A primeira da BMW M1000RR

  • Texto: Fernando Pedrinho
  • Fotos: WorldSBK, BMW Motorrad WorldSBK

O jejum durava desde há oito anos, quando Chaz Davies ganhou a ronda de Nürburgring com a S1000RR oficial com as cores da GoldBet. Foi no primeiro de Setembro de 2013, e o galês fazia equipa com Marco Melandri, havendo ainda motos privadas da Grillini, entregue a Vittorio Iannuzzo, bem como a da Vanzon Remeha, a cargo do protegido da casa de Munique, Markus Reiterberger.

A primeira já cá mora!

Mas agora tudo é diferente. A BMW Motorrad associou-se à britânica SMR, de Shaun Muir, e estreou uma nova moto este ano, a M1000RR, uma evolução da ‘esse’, cujo aspeto distintivo mais fácil de visualizar são as ‘obrigatórias’ asas que ajudam a manter a roda da frente mais perto do asfalto.

A casa bávara e a equipa da terra do ‘Brexit’ muito têm trabalhado para fazer evoluir a nova tetra cilíndrica em linha, capitaneada pelo conhecido Marc Bongers. A estreia no Motorland Aragão correu bastante bem, no Domingo, com a chuva que molhou o traçado aragonês, com as BMW a passarem pelo comando. Seguiu-se um ‘reality check’, com as dificuldades de tração da moto de Munique a impedirem os seus pilotos de sonhar sequer com uma subida ao pódio, algo que sucedeu pela primeira vez em Donington, novamente debaixo de chuva. Tom Sykes conseguiu contornar este problema com o pneu que qualificação, mostrando a sua rapidez em alguma ocasiões, como em Navarra ou em Montmeló, quando alcançou a primeira pole da M1000RR, mas uma queda na primeira curva do traçado catalão o remeteu para a condição de espetador, sendo substituído pelo mais português dos irlandeses, Eugene Laverty.

“Para o ano tens de me explicar como se ganha numa BMW”, parece segredar Scott Redding no ouvido de Michael van der Mark.

Ninguém duvida da rapidez e consistência do ex-campeão mundial de Supersport, Michael van der Mark, que se mudou no final de 2020 para a equipa da BMW e que se estreou este ano no ‘capítulo’ da paternidade.

Sem chuva… sem chance de vitória”!

Quando uma frente atlântica passou por uma par de horas sobre o AIA, na manhã de Domingo, foi fácil perceber que a ‘Superpole Race’ seria disputada com o piso molhado. E quando se começou a perceber a progressão na tabela classificativa e a facilidade com que o neerlandês somava voltas na pista algarvia, que estava em aberto a estreia vitoriosa da M1000RR, logo no seu ano de estreia, algo que poucos modelos têm logrado neste campeonato, mesmo que em condições especiais.

“A primeira vez que rolei com esta moto no molhado foi em Aragão e senti-me muito bem nessas condições”, disse-me o natural da terra do queijo dos Países Baixos, Gouda. “Sabia que à chuva podíamos andar bem, como demonstrámos em Donington [também na ‘Superpole race’]. Mal arranquei senti-me logo muito forte e estava a divertir-me imenso. Optei pelo Pirelli de chuva ‘standard’, mais duro, que não esteve disponível em Barcelona, onde tinha ritmo mas tive de lutar muito com a moto”.

Mas qual a razão de utilizar um pneu de chuva mais duro, em vez do mais macio? “Falta de experiência!”, ripostou o neerlandês. “Temos de descobrir o que mudar na moto para adequá-la aos pneus disponíveis. Não sei o que muda no composto e na rigidez da carcaça mas sei que me sinto muito melhor com pneu de chuva mais duro”.

Michael desconhecia os oito anos de fome de vitória por parte da BMW Motorrad neste campeonato. “Estou muito contente por isso. Mas quando o conseguirmos com a pista seca, vai ter ainda mais sabor”.

Saindo da ‘pole’ para a corrida longa de Domingo, Michael não foi capaz de manter o mesmo brilho, afundando-se na classificação. “A moto desligou-se por duas vezes! Perdi muito tempo e fiquei algo frustrado e perdi a confiança, o que me fez perder ainda mais tempo. É estranho porque eu nunca tive este problema em todas as corridas e sessões de treinos disputadas até aqui. Temos de perceber as razões”.

Mas a primeira vitória estava alcançada e a equipa mostrava toda a satisfação pelo trabalho árduo que tem vindo a realizar. “É um enorme presente para todos eles”, confirmou. “Tivemos mais baixos do que pontos altos, este ano. Garanto-te que temos belas fotos tiradas na boxe. Todos estão muito contentes e orgulhosos”.

Michael van der Mark ao lado de Markus Schramm, presidente da BMW Motorrad, e Marc Bongers, diretor da BMW Motorrad Motorsport.

A visita do Presidente

E a altura não podia ser melhor, pois esta foi a segunda vez que o presidente da BMW Motorrad, Markus Schramm, se deslocou a uma ronda do Mundial de Superbike para ver os progressos da equipa. “Pois é e disse-lhe mesmo para trazer mais chuva para a próxima (risos), porque depois o sol voltou. Foi bom constatar a paixão pelas corridas do senhor Schramm mas, infelizmente, ele também lá estava quando surgiram os problemas. Alegria por ter estado connosco quando ganhámos, mas também para perceber que não tem sido fácil para a equipa. Mostrámos o que pudemos fazer, mas também aqui que não é possível de alcançar no momentos presente”.

Com esta vitória, Michael van der Mark tornou-se no quinto vencedor da época e a BMW no quarto construtor a conseguir subir ao lugar mais alto do pódio, o que veio dar ainda mais animação a um dos campeonatos mais disputados de sempre.

De Benelli TRK 502 em Portimão

Viajámos até Portimão numa Benelli TRK 502, equipada com o conjunto de malas Shad Terra, que nos permitiu trazer muita bagagem desde Vila Nova de Gaia até à solarenga província algarvia. Obrigado ao Hugo Santos e à Multimoto por aceitarem o desafio!

Com um cruzeiro interessante e boa ergonomia, a TRK 502 cumpriu quase 1.500 quilómetros em quatro dias. Com um consumo médio de 5,5 l/km, a autonomia atinge confortavelmente os 250 quilómetros com um depósito, mas já conseguimos superar a marca dos 300, com a italiana fabricada na China, a concitar olhares de curiosidade por onde passa e justificam o sucesso de vendas que tem alcançado em Portugal, dado a sua estética apelativa alicerçada num competitivo preço de comercialização.

Cake Bukk

Cake. Uma fatia de futuro elétrico por 15 mil euros

A ideia surgiu… do nada. Ou melhor, apareceu para colmatar um hiato no capítulo da mobilidade. Sem qualquer ligação às motos, Stefan Ytterborn voltou a fazer brilhar as suas apetências e criou a Cake. O sueco, conhecido pelas ideias e produtos inovadores em termos de estratégia, design e marketing, ‘atacou’ as duas rodas com propostas […]

Continuar

Sorrir, antes que uma moto nos caia em cima!

Texto: Fernando Pedrinho Fotos: G.N.R. Desconheço o autor da foto de abertura deste artigo, cuja origem remonta a 1937 e terá sido tirada durante uma demonstração de soldados do Exército Britânico, o qual, ao contrário de outras forças armadas como a marinha ou a força aérea, nunca recebeu a designação de real (‘Royal’). O que […]

Continuar

Salvador Dalí e o poder inspirador de uma moto

Texto: Fernando Pedrinho Fotos: Ulf Andersen A excentricidade de Salvador Dalí foi algo que acompanhou o pintor, artista plástico, escultor, cenógrafo e escritor catalão ao longo dos seus 84 anos de vida. Mas até que ponto uma moto pôde servir de inspiração para as suas criações é algo que dá que pensar, dada habitual aversão […]

Continuar