A Bultaco de regresso às pistas no Europeu de Moto2 !

Texto e fotos: Alberto Pires

É sempre um prazer assistir ao regresso de uma marca mítica, com um passado glorioso, a um dos palcos em que se afirmou. A Bultaco, pelas mãos do filho do seu fundador, Juan Bultó Sagnier, está de volta e com vontade de se afirmar!

MotoX – É fantástico ver uma Bultaco de novo em pista, para mais numa classe tão exigente como esta. Quando é que decidiram entrar nesta aventura, e em que ponto é que estão?

Juan Bultó Sagnier – A competição está no sangue da Bultaco, vencemos muitos campeonatos mundiais de Trial, e de velocidade, com Angel Nieto e Ricardo Tormo, e na minha família a competição está no nosso DNA. Eu corri durante muitos anos em Espanha, na Europa e nos Estados Unidos, tanto em Dirt Track como em velocidade, e chegou o momento em que decidi fazer uma equipa com a minha marca.

MotoX – Qual é a proveniência da base que estão a usar?

J.B.S. – A base assenta num motor Honda, como todas, e o chassis foi fabricado em França, mas já foi bastante evoluído por nós. Estamos no início, é muito difícil porque o nível é muito elevado e estamos a competir com equipas que têm muitos anos de experiência, de maneira que com muita humildade estamos a trabalhar para ir subindo um degrau de cada vez.

MotoX – Quantas horas é que já têm de desenvolvimento desde o início do projecto?

J.B.S. – Estas motos pertenciam ao Team Tech 3, e nós já a evoluímos. É uma chassis que mostrou o que valia mas como não corria há dois anos precisava de recuperar performance. Já trabalhamos nele há um ano.

MotoX – Sempre com o Marc Luna Bayen como piloto?

J.B.S. – Sim, conheço-o desde pequeno, é um bom piloto e estava parado há dois anos. É evidente que demora um pouco a ganhar ritmo mas há que saber esperar. Há evolução no piloto, na equipa e nos técnicos!

MotoX – Que pistas é que usaram para o desenvolvimento?

J.B.S. – Começámos no ano passado no Motorland, depois fomos para Cheste, e regressámos lá no inverno. Ainda não tem muitas horas!

MotoX – A evolução do chassis incidiu em que componentes?

J.B.S. – Sobretudo no braço oscilante, relativamente à sua flexibilidade, pela sua influência no desgaste do pneu traseiro e na capacidade de tracção. É complicado e implica muito trabalho.

MotoX – Num futuro próximo, onde é que querem estar?

J.B.S. – Gostaria muito de estar no Mundial de Moto2, mas seguramente que vamos estar pelo menos aqui, em princípio já com os motores Triumph.

A Bultado não se deu bem na primeira manga, abandonando ao fim de algumas voltas com problemas na aderência da roda traseira, mas na segunda bateu-se bem, terminando no 17º posto, com o melhor tempo de Marc Bayen a apenas 2,4 segundos do conseguido pelo vencedor, Fermín Aldeguer, da equipa Boscoscuro Talent Team-Ciatti.

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