A fórmula mágica de Andrea Locatelli

  • Texto: Fernando Pedrinho
  • Fotos: WorldSBK e Fernando Pedrinho

Andrea Locatelli descobriu a fórmula mágica e posiciona-se, agora, como um candidato ao pódio de forma consistente. Fui encontrá-lo com um curioso panamá, a lembrar de certa forma o usado por Chris Vermeulen no passado. “Acredita que não venho da praia! Vim diretamente de Bergamo, onde vivo e não há praia, para aqui (risos)”.

‘Loca’ concentrou-se numa simulação de corrida na tarde de sexta-feira, pois “a corrida vai decorrer debaixo de muito calor. As condições que estamos a encontrar são totalmente diferentes das que encontrámos quando aqui testámos, pelo que temos de reaprender onde estão os limites. A equipa está a trabalhar muito bem, a moto é muito boa e a afinação de base agrada-me imenso”.

Terceira pista em sucessão completamente diferente da anterior, Assen, Most e agora Navarra, mas Locatelli a surpreender pela permanência entre os mais rápidos. “É esse o objetivo doravante”, referiu o oficial da Pata Yamaha With Brixx. “Depois do primeiro pódio alcançado em Assen, ganhei mais confiança e temos melhorado corrida após corrida. Nota que é o meu primeiro ano nesta classe e nunca havia pilotado a YZF R1. Trabalhámos muito na pré-época, tentei fazer muito quilómetros para conhecer o que é uma ‘superbike’ e os Pirelli ‘slick’.”

Mas qual é a fórmula mágica que permitiu ao bergamasco o ‘click’ que o catapulta ultimamente para os lugares da frente? “Seguramente o ganho de confiança e o trabalho continuado que temos vindo a desenvolver no inverno e em cada corrida. Também as diversas sessões de teste realizadas, como sucedeu em Navarra, onde tentamos procurar qual a melhor solução na moto que mais se adequa ao meu estilo de pilotagem”.

“O segredo é conheceres a tua moto. Por exemplo, para mim foi muito mais fácil habituar-me à YZF R6 – com que se sagrou campeão mundial em 2020 – vindo da Moto2, apesar de serem motos muito diferentes. A ‘superbike’, pelo contrário, não é fácil e não tenho qualquer experiência da sua pilotagem. Eu quero tentar fazer num ano aquilo que se faz normalmente em dois: não cometer erros, melhorar constantemente e conseguir o máximo de resultados”.

A ideia passou por tornar a R1 numa Moto2 grande? “Não, eu trabalho muito nos dados da telemetria e com a equipa em melhorar a moto para os meus pontos fortes, como a velocidade de passagem em curva. Mas também olho para aspetos como parar a moto, levantá-la à saída de curva, como acelerar e utilizar a eletrónica, algo que também é novo para mim. Na primeira parte da temporada eu bem tentei, mas só agora estou a ganhar confiança na utilização da eletrónica”.

Os dados da telemetria de Garrett Gareloff são, esperadamente, mais úteis que os do seu companheiro de equipa, Toprak Razgatlioglu? “Sim, sem dúvida, porque o estilo do Garrett assemelha-se mais ao meu. Mas também comparamos muito com o Toprak, pois é um piloto muito forte e temos muito a aprender com ele”.

E quanto às áreas a melhorar, “é um pouco de tudo. Desde a travagem, a virar a moto e levantá-la à saída de curva. Na corrida tenho de puxar até ao limite em todas as voltas da corrida para me manter na frente e tentar ganhar uma corrida”.

Será desta que Locatelli sobe ao primeiro lugar do pódio?   

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