Álvaro Bautista, o gato de sete vidas

  • Texto: Fernando Pedrinho
  • Fotos: WorldSBK, Team HRC, Fernando Pedrinho

Álvaro Bautista não tem tido a vida fácil nas duas últimas temporadas, desde que trocou a dominadora Ducati Panigale V4R pelo novo projeto da Honda de trazer a CBR1000RR-R para a lista de modelos vencedores do Mundial de Superbike. O pequeno espanhol tem somado quedas e mais quedas, como sucedeu mais uma vez na primeira sessão de treinos da ronda de Jerez de la Frontera, mas sobretudo numa sessão, ainda no circuito Angel Nieto, quando a marca fez os seus pilotos a evoluírem numa sessão de treinos antes da ronda catalã.

“Alinhámos com a mesma moto de Barcelona”, começou por referir o talaverano, “e não trouxemos nada de especial para este fim-de-semana. Durante a manhã testei o novo pneu traseiro [A0415] que a Pirelli trouxe para esta corrida, mas não senti uma melhoria significativa em termos de tração. Durante a tarde voltei ao SC X do costume e ensaiei com o novo Pirelli dianteiro [A0674], do qual gostei bastante. É semelhante ao SC 1, mas quando entras em curva a travar sentes que a moto assenta melhor de frente e te permite tomar a linha de trajetória de uma maneira mais fácil. O problema é que montei um traseiro novo e mantive o da frente, combinação que não funcionou e acabei no chão. Na nossa moto, quando soltas o travão a traseira empurra  demasiado a frente e coloca o pneu dianteiro debaixo de muita tensão. Pelo menos, na corrida, vamos com dois pneus novos pelo que espero não ter este problema (risos)”.

“Querida Fireblade, venero-te e tenho o maior respeito por ti. Por favor, não me mandes para o chão outra vez!”

Quedas, quedas e mais quedas…

Álvaro confirmou ter caído fortemente nos treinos privados realizados em Jerez antes da passagem por Montmeló, algo que foi bem escondido de toda a gente e que apenas deixou o natural de Talavera de la Reina rolar duas horas num teste que tinha a duração prevista de dois dias. “Bati com o pé no chão com alguma violência e foi por isso que me viste a coxear após a queda de Barcelona, na sexta feira, algo que não teve nada a ver com o incidente de Montmeló”. A questão que se coloca é como um piloto profissional de 37 anos lida e aceita todas estas quedas… “(pausa) não é difícil, o importante é conhecer as razões”, disse o piloto que está de saída do HRC no final da temporada. “Faz parte do jogo e não me importo. Sei que vão acontecer e só espero não sofrer lesões importantes. Em 2019 [quando se estreou na Superbike com a Ducati], caí por não ter experiência com estes pneus e por querer, em demasia, estar sempre na frente. Com a Honda, sobretudo no ano passado, caí tantas vezes por querer passar o limite permitido pela moto. Já este ano, em corrida, na de Aragão [e no Estoril] caí por um problema técnico, em Assen por tentar estar com o grupo da frente, em Navarra devido à escolha do pneu dianteiro, em Barcelona foi por o pneu dianteiro não estar em condições e aqui em Jerez, como te disse, pela combinação de um dianteiro usado com um traseiro novo. Mas volto a dizer, o importante é saber o que te leva ao asfalto e este ano tem sido fácil perceber o porquê”.

No final da época a paragem na boxe da Honda será em definitivo. Álvaro Bautista regressará à marca que o trouxe para o Mundial de Superbike: a Ducati.

A Superbike é vista de outra forma pelos pilotos de topo!

Questionado sobre a entrada de Xavi Vierge e Iker Lecuona para o projeto do HRC no Mundial de ‘Superbike’, substituído Álvaro e Leon Haslam, Bautista interrompeu de imediato: “isso é verdade, ou são apenas rumores?”.  Iker parece estar dado como certo, mas interessa saber a opinião do experimentado espanhol sobre a entrada de sangue novo no Mundial. ”É positivo para um campeonato que tem crescido imenso. Há uns anos atrás, como acontecia comigo, a ‘Superbike’ não era uma opção. Era apenas MotoGP ou MotoGP! Não esperava que a SBK fosse o campeonato que encontrei, descobri e acabei por gostar. Depois da minha entrada acho que muitos pilotos começaram a olhar para as ‘Superbike’ de uma outra forma para competir a um nível elevado. Estou contente porque de há dois anos para cá há mais interessados e os fabricantes têm aderido e aumentado o seu envolvimento no campeonato, há mais pilotos de topo, o que tem contribuído para o crescimento do mesmo. A vinda destes pilotos vem aumentar o nível de competitividade e tenho de estar contente por isso”.

Leon Haslam: futuro tremido…

Leon Haslam com futuro incerto

O Team Honda HRC beneficiou dos testes realizados em Jerez antes da tripla ronda ibérica? Leon Haslam, acha que sim. “É claro que é sempre benéfico poder testar alguma coisa em pista”, disse-me o piloto de Derby, “mas quando aqui o fizemos estava um calor sufocante, pelo que as sensações eram muito diferentes. Além disso, muitos dos componentes que ensaiámos não estão a ser usados, pelo que se tratam de duas motos bastante diferentes. O benefício deste fim de semana é que a pista está mais fresca, o que se adequa muito à Honda, já que sentimos mais dificuldades quando o tempo fica muito quente”.  Ficámos também a saber que as novas peças ensaiadas em Agosto não foram incorporadas nas motos de corrida pelo fato de as vantagens da sua incorporação na Fireblade SP serem inconclusivas. “Temos efetuado muito desenvolvimento e neste caso particular encontrámos pontos positivos e negativos, pelo que preferimos correr com o que já conhecemos: a moto é a mesma das corridas anteriores”.

E as Honda sofrem quando o asfalto aquece… “É verdade! No ano passado, no ‘warm-up’ da manhã fui segundo, rodando em 1’42’’, mas veio a tarde e passei para 12º ao rodar em 1’43’’.

E o futuro? Quando tanto se fala da vinda de dois jovens espanhóis para a equipa capitaneada por Leon Camier. “Sinceramente, não está claro!”, disse o filho de ‘Rocket Ron’ sem hesitações. “Não tenho pressa! Se não conseguir manter-me competitivo nesta equipa não penso vir a ocupar um lugar numa equipa satélite ou privada, onde não tenha o desafio de poder andar nos lugares cimeiros. Se der para continuar com a Honda será fantástico. De contrário farei outra coisa, pois estou numa fase da minha carreira onde não tenho de estar obrigatoriamente no Mundial de Superbike”.

E o fantasma da ‘reforma’ passa pela cabeça de Leon? “Ainda me lembro de ajudar o Chaz [Davies] quando andava nos Grande Prémios e ele estava a dar os primeiros passos na competição (risos). A minha paixão pelas motos e competição está mais forte do que nunca, pelo que a minha prioridade está em pilotar algo que me permita vencer corridas”.

Haslam confirmou que os planos da Honda sobre a sua continuidade nunca foram muito claros. “Suzuka não se realiza há dois anos consecutivos, algumas das sessões de teste previstas não tiveram lugar e acho que vai haver uma reorganização muito grande [dentro do HRC]. Se estes forem os meus últimos quatro fim-de-semanas no Mundial, é nisso que me tenho de concentrar e obter o melhor resultado possível”.

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Tentando assistir às provas ao vivo levando uma moto de um dos fabricantes que alinha no Mundial de Superbike, desta vez tocou-nos em sorte uma BMW R1250RT, que a Carmen Mora, da BMW Espanha, rapidamente nos disponibilizou.

Ligando Madrid à terra do vinho de xerez pela A4, para fugir aos dilúvios pontuais que a depressão em altitude veio a causar um pouco por toda a Península Ibérica, será escusado dizer que os 630 de distância foram percorridos com uma ‘perna às costas’, tais as aptidões da bávara para o mototurismo, com apenas uma paragem de reabastecimento e um ritmo bem despachado. Proteção, equipamento e desempenho dinâmicos estão mais refinados do que nunca nesta versão da ‘road tourer’, que exibe ainda um novo visual.

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