceitar o desafio e meter rodas à estrada. E eis que surgiu a edição 23.ª do Portugal de Lés-a-Lés, com um percurso super especial, tendo por espinha dorsal a famosíssima N2 (que, já agora, também nunca tinha feito…). Juntou-se assim a fome à vontade de comer e como sou uma moça dada à culinária, lá me decidi a aproveitar este caldinho.

Não fosse a chuva arrefecer os ânimos

E assim, feita a indispensável apresentação, voltamos ao céu plúmbeo… Afinal um dos grandes dilemas de qualquer motociclista, vestir ou não o fato de chuva. Sim, vesti, pois ia para lá do Marão e a probabilidade de chuva era grande. E ainda bem que o fiz porque o nevoeiro e a chuva miudinha foi companhia, mesmo sem convite, até Vila Real, IP4 acima. Depois, bem mais agradável, prosseguiu a viagem, mais simpática com ajuda de um sol sorridente, até Chaves, com direito a primeiro treininho de N2. Primeiro objetivo cumprido, havia que informar a família a amigos que tudo tinha corrido na perfeição, o que foi uma desculpa como outra qualquer para tirar a foto da praxe no marco do Km 0 da N2. O Facebook ajuda a poupar muito em chamadas telefónicas.

É que estas coisas acabam por ser como as fotografias no dia do casamento. Dizemos sempre que não fazemos pose nem tiramos fotos patetas em atitudes melosas e depois é o que se vê. Álbuns que parecem enciclopédias familiares e vídeos que se assemelham a longas-metragens com figurinhas de que, invariavelmente, acabamos por nos rir.

O ambiente extremamente agradável das verificações mesmo ao lado do rio Tâmega

A viagem, feita na véspera do arranque do grande evento, permitiu depois sentir um pulsar diferente, uma agitação única na cidade, logo pela manhã do dia Passeio de Abertura. Do hotel tinha vista privilegiada sobre o local das Verificações Técnicas e Documentais, onde chegavam motos de todos os cantos do país, onde centenas e centenas de motociclistas recebiam os seus kits, com road-book, coletes e autocolantes, e onde era atestada a conformidade das motos com os regras do Código de Estrada. Tal como a minha PCX, com os documentos em ordem, piscas e luzes a funcionar sem problemas e pneus com piso suficiente para os mais de 1000 quilómetros que aí vinham.

Reencontro de amigos e os primeiros pastéis

Grupos de amigos que se juntavam mais uma vez, muitos com doses de experiência que os autocolantes deixavam adivinhar, outros, como eu, principiantes, mas todos desejosos de começar a rolar. Tempo de observação, de ver caras conhecidas, surpreendidas por me verem por ali, e para aproveitar para comer um Pastel de Chaves e tomar um café. E sempre com uma banda sonora que me era desconhecida por completo, com o ruído da fita-cola a ser desenrolada e cortada para colar as páginas a enrolar no leitor de road-book.

Feitas as verificações, com hora marcada, distanciamento físico, máscaras e álcool gel com fartura, o dia continuava livre, sem horário específico para quem quisesse abalar para o Passeio de Abertura. Com um nervoso miudinho, próprio de quem nunca tinha feito nada o género nem rolado no meio de tantas motas, a primeira dificuldade… ler e interpretar um road-book enquanto ia pela estrada fora. E isto sem nunca esquecer que sou uma motociclista da cidade, apenas habituada a andar pelo meio dos carros a velocidades relativamente baixas.

Logo à saída, um gancho, daqueles bem apertado… uma coisa banal para a maioria, uma dor de cabeça para mim. Com duas ou três manobras lá o superei. O mesmo iria acontecer com todos os ganchos que encontrei ao longo dos 1331 quilómetros feitos até Faro. Não foram abordagens muito ortodoxas, mas foram sendo superados, mesmo nas situações mais complicadas, e sempre sem cair.

A primeira queda… em erro

Mas, um Lés-a-Lés sem quedas – mesmo que seja apenas para o lado – é quase como um jardim sem flores. Foi o que me disseram. A primeira vez que caí foi na asneira de não seguir as indicações do Senhor Ernesto Brochado, autor do road-book, e não ter lido o dito. E assim, ao chegar ao acesso do Castelo de Monforte do Rio Livre, quando começo a ver terra batida e pedras soltas… pensei logo que era engano e que tinha de haver uma estrada alternativa de asfalto. Não havia. Sorte foi o meu guia VIP que me foi indicando a melhor abordagem ao terreno e a lembrança dos muitos avisos: “não cortes gás na areia se não cais”. Enfim, 3 kms que pareceram uma eternidade.

Primeiro teste em off-road! O que aprendi? No essencial a ler e preparar o road-book com antecedência…

A partir daqui foi uma viagem serena e tranquila até Vilarelho da Raia para dar duas de conversa com os Guardas Fiscais portugueses e espanhóis que lá estavam a receber e a questionar o que os participantes tinham “a declarar”. O percurso até Chaves foi feito sem sobressaltos e, não menos importante, sem me perder, embora tenha questionado algumas vezes se não me teria enganado a ler o road-book. Colocar quilómetros a zero em movimento… isso só lá mais para a frente.

E aí estava a 1.ª etapa, a verdadeira estreia no Lés-a-Lés, com nada menos de 245 kms a percorrer. Ah, mas agora já não ia ao engano! Na noite anterior, verdadeira rookie nestas andanças, tratei de ler o road-book e assinalar as surpresas que me esperavam. O drama era que nunca tinha andado tantos quilómetros num dia e ainda a coisa estava a começar.

A primeira de muitas fotos ao lado de marcos… Este do tempo dos romanos!

Saí cedinho, ainda não eram 7 horas (nem para trabalhar saio tão cedo de casa…) e já havia muitas motos à minha frente. Valeu a pena porque as estradinhas de montanha cheias de curvas e as pequenas aldeias iluminadas pelos raios de sol da manhã foram um verdadeiro consolo para a alma. O ar puro e as palmas à passagem da caravana eram uma constante e assim seria até Faro, prova indelével do que representa este evento para as populações visitadas pela enorme caravana.

Como as vistas não são suficientes para alimentar o corpo, ao longo do percurso começaram a aparecer os Oásis, autênticos pontos de paragem obrigatória para colocar o carimbo no passaporte e tratar da linha. Que nem só de ar vive a Mulher! Em Vila Pouca de Aguiar comi algo que desconhecia e que aconselho a provar. O Doce de Castanha mais conhecido como Doce Aguiar, e a Empada de Cogumelos cujo nome oficial é o Pastel Aguiar. Criadas em 2015 pelo Chefe Luís Tão, estas iguarias visam promover dois dos produtos naturais mais emblemáticos da região, naturalmente a castanha e o cogumelo.

Uma rotina gastronómica que continuou nos pontos de paragem seguintes, enquanto se aproveitava para esticar as pernas e colocar o carimbo no passaporte. Na Régua, claro, não podiam faltar os famosos rebuçados, com os não menos famosos pregões das senhoras que, de há muitos anos, esperavam os comboios e camionetas que ali chegavam e agora continuam a apregoar para todos os forasteiros. Rebuçados que ganharam esta designação há cerca de 200 anos, a partir do momento em que passaram a ser embrulhados em papel, mesmo sendo originários da época romana, então conhecidos apenas como doces de açúcar e fabricados à base de mel e limão. Considerados afrodisíacos, os Romanos atribuíam-lhes poderes de restituir ‘as forças para as artes de amar. Aconselho sempre a levar alguns para casa … just in case!

O calor a aumentar e as curvas a crescer

Da Régua a Lamego, uma boa dose de curvas da N2, abrindo apetite para a famosa bola de carne, cujo deleite gastronómico esconde, como não podia deixar de ser, uma bela estória da História de Portugal. Reza a lenda que, em 1139, D. Afonso Henriques foi aclamado Rei de Portugal na Igreja de Almacave e, dada afluência de comensais à cidade, a comida podia escassear. Nada que qualquer português não saiba como desenrascar e, assim, logo juntaram à farinha do trigo as carnes de porco salgadas, fumadas ou em vinha d’alhos, e levadas a cozer em forno de lenha originaram a famosa Bola de Lamego, hoje em dia confecionada com diversos recheios.

Para além da gastronomia, a cultura e arte popular foi presença constante nos pontos de paragem e, em Castro Daire, as paisagens serranas foram sublinhadas com trajes regionais e uma amostra da arte de pastorear, com um rebanho de cabras e ovelhas onde nem faltou o ‘chibo da guia’, bode mais experiente que ajudava a guiar o rebanho durante os períodos de transumância entre as serras da Estrela e de Montemuro. Para aconchegar o estômago nada como um Bolo Podre de Castro Daire. Pão doce à base de farinha, açúcar, ovos, manteiga, banha, azeite e canela que, inicialmente era feito por alturas da Páscoa, embora nos dias de hoje seja produzido durante todo o ano. Apesar de ter o mesmo nome do seu congénere alentejano, os modos de confeção e ingredientes são muito diferentes, sendo este um bolo lêvedo que, por ficar a levedar de um dia para outro, achava-se que iria ficar podre e daí o nome pelo qual ainda hoje é conhecido.

De barriguinha mais composta e alma lavada pelas imponentes paisagens da serra de Montemuro, nota para a passagem pela famosa e muitas vezes citada aldeia do Colo de Pito, descobrindo que, ao contrário do que podem imaginar muitas mentes perversas, tem uma origem completamente diferente. Querem saber qual? Lessem o road-book ou perguntem ao tio Google

Para quem nunca se viu nestas andanças, o tempo parece acelerar, ganhar outra dimensão, tantas as surpresas que nos esperam ao virar de cada curva, ao desfolhar de cada página de um menu repleto de iguarias. Por isso, a viagem até São Pedro do Sul foi um tirinho. Cheguei ao palanque cansada, mas feliz! Tão feliz que ao parar a moto achei que ela já se aguentava sozinha e pimba, lá tombou para onde não devia. Uma pequena tatuagem para a posteridade na carenagem: “São Pedro do Sul 2021”.

Quem tarde se levanta, trânsito apanha…

No dia seguinte, tempo para a 2.ª etapa rumo a Abrantes. Acusando a falta de experiência, saí um pouco mais tarde, mas não sem antes ler o road-book. Não começou mal, mas número de motos a rolar era bem maior do que no dia anterior e vi-me muitas vezes engolida por um pelotão de motas de alta cilindrada que me deixavam um pouco nervosa ao ultrapassarem a velocidades elevadas e nem sempre no melhor local ou no timing mais adequado. Sou pequena, na moto como na altura, mas tenho tanto direito à estrada como eles! Esta situação obrigou-me a ter cuidados redobrados e estar sempre atenta aos retrovisores e às mudanças de direção.

Nada a que uma pessoa não se habitue, mesmo sendo um comportamento desnecessário num passeio que não uma qualquer prova de velocidade. Voltemos à estrada e à paragem na Sé de Viseu ou em Santa Comba Dão com passagem pela imponente barragem da Agueira, seguindo-se o belíssimo Oásis de Penacova. Onde umas senhoras muitos simpáticas ajudavam a matar a sede, com água de Penacova (pois claro!…) e propunham a prova do famoso Pastel de Lorvão. Doce feito à base de açúcar, gemas, amêndoa e canela, com origem história no Mosteiro de Santa Maria de Lorvão e que era oferecido pelas monjas a quem por lá passava. Tratando-se de uma forma moderna de peregrinação, também os viajantes deste Lés-a-Lés foram brindados com esta iguaria deliciosa.

Rolando ao longo do Mondego, com tempo para uma olhadela para os livros da milenar Livraria do Mondego, a paragem seguinte foi em Vila Nova de Poiares. Mais um carimbo e o reencontro no Café Central com as três minhotas que estavam a fazer a N2 numa carrinha Renault 4L, velhas conhecidas desde… Santa Marta de Penaguião, na véspera.

A partir daqui, estrada maravilhosa, cheia de curvas e paisagens de montanha até à chegada à sede do mítico Góis Moto Clube. Mais um carimbo e a possibilidade de passar por uma ponte pedonal em madeira. Já tinha assinalado este ponto no road-book e achei que não seria boa ideia, tanto mais que o caminho até lá era uma mistura assustadora de terra batida, coberta de ervas altas que, sabe-se lá o que escondia. Mas aventura é aventura e… aventurei-me. Um espetáculo! Mas depois tive de parar e descansar um pouco à sombra, enquanto petiscava qualquer coisa, que isto começava a ser muita emoção para mim.

Entre conversa com simpáticos madeirenses ou outros principiantes como eu e a escolha do próximo capacete no stand da NEXX, tempo para mais uma bomba calórica que apenas existe nesta belíssima vila beirã. As Gamelinhas de Góis são feitas de castanha, noz, mel e canela e apresentadas numa espécie de tijela de massa tenra e que são um exclusivo da Pastelaria Kentidoce.

No meio está a virtude… e o Picoto da Milriça

De volta à estrada, mais curvas pela Serra da Lousã com passagem e paragem em Pedrogão Grande e na Sertã, rumo ao Centro Geodésico de Portugal, em estreia absoluta na subida ao Picoto da Milriça, de onde é possível apreciar uma vista panorâmica magnífica. A partir daqui o percurso continuou cheio de aldeias pitorescas, muito xisto, muitas ribeiras e muita alegria até chegar ao Sardoal. Tão pequena e tão linda esta aldeia! Ao passar pelo meio da aldeia, os habitantes sorriam e batiam palmas, havia indicações do percurso a seguir, as ruas estreitas e com um piso polido a parecer godos da praia eram um tormento para a pequena roda de 12 polegadas da PCX, mas, ainda assim, adorei.

Aqui é o centro geodésico de Portugal! O centro geométrico fica uns quilómetros ao lado, já no concelho de Mação.

À chegada a Abrantes, a passagem pelo palanque ditou o final de mais uma etapa em grande, com várias superações físicas e psicológicas assim como uma satisfação acrescida perante a minha prestação. Quando parei, certifiquei-me de que o descanso lateral estava bem posicionado, que isto de colecionar tatuagens é melhor ficar para mim e não para a minha PCX. Várias pessoas vieram ter comigo a questionar se estava bem, se precisava de alguma coisa, uma preocupação verdadeiramente genuína perante alguém a quem tudo aquilo soava a novidade.

Os pampilhos de Santarém e os doces alentejanos

Hora de descansar, ler o road-book e planear a 3.ª e última etapa até Faro. Dois terços do percurso já estavam feitos e sentia-me mais confiante em chegar a bom porto. A última etapa ia ser uma verdadeira prova de superação: 387 km pelas intermináveis retas do Alentejo e sempre na companhia de temperaturas altas, e, depois, atravessando a Serra do Caldeirão até Faro. Por este motivo às 06h10 já estava a caminho. Não sem antes sermos presenteados com um pequeno-almoço que incluía Pampilhos, esses bolos tradicionais de Santarém que se caracterizam pela estrutura comprida e fina, criados em homenagem aos campinos que nas suas lides usam uma vara comprida para conduzir o gado. Que, ora adivinhem lá, como se chamam?… Doces feitos à base de açúcar, manteiga, ovos e farinha com recheio de ovos moles e canela que, felizmente, estão longe de ser a bomba doce que aparentam. Por mim tinha comido uns três ou quatro… Se quiserem conhecer melhor esta iguaria a paragem obrigatória é na Pastelaria Bijou, em Santarém, a meca dos Pampilhos.

Sentir o amanhecer, o fresco da manhã e sem motas excessivamente rápidas por perto era algo que me agradava e fazia sentir bem. Levava a música a tocar no Midland, contribuindo para uma enorme sensação de descontração e felicidade. Primeira paragem em Ponte de Sôr para mais um dos 35 carimbos e nova passagem por uma ponte pedonal. Já estava a ficar uma expert nestes desafios 😉

A passagem pela Ribeira de Andreu é que não aconteceu. Para mim, claro está, que o meu espírito aventureiro não dava para tanto. E ainda bem já que o fundo de areia mole e água pelo tornozelo era demais para mim. Como foi, também, para muitos ousados aventureiros que ficaram com os pés molhados e alguns até decidiram ali mesmo dar um banho completo à moto.

A Casa Real, o Convento de Jesus e o marco de mármore

Seguiu-se a passagem por Aviz, Mora e Coruche a caminho de Montemor. As estradas permitiam rolar a uma boa velocidade e sem percalços. Paragem em Ciborro para mais uma foto daquelas junto ao marco miriamétrico, no caso o dos 500 km e único em mármore ao longo de todo o percurso, e paragem em Montemor-o-Novo para mais um lanchinho de meio da manhã e apreciar as vistas ao passar em redor do castelo. O percurso continuava espetacular, nada cansativo com muitos montados e olivais e o Alentejo estava surpreendentemente verde, oferecendo uma maior intensidade cromática à viagem.

Ao chegar a Alcáçovas, fomos surpreendidos com mais uma orgia gastronómica. Para além dos sons característicos dos chocalhos, a oportunidade de descobrir enorme surpresa, bem escondida dentro de uma caixa, para degustar à sombra de uma das muitas árvores do jardim local, as iguarias produzidas pela Casa Maria Vitória. Do Bolo Real, feito de ovos, açúcar, amêndoa e doce de gila, conhecido desde o Séc. XV, tendo surgido no Convento de Jesus, em Alcáçovas, até à Queijada de Requeijão. Esse doce tradicional do Alentejo, que era acompanhada, na caixa, por uma Empada de Galinha, cujo peculiar sabor fica a dever-se à confeção da massa com a gordura da própria galinha, mas também por um Pastel de Vitela, de massa tenra e um picado de paladar suave, além do doce de tomate para comer com um mini pão alentejano.

E para o outro elemento da equipa, a opção, para variar, passava por uma caixinha da D. Margarida Ilhéu, com folhado de salsicha, folhado misto, Queijada de Requeijão e Bolachas de Ananás, Areias de Canela e Bolinhos de noz e passas. Enfim, uma dádiva para o paladar que evitava pensar na desgraça que era para a linha. Rendida fiquei à Bolacha da N2, a representar um totem da N2 e que agora decora uma das prateleiras do escritório cá de casa.

Não foi nada fácil fazer-me à estrada depois de provar algumas destas iguarias, mas lá segui caminho, já com o calor a começar a fazer-se sentir. A paisagem continuava a ser uma grande novidade para mim como para a maioria dos motociclistas, num Alentejo de imagem que a todos surpreendeu pela cor pouco usual nesta altura do ano. Mais umas paragens para os imprescindíveis carimbos e eis-nos chegados a Aljustrel, com subida à Senhora do Castelo onde voltaríamos a encontrar as minhotas da 4L, avistando o complexo mineiro onde, dizia-nos o road-book, iriamos passar de seguida.

A aventura em off-road e o gozo do Caldeirão

Honestamente não estava à espera de tanta terra e pedra solta e tenho pena de todos os que estavam a rolar atrás de mim pois, embora não tenha andado a passo de caracol, não me estiquei para não ficar ali esparramada. A recordação das dicas do Passeio de Abertura voltou a dar imenso jeito.

Chegada a este ponto, apenas me faltava ultrapassar a Serra do Caldeirão para começar a sentir a brisa do mar. Este troço da N2 é adorado por todos aqueles que gostam de estradas com curvas a um nível que vai muito além da minha compreensão e por sido receava que, dado o meu ritmo alucinante acabasse por ser uma empata para os curvadores oficiais. Quis o destino que, à hora que percorri os 52,7 km em causa, os deuses do asfalto estivessem do meu lado e fiz toda a serra ao meu ritmo e sem me preocupar com o que vinha atrás de mim. Um verdadeiro ESPETÁCULO e um privilégio que irei lembrar para sempre. Nunca tinha curvado tanto e tão bem, numa experiência que me ajudou a perceber o gozo de gastar os pneus até aos limites. Ok, ou quase.

Próxima paragem, São Brás de Alportel. Engalanada para nos receber e com algo mais para reconfortar o estômago. Arrufadas de S. Romão, um bolo de massa lêveda com um sabor inconfundível a erva doce.

Daqui até Faro, já cheia de vontade de chegar ao palanque, o trânsito começou a aumentar, mas essa já era a minha praia, passando sem problemas por entre filas de automóveis parados. Última paragem na placa indicativa de Chaves para a última foto da praxe e seguida para o palanque.

Recebida com entrevista e fogo de artifício senti-me a última bolacha do pacote. Todos aplaudiam, todos davam os parabéns e, feita uma análise no local, assim a quente, acho que não me portei nada mal, no meio de tanta moto potente, de tantos bons condutores e outros assim-assim mas com aspirações a campeões do mundo.

Aventura terminada, Lés-a-Lés concluído, N2 feita. Camaradagem, simpatia, entreajuda. Tudo funcionou ao longo deste nosso magnífico Portugal. E se querem saber se voltarei a fazer o Portugal de Lés-a-Lés? Bem, como sabem os que me conhecem bem, eu é mais bolos…

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