Conta-me uma foto!

Texto e fotos: Lisa Daniel

Lisa Daniel é uma reputada geóloga especializada na escavação de túneis com perfuradoras de plena secção, conhecidas no meio como TBM (‘Tunnel Boring Machine’)

Da mãe herdou a veia artística que lhe granjeou o convite para algumas exposições, da Suécia a Moçambique, tendo algumas das suas obras em embaixadas, ou na casa de alguns coleccionadores. Para além da formação musical, domina a combinação da técnica de macramé com outros materiais e é uma apaixonada pela fotografia. Foi assim que pedimos que nos contasse a história de algumas das suas fotos mais emblemáticas.

Em Assen foi quando tive a primeira experiência de fotografia no Mundial de ‘Superbike’, com um equipamento ultra-amador. Esfalfava-me muito para conseguir uma fotografia decente particularmente em dias escuros ou de chuva. Era muito complicado com a abertura das minhas lentes e ‘zooms’. Nenhum profissional usa ‘zooms’, mas sim lentes fixas de altíssima qualidade e aberturas baixas. Numa das idas a Assen a Nikon emprestou-me uma lente profissional e eu gananciosamente agarrei-me a uma 500 com 2,8 de abertura. O problema é que não tinha braços para o peso e alavanca da lente e foi um martírio, mesmo com o monopé”.

Esta foto é de uma Honda VT1300CX e foi tirada num momento engraçado da minha vida, pois estava numa fase avançada da gravidez da minha filha e tinha uma ‘super-barriga’. Para a foto do arco com a Ponte de D. Maria Pia atrás, necessitava de me deitar de barriga para baixo, porque dão sempre umas perspetivas engraçadas, algo que fazia sem qualquer dificuldade numa sessão fotográfica de um teste ou numa corrida do Mundial de ‘Superbike’. Nesta vi-me em apuros para fazer pois era como se tivesse deitada em cima de um igloo e foi bastante complicado conseguir o resultado final. A foto entrou numa das minhas exposições, ao ar livre num restaurante da baixa de Estocolmo – o que obrigou-me a imprimir num papel especial para resistir à humidade, e é uma das fotos que mais chama a atenção a quem vai a minha casa”.

Lídia é o nome desta Harley-Davidson FL1200, de 1975, que já tinha sido da polícia mas agora estava transformada numa espécie de ‘rat bike’ por um conhecido meu do sul da Suécia, dono de uma empresa de gruas. O Curt Weil vivia de tal modo as motos que ficou entusiasmadíssimo com a ideia de fazer um artigo sobre esta moto e emprestou ao Fernando Pedrinho um capacete viking com os respetivos chifres e um casaco de cabedal cheio de tirinhas sobre os braços. Estava um dia lindíssimo e a Suécia tem uma luz de pôr-de-sol fabulosa. O Pedrinho estava todo divertido a fazer-me caretas durante a sessão de ‘pannings’ e que combinava perfeitamente com o ar ‘javardo’, mas numa conotação simpática, da moto e da vestimenta. Foi muito engraçado, até porque o piloto ainda teve de cumprir ordens estritas com o refletor durante a sessão estática. A moto era muito bonita, o guarda-roupa estava a condizer e esta combinação com a luz e o entusiasmo do ‘Curtan’ tornaram esta fotos numa bela recordação”.

Esta é uma foto do Max Biaggi em Misano, numa das decorações mais bonitas de sempre, com a Aprilia RSV pintada com as cores da Alitalia. Estava a uma distância enorme da pista e comecei a baixar cada vez mais a velocidade e saiu-me este ‘panning’. Também fiz uma versão impressa para a exposição de Estocolmo, que acabei por oferecer a um repórter italiano que tinha ido a Misano e cujo filho era um ‘tifoso’ do Biaggi, autografada pelo próprio Max”.

Este cavalinho do Miguel Praia foi combinado! Havia sempre aquele orgulho nacional de ter o Miguel a representar as nossas cores no Mundial de ‘Supersport’ e passávamos algum tempo com a equipa da Parkalgar. Havia a expectativa que ele conseguisse um bom resultado em Silverstone, porque estava a andar bem. Combinei com o Miguel que ele faria uns cavalinhos na reta longa do circuito inglês e, como se pode ver, honrou o combinado e o resultado foi este”.

Esta queda do Álvaro Bautista em Jerez de la Frontera marcou a inversão de um início de campeonato perfeitamente estonteante, em que tinha ganho todas as mangas até aí. Estava no final da reta da meta pela primeira vez – pois andava a deambular por outras partes do circuito – mesmo sem ter a luz ideal, mas na expectativa de que algo pudesse acontecer na corrida de Domingo. Os meus colegas assistiram à partida e piraram-se nas suas ‘scooters’, pelo que fiquei sozinha. O Álvaro dominava já a corrida mas caiu no final da segunda volta, pelo que esta foto é praticamente um exclusivo”.

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Cake. Uma fatia de futuro elétrico por 15 mil euros

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