CFMOTO CFORCE 450 e 520 L. Abrangência inteligente

  • Texto: Alberto Pires
  • Fotos: CFMOTO

O conceito da abrangência é muito simpático, desde que não obrigue a fazer concessões! Por definição é o oposto da especialidade. A magia acontece quando nos apercebemos que não vamos ter que prescindir de uma coisa para obter outra. Foi o que descobrimos ao conhecer as novas CFMOTO CFORCE 450 e 525.

Digamos que é a materialização do argumento comercial pague um e leve dois. É também o princípio que está na origem do canivete suíço original, que usava o cabo na sua dimensão natural para guardar todo o tipo de lâminas.

O CForce 450 está disponível nas versões curto e longo

Jean-Philippe Tartaglia, diretor comercial da marca, ao longo da visita guiada que nos concedeu em redor do novo CFORCE assentou o seu discurso nos números que o vão fazer sobressair no mercado. “Consegue rebocar 730 kg, o raio de viragem foi reduzido em 25%, tem 50 % mais de capacidade de carga nas grades dianteira e traseira, o chassis é 30% mais resistente e 10% mais leve, o curso da suspensão aumentou 26 % e o depósito de combustível é 21% maior“. Disse-o com os olhos a brilhar, compreensível quando alguém tem argumentos com esta solidez!

Não há uma segunda oportunidade para causar uma primeira boa impressão e a CFMOTO sabe disso. O primeiro contacto inspira confiança. A qualidade da pintura, os grafismos, a textura dos plásticos e os detalhes de acabamento anunciam em que patamar se pretende colocar, e ao longo deste contacto nunca iríamos ter razões para o questionar.

Diferenças para lá da cilindrada

Os CFORCE 450 e 520 resultam da combinação de dois chassis e de dois motores, com distintas configurações dos periféricos. Para Portugal será importado o CFORCE 450 em duas versões, curto e longo, com diferentes níveis de equipamento, e o 520 longo, mais recheado ainda.

A CFORCE 450 curto, com uma distância entre eixos 20 centímetros inferior, é a versão mais acessível, destinando, sobretudo, a uma utilização profissional, nomeadamente na agricultura. Dispensa por isso a direção assistida e monta pneus com 24 polegadas em jantes de ferro, o que contribui decisivamente para conter o seu preço. É o suficiente para tornar o seu custo mais interessante, que apesar de ainda não estar definido rondará os 6500 €.

A versão longa é nitidamente maior, e não apenas por causa dos centímetros a mais entre os eixos. O banco prolonga-se, oferecendo espaço de sobra para o passageiro, e o encosto reforça essa sensação. As jantes em alumínio e os pneus mais largos, aqui com 25 polegadas, fazem o restante. A imagem que transmite é de imponência. E de algum requinte também!

Simplicidade e eficácia

O motor é igual para ambas as versões, é um monocilíndrico refrigerado a líquido com 400 centímetros cúbicos e debita 31 cavalos. A transmissão CVT (com L/H/N/R/P) adapta-se às diferentes circunstâncias e pode selecionar-se o diferencial para obter tração traseira, às 4 rodas ou bloqueado. O preço estimado será 1000 € acima da versão base.

A versão 520L, de alguma forma inesperadamente, está bastante acima. Na realidade a única diferença de relevo é no motor. Os 95 cc a mais elevam apenas em 3c v a potência máxima, mas o binário, como foi possível verificar, transforma em absoluto o seu comportamento. A única diferença visível relativamente ao 450L é o painel digital, praticamente com o dobro da dimensão, e bastante mais luminoso mesmo à luz do dia.

Dinâmica surpreendente

O contacto dinâmico foi expressivo e demonstrativo das suas capacidades. A zona criada com troncos empilhados foi excelente para atestar a capacidade de digerir os obstáculos, e sentir a capacidade individual das diferentes versões. Foi igualmente nítida a diferença de comportamento entre o chassis curto e longo. O 450, com chassis curto, apesar de capaz de cumprir todos os obstáculos, revelou-se mais delicado. E nem tanto pelo menor diâmetro das rodas, mais pela ausência de direção assistida, obrigando a maior atenção às reações induzidas pela assimetria da superfície.

O 520 L, em contrapartida, brilhou pela facilidade com que absorveu as irregularidades, para além de ser mais fácil manter a rotação no regime aconselhado. Excelente também o ângulo de ataque, permitindo abordar e ultrapassar com facilidade a parede de troncos.

Tivemos também oportunidade de fazer um percurso montanhoso, rápido, com piso variado. O 450 curto aguentou-se com galhardia, mostrando que tem motor suficiente para ser divertido, e a maior reatividade induzida pela menor distância entre eixos adicionou até alguma diversão. Já com o 520 entramos numa outra dimensão. Os 95 cc a mais disponibilizam um binário superior em toda a faixa de rotações, sendo um prazer atestar-lhe à saída das curvas, ou semear a gravilha para bem longe em algumas zonas de aceleração.

A direção assistida garante precisão na trajetória e foi curioso perceber a diferença do comportamento da travagem quando se rodava apenas com tração às rodas traseiras ou com todas a puxar. Unicamente com tração nas rodas posteriores, é possível, através da travagem, balançar a traseira sem dificuldade, prolongando depois a atravessadela em aceleração com facilidade. Com a tração às 4 rodas a travagem é mais estável, a frente mais incisiva e quando aceleramos o conjunto avança como um todo.

Fugir à tentação

Mas como ainda tínhamos muito para andar resisti à tentação de regressar à tração traseira…

O teste final pretendeu evidenciar a redução em 26% no raio de viragem, comparando-o com a versão anterior. Aquilo que era absolutamente impossível anteriormente passou a exigir apenas alguma atenção, o que seguramente fará a diferença em sítios estreitos. Tivemos ainda oportunidade para sentir a sua capacidade de reboque, e é impressionante. Mesmo em zonas com forte declive é fácil esquecermo-nos que levamos atrás algumas centenas de quilos, contando também com a suavidade da transmissão para executar a tarefa.

Como notas soltas, saliência para o conforto do banco, da forma como nos permite usar as pernas para acrescentar apoio e da posição de condução induzida pelo guiador. Parece que foi feita expressamente para cada um de nós! Os comandos são também progressivos e o painel, pelo menos enquanto não ficou coberto de pó, oferece boa visibilidade.

No lugar do passageiro não se vai pior. A altura do banco está bem calculada, os pés assentam bem no estrado, o encosto suporta na perfeição as acelerações e as pegas para as mão fazem o restante. Mesmo quando quem conduz nos pretende mostrar que tem jeito para a coisa!

Está ainda disponível uma extensa lista de acessórios para ir de encontro à especificidade de cada utilização. Grades, proteções, caixas, suportes, é vasta a oferta, valendo a pena consultá-la!

Resumindo, e voltando à sua amplitude de utilização, podemos dizer que com os CF450 e CF520, depois de acabar o trabalho, temos ainda um veículo para nos divertirmos!

Uma diversão que fica bem comprovada no vídeo realizado durante a apresentação internacional dos CFMOTO CFORCE 450 e CFORCE 525L

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