Garrett Gerloff: o próximo campeão WSBK?

Ben Spies é um tipo que não fala muito, mas quando abre a boca é natural que nos interessemos pelo que diz. O campeão mundial de Superbike de 2009 falou-nos sobre o compatriota Garrett Gerloff, com cuja a Yamaha YZF-R1 da equipa GRT Yamaha WorldSBK conquistou o título de melhor piloto independente em 2021.

  • Texto: Alex Ricci
  • Fotos: GRT Yamaha, WorldSBK, Fernando Pedrinho

Texano tal como Ben (apesar de este ter nascido em Memphis, no Tennessee), o campeonato de Garrett só a espaços foi convincente, e embora ele tenha mostrado um grande potencial, cometeu alguns erros que acabou por pagar caro ao longo da época. Gerloff tem sido apontado por Spies como um futuro candidato ao título, devido ao seu talento e à sua capacidade de estar nas quatro primeiras posições do campeonato. Se as declarações feitas pelo antigo campeão da Yamaha parecem simpáticas e otimistas, não o são inteiramente, considerando que ao único piloto norte-americano confirmado no Mundial ainda não foi oferecido um lugar numa equipa de topo. 

Ben Spies, em 2009, quando se sagrou campeão mundial no AIA Portimão.

O seu melhor resultado de 2021 foi um segundo lugar na segunda corrida da ronda britânica, em Donington Park, onde se “encaixou” entre Toprak Razgatlioglu e Tom Sykes, terminando no pódio no dia 4 de Julho, o feriado nacional dos Estados Unidos. “Se as coisas correrem bem, ele pode ganhar um título no Mundial de Superbike”, disse-nos Ben Spies. E afirma que o jovem de 26 anos precisa de um círculo à sua volta – como foram os casos de Toprak e Jonathan Rea, ambos pilotos de enorme talento – cuja falta não lhe tem feito a vida fácil. Além disso, o nível que o americano terá de enfrentar começa a subir novamente. Em 2022 estrear-se-ão jovens pilotos vindos da MotoGP, como Xavi Vierge e Iker Lecuona, para aumentar a competitividade e, espera-se, o espetáculo. Em linha com esta análise, Gerloff está também interessado em contribuir para a nova temporada, pondo em prática as impressões positivas que deixou após duas épocas na mais importante categoria de motos de série.

O único pódio alcançado em 2021, em Donington Park.

Renovar a tradição

No passado, nomes norte-americanos já haviam animado as várias temporadas de Mundial com boas corridas e títulos. Fred Merkel deu início a esta série, conquistando as duas primeiras temporadas (’88-’89) com a Honda VFR750R RC30 da Rumi. Em 1991-92, o duplo título foi alcançado por Doug Polen, enquanto o de 1993 teve a assinatura de Scott Russell. Depois do “Senhor Daytona”, John Kocinski triunfou em 1997, elevando para seis em cada dez o número de campeonatos ganhos pelos norte-americanos até esse momento. Colin Edwards é o campeão do novo milénio, vencendo todos em 2000 e repetindo a “dose” em 2002, com as Honda VTR1000 SP e SP2. 

O perfil de um futuro campeão mundial de Superbike?

A epopeia norte-americana ‘empancou’ em 2009, com o único campeonato mundial ganho por Spies e, simultaneamente, o primeiro título histórico da Yamaha, que acaba de regressar ao topo do mundo, interrompendo o domínio devastador que a Kawasaki que vinha a exercer desde há seis anos. Os ingredientes estão todos lá e para o texano, segundo os seus admiradores, parece apenas uma questão de tempo e da combinação certa de equipa-moto e diretores do projeto que, ao serviço de um rapaz talentoso, possam fazer a diferença.

A Yamaha segue de perto a evolução dos seus talentos, fórmula que resultou no título alcançado em 2021 pelo turco Toprak Razgatlioglu, na equipa oficial. Aqui, o diretor do projeto desportivo da marca dos três diapasões, Andrea Dosoli, na grelha com Garrett Gerloff.

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