Passeio pelas aldeias preservadas próximas do Porto

  • 04-06-2022

Longe de mim pensar que iria hoje dar mais uma voltinha na minha ST, pois ontem quando consultei o “forecast” meteorológico indicava que choveria. Não foi o caso e ainda bem.

  • Texto e fotos: Jorge Casais

Continuando a “saga” de percorrer aldeias de Portugal lá planeei a visita a Couce, Castromil, Quintandona, Figueira, Cabroelo, Areja e Porto Carvoeiro. Desta vez todas elas bem próximas do Porto.

Aproveito a oportunidade para partilhar que, em termos de preservação, existe uma assinalável diferença entre as aldeias que visitei até ao momento. Se em algumas existe uma grande melhoria noutras nem tanto. Confesso que em algumas das aldeias pelas quais passei até que não me importaria nada de viver.

Na base da “ATA – Aldeias de Portugal” está o melhorar a qualidade de vida de quem vive nestas aldeias e poder ter assim, e ao mesmo tempo, uma oferta válida em termos turísticos da ruralidade e tradições em Portugal.

O ponto inicial foi já bem próximo da aldeia de Couce onde, como não podia deixar de ser, parei e aproveitei para fotografar e filmar.

O rio que serpenteia lá para baixo é o Ferreira, que irá desaguar em Lugar da Ribeira, no Rio Sousa, depois de ter percorrido cerca de 40 km desde a sua nascente, ou múltiplas nascentes, para os lados de Paços de Ferreira. Já passei por este rio algumas vezes em diferentes pontos e a imagem que retenho é que não é propriamente um exemplo de limpeza, apesar dos enormes esforços que os municípios têm feito para “limpar”.

Quem sabe um dia teremos o Rio Ferreira como um bom exemplo do esforço da comunidade.

A segunda paragem foi a Aldeia de Couce, também ela com o rio Couce a passar bem junto à mesma. Terei que aqui voltar pois quando comecei a descer para entrar na aldeia lembrei-me que tinha deixado tudo na moto… até a chaves na ignição. Era mesmo só arrancar.

Na foto acima, a ST com Couce lá mais abaixo e as serras de Santa Justa e Pias.

Na foto abaixo o ponto máximo a que cheguei quando me lembrei que tinha deixado tudo na mota e prontinha a arrancar.

Como disse anteriormente um local a que voltarei brevemente.

Deixada para trás Couce sabia que iria ter um troço até apanhar a estrada CM1342, que seria feita em modo off road. Quando estava a planear o passeio não me lembrei que a lama deveria ser uma presença, dada as chuvas dos últimos dias. Havia sim, mas nada de especial.

A CM1432 levou-me até encontrar EN209-1.

Passo Aguiar de Sousa e quando estou quase a chegar à Senhora do Salto (tantas vezes aqui vim ao domingo de manhã com os “Zés” comer aquela bifana depois de uma manhã a rolar com bastante intensidade) passo a rolar na EN319-2.

A Aldeia de Castromil estava perto e as suas extintas minas de ouro também. Sim, já foi terra de extracção deste metal precioso.

Muito honestamente, e perdoem-me os habitantes desta aldeia, não vi nada que apelasse aos meus sentidos ao ponto de me fazer parar a moto. Ou planeei mal a visita à aldeia ou então de facto está muito pouco recuperada. Talvez com um dia de sol a minha impressão negativa mude radicalmente. Como irei de novo a Couce planeio de novo Castromil.

Saído da aldeia apanho a EN319 que me transporta até à Aldeia de Quintandona. Contrariamente à aldeia anterior a recuperação desta aldeia é exemplar. O granito, lousa e xisto são a base construtiva de todo o casario, sejam eles para habitação, seja para o gado ou para acomodar o resultado da actividade agrícola.

Deambular por esta aldeia é um regresso ao passado… mas com boas condições de habitabilidade. Tão perto, por exemplo, do Porto, e parece que estamos isolados do mundo, como se estivéssemos num local qualquer lá mais para o interior de Portugal. De minha casa apanhando a A4 fica a cerca de 36 km e 35 minutos de distância…

… mas se não quiser pagar portagens serão cerca de 45 km e quase 60 minutos para lá chegar.

De todas as vezes que por aqui passei fico sempre com a impressão de que os habitantes de Quintandona possuem orgulho na sua aldeia, mantendo-a sempre limpa, arranjada e florida.

Para quem gosta de festividades, no mês de setembro realiza-se a Festa do Caldo de Quintandona com música, teatro, dança, folclore e, claro, muita comida e bebida à mistura. Como é que eu sei isto se nunca fui, e muito dificilmente irei, a estas festas? É que ao comprar umas coisitas na loja da aldeia, dei duas de letra com uma senhora que lá se encontrava, que em poucos minutos me contou imensas coisas sobre esta linda aldeia.

Como aldeia, e de todas as que já visitei em Portugal, ao longo da minha vida motociclística, esta é sem margem para dúvidas uma das que se encontram melhor recuperadas. Recomendo vivamente a sua visita.

Saio desta aldeia pela EN319 mas quase imediatamente a seguir corto pela esquerda e passo a rolar pelas EM590 e EM591. O meu próximo ponto de paragem planeado era a Aldeia de Figueira que, tal como a de Castromil a atravessei sem parar e, só no final, o fiz para ficar com uma imagem dela.

Um dos pontos que tinha planeado visitar eram os moinhos que, quando cheguei à aldeia, não os conseguia encontrar, pelo menos pelo ponto que tinha marcado. Parei para perguntar a uma senhora onde ficavam e a resposta foi, para mim, completamente desencorajadora, pois teria de andar um bom bocado e a subir pelo que desisti rapidamente da ideia. É que nem para uma próxima vez.

Para sair de Figueira continuo pela EM519 até encontrar a EN319 que me leva a atravessar as povoações de Cerrado, Igreja, Capela e Telheiro. Partilho que esta EN319 é bem simpática de percorrer.

A Aldeia de Cabroelo foi o destino seguinte.

Não sendo como Quintandona é, no entanto, uma aldeia bem simpática e onde alguns dos edifícios se encontram requalificados.

A entrada pela Rua General de Vilarinho prometia…

… e não desapontava…

Esta aldeia rural está enquadrada pela Serra da Boneca e a Broa até tem um museu. Na foto acima é a casa que se encontra sobre o lado esquerdo e que possui um cartaz. Gostei bastante de ter conhecido esta aldeia. Tem qualquer carga muito positiva que me atraiu bastante.

Também neste caso a aldeia parece que se encontra num qualquer local bem no interior de Portugal e afinal de contas estou a cerca de 42 km e 45 minutos de distância vindo de minha casa e apanhando auto-estrada ou, se as quiser evitar, cerca de 43 km, mas demora cerca de 70 minutos para aqui chegar.

Enquanto preparava a máquina Dji Pocket e a Nikon para começar a fotografar o local conheci o simpático Sr. José Alpoim Ferreira que me abriu as portas da Capela de S. Mateus e com quem ainda fiquei um bom par de minutos à conversa.

Ao Sr. José fez-lhe alguma confusão qual a razão para andar por aqui a passear. Expliquei-lhe que ando com um tema que são aldeias que sofreram intervenções e que fazem parte da ATA – Aldeia de Portugal. A pedido do Sr. José, até me passou a seguir no Facebook.

A pequena capela é “enorme” pela sua simplicidade. O Sr. José Ferreira explicou que a intervenção sobre a mesma foi no sentido de retirar o cimento que cobria as paredes, exteriores e interiores, deixando as paredes de granito originais a descoberto, e que no interior também retiraram a madeira e deixaram o xisto original da capela à vista.

Recomendo a visita e que, quem aqui for, que pergunte pelo Sr. José Alpoim Ferreira que é duma simpatia extrema.

Como partilho nas três fotos abaixo a simplicidade da capela é total, mas por isso mesmo, na minha opinião, lhe confere uma grandeza enorme. Para as gentes de fé, imagino que seja o suficiente… quem aqui vem terá as suas orações certamente com convicção total.

Destaco ainda que a construção do casario é, na sua maioria, em granito e as eiras em xisto e os espigueiros em madeira. Ainda pertencendo a Cabroeiro fui visitar os seus moinhos um pouco mais abaixo.

Arrisco a dizer que o museu da Broa, e o que ele representa, está de alguma forma ligado à existência destes moinhos. Não nos dias que correm, mas em tempos idos certamente que sim. Valeu a pena a visita, pelo que a recomendo também.

Mais uma vez deixei tudo na moto prontinho a arrancar pelo que a visita teve de ser realizada, mais ou menos, em modo de corrida. Não fosse alguém pensar que o Pai Natal veio mais tarde.

O encadeado de 6 moinhos pela encosta abaixo estão dispostos de acordo com o curso do ribeiro que por aqui passa. Honestamente não percebi lá muito bem o nome do ribeiro, se Trunqueira ou Drunqueira. Um dos dois será certamente.

Como andei por ali em modo de corrida não fui mesmo lá em acima, onde se encontra o primeiro moinho.

Depois de visitar Quintandona e Cabroelo, aldeias que gostei particularmente de visitar, faltavam outras duas para terminar a manhã. Eram elas Areja e Porto Carvoeiro, sendo que para as visitar tive que atravessar o rio Douro.

Dos moinhos segui pela rua central de Vilarinho até encontrar de novo a EN319 e, quase imediatamente a seguir, cortei pela direita para apanhar a CM1314 que me trouxe até à EN108.

Registo que esta rua central de Vilarinho nos faz atravessar também a aldeia de Vilarinho. Uma estrada que começa por ser em paralelo e depois passa a alcatrão, mas ambas em bom estado.

A paisagem que vamos tendo pela nossa frente é tipicamente rural, onde todos os cm de terra estão cultivados, enquanto circulamos pelo paralelo e atravessamos a aldeia. Quando entramos no alcatrão e saímos de Vilarinho, o que encontramos são os meus “amigos eucaliptos”.

Quanto à aldeia de Vilarinho, embora não faça parte da ATA – Aldeias de Portugal, pareceu-me estar bem melhor preservada que outras que já visitei e que fazem parte desta associação de turismo de aldeia.

Voltando à estrada, e já na EN108, sigo na mesma, passo a ponte e vou em direcção…

… a Sardoura para apanhar a EN222-1.

Na EN222-1 vamos cruzando com casas bem arranjadas e bonitas…

Ao planear este passeio, percebi que para chegar a horas decentes a casa teria que rolar com algum vigor em alguns locais de ligação.

Num outro dia qualquer, em que não tivesse os minutos contados, certamente que para chegar a Areja tomaria o caminho mais longo. Desta vez não foi o caso pelo que ao invés de vir pela antiga estrada EN222, segui pela sua variante onde pude andar de punho um pouco mais enrolado.

E eis que chego à Aldeia de Areja. A expectativa era grande, mais não seja porque aqui chegou a viver o Conde D. Henrique, segundo reza a história.

Durante a descida para a aldeia o nosso olhar vai-se cruzando com o Rio Douro.

Não entrei realmente na aldeia, deixei-me ficar do outro lado para ver a cascata de casario encosta abaixo até ao Rio.

Bem, tenho de partilhar que a razão mesmo foi que quando cheguei à praceta e olhei para a aldeia, vi logo que teria de descer e depois subir a pé um declive bem íngreme. Naaaaaaaaaaa, pensei eu, não fui feito para isto. Eu é mais moto, ou carro mesmo.

Entretanto enquanto fotografava e registava em vídeo o local, os barcos carregados de turistas lá iam passando rio acima.

Muito francamente cheguei a pensar que, com a Pandemia, o turismo no mundo e, em concreto em Portugal, levasse um rombo de todo o tamanho. Enganei-me redondamente, pois nestes meus passeios cruzo-me com imensos turistas nos locais mais improváveis de Portugal. Estejam eles de carro, bicicleta, moto ou a pé…ou barco como na foto que partilho acima.

Junto ao cais, onde outrora consigo imaginar que muito comércio por aqui passou, encontramos uma estátua em evocativa da Nossa Senhora dos Navegantes.

Entretanto sigo viagem, passo uma pequena ponte e início a subida em direcção à EN222. Detenho-me já cá cima e sobranceiro à aldeia para fotografar. A panorâmica do Douro e o vermelho dos telhados do casario formam, na minha opinião, um conjunto interessante.

Para quem vive aqui a vida deverá ser dura. A aldeia desce encosta abaixo duma forma bastante íngreme. Mas se hoje é dura, que dizer se recuarmos no tempo 30 ou 40 anos (para não ir mais longe). Palpita-me que não seria alcatroada nem tão pouco em paralelo.

Puxando um pouco mais pela lente da máquina conseguimos ir buscar uma panorâmica do Rio Douro também muito bonita. Atrevo-me a imaginar o que será um final de tarde num dia de céu bem azul e solarengo neste local. A “vista” deve ser sublime.

Nestes locais gosto sempre de imaginar como seria, duas ou três gerações antes da minha, a vida neste local. Como bem perto temos as minas do Pejão eventualmente este porto fluvial deveria ser bem agitado.

As minas do Pejão não ficam longe de Areja. Certamente que as minas foram destino de trabalho para muitos dos habitantes desta aldeia.

Na saída ou entrada da aldeia, conforme o sentido que levamos, existe um monumento que deixa bem presente o contributo destes aldeões para as minas do Pejão.

O meu último destino foi a Aldeia de Porto Carvoeiro que como o nome indica nos faz uma ligação ao Couto Mineiro do Pejão. Já agora aproveito para partilhar a importância destas minas, pois chegaram a ser as maiores minas de carvão de Portugal.

Pela importância que estas minas tiveram para a economia de Portugal e até mais como um tributo para todos aqueles que aqui trabalharam arduamente e colocaram a sua saúde em risco, o estado tem a obrigação de aqui criar um museu mineiro. Afinal de contas o Estado é “dono” desta extinta empresa desde 1977.

Vale o que vale, mas a todos os mineiros que aqui, e noutras minas, trabalharam e continuam a trabalhar tiro-lhes o chapéu e faço-lhes uma vénia. É certo que existem trabalhos muito duros, mas certamente que a vida de mineiro é uma delas.

Voltando ao passeio.

Depois de passar a ponte sobre o Rio Inha, na EN222, irá aparecer a indicação sobre a minha direita da aldeia e uns metros mais à frente um sinal vertical “avisa-me” que estou perto.

Chegado à Aldeia de Porto Carvoeiro sou surpreendido com uma enorme grua a operar no cais e relembro que aqui se encontra o km 0 da estrada EN223.

Um outro tema/projecto que me envolvi e que ainda não terminei, embora agora já falte muito pouco, foi e é o de percorrer as Estradas Nacionais desde o seu início até ao seu final.

Em 29.05.2020 percorri esta estrada, no sentido inverso, e nesse dia forma percorridas mais algumas:

N329, N339, N232, N234, N223 – https://1drv.ms/w/s!AlkEIhTyQKB5jZM0pGdudSsdgizVyA?e=HM9yos

Confesso que foi um dia em cheio, pois nesse dia percorri 725 km.

Um dos pontos altos desta aldeia é, na minha opinião, a vista do cais sobre o rio Douro. Como a mesma estava impedida não fiquei por aqui muito tempo.

Mais um belo dia de passeio mesmo com o céu cinzento que me acompanhou durante todo o tempo.

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