Kawasaki ZXR 750R, Fulminante !

A Kawasaki não podia ter escolhido melhor designação para o modelo com que decidiu atacar as suas concorrentes em pista. A Ninja revelou-se uma adversária temível, vencendo em todos os campos de batalha.

  • Texto Alberto Pires
  • Fotos Alberto Pires, Alberto Sousa

A Kawasaki é uma marca de momentos fortes. Não está permanentemente em cena, e tanto sai como entra quando menos se espera. A única garantia é que quando decide avançar não tem outro objetivo que não seja a vitória.

A meio dos anos ’80 a Kawasaki não brilhava em pista a nível mundial já que a sua GPX 750 estava demasiado ultrapassada para acompanhar os modelos desportivos das restantes marcas japonesas. Em 1988 é dado um sinal de que algo estava para acontecer quando a marca alinhou no mundial de resistência com uma GPX demasiado diferente da original, tanto na configuração estética como ciclística. No ano seguinte é apresentada a ZXR 750, batizada para o mercado americano como ZX7 Ninja, e a intenção era evidente, vencer nas várias disciplinas e deixar bem claro no mercado o posicionamento desportivo dos seus modelos.

O resultados desportivos falam por si. A estreia no mundial de SBK em 1990 foi excelente, com Doug Chandler a vencer na Austrália e na Nova Zelândia, terminando o campeonato no 4º lugar. No ano seguinte sobe um degrau na classificação final do campeonato ao terminar por sete vezes no segundo posto. Em 1992 Aaron Slight e Rob Phillis são quem mais discutem a vitória com a Ducati, vencendo três provas e fazendo por seis vezes a volta mais rápida, e no ano seguinte a ZXR chega finalmente ao título, com Scott Russell aos comandos, depois de vencer cinco provas e chegar em segundo onze vezes.

Aaron Slight completaria este quadro terminando em terceiro. Para rechear devidamente este ano de 1993 esta dupla de pilotos vence também as 8 Horas de Suzuka. A envolver este ano dourado, as vitórias de Scott Russell em Daytona em ’92, ’94 e ’95, e os quatro títulos consecutivos em resistência entre ’91 e ’94, colocam definitivamente a ZXR num lugar de destaque no panteão das motos desportivas.

Foram três as versões distintas da ZXR 750, entre 1989 e 2003, com pequenos ajustes de pormenor sobretudo nos primeiros anos. Para além disso foram criadas 5 versões “R” destinadas a servir de base à competição. A ZXR 750R deste contacto é a de 1993, designada M1. Curiosamente a Kawasaki optou por manter a estética muito aproximada, sendo o banco monolugar a alteração mais evidente. Já em termos ciclísticos é enorme a diferença.

O depósito é em alumínio, as suspensões são multi reguláveis na frente e traseira, o quadro é diferente e o pivô onde o braço oscilante é fixado é ajustável. No motor as alterações são de igual importância. As árvores de cames são distintas, os carburadores são FCR 39, as bielas em titânio, a caixa de velocidades tem as relações aproximadas e a embraiagem é deslizante. Não sendo manifesta a preocupação, ainda assim o peso final recuou 5 quilos.

Tive uma ZXR 750, durante dois anos, e recordo-me bem dela. Tinha a posição de condução mais radical das “sete e meio”, mas nesta versão “R” as coisas complicaram-se ainda mais. Os punhos continuam a suportar o corpo, sendo acentuado o esforço exigido pelo reduzido amortecimento das suspensões, mas como o comportamento deste motor é menos redondo tudo se torna ainda mais físico. A “culpa” é das árvores de cames mais agressivas e dos carburadores FCR, que não ajudam a que a aceleração seja fluida até que se passem as 4.000 rpm. Para além disso, a primeira velocidade mais longa acentua o esforço e a suavidade no acelerador para que seja possível rodar devagar sem hesitações. A caixa é seca, rápida e precisa, mas o acionamento hidráulico da embraiagem obriga a mais força que o habitual. O acelerador é igualmente viril, tornando todo o conjunto cansativo quando rodamos devagar ou em cidade.

Em estrada aberta tudo vai melhorando progressivamente, mas não deixa de obrigar a que se meta a frente com decisão. Ou seja, temos que estar permanentemente a conduzir, funciona como um bloco, não se deixando embalar ou guiar com um ligeiro tombar do corpo, pressão nos joelhos ou alívio no acelerador. Este motor, apesar de declarar sensivelmente a mesma potência da versão civilizada tem um comportamento distinto, apresentando uma curva de potência constante que só inflete quando se atingem as 11.500 rpm. Sente-se que gosta de fazer rotações e o som proveniente do escape é complementado pela omnipresente conduta lateral do Ram Air. Este caráter adicionado à rigidez ciclística transforma-a numa fonte de prazer, transportando-nos com facilidade para os momentos de glória que viveu e proporcionou.

Foram produzidas cerca de 1100 unidades desta versão. Julga-se que vieram para Portugal apenas cinco unidades. Custava na altura 2700 contos. Não é um modelo que se encontre com frequência à venda no mercado europeu de usados, não sendo assim possível calcular um valor médio. Ainda assim, se encontrarem, é uma aposta segura!

  • Ficha Técnica
  • Kawasaki ZXR 750R
  • Preço: 2700 contos (1993)
  • Caraterísticas
  • Motor
  • Tipo: 4T, quatro cilindros, refrigeração líquida
  • Distribuição: DOHC, 4 válvulas p/cilindro
  • Cilindrada: 749 cc
  • Diâmetro x curso: 71 x 47,3 mm
  • Potência declarada: 121 cv às 12.000 rpm
  • Binário declarado: 7,2 Nm às 9.000 rpm
  • Alimentação: 4 carburadores Keihin FCR 39 mm
  • Arranque: Elétrico
  • Embraiagem: Em banho de óleo
  • Caixa: Seis velocidades
  • Ciclística
  • Quadro: Dupla trave em alumínio
  • Suspensão dianteira: Forquilha telescópica com 41 mm de diâmetro ajustável em pré carga, compressão e extensão, com 120 mm de curso
  • Suspensão traseira: Monoamortecedor com 135 mm de curso, ajustável em pré carga, compressão e extensão.
  • Travão dianteiro: Dois discos de 320 mm, assistidos por pinças Tokico de quatro pistões
  • Travão traseiro: Disco de 230 mm, com pinça de 2 pistões
  • Roda dianteira: 120/70-17’’
  • Roda traseira: 180/55-17’’
  • Peso e dimensões
  • Distância entre eixos: 1.420 mm
  • Altura do assento: 800 mm
  • Capacidade do depósito: 17 L
  • Peso a seco: 200 kg

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