CFMOTO 450NK. Quando menos pode ser mais

Com a CFMOTO 450NK a marca oriental dá um novo e importante passo. Sempre apoiada na imagem, no eterno poder sedutor da imagem! O conceito naked, para uns nascido como corrente simplificadora, para outros como solução possível para o imediato, rapidamente ascendeu socialmente recorrendo à máxima do costume. Quanto maior, melhor!

CFMOTO 450NK
  • Texto: Alberto Pires
  • Fotos: Rui Jorge/CFMOTO

A CFMOTO 450NK concretiza na perfeição o princípio básico com o espírito evolutivo das naked. Algo, aliás, que o tempo acabou por mostrar como mais valia do conceito inicial. Na realidade o objetivo sempre foi despojá-la do inútil. Simplificá-la, sobrando assim, de forma mais evidente, o prazer de a sentir em estrada. E isto sem ter que albardar com todos os elementos que na maioria das vezes só fazem sentido quando estamos com os amigos numa esplanada.

Adequando a oferta da marca no segundo segmento mais importante do mercado europeu, a CFMOTO 450NK ajuda a compartimentar de forma clara a gama. Para quem esta solução não for suficiente, pode simplesmente quase multiplicá-la por dois e escolher a 800NK.

A estética da CFMOTO 450NK

Esteticamente é evidente a evolução. Como referiu Paulo Cintra, diretor comercial da CFPT, é distinta a nova linguagem estética introduzida pelo estúdio de design italiano Modena 40. Assim, as linhas são mais expressivas, com ângulos mais vincados. A traseira é mais complexa e arrebitada e o chassis tubular acrescenta dinamismo à zona lateral. Também o depósito está mais elaborado, fazendo lembrar, visto de frente, as guelras de um ser alienígena. O guarda lamas, com vários planos, está em consonância com a agressividade do farol dianteiro em LED.

Na traseira, o grafismo do farol, também em LED, segue o mesmo princípio, afirmando-se pela sua elegância. Para terminar, as bem conseguidas zonas metalizadas da panela de escape, e as embaladeiras inferiores a envolver devidamente uma zona geralmente menos cuidada.

O painel de instrumentos TFT tem 5 polegadas, é exemplo de bom gosto e usa a área em redor para colocar as luzes indicadoras. É fácil de ler devido ao brilho ajustável em 5 níveis, tem duas configurações gráficas e está equipado com conectividade Bluetooth para capacetes, smartphones, computador de bordo e ‘smart-watch’.

Conta com toda informação usual como a velocidade, rotações por minuto, nível de combustível ou indicadores de mudança de direção. Mas inclui ainda os avisos de mudança de velocidade e de ultrapassagem da velocidade predefinida, podendo ser ativados ou desativados diretamente no painel.

O ambiente visual onde está inserido é também distinto. O suporte do guiador é escavado, fazendo sobressair o logótipo de marca, e a chave de ignição está alojada num espaço específico, ligeiramente abaixo.

Ciclística de ‘corrida’

Ciclisticamente, o quadro em tubo de aço da CFMOTO 450NK é o mesmo da versão SR, envolvendo lateralmente o motor. Com a assento a 795 mm de altura, parte inferior está a 192 mm do solo. A simplificação foi a palavra de ordem e tanto a suspensão invertida na frente, com 37 mm de diâmetro e 130mm de curso, como o amortecedor na traseira, acionado por sistema progressivo, não possuem qualquer tipo de afinação em compressão ou extensão.

A travagem na frente está entregue a um disco de 320 mm de diâmetro, assistido por uma pinça de quatro pistões J. Juan montada radialmente, e na traseira um disco de 220 mm, com pinça de pistão simples. As jantes de seis braços, com um desenho invulgar, são iguais à das SR, acrescentando uma imagem desportiva ao espírito do conjunto.

CFMOTO 450NK

Quanto à unidade motriz, assenta no novo motor bicilíndrico de dupla árvore de cames à cabeça com 449 cc, estreado na desportiva 450 SR. Debita 46,3 cv às 10.000 rpm e 39,3 Nm às 7.750 rpm. Incorpora um duplo veio de equilíbrio e o desfasamento da ignição a 270º aproxima a sua sonoridade ao de uma V2.

Confirmação na estrada

Após cerca de 130 quilómetros ficámos com uma ideia concreta do que vale esta CFMOTO 450NK. A imagem fotográfica prometia e no primeiro contacto não desiludiu, antes pelo contrário. A qualidade do acabamento dos detalhes está nitidamente acima do que seria de esperar de uma Naked com esta cilindrada e posicionamento no mercado. Os encaixes, o detalhe dos periféricos em redor do motor, a qualidade dos plásticos, esponjas e borrachas, revelam unidade no seu projeto e uma intenção clara de não deixar por tratar o que quer que seja. A partir de uma elemento tão simples como o guarda lamas dianteiro, através das reentrâncias, duplos planos e concavidades, torna-se evidente a dimensão da exigência.

A posição de condução privilegia a facilidade de utilização, mas não descarta as sensações. Ou seja, está no ponto certo de colocação do tronco para a frente sem sobrecarregar os pulsos. Mas transmitindo, ainda assim, o suficiente para sentir devidamente a roda da frente se estivermos com vontade de nos divertirmos numa estrada revirada. As formas do depósito desviam o ar (e estava frio…) dos joelhos, a espuma do banco filtra na justa medida as irregularidades do terreno e o que é acionado com as mãos é feito sem esforço. No final do percurso, e apesar de termos vivido com intensidade os diferentes ambientes, não havia queixas em lado nenhum do corpo.

Do bom gosto ao conforto

Quanto ao painel, para além da boa visibilidade sobressai o bom gosto do grafismo e a forma dinâmica como é apresentado. Os numerais aumentam de dimensão e a escala do conta rotações a ficar vermelha quando vamos para além do recomendado. Os espelhos, apesar do design interessante, não oferecem a visibilidade que poderiam proporcionar já que a parte larga não está na extremidade, como seria aconselhável. A sua regulação também não é fluida, obrigando a algumas tentativas até se encontrar a melhor posição.

O comportamento ciclístico depende em grande medida de três variáveis, a suspensão, os travões e os pneus. Pelo diâmetro da forquilha invertida e pelo sistema progressivo na traseira, estavam asseguradas as condições físicas para um bom desempenho. Mas a ausência de qualquer tipo de afinação, para além da pré-carga da mola traseira, implicava que os ajustes definidos pela marca assegurassem a sua eficácia. Não tenho dúvidas que não é preciso mais do que aquilo que oferecem.

Se o conforto foi perceptível nos primeiros quilómetros, sem queixas nos diferentes tipos de piso da cidade de Aveiro, faltava saber como reagiriam as suspensões ao serem pressionadas em curva. Não apenas sob travagem, como também em piso irregular. Todavia passou no teste, com boa nota, tal como a progressividade e potência das quatro pinças J. Juan montadas radialmente. Tudo isto estoicamente suportado pelos pneus CST, em piso húmido, seco e por vezes maltratado. E assim desvanecendo os receios, legítimos, de confiar em algo tão importante quanto desconhecido num ambiente que, inicialmente, aconselhava a todos os cuidados.

Sereno em baixas, muito animado em altas

Quanto ao motor desta CFMOTO 450NK, numa cilindrada de alguma forma ingrata pela dificuldade em corresponder devidamente às várias solicitações possíveis, saiu com um sorriso deste contacto. Está muito bem equilibrado, aceita rodar a baixa rotação sem protestar e é linear na aceleração. E ganha um fôlego divertido a partir das 6.000 rpm, entrando facilmente pelo menos até às 11.000 rpm, sem queixas. Só quando olhamos para o painel e vemos a escala do conta rotações pintada de vermelho raiva é que nos resignamos e acedemos ao convite para trocar de caixa.

CFMOTO 450NK

Durante a apresentação técnica, o Eng. Marllow referiu que a caixa de velocidades dispunha de um sistema em que quatro dos carretos, dois em cada um dos eixos, deslizavam por ação dos garfos de sincronismo, facilitando a troca de velocidades. Provavelmente graças a esse contributo, é um facto que a caixa é macia e precisa, sem necessitar de particular cuidado no seu acionamento.

A CFMOTO declara 4,9 segundos dos 0 aos 100. Fomos verificar e conseguimos 5,56 segundos, sendo mais uma evidência de que tenho que emagrecer.

E o preço?

A CFMOTO 450NK vem equipada com a T-Box e com um sensor 4G que utiliza a georreferenciação para nos informar sobre a localização da moto. Todas as atualizações de software são fornecidas “Over the Air” (OTA) através da aplicação CFMOTO RIDE, eliminando a necessidade de a levar a um concessionário.

CFMOTO 450NK

Sem serem muitos, os acessórios oficiais estão vocacionados para uma utilização exuberante, como por exemplo as manetes dobráveis em caso de queda. Mas há também cogumelos para os lados e traseira, ajustes para banco mais alto ou mais baixo, grelha de radiador, suporte de matrícula e adaptador USB tipo A e C.

A CFMOTO 450 NK estará disponível em três cores, Nebula Black, Zephyr Blue e Nebula White.

Em função do que vimos, e no segmento em que se insere, o seu preço de 5.790 € é um excelente atributo comercial. Na dúvida, façam um drive teste!

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