Góis homenageia FMP, Jorge Viegas e Tó Manel

  • Texto: Paulo Ribeiro
  • Fotos: João da Franca/GMC

A solenidade era grande. Afinal o Dia do Município é a altura ideal para distinguir os que mais contribuíram no engrandecimento do concelho e todos estavam reunidos no auditório da Casa de Cultura de Góis. Que, curiosamente (ou talvez não…) estava maioritariamente preenchido por motociclistas de todo o País, de Chaves a Faro, de Arganil ao Porto, de Ponte de Lima a Castelo Branco, de Sintra a Guimarães.

Motivo: A Câmara Municipal de Góis aprovou, por unanimidade, a proposta lançada pelo dinâmico motociclista, fundador e primeiro presidente do Góis Moto Clube, João Paixão, para homenagear quem ajudou a colocar a pequena vila beirã no mapa do motociclismo nacional.

Por isso, a justa distinção atribuída a “indivíduos e entidades que, de forma altruísta, têm vindo a colaborar em estreita parceira com a autarquia e o com o Góis Moto Clube na projeção do concelho de Góis como uma referência no mundo do mototurismo e do motociclismo desportivo”, conforme o parecer da edilidade presidida ao longo dos últimos 12 anos por Maria de Lurdes Castanheira, em reunião do executivo de 13 de julho deste ano, exatamente um mês antes da cerimónia.

Coube ao próprio João Paixão a tarefa de apresentar os homenageados, recordando as vivências motociclísticas e contributos para o universo das duas rodas de Jorge Pessanha Viegas presidente da Federação Internacional de Portugal, e António Manuel Francisco, presidente da Comissão de Mototurismo da Federação de Motociclismo de Portugal bem como, a título de entidade, à própria FMP.

Orgulhoso por ter na sua terra, na sua “aldeia” como fez questão de sublinhar, tais personalidades, aquele que foi o primeiro presidente do Góis Moto Clube enalteceu, perante os seus conterrâneos, as conquistas motociclísticas que levaram ao especial pedido para “homenagear quem, ao longo de uma história de cooperação e amizade que dura há mais de 30 anos, ajudou a colocar Góis no mapa do desporto motorizado e do mototurismo”.

Num discurso sentido, mas extremamente realista, João Paixão mostrou querer ainda mais para a sua terra, e lançou desafios para o incremento da atividade motociclística como forma de captar pessoas e investimentos para o concelho, através do aproveitamento de sinergias.

Considerando “a iniciativa Góis Moto Village como pontapé de saída do desenvolvimento sustentado para o concelho baseado na atividade motociclística”, lançou o repto aos futuros autarcas de “apostarem na construção de um museu dedicado à moto clássica e à moto desportiva”. Ideia consolidada ao longos dos últimos anos nas “conversas com os proprietários de dezenas de coleções de motos, algumas de muito valor, que se mostram preocupados com o futuro desse património já que, numa fase avançada da vida, não vêm quem de perto queira proteger esse acervo”.

Um desafio para “criar maiores atrativos em Góis” a que se seguiu outro, tendo como destinatários o presidente do GMC e das federações nacional e internacional de motociclismo presentes na cerimónia. Enaltecendo “a reconhecida capacidade organizativa do Góis Moto Clube para levar a cabo uma prova do Campeonato do Mundo de Enduro”, João Paixão lançou o repto para que “dentro de 2 ou 3 anos seja possível acolher um evento desse calibre”. Desafios de monta para Góis!

Também a Federação de Motociclismo de Portugal recebeu, enquanto entidade, a Medalha de Mérito do concelho goiense, na pessoa do presidente da Direção, Manuel Marinheiro, de imediato fez questão de a partilhar com o Góis Moto Clube. Porque, justificou, “aquilo que a Federação faz é apenas a sua obrigação de atribuir a organização de provas aos melhores, àqueles em que confia que elas serão realizadas com competência, com êxito e com a segurança dos nossos atletas e com inteira satisfação dos participantes no caso da concentração e dos Moto Ralis. Algo que o GMC tem demonstrado ao longo dos anos, possuindo uma excelente equipa que consegue renovar-se e que, apesar dessas renovações, os antigos dirigentes apoiam sempre as suas iniciativas. Por isso, esta é uma homenagem que a FMP tem que compartilhar com um dos clubes federados mais eclético”.

Manuel Marinheiro reiterou ainda “a importância da presença da FMP junto da comunidade, apoiando os clubes, atletas e motociclistas em geral, como acontece desde há muitos anos com Góis, uma vila que vive o motociclismo como poucos outros locais”. Afinal trata-se de um palco motociclístico por excelência, a vila plantada nas margens do Rio Ceira, que “já acolheu muitas provas desportivas e uma concentração que é das mais admiradas por portugueses e por número crescente de estrangeiros”. Manuel Marinheiro reconheceu que “tamanho entusiasmo deve-se a condições naturais de excelência e uma equipa organizativa de elevadíssimo nível, mas, sobretudo, ao entusiasmo e carinho com que as gentes da terra acolhem os forasteiros, numa simbiose perfeita”.

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