Motocrosse olha pelo ambiente com o sistema ‘verde’ da ProGrip

Nas primeiras provas internacionais de pré-época de motocrosse desta temporada era percetível algo de pouco habitual no capacete do piloto italiano da Red Bull KTM Factory, Mattia Guadagnini. A marca italiana de equipamento e acessórios, Progrip, há algum tempo que estava de olhos postos no impacto ambiental que a modalidade acarreta e na maneira de mitigar parte do problema.

Terra, lama, barro. ‘tear-offs’ como vos quero!
  • Texto: Fernando Pedrinho
  • Imagens: Red Bull KTM, Align Media, LCR Honda, Progrip

Desde os tempos idos da modalidade que as projeções de lama e água para as lentes dos óculos de motocrosse são uma realidade. Soluções como o paninho à cintura ou a tira de feltro no dedo indicador foram algumas das táticas utilizadas para liderar com a lama e barro pegajoso. A questão é que nada disto servia de muito e, não raro, era ver pilotos a terminaram mangas de motocross, secções cronometradas de enduro, ou etapas de bajas e rali-raides, realizados debaixo muita chuva em terrenos enlameados, já sem os óculos e com os olhos vermelhos e chorosos de tanto pestanejarem sobre areia, terra e água.

Ali para os finais dos anos oitenta, começaram a surgir uns dispositivos bastante práticos que a pouco e pouco se foram aperfeiçoando. Ainda me lembro de, nas minhas provas de todo-o-terreno, como o mítico Portalegre, estes sistemas de limpeza de visão eram algo obrigatório na caixa ou saco de equipamento, que acompanhava os pneus, os bidões de gasolina e a caixa de ferramenta.

No sistema descartável ‘tear off’, quando a lâmina fica suja o piloto só tem de puxar pela pega plástica (que se vê do lado direito do capacete, olhando de frente), dando lugar a uma nova e limpa que se encontra imediatamente atrás da unidade substituída.

O sistema de ‘tear off’ consiste num conjunto de lâminas de policarbonato, que há quem chame de ‘micas’, colocados sobre a lente de origem e que, à medida que vão acumulando sujidade podem ser retiradas puxando por uma das extremidades.

Outra alternativa são os ‘roll-off’, nas quais uma bobina de filme transparente, que passa junto à lente dos óculos, é puxada por um cordel e enrolada noutra bobina localizada no extremo oposto da armação dos óculos.

É habitual os pilotos de velocidade utilizarem um ‘tear off’ que retiram quando chegam à grelha de partida, após a volta de aquecimento e antes da largada. Nesta foto, notem na viseira os dois pontos de encaixe e a tira personalizada com o número 73 de Alex Marquez.

Sem querer entrar em detalhes sobre qual destes sistemas é o melhor, os ‘tear offs’ espalharam-se por todas as modalidades, desde a Fórmula 1 à MotoGP. Então qual é o problema que este sistema apresenta?

O mesmo das garrafas de abastecimento no ciclismo, por exemplo. Quando usadas atiram-se fora e se ninguém as apanhar ficarão no meio ambiente por muito tempo, pois a decomposição de material plástico pode tardar umas dezenas largas de anos. Isto se não forem arrastadas por um curso de água e terminarem a sua vida num redemoínho de lixo, em pleno oceano ou numa praia qualquer do planeta.

Imaginem, agora, que num fim de semana há milhares de pilotos em competição, seja em circuito fechado ou em terreno aberto. Obviamente que ninguém pára para recolher estas micas que se passam a acumular às dezenas de milhar nas áreas de maior atividade motorizada. Isto já para não falar no episódio bizarro que se passou com Jack Miller quando a sua Ducati Desmosedici de MotoGP – ainda na equipa Pramac – ‘engoliu’ uma mica deitada fora por Fabio Quartararo na grelha de partida, o que obrigou o australiano ao abandono, depois de esta se ter alojado no sistema de admissão impedido a correta respiração do V4.

O sistema ‘verde’ da ProGrip está patenteado e cumpre com as novas regras do motocrosse, que impede os descartáveis de serem deitados fora, como as lâminas usadas dos óculos.

Com a FIM e todas as entidades responsáveis do motocrosse a olharem para este problema – que ‘bem explorado’ poderia levar ao encerramento de áreas de lazer ou ao cancelamento de certas provas em regiões mais sensíveis ao impacto ambiental – a Progrip olhou para o problema (que não se coloca nos sistemas de enrolamento de filme, ou ‘roll off’) e patenteou um sistema super simples e prático que cumpre com o estabelecido no regulamento da modalidade em que não é permitido atirar fora material, como as lâminas dos sistemas descartáveis, ou ‘tear off’.

O cabo ligado ao capacete e à lente dos óculos impede que as lâminas descartáveis se percam pelo ambiente quando retiradas. Dá até para perguntar: porque é que ninguém se lembrou disto antes?

É de uma forma fácil de entender que o ‘Green System’ da marca italiana funciona e que veio dar nova vida e competitividade a esta opção, ao permitir reter as lâminas descartáveis junto do piloto. Existe um cabo que está ligado ao capacete, numa das extremidades, e cuja outra está conectada com a lente dos óculos. Assim, quando o piloto puxa pela tira que lhe permite descolar a lâmina externa descartável, esta fica retida pelo cabo, não caído para o chão, contaminando-o. A lâmina que fica exposta é usada até ficar suja e o piloto a retirar, dando lugar à que está por baixo e mais limpa, repetindo-se o processo sempre que necessário até ao fim da manga ou da etapa / secção cronometrada. O resultado final não é bonito, mas é limpo, prático e amigo do ambiente!

Por poucas dezenas de euros a ProGrip resolveu o problema que muitos anteviam fosse a extrema unção dos sistemas de ‘tear off’ face aos de enrolamento.

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