Kawasaki Z650. A família em primeiro lugar

Nova por dentro e por fora, a Kawasaki Z650 revelou dotes dinâmicos de eleição. Do motor sempre disponível à ciclística de grande eficácia, com destaque para travagem muito potente e bem doseável, mostrando-se fácil e divertida.

  • Texto: Paulo Ribeiro
  • Fotos: Kawasaki/Rui Jorge

Evolução natural da ER-6n e muito mais do que simples porta de acesso ao universo Z, a Kawasaki Z650 oferece imagem mais agressiva, condizente com a maior vivacidade. Proposta aliciante para quem procura diversão sem abdicar de enorme facilidade. No dia a dia como nas mais entusiasmantes escapadas, destacando-se pela agilidade e surpreendente dinâmica

Desde logo com linhas mais consensuais que a bem-sucedida antecessora ER-6n, a Kawasaki Z650 ganhou ADN familiar, com imagem marcante e atual. Linhas compactas e traços felinos, que, sem ser espalhafatosa, a torna incapaz de passar despercebida. Integrada no catálogo Z, degrau entre a acessível Z300 e as excitantes Z900 e Z1000, concilia atributos que a tornam apetecível a alargado leque de utilizadores.

Dos menos experientes, seduzidos por facilidade que começa com dimensões e peso contido, aos mais rodados, graças a eficácia que permite ritmos deveras interessantes nas mais recurvadas estradas de montanha. Onde a rapidez e leveza nas mudanças de direção proporciona fácil condução. Como nas divertidas curvas de acesso ao Caramulo! Onde a Multimoto, importador nacional da marca de Akashi, desvendou modelo que partilha bloco de dois cilindros paralelos com a Ninja, Versys e Vulcan S.

Leveza absoluta para máxima diversão

Aliás, motor e suspensão dianteira, ainda que com alterações, são elos únicos ligação à ER-6n, surgindo unidos a novo quadro. É mais mais leve, com apenas 15 kg, enquanto o novo braço oscilante assimétrico, em alumínio prensado, pesa 4,8 kg. O que garantiu redução total de 19 kg face à anterior naked . Leveza que explica boa parte da facilidade sentida desde o primeiro momento, ajudada em cidade pela reduzida altura do banco e linhas esguias na zona do depósito.

E que assim permite facílima colocação dos pés no solo, mesmo aos condutores/as mais compactos, sem, no entanto, prejudicar a arrumação das pernas dos mais altos. Além de que o baixo centro de gravidade (juntamente com o peso contido) ajuda nas pequenas manobras mesmo com motor desligado.

Facilidade urbana (mas não só!) para os que, vindos das 125 cc, apreciarão a acertada ergonomia, beneficiando condução relaxada, com banco de excelente perfil. Confortável e de bom encaixe, minimizando fadiga mesmo nas viagens mais longas. Já as mãos caem de forma natural no guiador que, depois de sensação inicial de alguma estreiteza, confirma filosofia de proposta citadina e não de ‘street-fighter’ pura e dura.

Posto de controlo com boa visibilidade sobre o painel de design que prima pela diferença. Design irreverente que indica a velocidade engrenada mas com sistema de medição do conta-rotações que não é o de leitura mais intuitiva.

Com destaque para o peso contido e dimensões à medida de condutores/as de todos as alturas e pesos, a Z650 destaca-se por enorme agilidade, nunca é demais referi-lo!, mas também por inusitada vivacidade. O motor, evolução da ER-6n, perdeu 4 cv por força da adaptação à norma Euro4 mas ganhou na disponibilidade do acrescido binário. E permite acelerações, vivas e lineares, desde as 2000 rpm, sem soluços ou hesitações no trânsito.

Motor sempre disponível

O trabalho dos técnicos da Kawasaki na busca de maior suavidade foi coroado de êxito. Reduziram as batidelas nos regimes mais baixos e as hesitações em aceleração. Excelente resposta desde baixas, em acelerações lineares, mas com forte carácter e animação reforçada para lá das 5000 rpm. Altura em que é sensível um formigueiro no banco (será de excitação ou de vibração?). No mesmo instante em que cada movimento do punho direito provoca intenso rugido do curto escape e forte sensação de velocidade. Sempre cheio, o motor é trunfo importante no jogo da facilidade, ajudado por caixa bem escalonada e embraiagem deslizante servo-assistida de enorme leveza. Facilidade que ajuda a esquecer alguma aspereza, ainda assim menos incomodativa do que na anterior ER-6.

Dinâmica de respeito assente em suspensão revista, com nova finação da da forqueta e colocação quase horizontal do amortecedor traseiro. Que peca pela difícil acessibilidade à regulação da pré-carga. Amortecimento cuja eficácia desportiva cobra juros na utilização mais tranquila, penalizando conforto nos pisos menos lisos, com reações algo secas.

Irrepreensível é a travagem dianteira, muito potente mas sempre fácil de dosear, com feeling acertado para os recém-chegados à categoria, evitando sustos. Já os mais experientes poderão usufruir da potência facilmente controlável em condução mais rápida. Pequeno degrau abaixo está o elemento posterior, com curso do pedal demasiado longo e sensação algo esponjosa, em modelo que é mais, muito mais do que simples ‘entry-level’, apesar de vocacionada para a mais ampla faixa de utilizadores.

Apesar de perder alguns cavalos relativamente à ER-6n, a Kawasaki Z650 ganhou na relação peso/potência e tem tudo (imagem, agilidade, dinâmica, travagem …) para ultrapassar a bem-sucedida carreira da antecessora. Cuja popularidade, traduzida em 121 mil unidades vendidas desde 2005, é mais-valia para modelo pensado para larga faixa de utilizadores, cativados pela diversão, eficácia e economia.

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